Uma caipira em Berlim

A típica Alemanha cinza predomina lá fora. Folhas coloridas e outras já secas  cobrem de forma desordenada as calçadas e esquinas. Bandos de gansos selvagens e pássaros já buscam o aconchego do verão no sul do continente ou norte africano. Nós humanos, plantados nas nossas obrigações e rotina aqui ficamos, tentando desesperadamente nos acostumar com os dias escuros, curtos, nebulosos e úmidos. Nos apegamos ao aconchego da casa quentinha, às luzes extras das velas e nos alegramos  com a chegada, em algumas semanas, do tempo de advento – outra oportunidade para encher o ambiente de cheiro de canela, chocalate, pinhos e natal. Tive sorte de, neste meio tempo, poder fugir um pouco de dias pesados de trabalho e preocupações com os trabalhos e provas finais do meu novo curso profissionalizante. A pressão é grande, o desafio me parece algumas vezes mais poderoso do que minha capacidade física, psiquíca e intelectual. Assim, não pensei muito, e, aproveitando também a última semana de férias de outono das filhotas fui me aventurar pela capital alemã. Pela primeira vez tive que realmente estudar a lógica de funcionamento da rede de trens urbanos de Berlim. Fiquei com receio de não conseguir chegar ao Brandenburger Tor, perdida que estava entre linhas de trens em lilás, laranja, marrom, beje… e… caramba… num sistema circulatório de horários e anti-horários. Sacanagem! Não havia Google maps que realmente nos ajudaram no sistema de trens subterrâneos de Berlim. Contudo, com uma boa dose de calma e humor conseguimos interpretar o mapa de papel que guardei na bolsa com tanto cuidado quanto minha própria carteira. No final das contas, depois que se sabe parece mais uma brincadeira de criança andar de trem prá lá e prá cá com tikets para um dia completo que são bem mais econômicos do que os isolados.

 Berlim assusta e fascina ao mesmo tempo! Tanta História e curiosidades em cada esquina, cada prédio, cada monumento… Por outro lado, na correria de toda cidade grande os rostos desconhecidos, cansados e alguns becos onde a marca de pessoas que abandonaram as perspectivas de vida pode ser vista e sentida. A cidade grande me assusta, mas ao mesmo tempo me fascina. Já tenho planos de voltar prá lá e concretizar o sonho de observar Berlim e seus encantos sob a ótica do Rio Spree. Enquanto isso vivo cada dia em Hunsrück na batalha contra os desafios, os preconceitos, as maldições e bendições de uma vida de despatriada com saudades e preocupações com o nosso Brasil que parece que deixou de ser brasileiro desde que optou por uma linha política estranha, esquisita, que ninguém entende, aceita ou realmente rejeita. “Brasil! Mostra a sua cara…!”

Beijos!

Lindo fim de semana!

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2 Responses to “Uma caipira em Berlim”

  1. Simone Souza diz:

    Realmente, as cidades grandes fascinam em todas as esferas, com suas complexas relações…Espero que possamos compartilhar momentos “sob a ótica do Rio Spree”, além de usufruir sistemas inteligentes de mobilidade urbana, algo que deixa muito a desejar na sua terra “despatriada” que está sendo dragada pela ignorância…

  2. Neusa diz:

    Boa tarde querida Simone e obrigada por comentar! Sim, aguardo ansiosa sua visita. Muitas aventuras e diversão esperam por nós! Grande abraco de terras frias da Germânia! Tem previsão de neve para amanhã… Infelizmente as noticias politicas do Brasil que nos chegam não são as mais animadoras. Estou torcendo pelo aprendizado na crise…

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