Sementes da Primavera em Munique – O nosso cineasta!

Série Entrevistas:

Parte IV:

Zé do Roque, (quase) atualíssimo - fotogrado por Robert Brembeck.

“As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam”. Ouvindo esta canção na versão estrondosa de Elis Regina penso no  rapaz de lindos olhos claros que estava sentado do meu lado esquerdo num daqueles dias lindos de sol e de primavera na encantadora capital Bávara.

Sim, aqui estou eu bem aconchegada na tarde de verão, sendo acariciada por uma leve brisa e podendo alcançar com a vista várias vilas vizinhas, as quais se sobrepõem, meio que místicas, na paisagem de campos, bosques e pequenos relevos.  Realmente eu poderia descrever por horas esta paisagem que observo com paixão avassaladora, porém a finalidade deste post é compartilhar com vocês algo sobre o trabalho daquele rapaz de olhos claros, o qual me referi no primeiro parágrafo e que tive o  privilégio de conhecer no I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. Ele é conhecido no mundo artístico e entre os amigos como Zé do Rock.

Mas, por que eu iniciei este texto com a verdade “as aparências enganam”?

Simplesmente porque ao observar o Zé eu não pude identificar o profissional sensível e sério que Ele é! Mas felizmente tive o privilégio de assistir uma de suas produςões cinematográficas:  Schroeder liegt in Brasilien e me surpreendi positivamente com o nível do seu trabalho. Com muito humor e sutileza Ele nos confronta, através de sua arte, com verdades, mentiras, belezas, feiuras, simplicidades, complexidades –  encarnadas em seus personagens fictícios ou não, mas que além de nos conduzirem à um olhar crítico numa relaςão  superficial entre Brasil/Alemanha nos embalam numa viagem dentro de nós mesmos e nos instigam à indagações sobre nossas próprias concepςões e princípios.

Bem… sem maiores delongas tenho muito prazer em compartilhar com vocês algo mais do Zé – por Ele mesmo e então vocês poderão, com certeza, entender melhor o que estou “falando” e por favor não me culpem por erros ortográficos, fiz questão de ser fiel a um dos muitos idiomas dominados por meu Entrevistado.

1. Oi Zé, que bom poder publicar algo sobre sua longa e complexa jornada artística no meu blog. Minha primeira curiosidade: como você se interou do “Projeto Adote um Autor”?

eu nao sei, eu sei que eu tava no exterior (do ponto de vista alemao), na áfrica, na ásia ou no brasil. a rosanna me mandou um e-mail perguntando se eu podia participar, e eu dice que sim, uai.

2.Durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, A DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Como você imagina ” esta experiência” em outros estados ou países?

bom, num outro stado da alemanha nao devia ser muito problematico. em outros países depend do país. num país com brasileiro suficiente nao devia ser um problema, num país como a coréia do nort dev ser mais complicado, ja que só tem 7 brasileiro morando la, o pessoal da embaixada. i um dos 7 brasilero é uma russa.

3.Você trabalha junto a alguma associação na região onde você atualmente vive?

eu fazia mais no dbkv, tamem na casa do brasil, mais nos últimos tempos eu tava muito preocupado com a minha própria sobrevivência.

4.Por favor nos “fale” um pouco sobre sua experiência com o público brasileiro-alemão-inglês-etc, considerando que você já viajou por todos os continentes deste planeta. Você poderia nos revelar o que mais te impressionou em suas andanςas?

como brasilero-ingleis? brasilero di orijim inglesa ou brasilero na inglaterra? ou ingleis descendent di brasilero? im jeral o alemao intend mais as minhas piadas ki o brasilero, porkê eu screvo mais pro público alemao ki pro brasilero – eu moro na alemanha, né. mais claro, kem mi intend melhor sao os brasilero na alemanha, afinal elis intendim o ki eu digo pros alemao i o ki eu digo pros brasilero.

