Artikel-Schlagworte: „Brasil“

Quando o Brasil vai merecer o Brasil?

Mittwoch, 24. Mai 2017

Es ist nicht zu fassen! Verdammt! Nos últimos anos consigo xingar bem melhor em alemão. Compreensível já que há quase 17 anos tento me integrar à cultura deste país. Sim, por aqui se xinga bastante, mas também se trabalha bastante e se paga altíssimos impostos. Algumas vezes me pego transtornada pelo tanto que temos que trabalhar apenas para pagar os impostos. No entanto, por outro lado – penso e vivencio uma Alemanha sem contrastes sociais extravagantes e quando observo a rotina do país sob uma ótica estrangeira/brasileira me sinto orgulhosa por não constastar uma diferença mórbida, inaceitável entre pobres e ricos assim como no Brasil ou no terceiro mundo em geral. Tenho tido a sorte de conhecer algumas diferentes regiões do mundo e automaticamente as comparo com o Brasil, o país onde nasci e vivi por muitos  anos e Alemanha, para onde a vida me transplantou. Com certeza, ambos os países têm seus fortes e seus fracos, mas o que mais me agrada por aqui é que a época da burguesia se orgulhar de si mesma já está ultrapassada e o que me desagrada no Brasil é que a burguesia ainda não se conscientizou que não existe mais lugar para ela no planeta. O planeta definitivamente não suporta mais o constraste entre milionários e pobres. É tão difícil entender isto? Hoje lendo o jornal que meu vizinho me deixou na escada, pois não assino jornal – é caro! Li logo na primeira página sobre novas/velhas sujeiras do contexto político-econômico no Brasil. É triste, é revoltante! O mundo se espanta e se entristece com o retrocesso histórico que abate o Brasil, como se já não bastasse tantas loucuras, guerras e injustiças no nosso fantástico Planeta Terra. Precisamos de gente séria no poder! Por favor o Brasil precisa merecer o Brasil!

 

Minhas condolências!

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Tempo Perdido/Verlorene Zeit

Dienstag, 4. Oktober 2016

A Legião Urbana/ Die Stadtliche Menchenmenge

Todos os dias quando acordo/ Alle Tage, wenn ich wahr werde
Não tenho mais o tempo que passou/Habe ich nicht mehr die vergangene Zeit
Mas tenho muito tempo:/Aber  ich habe viel Zeit:
Temos todo o tempo do mundo/Haben wir alle Zeit der Welt
Todos os dias antes de dormir/ Alle Nacht, bevor ich schlafe
Lembro e esqueço como foi o dia/Erinnere ich mich und vergesse,  wie  mein Tag es war
„Sempre em frente/ Immer weiter
Não temos tempo a perder.“/Wir haben keine Zeit zu verlieren
Nosso suor sagrado/ Unsere heiligen Schweiß
É bem mais belo que esse sangue amargo/Es ist viel schöner als dieser bitteren Blut
E tão sério/ Und so ernst
E selvagem/ Und wild
Selvagem/wild
Selvagem/wild
Veja o sol dessa manhã tão cinza:Schau die Sonne in diesem Morgen so grau
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos/Der Sturm, der kommt hat   deine Augenfarbe
Castanhos/Braun
Então me abraça forte/Also halt mich fest
Me diz mais uma vez que já estamos/Sag mir noch Mal, dass wir sind
Distantes de tudo/Weiter weg von allen
Temos nosso próprio tempo/Wir haben unsere eingene Zeit
Temos nosso…Haben unsere
Não tenho medo do escuro/ Ich habe keine Angst vor der Dunkelheit
Mas deixe as luzes acesas/Aber lass das Licht an
Agora/Jetzt
O que foi escondido é o que se escondeu/Was war versteckt ist, bleibt verborgen
E o que foi prometido, ninguém prometeu/Was verprochen wurde, keiner hat versprochen
Nem foi tempo perdido/Es war keine verschwendete Zeit
Somos tão jovens/Wir sind so Jung
Tão jovens/ So jung
 
 
Beijos
com saudades ♥

 

 

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„Pelos bailes da (alma) vida…“

