Filho criado, trabalho dobrado?

Relax - passeio entre neve e sol (-6) para refrescar até pensamentos!

Esta expressao eu ouvi muitas vezes quando minha mae se lamentava um pouco sobre os problemas inerentes à uma grande família. Já éramos todos adultos, a maioria casados e com famílias próprias daí os problemas foram também se multiplicando quando vieram os netos e bisnetos. Minha mae que era uma baixinha sábia terminava sempre a conversa afirmando: “tudo passa”. Eu, no auge da minha juventude, nao entendia e nem concordava muito com as afirmacoes da minha mae, mas encerrava também o assunto já que nao tinha mais o que dizer para conformá-la ou contrariá-la.

Hoje, refletindo sobre a complexidade de algumas atitudes das minhas filhas e  de suas amigas, eu entendo perfeitamente o que minha mae dizia. Sinceramente, já tenho um receio danado da fase adolescente. Por que as criancas crescem tao rápido? Me sinto tao nostálgica e desarmada quando vejo as fotos de Laura e Vic enquanto bebês. Elas nao tinham qualquer segredo para mim, a cada segundo estavam explícitos os seus mais sinceros sentimentos. O mundo delas era o meu mundo e vice-versa. A dinâmica da vida é linda, exuberante e complexa, mas eu tenho que admitir que já tenho medo de perder minhas filhas no turbilhao de novidades e acontecimentos que este dinamismo traz  consigo. Os sentimentos sao contraditórios, por um lado é ótimo percebê-las tao independentes e seguras, além de receber a ajuda para escolher uma calca ou programar um aparelho novo. Por outro lado nao é muito fácil saber que Laura está (de novo) apaixonada, namorando e se preocupa tanto em ser moderna, atual, cool – sendo que tem apenas nove anos. Eu ainda a vejo como o meu primeiro bebê e em algumas semanas ela tem que tomar uma grande decisao em sua vida. Ela terá que optar pela sua nova escola, por onde e com quem ela enfrentará tantos novos desafios, inclusive o início do seu trajeto profissional. Tenho evitado em pensar muito nisto, mas é uma questao muito importante e nos causa bastante preocupacao. Desejamos o melhor para nossos filhos, mas o que é melhor? Teorias pedagógicas sao sempre interessantes no papel, mas e na realidade? Qual é realmente o melhor caminho a tomar? Estou esperando uma dica de dentro, do coracao, pois acredito que as dicas do coracao nunca falham – elas sao sempre sábias e acertadas, mas tenho que dar tempo ao tempo, pois ainda nao ouvi nenhuma voz interna. As interrogacoes circulam pelo cérebro afora em círculos e semi-círculos.

Hoje estive também muito pensativa sobre o como é fácil ter filhos e o quanto é difícil educá-los. Nesta semana, a segunda e última  das férias de natal (que, na minha opiniao sao mais que suficientes) tivemos a visita de amigas das criancas aqui em casa, uma delas passou a noite aqui (a melhor , talvez a única) – amiguinha da Vi, pois havia tempo eu havia prometido isto para ela, já que Laura já vivenciou esta experiência uma séria de vezes. Tenho a dizer que me sinto agora 100%  mais relaxada que a 24 horas atrás. A nossa pequena visita é uma ótima companheira  de brincadeiras, mas quando se refere a comer ou tomar… “Dios mio”! – que difícil! Abaixo algo da nossa conversa:

Eu, em torno das 19 horas, após perguntar às três damas se estavam com fome e obter a resposta “sim”.

_ Temos pizza, ok?

A dama visita:

_ Eu só gosto de pizza-salame.

Eu:

_ Temos pizza salame com Champignons.

A dama visita:

_ (Nöööö), nao gosto de Champignons.

Eu:

_ Eu separo para você os Champignons.

A dama visita:

_ Na ja…. (serve!)

Eu:

_ Para tomar? Suco de laranja? Suco de banana?Suco de maca?

A dama visita:

_ Eu só tomo água, nada mais ou leite com 3 colheres de cacau (toddy).

Depois de, por fim, as damas estarem satisfeitas, pergunto eu:

_ Sorvete como sobremesa?

A dama visita?

_ Só se for de Vanille.

Resultado: quando já eram quase 11 da noite (sendo que eu preciso sair da cama antes das 5 da manha) a dama visita volta para a sala depois de uma complicacao infernal para estar na cama e me informa que nao pode pegar no sono.

Eu: _ Vou telefonar agora mesmo para sua mae!

A dama visita:

_ Nao, está tudo bem!

Conclusao: dez minutos depois nao havia mais problemas e eu pude tomar meu chá e meu Grippostad C, pois me sentia, fazia horas, totalmente resfriada…

Beijos.

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3 Responses to “Filho criado, trabalho dobrado?”

  1. Beth Blue diz:

    Achei o seu blog por acaso num comentário sobre bilinguismo no blog da Sandra (mineirinha na Alemanha). Gostei do comentário, vim aqui espiar o seu blog e vou voltar pra ler com mais calma.

    Moro há 16 anos na Holanda e tenho um filho de 10 anos (que completa 11 anos em abril). E tenho vivido todos os seus dramas e questionamentos. Porque criar filho não é nada fácil, né?

    Meu último post é sobre bilinguismo, trilinguismo. etc. Dê uma olhada se tiver tempo e disposição: http://bethblue.blogspot.com/2011/02/seu-filho-nao-fala-portugues.html

    greetings from Amsterdam!

  2. Neusa diz:

    Oi Beth, estou muito contente por receber a sua visita! Realmente, criar filhos é uma tarefa tao árdua, quanto linda. Eu estou também sempre muito preocupada com as minhas duas e sou muito agradecida a Deus por tê-las de presente. Elas sao bem danadinhas e maravilhosas! (mae coruja!)
    Vou visitar sim, com muito prazer, o seu blog.
    Abraco e tudo de bom!

    Ps. Amsterdam parece ser bem interessante. Ainda quero conhecer!

  3. Olá a tоdos. Eu só estava a navegaг na Inteгnеt pοг dіνeгsão
    e vim parar neste sеu sіte.
    Post fаntástico. Muito obrigado por cοmpartіlhаr ѕua experiênсia!

    É bom ѕаbеr que аlgumas pessoas ainda colocam
    esfoгço para gerenciar ѕeus sitеs.

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