Ärger in Deutschland 2/Aborrecimento

(grande) na Alemanha 2.

Há mais de cinco anos escrevi o Aborrecimentos na Alemanha” 1. De novo, posso começar o texto afirmando que não gosto de reclamar… mas considerando que hoje estou chata,  vou reclamar um pouco e  escrever sobre chatices neste país, o qual muitos observam com lentes coloridas, lindas perspectivas turísticas e outros com com esperança de dias (econômicos) melhores. O dificil é ser chata o suficiente para afirmar que ambos os grupos têm uma visão ilusória deste país. Penso que todos temos, na verdade, visões ilusórias de realidades que observamos de fora para dentro.

A verdade é que depois de cinco anos do meu post com o mesmo título – versão 1, águas rolaram sob pontes, aprendi (duramente) outro tanto sobre o idioma e a cultura deste país e por isso mesmo encaro desafios de outras dimensões e intensidades. Estou hoje um pouco cansada de sorrir frente aos desafios e disposta e expor-me para afirmar que enquanto estrangeiros nesta terra, permanecemos estrangeiros e não importa muito o quanto você se ajustou nos costumes germânicos, você será sempre uma estranha no ninho, até porque entre eles mesmos há muitos entraves, inclusive culturais de povoado para povoado, de sotaque para sotaque. Assim como nós brasileiros reconhecemos e admiramos ou não os sotaques e características típicas do nordeste, sudeste e sul – sem citar os sotaques e particularidades paulistas, cariocas e mineiros,…

Hoje me sinto amarga com a (tendência para)  organização que existe neste país. Por causa de 100 metros, não sei a conta que vou receber por estacionar – com certa “possibilidade” de  atrapalhar a saída de um treiler de sua garagem. Considerando que as vésperas do tempo de advento e um tempo horrível de chuva ninguém sai por ai viajando num treiler. Contudo, o morador da casa fez questão de avisar o mundo inteiro que um automóvel qualquer atrapalhava a possibilidade dele sair de sua garagem.

Bem, na verdade considerando a semana super difícil que tive e a manhã pouco produtiva (revimos o condicionamento de Pavlov) na escola, fiquei muito transtornada ao ler o bilhete amarelo no parabrisa do carro e receber pessoalmente informações extras do morador que eu pagaria caro por não estacionar 100 m distante de sua garagem, onde guarda um grande carro. Não me contive, assim, em escrever um post, meio que venenoso sobre o que existe nas entrelinhas quando se resolve viver por aqui.

Talvez eu esteja muito cansada hoje e sobrecarregada das experiências da última semana – trabalhando sem pausa, sem apoio, num grupo de pessoas dementes, deficientes, doentes, idosas e presa aos compromissos teóricos de  ontem e hoje, cujos resultados práticos  me deprimem, poderiam me fazer desistir de algo que realmente gosto de fazer e sobretudo desistir de novas perspectivas e talvez de parte de mim mesma.

Gostaria muito de avisar ao mundo que não se iluda com uma vida fácil neste país com sólidas e centenárias regras.

Ps. Acho engraçado os discursos políticos e ou religiosos sobre integração dos refugiados. É claro que eles representam apenas mão de obra bem “em conta”.

 

Tudo de bom, apesar de todos os pesares ♥

Beijos com amor

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2 Responses to “Ärger in Deutschland 2/Aborrecimento”

  1. Rubens diz:

    Durante 15 anos senti isso. Beijos minha querida e aguente firme.

  2. Neusa diz:

    Boa tarde querido Rubens! Que bom ler uma palavra de incentivo sua! Chegou em um ótimo momento… um daqueles nos quais a gente se sente como se estivesse correndo numa esteira… a gente se mata de correr e suar e não sai do lugar!
    Muito obrigada pela visita e por escrever-me!
    Um grande abraço e tudo de bom!

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