Samstag, 6. August 2016

Num turbilhão de pensamentos me veio à cabeça, agora mesmo, o maravilhoso som de nosso grande Milton Nascimento e me percebi aberta para compartilhar algumas sensações, impressões e sentimentos, os quais me arrebataram nos últimos tempos. Faz bastante tempo que não encontro em mim  mesma qualquer motivação para escrever aqui… cansaço, desânimo, falta de tempo. Quando comecei, encurralada por circunstâncias pessoais, uma „quase“ que nova formação profissional numa escola alemã, sob um sistema dual, ou seja teoria e prática paralelamente eu não tinha ideia de que estava prestes a medir diariamente minha capacidade intelectual, emocional e física. Eu me sentia tão motivada e não sei exatamente porque não tinha dúvidas de que daria conta do recado. Me sentia forte contra todas as prováveis dificuldades para conciliar todos os desafios em função do idioma, minha idade, minhas responsabilidades de mãe, esposa, dona de casa, amiga, irmã, tia, conhecida, colega. O fato é que estando na reta final do meu curso me sinto de novo empolgada pelas conquistas (bastante áridas) dos dois últimos anos, mas entre um bismestre e outro tive sérias dúvidas se realmente conseguiria ir em frente. Me senti muitas vezes no meu limite. Nesta busca de descanso físico, psíquico e emocional embarquei com a família há algumas semanas para a Ásia. Fomos todos sedentos para a trópica Sri Lanka. Eu só queria colocar as pernas prá cima todos os dias a beira-mar, mas acabei impulsionada à novas aventuras pelo litoral e interior do país. Me admirei pela calma, educação e simpatia daquele povo de pele batida pelo sol, habitantes de uma ilha bem próxima ao Equador. Andando na confusão de pessoas e tráfico senti a convivência pacífica entre indus, cristãos, muçulmanos e budistas, os quais representam a maioria da população. Fui muito bem recebida nos dois templos que visitei, as pessoas me olhavam nos olhos e sorriam prá mim. Me senti um pouco intrusa naquele mundo de flores, incensos e abdicação. Observando a paciência e tolerância das pessoas num trem super lotado (trajeto Kandy – interior/ litoral) me senti envergonhada pela minha boa vida num país europeu, indo prá lá e prá cá no conforto do carro aquecido ou refrigerado e no silêncio daquelas pessoas ressoavam nossas reclamações mesquinhas por nada.

Uma coisa é certa, não voltei descansada das férias, mas contagiada pela beleza da ilha tropical que visitei e sobretudo pelos príncipios das pessoas que habitam esta pequena porção do paraíso.

Por falar em paraíso,  as imagens deslumbrantes do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil que chegam até nós em função dos jogos olímpicos me fizeram perceber que sinto uma saudade danada desta outra porção do paraíso. Ontem, assistindo a festa de abertura dos jogos me  peguei várias vezes com lágrimas nos olhos e como foi bom ouvir Tom Jobim, Jorge Benjor, assistir à espetáculos de luzes, sons, dança, cores, história e criatividade! Independente de Temers, Aércios, Dilmas e Lulas, eu gostaria tanto de sonhar com um Brasil de oportunidades para todas as pessoas de boa vontade! Gostaria também de sonhar com brasileiros  interessados em injetar energia  em causas sociais e não individuais e sobretudo a consientização de que cada um de nós é responsável por um país, um mundo livre de corrupção, pobreza e injustiça

Beijos e

lindo fim de semana!

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Nos Bailes da Vida – Am Ball des Lebens

Samstag, 26. September 2015

Foi nos bailes da vida ou num bar                         Es war im  Ball des Lebens oder in einem Kneipp
Em troca de pão                                                            Für’s Brot,
Que muita gente boa pôs o pé na profissão       dass viele gute Leute ein Fuß                                                                                     in den Beruf angefassen haben
De tocar um instrumento e de cantar                  um   ein Instrument zu spielen und zu singen
Não importando se quem pagou quis ouvir       Unabhängig davon, ob die dafür bezahlt hat, hören wollte.

Foi assim                                                                            Es war so

Cantar era buscar o caminho                                  singen war das Suchen von den Weg
Que vai dar no sol                                                        welcher Ziel, die Sonne ist
Tenho comigo as lembranças do que eu era      Ich habe bei mir die Erinnerungen von was ich es war
Para cantar nada era longe tudo tão bom           um zu singen, nichts war zu weit, alles so schön
Até a estrada de terra na boléia de caminhão    sogar auf einem LKW durch unfertigen Strassen.

