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Brasil: sob outro(s) ângulo (s)

Domingo, Outubro 19th, 2014

Brasil: O Paraíso com Bananas e muito mais!

Enfim um domingo livre e lindo de outono! O sol brilha lá fora e ressalta o colorido das folhas que bravamente perdem  o tom verde da clorofila. Na verdade elas expiram. Contudo, morrendo elas se tornam mais lindas ainda, porque ganham outras cores, as quais devagar perdem também sua vitalidade e as abandonam. O destino destas folhas secas e tristes, na verdade, representa o recomeço do ciclo vital, elas adubam a terra que tão  carinhosamente, nos presentea na primavera o verde das matas, campos e de novo as cores nos nossos jardins abandonados no gelo, neve e umidade.  Tenho certeza que vocês também  já se espantaram e celebraram a grande perfeiςão da natureza, o ciclo maravilhoso da vida. E, por isso mesmo meu post trata-se, na verdade, de um outro tema, também cheio de cores e maravilhoso, mas ele chama-se: Brasil. Estamos em plenas eleições presidenciais. Pela primeira, vez desde que atingi a maioridade, não pude votar. Estive muito cansada e doente. No próximo domingo tenho que trabalhar. Porém, estou atenta às discussões e possibilidades verde-amarelas. Entendo um pouco as frustraςões que invadem os ânimos, mas tenho certeza que estamos no caminho certo. A contrução de uma sociedade sem tantos contrastes é longa, dolorosa, mas necessária. Queremos um país de possibilidades para todos os brasileiros e não apenas para a elite.

Meu objetivo aqui, contudo,  não é promover uma discussão ideológica, mas sim compartilhar com vocês algo que escrevi ao participar em abril deste ano de uma Antologia bilíngue organizada pela Embaixada do Brasil em Oslo.

Espero que vocês reconheςam muita beleza de Brasil e se sintam, assim como eu cheios de orgulho do nosso país.

Ser brasileiro é…

Não perder a calma de mineiros,

no frio de janeiros,

apesar da distância de dias inteiros,

na mistura de tantos devaneios.

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É lembrar-se com saudades,

do corre-corre da gente das cidades,

do trá-lá-lá em todas as idades,

da poesia a invadir especificidades.

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É cantalorar baixinho, no próprio ninho,

recordando os toques de carinho,

o dia inteirinho,

e depois sair de fininho.

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É orgulhar-se do verde, do amarelo,

estampado num sorriso singelo,

no fervor do canto belo,

da anedota, da crônica, do poema sem paralelo.

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É derreter-se pela beleza de mares,

estonteantes serras, aconchegantes bares,

em tantos lugares,

a inquietar almas irregulares.

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É ter ouvido estórias de sacis,

ter sonhado com zumbis,

ouvido o trotar de mulas em alis,

sem falar do terror de provar caquis.

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É sentir o sangue ferver,

no rítmo do samba a estremecer,

caramba, que vontade de morrer,

porque a saudade é de doer!

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É saber da originalidade da Legião,

tantas notas fantásticas no violão,

sentimentos inesgotáveis na canção,

que embalam o coraςão, apesar da improvisaςão.

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É ter tomado caldo-de-cana,

ter tido uma irmã chamada Ana,

no quintal, muita banana,

isso sim é bacana!

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É ter corrido atrás da correnteza do rio,

e coletado pedrinhas a fio,

sem sentir frio,

apenas calafrio.

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É ter experimentado o orvalho sob os pés,

e furtado tantos canapés,

apesar de tantos intés,

que bom, ainda há pelés!

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Brasil, belezas mil,

contraste febril,

no peito feriu,

porém, a esperança ressurgiu!

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Meus Direitos Autorais cedi, com prazer – em retribuição a esta maravilhosa iniciativa em prol da Cultura Brasileira/Imigrante,  para o Ministério das Relações Exteriores – Embaixada do Brasil na Noruega/Oslo.

Agradecimentos sinceros aos organizadores da Antologia, especialmente à Coordenadora do Projeto Cultural: Sílvia Ramos Dreys, à tradutora: Maria José Maciel e à escritora e organizadora do projeto Adote um Autor: Alexandra Magalhães zeiner

Beijos e,

lindo domingo para você, para nós!

Você está convidada! Participe se puder!

