Archive for Outubro, 2020

O mundo de Thiago: fascinante, cheio de cores e detalhes…

Quarta-feira, Outubro 7th, 2020

Foi recentemente para mim apresentado primeiramente pela nossa querida Nereide Rosa e posteriormente por sua grande apoiadora, incentivadora e mãe: Kássia Santos.

Dr Who
Autoretrato (2019): Thiago no 4° Doctor who -Tom Baker

Thiago S. Fernandes é um destes raros talentos naturais, o que o torna um especialista na arte de expressar seus sentimentos, impressões e conhecimentos através de figuras e paisagens lindamente coloridas e ricas em detalhes. E, muito interessante também é saber que sua arte, transposta em papel, está inserida em contextos por Ele anteriormente pesquisados e profundamente analisados.

Sem sombra de dúvida, o talento do Thiago é impressionante! Contudo o que o torna ainda mais especial é o fato de que através da sua arte Ele é um exemplo, para todos nós, de superação, pois trava batalhas diárias em função do Espectro Autista, com o qual foi diagnosticado há cerca de três anos.

Para os bons observadores é fácil constatar que suprimi a palavra “transtorno”. Fato é que descartei a expressão “transtorno” com base em estudos recentes, nos quais se coloca em questionamento o fato de que Espectro Autista seja um “transtorno”. Se questiona: Por que transtorno? Cada ser humano tem a sua própria percepção de Mundo, de si mesmo. Por que continuamos etiquetando as pessoas dentro de um padrão pré-concebido como “Normal”?

O Irlândes (2020) Keven Liam, um mágico irlandês

Há muito o que se “rever” quanto à estereotipos e “Verdades”. Hoje eu quero apenas parabenizar o Thiago pelo seu maravilho Mundo de cores, detalhes e fascínio! Bravo Thiago!

Beijos!

PS: Para pensar: “É normal ser diferente”

30 anos de reunificação!?

Sábado, Outubro 3rd, 2020

Uma boa afirmação ou uma boa pergunta?

Este é um questionamento não apenas meu, posso concluir a partir do que li e ouvi durante todo o dia. A História alemã é extrema e traduz algo das nossas próprias contradições. Quantas vezes nos percebemos inteiros, fortes, imbatíveis? E quantas outras vezes nos sentimos divididos, esfacelados e frágeis? Tão frágeis e sob escombros? Talvez seja insensata esta minha comparação, mas se desprendeu assim expontaneamente dos meus pensamentos.

Sim, há 30 anos a Alemanha fervilhava de esperança e expectiva em dias livres e fartos para todos os habitantes do leste e oeste do país. A explosão de alegria causada pela queda do Muro de Berlim em 1989 contaminou não apenas o país, mas também o mundo. Hoje as comemorações foram discretas. Naturalmente o Covid-19 assombra qualquer reunião comemorativa ou não, porém os resquícios do Muro, sem sombra de dúvida, espantam muito mais que este ou qualquer vírus.

Fato é que geograficamente a Alemanha está reunificada. No entanto o muro, de forma invisível, ainda está aqui dividindo as pessoas. Uma divisão disforme, latente, vergonhosa, intensificada pelo radicalismo neo. O qual insiste numa ideologia avessa a uma Alemanha internacional, moderna e sobretudo inclusiva.

como concluir? O processo de reunificação continua… Nada como um dia após o outro… Ou melhor: Nada como uma década após a outra!

Beijos!

20 germânicos anos

Quinta-feira, Outubro 1st, 2020

O cinza lá fora combina com a nostalgia que o outono nos trás. Ele nos prepara para os meses de pouca luz e nos convida ao aconhego de nossas casas aquecidas artificialmente e à reflexão. Hoje estou especialmente pensativa, afinal se completam duas décadas que passei a viver em dois mundos. Deixei para trás um país que naquele tempo ainda era alegre, cheio de gente discontraída, leve, solta e, inocentemente passei a pertencer ao mundo do velho mundo. Cheguei com a esperança que me adaptaria rapidinho e tudo tomaria seu curso com naturalidade e harmonia. Contudo nada foi tão simples quanto o sonhado. Passar a viver num país estrangeiro implica se deparar diariamente com novos desafios, esquecer do próprio ego e se inflar de coragem para aprender, aprender e aprender e sobretudo estar forte para se deparar com os preconceitos e humildade o bastante para adaptar-se em um outro contexto sócio-cultural.

Eu aprendi a gostar deste país e todo o seu extremo, mas confesso que nada foi fácil. Devagar venho dominando a gramática alemã e compreendendo a lógica do raciocínio germânico, me sinto também inserida no mercado de trabalho e bastante aceita em todos os contextos. No entanto a sensação de ser estrangeira nunca me abandona. A questão é que também me sinto estrangeira no Brasil, mas acho que isso é normal em qualquer vida imigrante.

Um dias desses a gente se vê de novo.

Beijos.