Eu acho ki eu vi muita coisa imprecionant, mais eu nao saberia dizer o ke ki foi o MAIS imprecionant. a primera coisa ki mi ocorreu foi a stória im varanasi, ki antigament era conhecido (pelo menos no ocident) como benares. em varanasi ce vai andando pelas ruelas i la vem carregador levando morto pro ganges di todo lugar, o dia intero. chega na marjim, elis keimam o corpo i jogam no rio. por isso a agua do ganges purifica o corpo i a alma dos povos indianos. bom, num hostel cualker da vida ce incontra treis minina finlandesa. i no fim ce sai com elas, entra num bar i ped um banglassi – um pra cada um, 4 ao todo. o lassi é o iogurt, né, i o banglassi é o ki faiz ‘bang!’ uma das finlandesas nao tava intendendo, i cuando intendeu, falou ki nao, ta louco! eu nao tomo isso nao! bom, os copo cheio ja tavam na mesa, i eu falei, tudo bem, eu tomo o teu tamem. eu ja devia ter percebido ki indu nao brinca im servisso, cuando si trata di pimenta i banglassi. um banglassi era uma boa dosi, mais dois! eu vou te dizer, viu. a india ficou mais irreal ainda do ki ela na realidad ja é! só faltava ver árvori di natal!

5.Como foi o “processo de publicação” do seu primeiro livro? Você teve problemas com o fator “exótico” dos temas que você aborda?

eu sempri mandei uma caxa grand pras editora, dentro era ki nem pastel5, a maior part era ar. só tinha um martini, como aperitivo pro “lektor” ficar com apetit di le o manuscrito, i o meu manuscrito. eu recebi muinta recusa, ker dizer 19, mais pelo menos as resposta nao vinham depois di vários meses i sim depois di uma ou duas semanas. i as resposta nao eram prontas i sim personalizadas. us “lektor” dizium ki u meu livru era ingrassadu mais locu dimais pra editora delis. depois di um anu, uma pekena editora di berlin, a edition diá, ki publica tradussaum di livru brasileru i pra cuau eu tinha mandadu us ingridient pruma caipirinha: limaum, assucar i cachassa. u jelu eu preferí num mandar pelu correiu. di cuauker forma elis toparum, eu tamen dici u meu “sim”, daí xegou u lektor di uma editora grand, a Kiepenheuer Leipzig, i dici ki keria fazer u meu livru. eu só tinha dadu u meu sim orau, i podia te puladu fora, legaument num teria sidu um problema, mais eu so um brasileru ki creceu cum a etica protestant i ficou pur issu mesmu. u meu livru saiu, tev mais di 100 crítica, cuazi todas intuziazmada, mais a editora cuazi foi a falência i num tinha mais distribuissaum. i era muintu difíciu incomendar nas livraria, purkê u titlu tava scritu im alemaum foneticu (“fom winde ferfeelt”), us jornau muintas veis scriviam erradu, i pra axar u meu nomi skizitu, zé do rock (prucura nu Z, nu D, nu R? – ki porra di nomi é eci???). mais tarde a editora piper ofereceu pra fazer u livru de boussu – uma editora ke tamben tinha recuzadu fazer, nu comessu… pra eles eu continuava locu, mais locu e famozu num tem problema.

6.Qual é o seu “sonho de projeto ”?

uma super-produssaum de hollywood, com scarlett johansson, ke fassa du animau gregário ke é u ser humanu, ke age e pensa em rebanhu, uma populassaum de 7 bilhoes de individualistas.

7.Talvez uma pergunta indiscreta, mas devo fazê-la afinal seu estilo é… sui generis: você já ganhou prêmios literários? Ou tem algum em vista?

Craro:

  • Pfefferbeißer-Satirepreis (2001)
  • Ernst-Hoferichter-Preis (2006) e o
  • Schwabinger Kunstpreis (2010).

i cuarta-feira eu ficu sabendu cuandu eu vo le na competissaum du bachmannpreis, ke é transmitido pelu 3sat (e pelu ORF austríacu). favor votar ni mim.

Aqui estamos todos torcendo muito por você, querido Zé e muito obrigada por nos permitir conhecer um pouco do seu trabalho e de sua arte!

de nada, mossa…

banoit

Finalizando: querido Zé -Estou certa que muitos leitores ficarão muito felizes em “conhecer”você! E aproveitando a oportunidade gostaria também que apreciássemos juntos este fabuloso trabalho do nosso fantástico Dominguinhos:

Para você saber mais sobre o Zé do Rock, clique em:

Seu site pessoal

Terra Gaga

Zé em Wikipedia

Nomeaςão atual

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One Response to “Sementes da Primavera em Munique – O nosso cineasta!”

  1. Neusa diz:

    Bem, o meu CD já está garantido! Posso emprestar (apenas) para amigos daqui pertinho e com a promessa de devolucao!
    Beijos.

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