Autistas são (também) pessoas maravilhosas!

29. September 2018

Na verdade eu gostaria de escrever sobre Amsterdã, a capital holandesa que conheci na última semana e o título do post seria „Amsterdã, cuidado bicicleta!“. Sim, é verdade nunca me senti mais ameaçada por uma bicicleta do que em Amsterdã… A quantidade de ciclistas e a velocidade com que atravessam a cidade, que por sinal é toda atravessada por ciclovias, me espantou de uma tal forma que passei a tomar muito mais cuidado por não estar ocupando uma „ciclovia“ do que uma „rodovia“. Foi sim uma esperiência fantástica a de tirar uns dias de férias na  na Holanda, um país que fica aqui do lado, mas o qual eu nunca tinha realmente „de perto“ experimentado. Os canais, as vacas soltas, a liberdade dos ciclistas me encantaram muito! Já planejo voltar no verão do ano que vem.

Agora o que ocupava tão intensamente os meus pensamentos que provocou a explosão das palavras escritas são as pessoas com o diagnóstico „ASS“ /“ASD“ ou melhor em português: Transtornos do espectro do autismo, com os quais me ocupo profissionalmente, mas com tanta paixão que algumas vezes, mesmo chegando em casa, meus pensamentos permanecem com eles.   Há tempos sinto que uma boa parte do meu coração pertence aos autistas. Não sei explicar o por quê, mas hoje depois de meses me ocupando intensamente com as necessidades especiais de alguns seres humanos portadores do „Autismo“, me sinto imensamente tocada e mergulhada no mundo destas pessoas tão sensíveis e especiais. Procuro intensamente entender a lógica das suas opções para favorecer-lhes  segurança e assim poderem se expressar  através das palavras ou dos gestos. Uma vez que se sentem compreendidos, transportam tanta paz através dos olhos que me sinto „de bem“ com o mundo todo. Tenho que agradecer muito à vida por me proporcionar tomar parte da rotina diária de algumas pessoas portadoras de autismo, pois me sinto absolutamente realizada ao contribuir para que eles tenham acesso à certa qualidade de vida apesar da muralha que se interpõe entre nossos mundos.

 

Beijos ♥

 

Share This:

Sobre ser feminista…

25. September 2018

Por Ruth Manus
“Semana passada fui dar aula sobre assédio sexual num curso de pós graduação em São Paulo. Cheguei na sala, composta predominantemente por advogados, e perguntei “Quem aqui se considera feminista?”. Silêncio. Uma moça levanta timidamente o braço. Dois ou três caras fazem comentários baixinho e riem. Disse “Ok. Vou fazer duas leituras rápidas para vocês”. Continuei.“Dicionário Houaiss da língua portuguesa: FEMINISMO: teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos. Dicionário Jurídico da Professora Maria Helena Diniz: FEMINISMO: movimento que busca equiparar a mulher ao homem no que atina aos direitos, emancipando-a jurídica, econômica e sexualmente.”Esperei um pouquinho e mudei a pergunta “Quem aqui pode me dizer que NÃO se considera feminista?”. Ninguém levantou a mão. Pois é. Tenho a sensação de que 99% do mundo não entendeu até agora o que é feminismo. Porque se as pessoas entendessem, quase todo mundo teria orgulho de se dizer feminista. E o melhor: dizer “eu não sou feminista” seria considerado algo mais feio do que dizer “eu não gosto de filhote de golden”. Não vou perder tempo aqui dizendo que feministas não são mulheres que não se depilam, não usam soutien e não transam. Primeiro porque ser feminista não tem a ver com ser mulher, tem a ver com ser humano. Segundo porque nunca entendi que raio que os pelos têm a ver com posicionamentos ideológicos. Terceiro porque soutien serve para sustentar peitos, não para sustentar ideias. E quarto porque eu já vi gente deixar de transar por causa da igreja, por causa de promessa, por falta de opção, por infecção ginecológica, problemas de ereção… Mas por feminismo nunca vi. Alguém já viu? Enfim. Acho que ser feminista não é bom ou ruim. Ser feminista é necessário. Uma vez ouvi uma amiga dizer “a mulher que diz que nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída”. É simples assim. Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos ir até tribos africanas. Não precisamos ir ao sertão do nordeste. Não precisamos ir até a periferia de São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por perto. E agora, quem poderá nos defender? O feminismo. O mesmo feminismo que nos tornou civilmente capazes e independentes perante a lei. O mesmo feminismo que nos possibilitou votarmos e sermos votadas. O mesmo feminismo que segue lutando diariamente por uma sociedade mais justa para mulheres, homens, mães, pais, filhas, filhos, trabalhadoras e trabalhadores. No século XIX, as brilhantes irmãs Brontë escreviam através de pseudônimos masculinos por saberem que suas obras não seriam aceitas na sociedade se soubessem que as autoras eram mulheres. Se não fosse o feminismo eu provavelmente também não estaria escrevendo aqui neste momento. Pelo menos não como Ruth. Nós precisamos falar sobre feminismo. Com nossos amigos, nossos pais, nossos filhos, grandes ou pequenos. É hora de falar sobre igualdade entre meninos e meninas. É hora de falar que meninas podem jogar bola e ter carrinhos e que meninos podem cuidar de bonecas. Quem não quer ter um filho feminista? Quem não quer que eles vivam num mundo de igualdade, no qual nem meninos nem meninas sejam massacrados pela truculência do machismo? Nesse domingo, o tema da redação do Enem foi a violência contra a mulher. Milhões de jovens tiveram que parar para pensar sobre isso. Que avanço lindo. Pensar é sempre o primeiro passo. Perceber que a questão existe, que o tema não é antiquado e que, infelizmente, as questões de gênero estão muito longe de serem superadas. A violência persiste, a discriminação no ambiente de trabalho persiste, a desigualdade salarial persiste, a discriminação com as tarefas domésticas persiste, as pequenas (e não menos graves) agressões machistas do dia a dia persistem. Então a luta tem que persistir. O feminismo não é de esquerda nem de direita. Não é só para mulheres nem é só para homens. Não é ameaça. Não é um estranho. Mas perceba que quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer estar.

