Nova prioridade na lista de compras: papel higiênico!

Março 24th, 2020

Novo vírus: Novos valores/necessidades

Em uma triste fase de nossas vidas, por conta do “Corona-Vírus”, nos obrigamos a rever nossas atitudes, enquanto habitantes deste planeta. Ninguém acreditaria, há poucas semanas, que medidas tão drásticas seriam tomadas para a prevenção de todos nós, mas principalmente daqueles com menor resistência imunológica. Estamos batalhando contra uma praga silenciosa que não reconhece fronteiras físicas, climáticas ou sociais. Barreiras inimagináves, como entre os países europeus, se tornaram reais. Se locomover para visitar parentes, amigos, ver um filme no cinema ou jantar fora, se tornou impossível. Nossa rotina se alterou realmente de forma drástica e inconcebível na era da globalização. Temos que repensar todas as nossas ações e princípios. Até mesmo o ato, a primeira vista considerado mesmo “banal” – o de fazer as compras semanais, se tornou um ritual a parte: básico e eficiente. Aqui na Alemanha onde as idas ao supermercado, para muitos, fazia parte da rotina diária, tornou-se uma atividade menos prazerosa. As pessoas circulam preocupadas, tensas, olhando para as mercadorias e a distância dos clientes entre si, o que realmente é necessário, mas se pode fazer discretamente, porém se observa o pânico nos olhos das pessoas. Os produtos mais raros, de acordo com a minha experiência, são papel higiênico e leite. Lê-se placas como “compre o essencial, pense em outras famílias ou um pacote por cliente”. Hoje eu estive comprando um último pacote de papel higiênico numa espécie de drogaria, pois no supermercado onde fui não encontrei nenhum rolo. Preocupada com a corrida atrás de papel higiênico, olhei para outras opções e acabei encontrando uma mini -ducha portátil, claro fui logo comprando… Pensei em como o ser humano é capaz de se adaptar e me lembrei de depoimentos des pessoas que sobreviveram às guerras “not macht erfinderisch”!

Por favor, cuidem-se!

Beijos

Setembro em Nova York

Março 10th, 2020

Da série: Xingando em alemão

Fevereiro 28th, 2020

Parte I

Sinceramente, para tudo há limite! Por isso mesmo na intenção de organizar uma higiene mental à alemã resolvi divulgar aqui boas dicas para se xingar em alemão. São expressões bem populares e até as crianças entendem. Hoje, sobre como você fazer outra pessoa entender que ela não é, ao menos no momento, uma presença desejável:

Ich möchte nicht, dass diese Person hierbleibt:

  1. Geh Weg! Vá embora!
  2. Hau ab! Saia!
  3. Verschwinde! Desapareça!
  4. Geh mir aus den Augen! Desapareça da minha vista!
  5. Lass dich hier nie wieder blicken! Não se deixe mais ser visto aqui!
  6. Geh doch dahin, wo der Pfeffer wächst! Vá realmente para onde a pimenta cresce! Aqui a expressão denota distância geográfica – o oriente.
  7. Verzieh dich! Tome rumo!
  8. Verpiss dich! Suma!

Fonte: Caderno extra da Revista: Deutsch perfekt 3/20

Trotzdem, Kuss für dich!

Fragmentos de pensamentos

Fevereiro 8th, 2020

Uma estrela

uma luz

entre fios, desafios, desatinos.

Uma luz

na contra luz

da tarde

límpida.

Nenhuma esperança,

no caos

da lembrança.

Lachstein/Pedra sorridente

Fevereiro 4th, 2020

“Ich schenke dir einen Lachstein / Eu te dou de presente uma pedra sorridente.

Schau her, er lacht dich an./ Olha prá cá, ela sorri para você.

Er passt in jede Tasche rein/ Ela cabe dentro de qualquer bolsa

und stupst dich manchmal an./ E alfineta você algumas vezes.

Wenn das Leben einmal nicht so leicht,/ Quando a vida uma vez não está tão leve,

Er nicht von deiner Seite weicht./ Não a coloque de lado.

Dann schau ihn an und werde heiter,/ Então olhe prá ela e fique alegre,

das Leben geht gleich leichter weiter. / Logo a vida continua e de forma mais leve.

