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Quando o Brasil foi tomado pela Ditadura: vale a pena saber!

Quarta-feira, Março 12th, 2014

"...Brasil de um sonho intenso, um raio vívido..."

Marςo de 1964.

Autor: Frei Betto em 07.03.2014

Em 1964 eu morava no Rio, em um “apertamento” na esquina das ruas Laranjeiras e Pereira da Silva. Ali se instalavam os jovens dirigentes da JEC (Juventude Estudantil Católica) e da JUC (Juventude Universitária Católica), movimentos da Ação Católica. Ali se hospedavam, com frequência, os líderes estudantis Betinho, Vinicius Caldeira Brant e José Serra.

Eu havia ingressado no curso de Jornalismo na Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, entre meus professores, se destacavam Alceu Amoroso Lima, Danton Jobim e Hermes Lima. À direita, Hélio Vianna, professor de história, cunhado do marechal Castelo Branco.

Desde que cheguei ao Rio, vindo de Minas, o Brasil vivia em turbulência política. Despertava o gigante adormecido em berço esplêndido. Tudo era novo sob o governo João Goulart: a bossa, o cinema, a literatura…

A Sudene, dirigida por Celso Furtado, aliada ao governador de Pernambuco, Miguel Arraes, redesenhava um Nordeste livre do mando coronelístico de usineiros e latifundiários. Francisco Julião defendia as Ligas Camponesas, que lutavam por reforma agrária. Paulo Freire implantava, a partir de Angicos (RN), seu método de conscientização política dos pobres através da alfabetização. Gestava a pedagogia do oprimido.

No Sul, Leonel Brizola enfrentava os monopólios estrangeiros e defendia a soberania brasileira. Marinheiros e sargentos do Exército se organizavam, no Rio, para reivindicar seus direitos.

Verás que um filho teu não foge à luta”. Porém, os filhos não tinham suficiente lucidez para perceber que, desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, vinha sendo chocado, pelas classes dominantes, o ovo da serpente…

A embaixada estadunidense, ainda instalada no Rio, e tendo à frente Lincoln Gordon, movia-se à sombra para atiçar os militares brasileiros – muitos deles treinados nos EUA – contra a ordem democrática (vide “Taking charge: the Johnson White House Tapes – 1963-1964”, de Michael Beschloss).

Quem conhece a história dos golpes de Estado na América Latina sabe que todos foram patrocinados pela Casa Branca. Daí a piada: nunca houve golpe nos EUA porque não há, em Washington, embaixada ianque…

Os EUA, inconformados com o êxito da Revolução Cubana em 1959, temiam o avanço do comunismo na América Latina. O presidente Lyndon Johnson (1963-1969) estava convencido de que o Brasil era tão vulnerável à influência soviética quanto o Vietnam.

Rios de dinheiro foram destinados a preparar as condições para o golpe de 1º de abril de 1964. Para os pobres, que tanto ansiavam por reformas estruturais (chamadas na época de “reformas de base”, e até hoje não realizadas), os EUA ofereciam as migalhas das cestas básicas distribuídas pela Aliança para o Progresso. O empresariado se articulava no IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e no IPES (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais).

Os EUA sequer admitiriam que o Brasil se tornasse como o Egito de Nasser, um país independente das órbitas ianque e soviética. Navios estadunidenses da Operação Brother Sam rumavam em direção aos nossos portos.

Jango convocou o megacomício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil. Eu queria estar lá, mas padre Eduardo Koaik (mais tarde bispo de Piracicaba, SP, e colega de seminário de Carlos Heitor Cony) decidiu que aproveitaríamos o feriado para um dia de estudos da direção nacional da JEC, da qual eu fazia parte, em Itaipava (RJ).

Em 29 de março, com passagem cedida pelo Ministério da Educação (leia-se: Betinho, chefe de gabinete do ministro Paulo de Tarso dos Santos), embarquei para Belém. Na capital paraense, o golpe militar me surpreendeu dia 1º de abril de 1964. Custei a acreditar que o presidente Jango, constitucionalmente eleito, havia se refugiado no Uruguai.

Aguardei a tão propalada reação popular. O PCB (Partido Comunista Brasileiro), com quem a JEC mantinha alianças na política estudantil, garantira que, em caso de golpe, Prestes havia de convocar milhares de trabalhadores em armas.