Era assim                                                                            Es war so

Com a roupa encharcada e a alma                          mit den  nassen Klamoten und die Seele
Repleta de chão                                                              volle Boden
Todo artista tem de ir aonde o povo está             alle Kunstler muss sein wo das Wolk ist
Se for assim, assim será                                            wenn so sei würde, so wird es sei
Cantando me disfarço e não me canso               am singen verkleide  ich mich und werde nicht müde
De viver nem de cantar                                           von Leben, und auch nicht von singen

Fernando Brant / Milton Nascimento

Ótima música brasileira no outono germânico!

Beijos!

Ps. Concordo com sugestões para a melhoria da tradução!

Obrigada desde já!

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Tá escrito! Brasil Amor incondicional!

Samstag, 12. Juli 2014

Quem cultiva a semente do Amor
segue em frente não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
vai saber esperar sua Hora (2x)

às vezes a felicidade demora a chegar
aí é que a gente não pode deixar de sonhar
guerreiro não foge da luta e não pode correr
ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer

é dia de sol mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender se colheu tem que plantar
é Deus quem aponta a estrela que tem que Brilhar

Ergue essa cabeça mete o Pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um Novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar (2x)

Wer sich kümmert um das Semen des Liebes

Geht weiter, bekommt keine Panik

Wenn im Leben Enttäuscht ist

Wird schon die eigene Wartezeit erkennen

Manchmal, das Glück dauern bis es kommt

In dieser Punkt man darf nicht aufhören um zu träume

Kein Kämpfer entgeht dem Kampf und darf nicht weg laufen

Niemand wird in de Lage sein um ein Gewinner zu stören

Diee Sonne scheint, aber das Wetter kann schlecht werden

Die Regen kommt, nur wenn es nass sein muss

Im Leben, muss man lernen, dass gutes wird geerntet was man gut pflanzt

Es ist Gott, der darauf hinweist was für eine Stern, die muss leuchten

Kopf hoch, fest schießen und geh auf den Glauben

Weg mit der Traurigkeit

Du kannst glauben, dass ein neuer tag anbricht

Deine Zeit wird kommen.

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O Brasil em foco – dasafios!

Donnerstag, 12. Juni 2014

"...Brasil mostra a sua cara, quero ver quem paga prá gente ficar assim..."

Não importa onde e quando, fato é que se ouve e se fala sobre o Brasil em todos os cantos!

É realmente impressionante a influência do futebol sobre as pessoas de todas as idades,  cores, idiomas e níveis sociais. Penso sim que por isso mesmo seja um bom momento para chamar a atenςão da mídia mundial para realidades não tão democráticas quanto (aparentemente) o futebol. No entanto, apesar de toda a ira contra as demandas do governo atual na construção/reforma de estádios e compra de aparatos de seguranςa, as demonstrações que podem realmente celebrar mudanças positivas, são as pacíficas. É evidente que sair por aí saqueando e destruindo  bens materiais evidenciam apenas ignorância social, histórica e política.

Tenho acompanhado, meio que com vergonha, daqui do meu conforto de primeiro mundo muitas notícias, programas especiais e mensagens sobre o meu próprio país. O Brasil está em foco e, infelizmente, o que não gostaríamos de mostrar para o Mundo também está em absoluta evidência – exemplos: a desigualdade social, canais de esgosto abertos, o lixo atirado em cantos próximos aos grandes e modernos estádios, a rotina de vida em favelas do Rio, São Paulo, Salvador, a violência aterrorizante em esquinas mal iluminadas.

Sinceramente, quando o tema são as grandes cidades, prefiro que minhas filhas não vejam o programa, porém não saem dos meus lábios nenhum comentário sobre o assunto. Fico triste quando vejo imagens negativas sobre o país que amamos tanto. Elas também não fazem nenhuma observação negativa, afinal já conhecem muito mais do Brasil do que a grande maioria dos seus colegas e conhecidos, já experimentaram na própria pele muita delícia e amargura de Brasil.

Daqui também, do meu conforto, fica simples observar as contradições em palavras e atitudes de autoridades, estrelas do futebol, da televisão e das pessoas em geral que defendem ou atacam o governo. Penso muito naquele velho dito popular: „falar é fácil, fazer é difícil“ ,ou seja, como sempre o que se ouve é muito bla, bla, bla, bla… se culpa, se xinga,  se ofende simplesmente, sem se medir as próprias palavras e sobretudo as próprias atitudes.

