De Mulher para Mulher/ De Mãe para Mãe…

©Que tenhamos sabedoria para silenciar nos momentos onde não há nada para ser dito!

“A importância de fechar a boca e abrir os braços

Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida. Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez… Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema “Como pôde fazer isso conosco?”

Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela. Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes?…Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço – com alguma frequência – quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe. Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer.
Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: “Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços.”….Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.
Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia.
Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços.
Kim correu para eles dizendo: – Desculpa… Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la
assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.
– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou. Felizmente, ela me perdoou.
O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.
Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação.
Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por vezes, ruidosa e unilateral.
Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis.


É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto.
Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com “o que você acha que devemos fazer agora”, em vez de ficarmos presos a “como foi que a gente veio parar aqui?”


Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família. Um deles veio me ver há alguns meses e disse “Mãe, cometi uma idiotice…” Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha.
Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. …Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.
– Obrigado, mãe! Sabia que você me ajudaria a resolver isto.
É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.”

Este  texto maravilhoso, tive o prazer de receber via e-mail de uma amiga muito especial que se chama também Neusa – Neusa Rennó. Ela  mora em Itajubá-MG –  tem  dedicado toda a sua vida à Educaςão, aos filhos, aos amigos e à Literatura.

Beijos!

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6 Responses to “De Mulher para Mulher/ De Mãe para Mãe…”

  1. Regina diz:

    ótimo texto, Neusa.

  2. Neusa diz:

    Oi Regina, tudo bem? Obrigada pela sua linda visita! Gostei também muito dele e nao exitei em compartilhar… mensagens positivas nos ajudam muito no dia-a-dia e na complicadíssima tarefa de educar. Espero que possamos fazer um programa juntas nas férias, talvez um piquinique…
    Beijos e lindo fim de semana para você e toda a família!

  3. Nina diz:

    Uma amiga me recomendou esse texto. Achei tao lindo e verdadeiro, que te linkei.
    Um abraco Neusa!

  4. Beth Q. diz:

    Olá Neusa!
    A Nina indicou seu blog e esse excelente texto para leitura.
    Saio daqui mais sábia com tudo o que li e vou aplicar em minha vida também, pois muitas vezes não tenho essa capacidade de abrir os braços quando estou chateada com alguma coisa errada do filho.
    Obrigada por compartilhar.
    abraço carioca

  5. Neusa diz:

    Oi Nina, muito obrigada por sua visita e sobretudo por escrever-me! Achei também este texto muito interessante e me vi na obrigacao de compartilhar, pois considero a tarefa de Educar uma grande dádiva e por isso mesmo a encaro com muita seriedade e respeito. Vou visitar você outras vezes, pois achei o seu blog lindinho, interessante e de muito bom gosto!
    Abraco grande e tudo de bom!

  6. Neusa diz:

    Oi Beth, que bacana receber a sua visita e poder ler o seu comentário! Obrigada por disponibilizar o seu tempo para uma visita neste meu espaco, no qual gosto muito de compartilhar mensagens e informacoes sérias para pessoas sérias, mas abertas para novas aprendizagens, pontos-de-vistas e receptivas para trocas de experiências. Visitei também o seu blog e achei muito interessante o seu trabalho por lá. Acho que você se dedica bastante…
    Realmente nao é fácil estar de bracos abertos quando estamos profundamente aborrecidas, mas sob o meu ponto de vista nao precisamos forcar isto – quando precisamos de tempo para nós mesmas, temos obrigacao de nos propiciar este tempo. Nós temos o direito e devemos viver intensamente os nossos próprios sentimentos (inclusive os negativos) e sempre que possível falar sobre eles… só assim estaremos em paz conosco mesmas para sermos capaz de dar colo para nossos filhotes quando eles estao em crise. O tema é bem complexo, você sabe!
    De qualquer forma fico muito feliz se pude te ajudar um pouquinho!
    Grande abraco e cuide-se sempre!

    Um grande abraco e tudo de bom

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