Se você percebeu que é feminista, fique tranquilo. Nós não contaremos para ninguém. Mas, sabe? Se eu fosse você, eu sairia contando para todo mundo. Porque ser feminista é lindo, é importante, é sinal da inteligência e da decência de qualquer ser humano. Como diz o lindo livrinho da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (leiam, ele é pequenino e indispensável): Sejamos todos feministas. E o mundo será melhor a cada dia. Pode apostar.”

Tão lúcido este posicionamento, o qual reproduz o meu próprio – por isso tive que publicá-lo no meu blog pessoal.

Beijos e linda semana ainda!

Share This:

O preconceito, a ignorância, a hipocrisia e a violência andam de mãos dadas…

18. September 2018

e me causam repulsa e medo ao mesmo tempo. Há tempos que minhas teclas andam paralisadas até porque as palavras me fogem quando gostaria de expressar o meu espanto, a minha desilusão e sobretudo o medo que me causa o contexto político que assola o Brasil. Sim vivo anos fora do país onde nasci e cresci, mas do qual nunca consegui ou planejei me afastar. Novamente, quase que às vespéras das eleições presidenciais posso entender que a população brasileira está desesperada por soluções rápidas para o colapso ecônomico e social que a atinge. contudo uma solução mágica para os problemas seculares não existe. A  violência da desiguladade social que assola  o país de ponta a ponta jamais será substituida por „ordem e progresso“ através de discursos hipócritas e medidas superficiais. As feridas da colonização portuguesa, do imperialismo e do neo-liberalismo estão abertas e sangram. É muito simples culpar os últimos governos pelo caos que se instalou no contexto sócio-econômico-político brasileiro. E a crença de que um governo autoritário, ignorante, violento e preconceituoso irá tirar o país deste caos é absurdamente ingênua. É realmente muito triste observar que uma boa parcela da população do Brasil planeja apoiar mais vez um candidato à presidência que está aberta e literalmente blefando. Jamais na História da Humanidade a injustiça e a violência social foram exterminadas como um passo de mágica, de cima para baixo- através de discursos vazios, preconceituosos e violentos. O Brasil necessita de projetos sociais – que se concretizem. A população marginalizada precisa ter acesso à educação, à saúde, ao emprego. Os impostos devem ser obrigatoriamente retornados à benefícios para a população e não para uma minoria hipócrita – cercada por fios elétricos e seguranças – privilegiada à séculos. O povo brasileiro necessita urgentemente se conscientizar de que a classe política existe para trabalhar em prol da população e não a servir-se de benefícios ou privilegiar grupos econômicos, os quais sempre usaram a máquina do Estado para cavar permanentemente o fosso entre as classes socias.

