20 germânicos anos

O cinza lá fora combina com a nostalgia que o outono nos trás. Ele nos prepara para os meses de pouca luz e nos convida ao aconhego de nossas casas aquecidas artificialmente e à reflexão. Hoje estou especialmente pensativa, afinal se completam duas décadas que passei a viver em dois mundos. Deixei para trás um país que naquele tempo ainda era alegre, cheio de gente discontraída, leve, solta e, inocentemente passei a pertencer ao mundo do velho mundo. Cheguei com a esperança que me adaptaria rapidinho e tudo tomaria seu curso com naturalidade e harmonia. Contudo nada foi tão simples quanto o sonhado. Passar a viver num país estrangeiro implica se deparar diariamente com novos desafios, esquecer do próprio ego e se inflar de coragem para aprender, aprender e aprender e sobretudo estar forte para se deparar com os preconceitos e humildade o bastante para adaptar-se em um outro contexto sócio-cultural.

Eu aprendi a gostar deste país e todo o seu extremo, mas confesso que nada foi fácil. Devagar venho dominando a gramática alemã e compreendendo a lógica do raciocínio germânico, me sinto também inserida no mercado de trabalho e bastante aceita em todos os contextos. No entanto a sensação de ser estrangeira nunca me abandona. A questão é que também me sinto estrangeira no Brasil, mas acho que isso é normal em qualquer vida imigrante.

Um dias desses a gente se vê de novo.

Beijos.

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