Segunda-feira, Fevereiro 10th, 2014

Sementes da Primavera em Munique

Segunda-feira, Julho 8th, 2013

Série: Entrevistas

The Pink Dolphin's/ O filho do Boto Cor-de-Rosa

Textos trabalhados em português e inglês, com ilustrações de Judit Fortený

Parte I:

Hoje em destaque a autora e coordenadora do Projeto “Adote um Autor”: Alexandra Magalhães Zeiner – escritora, profissional multi-facetas, mãe, mulher, menina.

Antes de mais nada tenho que admitir que sinto uma grande admiração por Alexandra uma pessoa sobretudo  batalhadora e humana, a qual  tive o grande prazer de conhecer pessoalmente em Munique no nosso “Encontro”. Ela ainda me surpreende repetidamente com a sua dedicaςão, seriedade e confiança num projeto que prioriza sobretudo a solidariedade e o talento individual de todos àqueles que estão envolvidos num ideal de divulgação do nosso idioma e de nossa arte que traduz-se não apenas através das palavras escritas, mas em sua própria essência encravada em nossas almas, em nossos sorrisos, em nossas lágrimas, em nossas canςões, em nossos silêncios…

Sem mais de mim mesma, mas sim algo mais de Alexandra: seus valores, seu trabalho, sua própria versão do projeto “Adote um Autor”, sua conexão contagiante com a floresta Amazônica e seus encantos. Agora você está especialmente convidado  para a leitura de algumas frases que transpiram algo do Mundo de Alexandra. Leia com atenςão, por favor, pois vale a pena!

1) Alexandra, é um grande prazer para mim publicar algo sobre você e seu trabalho no meu blog. Nos conhecemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera e eu gostaria de saber como foi para você a experiência de conceber e organizar o “Projeto Adote um Autor” – um projeto pioneiro em terras germânicas.

Obrigada pela iniciativa, Neusa. Acredito que, para que todos entendam toda a dinâmica dos envolvidos no projeto, será interessante descrever “o processo de adoção”, que, para mim, foi um dos mais importantes e marcantes aspectos do projeto. Mas, antes de tudo, para aqueles que o desconhecem, eis uma pequena explicação sobre a “adoção dos autores”: Membros e amigos da Associação Cultural Teuto Brasileira (DBKV e.V.) convidaram autoras e autores para serem seus hóspedes durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. Este foi um processo inédito em eventos literários, iniciado em trabalho conjunto com a DBKV e.V..

Em outubro de 2012 o projeto foi submetido à presidente (Rosanna F. Gebauer) e vice-presidente da DBKV e V. (Mary Kling). Durante sete meses, muitas horas de trabalho foram dedicadas ao projeto, para que esse sonho do encontro se tornasse realidade. Na abertura do evento, o Senhor. Embaixador e Cônsul-Geral do Brasil em Munique, Sr. Antônio Carlos Coelho da Rocha, reconheceu no seu discurso o pioneirismo do projeto e do evento. A querida Ministra Monika Salski também participou da abertura do evento e acompanhou as apresentações dos autores, encantando a todos os participantes.

Enfim, o apoio da comunidade brasileira na Baviera foi a chave para o sucesso do evento. Todos os autores participantes foram hospedados ou “adotados” por famílias de Munique e cidades vizinhas. A experiência pessoal de cada um dos participantes está sendo publicada semanalmente no blog do projeto: Adote um Autor. Publicaremos também o testemunho das famílias apoiadoras do “processo de adoção”. Estes são apenas alguns exemplos do prazer que senti, e que ainda sinto, ao coordenar um projeto cujo lema é: solidariedade com criatividade!

2)Durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, A DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Como você imagina “esta experiência” em outros estados ou países? Qual seria a intensidade de sua atuação no projeto que você concebeu, mas que pretende obter “asas” próprias?

Somente uma associação que trabalha com/para a comunidade poderá dar continuidade ao trabalho iniciado no sul da Alemanha. Repito: o apoio da comunidade é fundamental! A troca de experiências será o ponto diferencial. Eventos literários, focando nossa literatura e nossa arte, são organizados no mundo inteiro, mas, antes do evento de Munique, nenhum outro havia “adotado” seus convidados e exposto seus trabalhos, gratuitamente.

Atualmente já temos algumas propostas, que serão cuidadosamente analisadas, pois o projeto será utilizado como uma ferramenta extra pelos autores e suas associações durante eventos literários. E, acima de tudo, confio na nossa mascote, ela voará para o melhor ninho, seja ele onde for.

3)Fale sobre sua experiência com o público brasileiro-alemão/austríaco/canadense, considerando o seu contato tão estreito com os diferentes idiomas e culturas.

