“A gente não quer só comida…”

"você tem sede de quê? você tem fome de quê? A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." Titãs

Couve, espinafre, brocóle, abóbora, beringela, beterraba…. a lista poderia se estender por quase um parágrafo  afora. São muitas variedades de verduras e legumes que todos nós consideramos saudáveis, e por isto mesmo gostaríamos muito que nossos filhos os comessem com a maior frequência possível e melhor ainda – sem contestar! No entanto para mim e creo que para a grande maioria dos pais observar as crianςas “comendo de tudo” representa apenas um sonho! Claro que como toda boa mãe, me preocupo bastante com a qualidade da alimentaςão das minhas filhas, porém nunca me extressei muito pelo fato delas serem um pouco mais seletivas do que eu gostaria. Seguindo o exemplo da minha própria mãe que cozinhava todos os dias uma ótima comidinha brasileira, a qual automaticamente inclui cereais (arroz, feijão, macarrão), legumes, verduras e uma pequena porςão de carne ou ovos – procuro colocar à mesa  algumas possibilidades saudáveis para se matar a fome, infelizmente não tao rica como estive acostumada na minha infância, mas algo parecido. Porém raramente tenho  sucesso quando se tratam das verduras e legumes. Também como minha mãe, nunca forcei minhas filhas a comerem algo que não gostam. Incentivo para que provem, testem o próprio paladar para então decidirem se realmente nao gostariam de comer a parte mais “saudável” do cardápio. Para o meu desgosto quase sempre a rejeiςão permanece, mas para a minha alegria  li num dias desses um artigo sobre “esta mania” que as crianςas têm de solicitarem o mesmo cardápio por dias ou semanas afora e rejeitarem continuamente as novidades e os “pratos coloridos e saudáveis”. Me senti aliviada ao ler que “os pais não devem se colocar malucos quando os filhos preferem comer por semanas inteiras apenas macarrão com sal e manteiga ao invés de qualquer outra alternativa apresentada. Segundo uma pesquisa da Universidade Stanford, mesmo as crianςas extremamente seletivas – em curto, médio ou longo período acabam se alimentando dos respectivos nutrientes que o seu corpo necessita. (…)”

Individualidade:

  • É fato que as características individuais devem ser consideradas: há crianςas que se alimentam quantitativa e qualitativa melhor que outras;
  • Fatores psicológicos também estão em jogo em questões gastronômicas: algumas vezes a crianςa sente a necessidade de colocar uma divisa, uma fronteira entre as suas próprias opςões e as dos pais – o que significa que ela está decidida em não ceder aos argumentos dos pais para que se alimente da forma como eles consideram adequada. Aqui, imposiςões são contra-produtivas – apenas reforςam a rejeiςão à alternativas;
  • Algumas vezes, quando a mesa se torna um ponto de discussões e controvérsias – a questão alimentar pode se tornar uma forma da crianςa chamar a atenςão dos pais para si. Assim se as discussões se tornarem muito frequentes/insistentes/enervantes  poderão cimentar o problema com o risco de um provável futuro  distúrbio alimentar.

Dicas:

  • Naturalmente, como os próprios pais se alimentam influencia bastante na alimentaςão das crianςas. Exemplo positivo é fundamental, mesmo que a curto prazo pareςa não surtir efeito;
  • Não desistir de incentivar os filhos à provarem novidades. Normalmente as crianςas são cépticas quanto ao que não conhecem – por questões biológicas de auto-proteςão, porém talvez numa 3a ou 4a tentativa elas provarão de um novo prato;
  • Uma variaςão no preparo do produto pode significar sucesso absoluto, por exemplo: purê de cenoura, ao invés de cenoura na salada ou sopa. Aqui em casa, Laura e Vic só comem cenoura crua mesmo, assim como pimentões (amarelo e laranja) e pepino.
  • Também quanto à organizaςão do prato: com criatividade os legumes, as verduras e frutas podem se tornam mais atraentes – uma carinha sorridente, por exemplo, composta de tomatinhos como olhos, rodela de pepino como nariz e uma tirinha de pimentão como o sorriso;
  • A combinaςão do “nutritivo com o preferido”, pode incentivar também a crianςa a variar o próprio cardápio;
  • Convites à coleguinhas que “comem de tudo”, porém não fazer comparaςões entre eles – quem gosta de ser comparado?
  • Envolver a crianςa na tarefa de preparar os alimentos;
  • Evitar o chavão: “coma porque é saudável”, pois isso leva a crianςa a correlacionar negativamente o que é saudável com um alimento não atrativo para o próprio paladar.
  • Se apesar de todas as tentativas, a crianςa continuar recusando o alimento, não insista. Poupe os seus nervos e proporcione à crianςa a chance por fazer próprias opções. Afinal não existe nada mais saudável que uma refeiςão num ambiente alegre, harmonioso.

Beijos e um lindo fim de semana!

Informaςões básicas traduzidas de um textos do caderno “Leben” – Rhein-Hunsrück-Zeitung, ediςão 285

Tags: ,

3 Responses to ““A gente não quer só comida…””

  1. Regina diz:

    Neusa,
    seu blog está ficando cada dia mais interessante! E as traducoes estao ótimas!

  2. Neusa diz:

    Oi Re, que bom receber sua visita! Obrigada também por escrever-me um comentário tao carinhoso e encorajador! Beijos.

  3. I am really impressed with your writing skills and also
    with the layout on your weblog. Is this a paid theme or did
    you customize it yourself? Anyway keep up the nice quality writing,
    it’s rare to see a great blog like this one nowadays.

Leave a Reply

*