Sim, o governo atual tem culpa por todos os problemas atuais que afligem a população. Sim, os governos anteriores também têm culpa sobre o caos político-econômico- social que fazem com que o estigma da pobreza se transfira de geração para geração. Sim, todos temos culpa quando transferimos nossas responsabilidades de cidadão para o Estado. Todos nós podemos e devemos contribuir para a solução de enormes  problemas que nos afligem. Posso, com conhecimento de causa, afirmar que o posicionamento da população alemã é bem diferente do da brasileira. Aqui temos muito a aprender no sentido de não apenas cobrar do governo, mas trabalhar em prol da comunidade. Milhares de pessoas dedicam horas de suas vidas  à associações esportivas, religiosas, culturais com o objetivo específico de proporcionar a si mesmo e às outras pessoas uma qualidade melhor de vida. Grande parte dos pais não se limitam a criticar o que se passa na escola, eles participam diretamente das atividades escolares assim que solicitados e contribuem sempre com uma associação extra que organiza um  caixa específico para proporcionar apoio financeiro às atividades „extra curriculum“.

A lama na qual o sistema de saúde e educação no Brasil se encontra é secular e enquanto apenas se apontar culpados ao invés se sentir parte do problema não haverá saída. A  „classe média“ sente o peso, está revoltada com os preços das escolas particulares e plano de saúde privados. Estas empresas sim têm ganhado muito com os problemas sociais. No entanto, é evidente que  a direção para  uma democracia saudável é outra. Numa democracia saudável  pode-se obsevar que o vizinho possui todas as condições de vida  que eu mesma.

A solução para o problema de segurança não é construir muros mais altos, mas sim ocupar positivamente o moleque da favela ou da periferia. Que Ele frequente uma escola pública com a mesma „suposta“ qualidade do que a privada. Que quando esteja doente corra para um hospital ou clínica com os mesmos recursos que uma instituição privada. Que Ele possa aprender idiomas e praticar esportes. Que Ele se sinta parte da comunidade, da cidade, do país e não de redutos de pobreza e lixo.

Sim, parece demagogia, mas como não sou política, não faςo demagogia. Sonho, apenas, em um dia observar as pessoas agindo mais do que reclamando dos problemas que nos entristecem. A verdade dói, mas precisa ser dita: os problemas são graves e não serão resolvidos de „cima“ para „baixo“, talvez tenhamos uma chance de sonhar com um Brasil mais seguro, humano, saudável – se as atitudes realmente se estabelecerem de „baixo“ para „cima“. E, sobretudo se uma burguesia menos hipócrita se sentir também parte do problema. Priorizar investimentos sociais ao seu redor, ao invés de investir em carros blindados e seguranςas pessoais.

Abaixo podemos ver um exemplo de atitude. Compartilho agora com vocês, com muito prazer, algo do  trabalho de Lionizia Goyáartista plástica e escritora presidente Pró-Tempore ALB/Uberlândia – MG

Arte e pintura para crianςas e adolescentes – a iniciativa exemplar de uma Goiana/mineira

Beijos!  Muita alegria  e atitude!

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Quando o Brasil foi tomado pela Ditadura: vale a pena saber!

Mittwoch, 12. März 2014

"...Brasil de um sonho intenso, um raio vívido..."

Marςo de 1964.

Autor: Frei Betto em 07.03.2014

Em 1964 eu morava no Rio, em um „apertamento“ na esquina das ruas Laranjeiras e Pereira da Silva. Ali se instalavam os jovens dirigentes da JEC (Juventude Estudantil Católica) e da JUC (Juventude Universitária Católica), movimentos da Ação Católica. Ali se hospedavam, com frequência, os líderes estudantis Betinho, Vinicius Caldeira Brant e José Serra.

Eu havia ingressado no curso de Jornalismo na Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, entre meus professores, se destacavam Alceu Amoroso Lima, Danton Jobim e Hermes Lima. À direita, Hélio Vianna, professor de história, cunhado do marechal Castelo Branco.

Desde que cheguei ao Rio, vindo de Minas, o Brasil vivia em turbulência política. Despertava o gigante adormecido em berço esplêndido. Tudo era novo sob o governo João Goulart: a bossa, o cinema, a literatura…

A Sudene, dirigida por Celso Furtado, aliada ao governador de Pernambuco, Miguel Arraes, redesenhava um Nordeste livre do mando coronelístico de usineiros e latifundiários. Francisco Julião defendia as Ligas Camponesas, que lutavam por reforma agrária. Paulo Freire implantava, a partir de Angicos (RN), seu método de conscientização política dos pobres através da alfabetização. Gestava a pedagogia do oprimido.

