Conflitos em 4 paredes

Coloque a boca no trambone, se for necessário.

Ontem pela manha me deparei com vários temas bastante interessantes no caderno “Leben” do jornal regional. O título do texto principal – “Vom Streit der Eltern lernt das Kind”/ A crianca aprende com a briga dos pais – me chamou especialmente a atencao, afinal quem está livre de uma boa briga com o/a parceiro? Quem pode dizer que todos os dias sao só de flores? Nao, infelizmente nem todos os dias sao de flores. Os conflitos fazem parte de qualquer relacao e algumas vezes nao conseguimos resolvê-los tao diplomaticamente quanto gostaríamos. Nao é nada agradável quando temos que alterar o volume do nosso tom normal de conversa para nos fazermos entender ou impormos o nosso ponto de vista – envolve uma perda enorme de energia e abala tremendamente o sistema nervoso. No entanto sabemos faz tempo que “felizes para sempre” nao existe. Agora como tratar das nossas diferencas íntimas ou nao quando a relacao também é composta por criancas? Como nao envolvê-las nas discórdias conjugais? É possível isso? Como? Quando? Devemos realmente poupá-las dos conflitos?

Penso que os pais, em sua grande maioria, gostariam sim de manter os filhos afastados daquelas situacoes onde parece que “a casa vai cair” – o que é absolutamente correto. Porém fingir para as criancas que tudo transcorre 100% todos os dias seria humanamente impossível além do que nao estaríamos preparando nossos filhos para a vida. As rusgas fazem parte de todas as relacoes, inclusive entre os pais. O desafio é como chegarmos aos acordos entre as partes. Resolver conflitos é um aprendizado e como todo aprendizado é um processo, exigindo assim tempo, perseveranca, erros e acertos. Este aprendizado tao importante para a vida e que faz parte do “ser competente socialmente” adquire-se, como todos os outros, inicialmente em casa com os pais e irmaos. Mas como transformar um conflito e tudo o que ele representa:  desgaste, tristeza, lágrimas – em algo positivo para os filhos?

Alguns aspectos que devemos ter muito claro para nós mesmos:

  • O conflito deve ser tratado em alto nível – nao pertencem em hipótese alguma à orelhas das criancas: palavroes, falta de dinheiro, separacao, intimidades. Quando uma escalacao é evidente deve-se aguardar a saída das criancas para a escola ou para um passeio;
  • Tudo o que se relaciona à uma relacao entre casais uma crianca só terá condicoes de entender quando ela mesma tiver vivenciando uma relacao;
  • É tabu também transformar a crianca em mensageira. “fala pro seu pai….”  “fala prá sua mae…”
  • Muito importante: esclarecer para a crianca que há amor na relacao, porém no momento há entre os pais uma tremenda divergência de opiniao e exatamente isto está causando discussoes e problemas, mas o empenho na busca de solucoes é grande por ambas as partes;
  • Mais importante ainda para a crianca é ser envolvida no momento da reconciliacao. É fundamental para a crianca sentir e saber que a tempestade passou ao menos temporariamente.

Eu sei que nada é tao simples quanto ler um texto. No entanto penso que saber um pouco mais sobre como se comportar em situacoes difícieis pode melhorar a nossa qualidade de vida e proporcionar uma vida mais harmoniosa em família. Nao resolve se fingirmos que nada está nos incomodando para evitar um “quebra-pau”. Precisamos sim algumas vezes expor os nossos sentimentos de descontentamento e dor, afinal quem está livre deles?

Beijos.

Fonte: Rhein-Zeitung n° 189

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