Sempre respeitei a cultura dos diferentes países onde vivi: Áustria, Canadá, Croácia, Holanda e, agora, Alemanha. Por isso vivi bem em todos eles, e sinto um profundo agradecimento por tudo que aprendi durante todos esses anos. Todas as pessoas que encontrei pelo caminho me ensinaram que, mesmo diferentes, fazemos parte desse planeta maravilhoso, estamos aqui de passagem e por isso somos iguais, independente de sexo, raça e crença.

4)Conte-nos um pouco sobre fatos marcantes durante o “processo de publicação” do seu primeiro livro. E quanto ao segundo livro? Até que ponto sua primeira experiência contribuiu para a segunda?

Foram anos de tentativa, perdi a conta de quantas cartas, e-mails e telefonemas foram feitos durante o processo. Naquela época eu já tinha as ilustrações da Judit Fortelny, que trabalha em parceria comigo. Eu tinha em mente encontrar uma editora que publicasse trabalhos bilíngues, o que se na Europa ainda é raro, no Brasil nem se fala. Além disso, publicar no Brasil virou negócio, e fora de cogitação para uma iniciante.

Quando já estava desistindo, recebi a clara mensagem dos meus mestres de yoga: eu precisava publicar aquele primeiro livro. Assim, ao reiniciar a procura pela editora certa, encontrei a editora americana, Educa Brazil, que no prazo de um mês aceitou meu projeto. A pessoa que à época aceitou meu projeto desligou-se da editora alguns meses depois e por isso nunca tive a oportunidade de agradecê-la pelo que fez! Assim, em 2011, Ano Internacional das Florestas, fiz minha contribuição pessoal para as futuras gerações de brasileirinhos espalhados pelo mundo, publicando “O filho do boto cor-de-rosa”.

O segundo livro, “A menina e a onça-pintada”, foi publicado pela Educa Vision, editora “mãe” da Educa Brazil. Eles acreditam no meu trabalho e eu acredito que esta seja a base essencial para o sucesso de todo trabalho: credibilidade e respeito.

The Girl and the Jaguar. Sua segunda publicação bilíngue. Também iliustrada por Judit Fortelný

5)Pelo que observei, você tem uma relação muito íntima com a floresta e seus encantos naturais. De onde provém essa intimidade?

Eu sou muito apaixonada pela Floresta Amazônica e suas histórias. Durante séculos os nativos da região viveram em estreita comunhão com a natureza, até que “os exploradores do novo mundo” decidiram “ficar e explorar” a América do Sul. WaldeMar de Andrade e Silva também me inspirou com sua arte e história. Em 2002, quando vi pela primeira vez suas pinturas, fiquei encantada. Vi quadros da minha imaginação na infância, figuras vivas das histórias das tias que moravam no Amazonas. WaldeMar é um artista e escritor brasileiro, que há muitos anos tem pintado cenas da vida dos índios do Xingu, lugar onde viveu, partilhando com seus habitantes o amor por nossas florestas e seus animais.

Os povos indígenas brasileiros consideram o Xingu um santuário. Esse lugar especial está em risco de desaparecer, e o mundo deve saber o porquê. Belo Monte, ou Belo Monstro, representa um crime contra a natureza do planeta, e o pior de tudo é que o governo do Brasil é quem o está cometendo! No mundo inteiro, povos nativos respeitam e acreditam que as crianças são nosso futuro. Minha ilustradora, Judit

Antologia REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras

Mulheres da Floresta- Antologia REBRA. Em destaque o trabalho do ilustrador WaldeMar de Andrade e Silva

Fortelny, e eu, concordamos plenamente com eles. Em um momento de grandes desafios para a Amazônia e seus povos, compartilhamos a mensagem de que todos habitamos o mesmo planeta, a Mãe Terra, e é nosso dever respeitá-la e protegê-la.

6)Por favor, nos revele seu “sonho de projeto ”.

Projeto Adote um Autor.

Meu agradecimento especial a você, querida Neusa, e também a todos os que se interessaram na leitura desta entrevista.

Aguardo feedbacks!

Novas experiências na bagagem…

Terça-feira, Maio 7th, 2013

À vida! Aos desafios em todas as suas dimensões e extrapolações!

e o prazer que tive de ter conhecido muitas pessoas interessantes, verdadeiras, solidárias, além de poder, pelo menos por algumas horas pertencer à maravihosa cidade de Munique.  Estou sim impressionada positivamente quando penso em um saldo conclusivo para a minha viajem do último fim de semana. Aceitar o convite para participar do I Encontro de Escritores (desconhecidos) Brasileiros em Munique foi uma  das minhas muitas atitudes impensadas, porém sentidas. Pressenti muito claro lá por dentro de mim que eu precisa ir, mesmo sem grandes ilusões com a mídia ou alguma grande ressonância.

