O Brasil em foco – dasafios!

"...Brasil mostra a sua cara, quero ver quem paga prá gente ficar assim..."

Não importa onde e quando, fato é que se ouve e se fala sobre o Brasil em todos os cantos!

É realmente impressionante a influência do futebol sobre as pessoas de todas as idades,  cores, idiomas e níveis sociais. Penso sim que por isso mesmo seja um bom momento para chamar a atenςão da mídia mundial para realidades não tão democráticas quanto (aparentemente) o futebol. No entanto, apesar de toda a ira contra as demandas do governo atual na construção/reforma de estádios e compra de aparatos de seguranςa, as demonstrações que podem realmente celebrar mudanças positivas, são as pacíficas. É evidente que sair por aí saqueando e destruindo  bens materiais evidenciam apenas ignorância social, histórica e política.

Tenho acompanhado, meio que com vergonha, daqui do meu conforto de primeiro mundo muitas notícias, programas especiais e mensagens sobre o meu próprio país. O Brasil está em foco e, infelizmente, o que não gostaríamos de mostrar para o Mundo também está em absoluta evidência – exemplos: a desigualdade social, canais de esgosto abertos, o lixo atirado em cantos próximos aos grandes e modernos estádios, a rotina de vida em favelas do Rio, São Paulo, Salvador, a violência aterrorizante em esquinas mal iluminadas.

Sinceramente, quando o tema são as grandes cidades, prefiro que minhas filhas não vejam o programa, porém não saem dos meus lábios nenhum comentário sobre o assunto. Fico triste quando vejo imagens negativas sobre o país que amamos tanto. Elas também não fazem nenhuma observação negativa, afinal já conhecem muito mais do Brasil do que a grande maioria dos seus colegas e conhecidos, já experimentaram na própria pele muita delícia e amargura de Brasil.

Daqui também, do meu conforto, fica simples observar as contradições em palavras e atitudes de autoridades, estrelas do futebol, da televisão e das pessoas em geral que defendem ou atacam o governo. Penso muito naquele velho dito popular: “falar é fácil, fazer é difícil” ,ou seja, como sempre o que se ouve é muito bla, bla, bla, bla… se culpa, se xinga,  se ofende simplesmente, sem se medir as próprias palavras e sobretudo as próprias atitudes.

Sim, o governo atual tem culpa por todos os problemas atuais que afligem a população. Sim, os governos anteriores também têm culpa sobre o caos político-econômico- social que fazem com que o estigma da pobreza se transfira de geração para geração. Sim, todos temos culpa quando transferimos nossas responsabilidades de cidadão para o Estado. Todos nós podemos e devemos contribuir para a solução de enormes  problemas que nos afligem. Posso, com conhecimento de causa, afirmar que o posicionamento da população alemã é bem diferente do da brasileira. Aqui temos muito a aprender no sentido de não apenas cobrar do governo, mas trabalhar em prol da comunidade. Milhares de pessoas dedicam horas de suas vidas  à associações esportivas, religiosas, culturais com o objetivo específico de proporcionar a si mesmo e às outras pessoas uma qualidade melhor de vida. Grande parte dos pais não se limitam a criticar o que se passa na escola, eles participam diretamente das atividades escolares assim que solicitados e contribuem sempre com uma associação extra que organiza um  caixa específico para proporcionar apoio financeiro às atividades “extra curriculum”.

A lama na qual o sistema de saúde e educação no Brasil se encontra é secular e enquanto apenas se apontar culpados ao invés se sentir parte do problema não haverá saída. A  “classe média” sente o peso, está revoltada com os preços das escolas particulares e plano de saúde privados. Estas empresas sim têm ganhado muito com os problemas sociais. No entanto, é evidente que  a direção para  uma democracia saudável é outra. Numa democracia saudável  pode-se obsevar que o vizinho possui todas as condições de vida  que eu mesma.

A solução para o problema de segurança não é construir muros mais altos, mas sim ocupar positivamente o moleque da favela ou da periferia. Que Ele frequente uma escola pública com a mesma “suposta” qualidade do que a privada. Que quando esteja doente corra para um hospital ou clínica com os mesmos recursos que uma instituição privada. Que Ele possa aprender idiomas e praticar esportes. Que Ele se sinta parte da comunidade, da cidade, do país e não de redutos de pobreza e lixo.

Sim, parece demagogia, mas como não sou política, não faςo demagogia. Sonho, apenas, em um dia observar as pessoas agindo mais do que reclamando dos problemas que nos entristecem. A verdade dói, mas precisa ser dita: os problemas são graves e não serão resolvidos de “cima” para “baixo”, talvez tenhamos uma chance de sonhar com um Brasil mais seguro, humano, saudável – se as atitudes realmente se estabelecerem de “baixo” para “cima”. E, sobretudo se uma burguesia menos hipócrita se sentir também parte do problema. Priorizar investimentos sociais ao seu redor, ao invés de investir em carros blindados e seguranςas pessoais.

Abaixo podemos ver um exemplo de atitude. Compartilho agora com vocês, com muito prazer, algo do  trabalho de Lionizia Goyáartista plástica e escritora presidente Pró-Tempore ALB/Uberlândia – MG

Arte e pintura para crianςas e adolescentes – a iniciativa exemplar de uma Goiana/mineira

Beijos!  Muita alegria  e atitude!

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