Formação V – Sabedoria e Fascínio

Não duvide das verdades de seu coração.

Sinceramente estamos todos assustados com a volta do inverno, prá não dizer decepcionados… a última semana foi muito ensolarada e nos banhamos numa temperatura muito agradável de até 12 graus. Hoje lá fora se pode facilmente congelar ou pegar uma pneumonia. Os campos, as flores que despontavam nos jardins – entre elas as Tulipas e  os sininhos de neve” estão cobertos por uma boa camada de neve. As crianςas estão felizes por poderem ficar em casa, pois os ônibus escolares não estão circulando nesta manhã, talvez não haja mais sal para facilitar e assegurar o trânsito. Sim, o inverno parece interminável. No entanto para nós humanos ainda é tudo facilmente suportável e se reclamamos é por puro tédio, não temos realmente motivo para lamúrias. Já para os animais este contratempo é lamentável, sobretudo para as aves migratórias, as quais estão voltando de seus refúgios no sul e viajando para o norte, onde procriam.

Na última semana pude ainda observar  no nosso céu azul mais um bando de Kraniche/ Grou atravessando a vila e me fascinei mais uma vez com o som que emitem – o que para mim significa uma música linda, a música da primavera e a formaςão em V que utilizam para voar através de grande distâncias. O significado desta formação ouvi há anos atrás quando ainda trabalhava na SRE de Itajubá. Em uma daquelas muitas reuniões minha chefe leu um texto sobre as aves migratórias e a formação V. Fiquei impressionada e sensibilizada com mais este fascínio e sabedoria que impregna a Natureza. Atualmente tenho o privilegio de observar estas aves e a formaςão que utilizam nas suas grandes viagens. Esta formação trata-se da sobrevivência dos animais mais frágeis. Para que todo o bando possa atravessar com vida as interpéries de uma longa viagem os pássaros mais fortes compõem a ponta do V, freando assim de certa forma o vento para os pássaros mais frágeis, os quais então despendem muito menos energia durante o vôo tendo possibilidade de sobreviverem à trajetória. Fascinante também é o fato de que os pássaros que voam na ponta se revesam nas posições estratégicas, assim eles garantem a todos uma possibilidade de reabastecimento de energia. Não é lindo? Penso agora em como nós humanos poderíamos aprender tanto mais com os fênomenos naturais se tívessemos a calma e a humildade para observá-los, compreendê-los, aceitá-los, imitá-los.

Hoje estou pensando ainda mais sobre aves migratórias, apesar de não ter nehuma possibilidade de observá-las. No conforto egoísta do apartamento quente, janelas e portas vedadas, uma xícara de café do lado e  lendo o jornal regional observei num pequeno quadrado no lado direito de uma de suas páginas o título “Keine Sicht für Kraniche/ Nenhuma visão para Grou, ou seja, as aves- em função de neblina densa – perderam a orientaςão das estrelas e tiveram que fazer pouso forςado na região de Thüringen. Grande parte delas voaram muito baixo na área próxima ao parque nacional em Heyerode. Outras delas pousaram, sem mais  forςas para voar, sobre  ruas asfaltadas e outras ainda se atropelaram com as casas, algumas delas foram  atropeladas por carros. Infelizmente Elas  também foram surpreendidos pelo ar gelado”.

Infos em aspas: tradução Rhein-Hunsrück-Zeitung, n° 60, 12.03.13

Me pergunto agora sobre o que nós humanos temos que reclamar…

Beijos e linda semana com ou sem inverno!

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