Estou muito transtornada e perplexa para escrever mais. A esperança de que a sensatez se sobreponha em outubro nas urnas brasileiras – é a última que morre.

 

Beijos,

ótima semana ainda!

 

Share This:

„Como nossos pais“

16. August 2018

Hoje vivenciamos um dia extraordinário de verão. A natureza nos presentea bondosamente o calor do sol e na medida certa. Nossos corpos e almas podem simplesmente se deleitar na delicia do céu azul e se embalsamar nos sons da natureza. Sou grata ao universo pelo bálsamo de poder me misturar nesta calmaria de tons fascinantes. Apenas o contraste da minha alma cinza dolorida pela dor da minha cria sobressalta-se ao espetáculo natural e sensacional que o dia apresenta. Desde que me tornei mãe e acredito que este seja um fênomeno natural à maioria das mães e talvez de pais também… Não sei… Afinal nunca fui pai… As dores dos nossos filhos nos massacram muito mais que as nossas próprias. As nossas dores passam a não ter muita importância, seja qual for a intensidade delas. No entanto, as dores dos filhos nos atravessam de tal forma que podem nos tirar, literalmente, dos trilhos. E hoje foi um desses dias, nos quais eu sai dos trilhos para defender a integridade da minha criança que decidiu a aproximadamente três anos não ser mais criança e a se aventurar nas alegrias e decepções de amores. Estes amores que nós próprios buscamos um dia e também naqueles tempos preocupávamos nossos pais e não conseguíamos muito bem entender suas angústias, preocupações… E a dificuldade de se ouvir o „eu avisei“…

„Me diz porque que o céu é azul… me explica a grande fúria do Mundo…“

Agora depois de tantos anos e considerando minhas próprias crias… evito ou tento evitar  o „eu avisei“ até porque não diminui em nada a dor de uma decepςão que dilacera ou o receio de consequências de atos inconsequentes. As tentativas para suavizar as dores e os medos dos filhos me parecem como as ações de Dom Quixote… Colossais e ineficientes e o quanto é doloroso vivenciar os filhos crescendo não apenas com seus acertos, mas sobretudo com os seus erros. Como é difícil não ser capaz de conter as experiências negativas que dilaceram em alguns momentos a vida de nossos filhos. E como é quase insuportável a dor de observá-los através da amargura de decepções. Me resta hoje, neste momento… Apenas aceitar as regras da escola da vida: Elas são severas, mas eficientes. Se aplicam  também  aos nossos filhos independentemente de nós e nossos pais…

Beijos

Share This:

Zum Nachdenken/Para pensar

31. Juli 2018

Quem tem um objetivo, pode decidir-se.

Quem decide, encontra a paz.

Quem encontra a paz, sente-se seguro.

Quem sente-se seguro, pode pensar.

Quem pensa, pode melhorar.

Konfuzius

 

Share This:

Nós

21. Juli 2018

Minha alma danςa

na lembrança

de dias inocentes

misturados

com nuances

de esperança…

Eu agora,

quase me perco,

percorrendo salas vazias

de alegrias perdidas,

almas doloridas

em tardes frias…

 

Como dói a insanidade,

como suportar a explosão

de sentimentos

do abandono

do desalento

da abstinência de amor…

olor, calor…

 

Pelo sim,

pelo não,

beijos.

 

 

 

Share This:

Zum Nachdenken/Para pensar

12. Juli 2018

Eine kleine Frage entscheidet mit, wie hoch Ihr Herzinfarktrisiko ist, und die steht in keinem Anamnesebogen: „fühlen Sie sich geliebt?“

Uma pergunta muito simples decide quão alto é o risco que você corre de ter  um  ataque cardíaco e não aparece em nenhum formulário médico: „Você se sente amado?“

Dr. Eckart von Hirschhausen
Wunder wirken wunder – Milagres fazem milagres

Share This:

Destino… louco destino!