Foi muito difícil para mim deixar minhas filhas por aqui “semi-abandonadas” e cair na estrada “meio que de carona” com o Rubens para chegar no coraςão de uma cidade grande e desconhecida com o objetivo de me encontrar com outras pessoas, sobre as quais eu sabia apenas que tinham alguma ligação com o Brasil e se interessavam loucamente por livros, assim como eu.

A semana  anterior à minha escapada da pequena e aconchegante Mermuth foi “quase desesperadora” com os preparativos da viajem, todo o trabalho extra em casa para tentar deixar tudo em ordem para os meus três e executar com serenidade e bem todas as outras minhas atividades normais da semana. Logicamente que tudo parecia “dar errado”, ainda mais que, como de praxe, meu princípe reinventa novas e audociosas atividades quando eu tenho algo de importante e fora da rotina – previsto na agenda. Assim, poucas horas antes de viajar eu estava no jardim participando ativamente na limpeza de uma pequena máquina para revolver gramado, a qual deveria ser entregue no dia seguinte (limpa) e estava praticamente atolada em barro. O cansaςo, o frio do sereno e a impotência que senti enquanto pensava que já eram quase dez da noite,  não tinha minha bagagem pronta ou tomado sequer uma ducha e deveria  sair da cama no outro dia as 5 da manhã quase me fizeram desistir da aventura de ir para o sul. No entanto mesmo desanimada e descabelada, cheia de saudade antecipada de Laura e Vic levantei a cabeça e me preparei física, psicológica e espiritualmente para assumir o meu compromisso na Baviera.

Antes da viajem propriamente tudo parecia de novo “dar errado”, não sabíamos como chegaríamos ao nosso destino final, pois o GPS do Rubens não queria nos atender a princípio, mas sem desespero e drama – uma das qualidades do “temperamento” brasileiro – lá fomos na direção dos Alpes Bávaros, bem acompanhados pela Jandi – simpatia de carioca!

Tudo então passou a dar certo! Me surpreendi positivamente ao conhecer outros brasileiros que apesar do cansaço de viagens de carro, ônibus, trem ou avião não demonstraram nenhum sinal de desconforto e sorriam bem humorados uns para outros e iam se apresentando sem qualquer formalidade ou reserva.

As horas que passamos juntos foram muito agradáveis e de trocas de experiências mais do que enriquecedoras! Estou muito feliz por ter tido a chance de ouvir tantas histórias de vida surpreendentes e destinos manejados com grande sabedoria! Além de conhecer obras literárias ou não muito especiais, criativas e tocantes!

Rosanna - um amor de diretora para um amor de Projeto

Nestes momentos especiais eu tive a oportunidade de conhecer os autores: Alexandra Magalhães Zeiner, Eliana Keen, Evandro Raiz Ribeiro, Jacilene Brataas, Karina Martinelli, Lúcia Amélia Brüllhardt, Mara de Freitas Herrmann, Marcia Mar, Maria Cristina Schulze-Hofer, Sérgio Poeta-Beija-Flor, Sylvia Roesch, Roseni Kurányi, Zé do Rock, a cantora/compositora Valéria Dennin e algo mais sobre a obra do Rubens dos Santos.

Foi também muito prazeroso conhecer as pessoas que nos apoiaram muito como Rosanna – diretora do DBKV e todos os seus representantes, assim como a Vanessa e todas as pessoas que nos prestigiaram com uma visita, um sorriso, uma palavra, uma aperto de mão ou um olhar curioso.

A delícia do evento foi, de forma especial para mim, coroada por um passeio expontâneo pela cidade de Munique muito bem acompanhada pela Rosanna e seu marido, os quais gentilmente me mostraram pontos fantásticos de uma cidade, a qual apesar do seu tamanho consegue ser aconhegante para seus visitantes.

Bem, com tudo isso só me restou brindar com uma ótima cerveja Bávara ao nosso Encontro, à literatura, à arte em suas tantas dimensões, às pessoas, à vida!

Para terminar um fim de semana perfeito só me faltava encontrar um marido de bom humor em casa… Mas claro, nem tudo é perfeito!

Beijos e linda semana!