A Ação Popular, movimento de esquerda oriundo da Ação Católica, prometia mobilizar seus militantes para defender a ordem democrática.

Esperei em vão. Reações isoladas, inclusive de altos oficiais das Forças Armadas, foram logo abafadas sem necessidade de um só disparo de arma de fogo. E ninguém acreditava que a ditadura duraria, a partir de 1o de abril de 1964, 21 anos.

Texto publicado na íntegra, o  qual me foi gentilmente enviado por Mozart V. Cortez.

Obrigada querido primo!

Beijos e linda semana ainda para todos vocês que me visitaram!


Corredores, dobrinhas, sorrisos e claro: livros…

Quarta-feira, Outubro 16th, 2013

Estive bem acompanhada em Frankfurt, sem dúvida!

em Frankfurt.

Penso sim que eu poderia simplificar minhas impressões sobre a  Feira de livros em Frankfurt com estas quatro palavras em destaque. No entanto não estou segura se estaria sendo correta e não demasiadamente irônica através da minha visão parcial dos acontecimentos.

Sim, queridos e queridas não que minha vida seja apenas uma sucessão de aventuras, mas confesso que depois de Londres por acaso me percebi novamente atrelada à uma nova aventura – desta vez uma doméstica, apartir da qual conclui que depois de treze anos em terras germânicas me sinto segura o bastante para me locomover por aqui dirigindo, inclusive com minhas filhas através das rodovias  A61, 643 e 66 até chegar no centro de Frankfurt e procurar estacionamento nas proximidades da Feira, localizada num colosso de construção, onde através de pátios internos pode e deve locomover-se de micro-ônibus. Com muita sorte e certamente conduzida pelos anjos encontrei diretamente o prédio de estacionamentos, do qual partiam ônibus gratuitos para os pavilhões da feira – aqui pude me encantar com a capacidade de organização dos alemães – tudo funcionando com a precisão de um relógio suíço.

Bem, já dentro dos inúmeros corredores aquecidos dos pavilhões me senti meio tonta com a diversidade de obras em vários idiomas, as quais estavam sendo expostas por representantes dos respectivos países em estandes bem frequentados ou não. As atrações eram muitas, mas sinceramente a que mais me atraiu foi a presenςa do Brasil. Me senti muito orgulhosa e a vontade no pavilhão brasileiro e gostei muito do que vi: muitas pessoas deitadas em redes que nos lembravam um pouco da tranquilidade baiana, outras tantas acomodadas em almofadas de

Eu e Vic entre amigos especiais: Sandra: autora do Minerinha n'Alemanha e Rubens: autor do trilíngue -Schneelöwen

diferentes formatos, talvez lendo pela primeira vez algo mais de Brasil, outros tantos curiosos assistindo imagens belíssimas das nossas diversidades naturais e conhecendo um pouco dos nossos contrastes culturais… enfim me senti muito bem em vivenciar o meu país de forma tão bem representada neste centro cultural no coração europeu, não nos esquecendo das nossas raízes e de todos os problemas herdados de uma colonizaςão de exploração e suas consequências secularizadas através dos governos sucessivos. Problemas este que foram explicitados muito claramente pelo escritor Luiz Ruffato em seu discurso de abertura, o que lhe rendeu muitas críticas negativas – segundo Ele mesmo, o qual  foi encontrado por acaso pela minha querida Sandra e nos permitiu não apenas cumprimentá-lo pela sua coragem em expor internacionalmente nossos problemas mais graves, mas também por seu apelo à mudanças conjunturais e o papel, além da grande responsabilidade, da literatura nesta dinâmica.

Mas sinceramente acabei me esquecendo dos nossos problemas conjunturais quando encontrei o aconchegante estande da Literarte organizado por uma simpatia de pessoa, jornalista e escritora Dyandreia Portugal a qual tive o grande prazer de conhecer pessoalmente nesta sua estadia em Frankfurt. No pequeno, mas lindo espaço organizado por Ela senti-me realmente em casa, a decoração, a alegria e a descontração que dominava àquele ambiente estava contagiante e sem dúvida poderíamos até ter feito uma rodinha de pagode ali se não fosse o aperto dos corredores. Porém, mesmo sem pagode ou cachaςa de Minas estivemos muito felizes embriagadas com o cheiro de livros, muitos livros e sorrisos expontâneos ou simplesmente colocados para as lentes dos fotógrafos profissionais ou não. E quanto às dobrinhas?