8. Juli 2018

São as almas,

atentas,

calmas,

sedentas,

desiludidas,

no alento,

da travessia da vida…

 

Esta vida tão cinza,

no contraste da beleza,

das cores, dos sorrisos,

das dores,

de tantas almas vazias,

do sofrimento,

da falta de acalento,

de buscas fúteis,

através da travessia

desta vida.

 

Beijos e

linda semana apesar de

todos dos pesares!

Share This:

Brasil mostrando a sua cara

30. Mai 2018

Mesmo que quisesse me alienar, já que estou a 10.000 kms de distância física do Brasil, eu não poderia! Através dos meios de comunicação paralelos é interessante manter-se informada, bisbilhotar e de alguma forma  participar deste  momento econômico, político e social tão importante na História do nosso país!

Acompanhei também o movimento „Fora Dilma“ e me perguntava o porque a parcela da população que promovia este momento acreditava que os problemas do país como que um „milagre“ – apenas trocando os atores – seriam resolvidos. Eu tenho o privilégio de poder observar tudo de fora do país, mas ao mesmo tempo sinto um certo peso na consciência por não estar sofrendo com o caos instalado no país que amo tanto! Por circunstâncias da vida e não para fugir dos problemas  estou vivendo fora do Brasil desde 2000, até porque acredito que o „paraíso“ não se encontra neste planeta. Em qualquer lugar que se esteja a luta diária de pessoas honestas, socialmente e ecológicamente comprometidas é árdua!

A paralização dos caminhoneiros no âmbito nacional está expondo abertamente as feridas do povo brasileiro e afetando a comodidade das classes privilegiadas. O momento atual é muito interessante e positivo. Percebo as pessoas se conscientizando dos seus direitos e falando abertamente sobre as suas prioridades, independentemente de partidos ou ideologias. Infelizmente muitos ainda acreditam em „milagres“ e agora pregam  a substituição de „Temer e sua equipe administrativa“ pelos militares. Ainda não entenderam que simplesmente „trocar personagens“ não abala a estrutura decadente de 518 anos. As pessoas que clamam por intervenção militar  não conhecem o significado de expressōes como Socialismo e Comunismo. Suas convicções refletem a ignorância de uma parcela  da população vítima do sistema carrasco que se instalou no país desde a chegada dos portugueses no Brasil. Um sistema que sempre privilegiou àqueles que têm acesso à Educação e à informação  de qualidade.

O processo de mudança estrutural é lento e doloroso, mas necessário! Sob a minha ótica pessoal, o povo já pagou esta conta! É hora da classe política e da economicamente privilegiada pagarem as parcelas que os tocam!

 

Beijos com carinho!

Share This:

Estratégias de sobrevivência

25. Mai 2018
Aufwiedersehen - até a vista!

„Não devemos atracar  com apenas uma âncora e atar nossas vidas somente em um mastro de esperança“. Epikt

Tenho me descoberto como uma dessas pessoas malucas que tentam entender as estratégias de sobrevivência de outras pessoas, claro além das minhas próprias. Logicamente o objetivo de todos os seres animados é a satisfaςão pessoal em todos os âmbitos. Me observo e observo ao meu redor o quanto interessante é a luta pela sobrevevivência e de preferência em alto estilo! E o que significa alto estilo para cada um de nós é outra suposição bem particular. Tenho o privilégio de ter ou ter tido contato com tantas pessoas com diferentes interesses, talentos e ou deficiências, provindas de várias culturas e camadas socias, que me dou o luxo de refletir um pouco sobre as alegrias e dores do ser humano em geral e o quão são interessantes nossas estratégias de sobrevivência. Sim, a única certeza que temos é a da morte (física ao menos), mas até lá de uma forma ou de outra gostaríamos de ser „felizes“. O que significa a „felicidade“? Tão efêmero este sentimento. Quem pode afirmar que é feliz? Por que? Até quando? E quanto aos outros sentimentos? Os positivos, como experimentá-los com toda a intensidade? Os negativos, como exauri-los  dos nossos poros? O que realmente nos importa? O que realmente nos faz evoluir enquanto seres humanos, enquanto almas encarceradas num corpo? Com certeza os nossos mais sublimes valores. Pensando bem, tudo é tão simples e lindo no universo. O ciclo da vida é óbvio, preciso, fenomenal… Nós é que complicamos tudo!

Beijos,

ótimo fim de semana!

Share This: