“O casal alemão dos sonhos reencontra-se … devagar”

Rotkäppchen,  sobreviveu à crise do leste e invadiu o mercado ocidental.

Ontem  tivemos a chance de vivenciar o vigésimo aniversário da reunificação alemã. A natureza nos presenteou um lindo dia de sol, e um calor morno e fantástico transformou as nossas horas em um convite delicioso para um passeio pela natureza colorida de outono.

Tínhamos muitos motivos para comemorar, o dia lindo, mais uma festa da domocracia para nós brasileiros que tivemos novamente  oportunidade de eleger  (ou tentar) o(a) próximo (a) administrador (a) do Brasil e aqui no centro da Europa brindamos  e especulamos os 20 anos da “reconcialiação do casal:  leste e oeste”.

A grande festa da “re-unificação” aconteceu  propriamente bastante longe da minha vila, em Bremen. Lá estavam presentes grandes personalidades políticas como Merkel, Khol e  Wulff, o qual em seu discurso abordou um dos temas mais quentes e polêmicos  por aqui: integração.  A questão integração é super complexa e compreende não apenas alemães do leste na alemanha do oeste, mas a grande massa de imigrantes de diferentes partes do planeta que aqui na Alemanha buscam, por motivos diferentes, novos rumos para as suas vidas. O acento da problemática pertence à comunidade muçulmana que por suas convicçõoes religiosas e políticas são, na sua grande maioria,  inflexíveis.  Integração implica logicamente em adesão à novos costumes, novas posturas, nova dinâmica social, domínio de um novo idioma e sobretudo estar aberto às novidades. Algo que se encontra um pouco distante dos grupos muçulmanos. Posicionamento este que mesclado ao rascismo dos grupos de direita e esquerda existentes dentro da Alemanha , transforma o ideal de integração pregado nos discursos políticos em pura utopia.

Quanto à questão integração entre os próprios alemães os indícios são mais animadores.  Os clichês permanecem, mas incomodam somente as gerações anteriores. A geração “unificação”, ou seja as crianças nascidas em 1990 no leste da Alemanha  são unânimes em afirmar que não existe para elas duas Alemanhas e são capazes de ouvir com interesse as informações e experiências que seus pais e avós adquiriram enquanto cidadãos da ex-Alemanha socialista, mas não se sentem realmente envolvidos neste passado histórico.

Um balanço prático dos 20 anos de casamento:

  • Migração:  em 2008 viviam no leste  1,7 milhao de pessoas menos que em 1990. Cada um, em 10  habitantes  deram as costas para o leste;
  • Em 2008 um alemão do leste tinha um  rendimento  médio de 15.536 Euros – em 1991 eram 8156;
  • Empresários do leste faturam 76,5 em relação aos colegas do oeste – em 1991 46%;
  • 17% dos alemães do oeste dependem da ajuda financeira do estado para atender as suas necessidades materiais básicas, enquanto que no oeste 8%;
  • Quase idêntico é o acesso aos aparatos como:  Handys: 86% dos alemães do leste e oeste telefonam usando celular.  Em cada 15 (leste) e 16 (oeste) entre  100 salas, estão presentes televisores de última geração. Máquina de lavar louça é utilizada em 55% das cozinhas do leste e 64% do oeste;
  • Aposentadoria – padrão básico:  no leste 1086 Euros, no oeste 1224 Euros.
  • Contrariando muito  as versões pessimistas e preconceituosas atualmente 81% dos alemães consideram a reunificação do país como positiva e há um consenso geral de que nem tudo por lá foi negativo – o sistema educacional e de saúde, por exemplo, são mencionados  com respeito.

É compreensível que as sequelas de 40 anos de separação não foram ainda totalmente superadas apesar dos 20 anos de reconciliação, mas acredito que em todas as cabeças esclarecidas deste país existe a visão clara de que apesar de todos os desafios que já foram superados e apesar das feridas, que ainda estão abertas, é 100% melhor viver em uma Alemanha inteira do que em uma metade da Alemanha.

 

Para ler mais sobre o cotidiano na Alemanha socialista você tem a opção de se interar do

http://www.neusa-cortez.de/o-paraiso-sem-bananas-resenha-2/

 

Beijos.

Fonte: Rhein-Zeitung, n° 229 – sábado, 02/10/2010.

Tags: , , , , , , ,

3 Responses to ““O casal alemão dos sonhos reencontra-se … devagar””

  1. Solo queria ԁeсir que soy un noνаto en estо
    dе hacer paginas ωеb y despues
    dе haber visto la tuya me he sentіdo mas
    motiνadο para seguir aԁelаnte.

  2. Neusa diz:

    Que bueno! Les deseo mucho éxito y mucha paciencia!

  3. denunciar diz:

    Hі! I’ve been reading your website for a while now and finally got the courage to go ahead and give you a shout out from Houston Texas! Just wanted to tell you keep up the excellent job!

Leave a Reply

*