So hilft er dir an trüben Tagen / Assim ela o ajuda em dias tristes

und will mit seinem Lachen sagen: / E quer dizer com o seu sorriso:

Nach Regen, da kommt Sonnenschein, / Depois da chuva, lá vem o brilho do sol,

den lasse in dein Herz hinein. / Deixe-o adentrar em seu coração.”

Beijos,

linda semana ainda!

Uma caipira na cidade eterna

Janeiro 19th, 2020
Ao fundo a praça do Vaticano.

Fazia anos que planejava visitar Roma, porém apenas nos recentes anos tenho o privilégio de decidir sobre os meus destinos de viagem. Assim, no último outono pude emfim visitar Roma. A velha Europa me fascina há anos. Os monumentos, as ruas, os castelos e seus muros, bem como as paisagens naturais deste continente me atraem como um imã desde que comecei a folhear os livros de História. Me encanto ainda todos os dias ao observar a Hitória entranhada nas montanhas que cercam o vale do Mosela e do Reno, mas poder passar uns dias em Roma foi definitivamente concretizar um sonho de adolescente. Observar os monumentos e caminhar sobre ruas cheias de História foi fascinante e sobretudo poder tocar o coliseo foi uma grande realização. No entanto, o caos no trânsito e a confusão de pedestres e vendedores de todas as nacionalidades, me assustaram um pouco. Assim como em Paris, a primeira impressão que tive da cidade foi a de desolação urbana: Caos de ônibus, táxis, automóveis, motocicletas,pessoas andando apressadas, indiferentes, ocupadas com seus telefones celulares e fones de ouvidos. Contudo, algumas horas depois da nossa chegada na cidade eterna, Vici e eu tentávamos nos ajustar aos olhares e modos dos italianos. Onde nos hospedamos não havia turistas e nem todos os italianos alí se mostraram simpáticos e receptivos, mas tudo bem. Descobrimos no outro dia de manhã, após nos prepararmos para conhecer o lado imponente da cidade, que estávamos há cerca de 13 kms de distância do Centro da cidade. Nossa primeira tentativa de usar um ônibus fracassou, pois apenas quando estávamos dentro do ônibus com direção à uma estação de metrô, descobrimos que necessitávamos comprar um tíquete antes. O motorista do ônibus apenas dirige o ônibus! Assim tivemos que descer no próximo ponto de ônibus e voltar para o hotel para nos “orientarmos” melhor. Alí pudemos comprar as nossas passagens de ônibus, por sinal bem em conta, cada uma custou apenas 1,00 Euro, as quais pudemos usar também no metrô para chegarmos ao centro. Ou seja, compensa muito usar o transporte urbano em Roma. Em função da globalição, se alimentar bem por lá também é possível sem gastar rios de dinheiro, ao contrário do que ouvi. O complicado mesmo é visitar as principais atrações turísticas sem antes ter comprado as entradas. As filas são intermináveis!

Beijos!

Ótima semana!

Feliz Ano Novo

Dezembro 31st, 2019

A melhor forma para se começar bem cada novo dia é: Ao se despertar, pensar sobre a possibilidade de neste dia, no mínimo, proporcionar à uma pessoa um momento feliz. ( Nietzsche)

Mais um ano se esvai através de nossas vidas. Hoje, quando se tem tempo, acaba se refletindo sobre acontecimentos, ganhos, perdas, desafios superados ou não… Eu particularmente prefiro simplesmente tocar o barco já que procuro vivenciar todos os dias o extremo das possibilidades. Tenho muito à agradecer, isto é certo. Estive saudável o ano completo, pude trabalhar, compartilhar muitos momentos especias com pessoas queridas. Estive viajando, conheci outros cantinhos especiais deste velho continente, o qual admiro tanto!

Para o próximo ano, não tenho planos mirabolantes. Vou ficar muito feliz e agradecida se puder vivenciá-lo de forma semelhante a este, do qual nos despedimos hoje daqui há poucas horas.

Para você e todas as pessoas de bem deste planeta, desejo muita energia positiva, muita esperança em dias alegres, prósperos e saudáveis! Viva la Vida!

Beijos com muito carinho!



Filosofando

Dezembro 30th, 2019

“Starke Gefühle können schön, aber auch sehr stressig sein. Wenn wir sie achtsam wahrnehmen und annehmen können, erkennen wir ihre Vergänglichkeit und müssen uns nicht mehr von ihnen überfluten lassen.”


“As emoções fortes podem ser bonitas, mas também podem ser muito estressantes. Se podemos percebê-las e aceitá-las com atenção, reconhecemos sua transitoriedade e não precisamos mais ser dominadas por elas”.

Alma

Setembro 25th, 2019

Dores na alma,

represada na solidão,

da escuridão

de mundos encerrados,

encarcerados

em labirintos

sórdidos, áridos,

desiludidos nos vazios,

da indiferença

do sarcasmo

do desalento.

Trauerfeier/Celebração da tristeza – Um paradoxo?

Setembro 18th, 2019

Você me venceu. Através desta derrota eu me tornei forte.
Antoine de Exupéry

A partir do momento que passei a viver na Alemanha, logicamente, tive que rever todos os meus conceitos e costumes. Afinal, outra cultura é intrínseca à outros conceitos e valores. Um dos comportamentos mais interessantes que viviencio na cultura germânica, se refere à morte física de um ente querido. A discrição germânica em torno deste tema é fascinante. Me espanto e me pego sempre admirada o quanto eles evitam em se expor quando o assunto é doença e morte. Estes temas são literamente tabus na cultura alemã. A começar no trabalho… Quando um colega informa que está “doente”, normalmente não se pergunta nada sobre qual a doença ou o problema que o abate. Nem mesmo o empregador tem o direito de saber algo extra sobre a condição do empregado, a não ser quanto tempo este funcionário estará afastado de suas funções. Todas as demais informações ficam a critério da pessoa que informou que não está em condições de exercer suas atividades profissionais. Esta discrição pode sim favorecer àqueles que gostariam apenas de disfrutar “uns dias livres”, mas é fundamental para àqueles que se encontram ralmente no centro de uma crise causada por um sério transtorno píquico ou corporal.

Com relação aos distúrbios psicológicos/psíquicos os alemães são ainda mais discretos. Enquanto que no Brasil é chic frequenar um consultório psicológico, aqui na Alemanha se evita ao máximo e em frente à uma necessidade irreversível se procura uma ajuda profissional com o máximo de discrição possível.

Quanto à celebração da tristeza – como intitulei o post – Me refiro à uma reunião que se organiza quando uma pessoa morre. É bastante complexo o processo de despedida das pessoas que deixaram este planeta, penso que em qualquer lugar deste planeta. Contudo, quando se compara estes rituais entre o Brasil e a Alemanha, considero o “trauma” da despedida na Alemanha “sui generis”.

Em função de diferentes fatores, o enterro demora dias ou mesmo semanas após a morte. A cremação é muito comum. Os rituais para o sepultamento, o qual pode também ocupar um espaço da floresta – logicamente destinado para este fim (Pode haver uma colocação de placa na árvore, debaixo da qual as cinzas foram depositadas ou não) são acompanhados por músicas preferidas pelo falecido. Depois do enterro as pessoas participam de um encontro, onde conversam, tomam café, chá, água ou sucos. Um lanche muito especial também é preparado. Assim que se toma conhecimento da notícia da morte, se envia um cartão de condolências, o qual contêm também dinheiro (a quantia fica a critério de cada pessoa). Este cartão pode ser colocado na caixa de correio correspondente à família do (a) falecido (a), enviado pelo correio ou discretamente entregue à uma pessoa próxima à família. Esta espécie de “doação material” se refere à uma ajuda para as despesas funerais, na qual inclusive está o anúncio, num jornal local, de morte e agradecimentos pelo apoio emocional de amigos por ocasião da perda e informações sobre a ocorrência ou não de uma celebração religiosa, assim como se e onde os pessoas mais próximas receberão condolências . Este anúncio pode conter também uma foto da pessoa falecida ao não. Se houver, a foto normalmente relembra a pessoa num bom momento de sua vida, ou seja sorrindo.

Também interessante é o fato de que para os alemães, faz parte do ritual de despedida, se vestir muito bem. Se coloca a melhor roupa preta ou escura que se encontra no guarda-roupas. Se maquiar (sem extravagância) também não representa nehum tabu.

Pensando bem, celebrar a tristeza não precisa ser necessariamente paradoxal. Afinal a morte física não deixa de ser também um novo nascimento e um nascimento, em qualquer cultura, representa sim um motivo para o sentimento de alegria. Além do que, por mais difícil que seja, não podemos nos esquecer que nossa passagem por este planeta é mesmo breve, ou seja tudo é uma questão de ponto- de- (vida) vista.

Beijos