No Sul, Leonel Brizola enfrentava os monopólios estrangeiros e defendia a soberania brasileira. Marinheiros e sargentos do Exército se organizavam, no Rio, para reivindicar seus direitos.

Verás que um filho teu não foge à luta”. Porém, os filhos não tinham suficiente lucidez para perceber que, desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, vinha sendo chocado, pelas classes dominantes, o ovo da serpente…

A embaixada estadunidense, ainda instalada no Rio, e tendo à frente Lincoln Gordon, movia-se à sombra para atiçar os militares brasileiros – muitos deles treinados nos EUA – contra a ordem democrática (vide “Taking charge: the Johnson White House Tapes – 1963-1964”, de Michael Beschloss).

Quem conhece a história dos golpes de Estado na América Latina sabe que todos foram patrocinados pela Casa Branca. Daí a piada: nunca houve golpe nos EUA porque não há, em Washington, embaixada ianque…

Os EUA, inconformados com o êxito da Revolução Cubana em 1959, temiam o avanço do comunismo na América Latina. O presidente Lyndon Johnson (1963-1969) estava convencido de que o Brasil era tão vulnerável à influência soviética quanto o Vietnam.

Rios de dinheiro foram destinados a preparar as condições para o golpe de 1º de abril de 1964. Para os pobres, que tanto ansiavam por reformas estruturais (chamadas na época de “reformas de base”, e até hoje não realizadas), os EUA ofereciam as migalhas das cestas básicas distribuídas pela Aliança para o Progresso. O empresariado se articulava no IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e no IPES (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais).

Os EUA sequer admitiriam que o Brasil se tornasse como o Egito de Nasser, um país independente das órbitas ianque e soviética. Navios estadunidenses da Operação Brother Sam rumavam em direção aos nossos portos.

Jango convocou o megacomício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil. Eu queria estar lá, mas padre Eduardo Koaik (mais tarde bispo de Piracicaba, SP, e colega de seminário de Carlos Heitor Cony) decidiu que aproveitaríamos o feriado para um dia de estudos da direção nacional da JEC, da qual eu fazia parte, em Itaipava (RJ).

Em 29 de março, com passagem cedida pelo Ministério da Educação (leia-se: Betinho, chefe de gabinete do ministro Paulo de Tarso dos Santos), embarquei para Belém. Na capital paraense, o golpe militar me surpreendeu dia 1º de abril de 1964. Custei a acreditar que o presidente Jango, constitucionalmente eleito, havia se refugiado no Uruguai.

Aguardei a tão propalada reação popular. O PCB (Partido Comunista Brasileiro), com quem a JEC mantinha alianças na política estudantil, garantira que, em caso de golpe, Prestes havia de convocar milhares de trabalhadores em armas.

A Ação Popular, movimento de esquerda oriundo da Ação Católica, prometia mobilizar seus militantes para defender a ordem democrática.

Esperei em vão. Reações isoladas, inclusive de altos oficiais das Forças Armadas, foram logo abafadas sem necessidade de um só disparo de arma de fogo. E ninguém acreditava que a ditadura duraria, a partir de 1o de abril de 1964, 21 anos.

Texto publicado na íntegra, o  qual me foi gentilmente enviado por Mozart V. Cortez.

Obrigada querido primo!

Beijos e linda semana ainda para todos vocês que me visitaram!


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Corredores, dobrinhas, sorrisos e claro: livros…

Mittwoch, 16. Oktober 2013

Estive bem acompanhada em Frankfurt, sem dúvida!

em Frankfurt.

Penso sim que eu poderia simplificar minhas impressões sobre a  Feira de livros em Frankfurt com estas quatro palavras em destaque. No entanto não estou segura se estaria sendo correta e não demasiadamente irônica através da minha visão parcial dos acontecimentos.

Sim, queridos e queridas não que minha vida seja apenas uma sucessão de aventuras, mas confesso que depois de Londres por acaso me percebi novamente atrelada à uma nova aventura – desta vez uma doméstica, apartir da qual conclui que depois de treze anos em terras germânicas me sinto segura o bastante para me locomover por aqui dirigindo, inclusive com minhas filhas através das rodovias  A61, 643 e 66 até chegar no centro de Frankfurt e procurar estacionamento nas proximidades da Feira, localizada num colosso de construção, onde através de pátios internos pode e deve locomover-se de micro-ônibus. Com muita sorte e certamente conduzida pelos anjos encontrei diretamente o prédio de estacionamentos, do qual partiam ônibus gratuitos para os pavilhões da feira – aqui pude me encantar com a capacidade de organização dos alemães – tudo funcionando com a precisão de um relógio suíço.

Bem, já dentro dos inúmeros corredores aquecidos dos pavilhões me senti meio tonta com a diversidade de obras em vários idiomas, as quais estavam sendo expostas por representantes dos respectivos países em estandes bem frequentados ou não. As atrações eram muitas, mas sinceramente a que mais me atraiu foi a presenςa do Brasil. Me senti muito orgulhosa e a vontade no pavilhão brasileiro e gostei muito do que vi: muitas pessoas deitadas em redes que nos lembravam um pouco da tranquilidade baiana, outras tantas acomodadas em almofadas de

Eu e Vic entre amigos especiais: Sandra: autora do Minerinha n'Alemanha e Rubens: autor do trilíngue -Schneelöwen

diferentes formatos, talvez lendo pela primeira vez algo mais de Brasil, outros tantos curiosos assistindo imagens belíssimas das nossas diversidades naturais e conhecendo um pouco dos nossos contrastes culturais… enfim me senti muito bem em vivenciar o meu país de forma tão bem representada neste centro cultural no coração europeu, não nos esquecendo das nossas raízes e de todos os problemas herdados de uma colonizaςão de exploração e suas consequências secularizadas através dos governos sucessivos. Problemas este que foram explicitados muito claramente pelo escritor Luiz Ruffato em seu discurso de abertura, o que lhe rendeu muitas críticas negativas – segundo Ele mesmo, o qual  foi encontrado por acaso pela minha querida Sandra e nos permitiu não apenas cumprimentá-lo pela sua coragem em expor internacionalmente nossos problemas mais graves, mas também por seu apelo à mudanças conjunturais e o papel, além da grande responsabilidade, da literatura nesta dinâmica.

Mas sinceramente acabei me esquecendo dos nossos problemas conjunturais quando encontrei o aconchegante estande da Literarte organizado por uma simpatia de pessoa, jornalista e escritora Dyandreia Portugal a qual tive o grande prazer de conhecer pessoalmente nesta sua estadia em Frankfurt. No pequeno, mas lindo espaço organizado por Ela senti-me realmente em casa, a decoração, a alegria e a descontração que dominava àquele ambiente estava contagiante e sem dúvida poderíamos até ter feito uma rodinha de pagode ali se não fosse o aperto dos corredores. Porém, mesmo sem pagode ou cachaςa de Minas estivemos muito felizes embriagadas com o cheiro de livros, muitos livros e sorrisos expontâneos ou simplesmente colocados para as lentes dos fotógrafos profissionais ou não. E quanto às dobrinhas?

Fica por conta de sua imaginação…

Beijos e linda semana ainda!

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Um pouco de primavera e muito de Brasil!

Freitag, 26. April 2013

"...E o sol da liberdade em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria neste instante..."

A verdade é que minha recente semana transcorreu quase que normalmente! De novo, a rotina… rotina? Qual?! Algumas preocupaςões de menos pesaram nos meus ombros, mas o significado da palavra rotina não reconheço a não ser o fato de ter que pular da cama às seis todos os dias… tudo bem! Me sinto feliz por ter lá minhas ocupaςões e preocupaςões, afinal tudo faz parte de nossas vidas.

A novidade é que esta semana tive a ousadia, acho que inspirada pelo bom tempo que invadiu o país e nossas almas, de convidar dois grupos de crianςas que me „aturam“ nas nossas aulas de artes e esportes a compartilharem comigo uma „tarde de sol à brasileira“. Eu não estava muito segura de que seria um sucesso, pois penso que todas (ou quase) as crianςas do mundo têm receio de provar alguma receita nova. Tenho visto com muita frequência, inclusive as minhas filhas, preferindo o que já conhecem ao invés do desconhecido. No entanto eu me senti corajosa e confiante que Elas ficariam felizes em poderem experimentar algo novo numa linda semana de primavera. Assim me dediquei algum tempo estudando algumas receitas de bolo de cenoura e optei por uma que parecia fantástica, mas com uma calda meio complicada…

Sim, na quarta-feira parecia que meu bolo estaria fadado ao fracasso por tantas interferências que tive ao prepará-lo e por último a ligaςão da diretora da escola da Vic me avisando que deveria buscá-la na escola, pois Ela estava reclamando de dor de barriga. Eu corri prá lá meio preocupada com Vic e com meu bolo no forno. Chegando no pátio da escola percebi que o caso não era grave. Grave foi conseguir a consistência ideal da cobertura do bolo, cuja mistura „meio a olho“ de chocolate ao leite, com chocolate meio amargo derretido em creme aquecido em banho-maria…. patatipatatá… me pareceu insuperável!

Não importa! Fato é que naquele dia eu estava fadada ao sucesso e as crianςas ficaram muito felizes quando eu avisei que faríamos piniquik e para isso bati um „bolo à brasileira“. Me diverti muito quando Elas, muito desconfiados, me perguntaram:

_ O que significa „bolo à brasileira“?

Eu respondi o mais naturalmente que pude:

_ Este é um bolo que nós no Brasil comemos com muita frequência e satisfaςão!

Algumas  delas, meio curiosas e ao mesmo tempo receosas:

_ Bolo de quê?

Eu,… aguardando certa rejeiςão:

_ De cenoura… e cobertura de chocolate!

Elas… a maioria me informou que não gostava de cenoura!

Eu, muito paciente e pesistente:

_ Mas este bolo eu preparei com carinho prá vocês e é muito gostoso e saudável! Por favor, provem, se não gostarem não precisam comer, eu levo de volta prá casa e como sozinha! Mas antes gostaria que vocês também provassem algo que trouxe para tomarmos: Guaraná!

Elas, muito surpresas… Gu-a-hra-ná? Was ist das? O que é isso?

Eu, cheio de „pompa e sabedoria“- aproveitando que todas Elas por certo já ouviram falar ou leram algo sobre a Amazônia.

_ Guaraná é uma fruta que se encontra na Amazônia. Ou seja Guaraná é parecido com Apfelschorle, só que não é feito com maςãs, mas sim com Guaraná.

Elas muito curiosas, algumas céticas… se limitaram a exclamar uum „Ahhhahhh!!!!“

Resultado: com tanta diplomacia, consegui que todas provassem do bolo e do Guaraná e para a minha alegria não trouxe nada do bolo ou do Guaraná de volta para casa. Elas gostaram tanto do bolo que me pediram a receita e quanto ao Guaraná me perguntaram onde podem comprar. Claro que não fiz qualquer tipo de propaganda, pois já tenho outros planos para popularizar o nosso adorável bolo de cenoura e o encanto do guaraná, mas longe de mim vender… me sinto recompensada de divulgar e saborear algo do meu „explêndido Brasil“ aqui pertinho de mim, mas tão longe de vocês…

Beijos e lindo fim de semana!

Quem sabe com bolo de cenoura e guaraná?

Um brinde!

Ps. Querido Rubens não me esqueci de pagar os Guaranás, pensei que talvez não haja problemas em pagar tudo na próxima semana juntamente com as despesas de Munique… por favor me escreva se estou errada! Bjs.

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Um amor de projeto

Dienstag, 19. Februar 2013

Projeto Adote um(a) Autor(a)

Este projeto será apresentado oficialmente durante o „I Encontro de escritores na Baviera“. Uma experiência literária que permitirá o contato entre a comunidade alemã e artistas brasileiros, troca de informações de escritores, residentes e nativos.

Com a intenção de proporcionar um envolvimento maior entre as comunidades brasileiras no exterior, o projeto será um plano piloto internacional, no qual a DBKV e. V. convidará seus associados e amigos a participarem ativamente, propondo que “adotem” um(a) autor(a).

Por ser esse o primeiro projeto, apenas os participantes associados terão a possiblidade de se hospedarem em casa de famílias nativas o que auxiliará o orçamento dos convidados. Este projeto tem como um dos objetivos minimizar gastos durante eventos literários, onde autores farão exposições de seus trabalhos. A divulgação do projeto será realizada junto à(s) associação(ções), na qual cada autor trabalha em conjunto, permitindo assim um trabalho duradouro de incentivo mútuo em sua região e país.

Todas as informações competentemente organizadas, você encontra aqui: Adote um Autor

Muito obrigada à Rosanna, Alexandra e à toda equipe organizadora, assim como aos apoiadores deste novo e ousado projeto em prol da divulgaςão da nossa língua e do nosso jeito brasileiro de ser – que seja  Ele em qualquer parte do Mundo!

Beijos.

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