Fica por conta de sua imaginação…

Beijos e linda semana ainda!

Um pouco de primavera e muito de Brasil!

Sexta-feira, Abril 26th, 2013

"...E o sol da liberdade em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria neste instante..."

A verdade é que minha recente semana transcorreu quase que normalmente! De novo, a rotina… rotina? Qual?! Algumas preocupaςões de menos pesaram nos meus ombros, mas o significado da palavra rotina não reconheço a não ser o fato de ter que pular da cama às seis todos os dias… tudo bem! Me sinto feliz por ter lá minhas ocupaςões e preocupaςões, afinal tudo faz parte de nossas vidas.

A novidade é que esta semana tive a ousadia, acho que inspirada pelo bom tempo que invadiu o país e nossas almas, de convidar dois grupos de crianςas que me “aturam” nas nossas aulas de artes e esportes a compartilharem comigo uma “tarde de sol à brasileira”. Eu não estava muito segura de que seria um sucesso, pois penso que todas (ou quase) as crianςas do mundo têm receio de provar alguma receita nova. Tenho visto com muita frequência, inclusive as minhas filhas, preferindo o que já conhecem ao invés do desconhecido. No entanto eu me senti corajosa e confiante que Elas ficariam felizes em poderem experimentar algo novo numa linda semana de primavera. Assim me dediquei algum tempo estudando algumas receitas de bolo de cenoura e optei por uma que parecia fantástica, mas com uma calda meio complicada…

Sim, na quarta-feira parecia que meu bolo estaria fadado ao fracasso por tantas interferências que tive ao prepará-lo e por último a ligaςão da diretora da escola da Vic me avisando que deveria buscá-la na escola, pois Ela estava reclamando de dor de barriga. Eu corri prá lá meio preocupada com Vic e com meu bolo no forno. Chegando no pátio da escola percebi que o caso não era grave. Grave foi conseguir a consistência ideal da cobertura do bolo, cuja mistura “meio a olho” de chocolate ao leite, com chocolate meio amargo derretido em creme aquecido em banho-maria…. patatipatatá… me pareceu insuperável!

Não importa! Fato é que naquele dia eu estava fadada ao sucesso e as crianςas ficaram muito felizes quando eu avisei que faríamos piniquik e para isso bati um “bolo à brasileira”. Me diverti muito quando Elas, muito desconfiados, me perguntaram:

_ O que significa “bolo à brasileira”?

Eu respondi o mais naturalmente que pude:

_ Este é um bolo que nós no Brasil comemos com muita frequência e satisfaςão!

Algumas  delas, meio curiosas e ao mesmo tempo receosas:

_ Bolo de quê?

Eu,… aguardando certa rejeiςão:

_ De cenoura… e cobertura de chocolate!

Elas… a maioria me informou que não gostava de cenoura!

Eu, muito paciente e pesistente:

_ Mas este bolo eu preparei com carinho prá vocês e é muito gostoso e saudável! Por favor, provem, se não gostarem não precisam comer, eu levo de volta prá casa e como sozinha! Mas antes gostaria que vocês também provassem algo que trouxe para tomarmos: Guaraná!

Elas, muito surpresas… Gu-a-hra-ná? Was ist das? O que é isso?

Eu, cheio de “pompa e sabedoria”- aproveitando que todas Elas por certo já ouviram falar ou leram algo sobre a Amazônia.

_ Guaraná é uma fruta que se encontra na Amazônia. Ou seja Guaraná é parecido com Apfelschorle, só que não é feito com maςãs, mas sim com Guaraná.

Elas muito curiosas, algumas céticas… se limitaram a exclamar uum “Ahhhahhh!!!!”

Resultado: com tanta diplomacia, consegui que todas provassem do bolo e do Guaraná e para a minha alegria não trouxe nada do bolo ou do Guaraná de volta para casa. Elas gostaram tanto do bolo que me pediram a receita e quanto ao Guaraná me perguntaram onde podem comprar. Claro que não fiz qualquer tipo de propaganda, pois já tenho outros planos para popularizar o nosso adorável bolo de cenoura e o encanto do guaraná, mas longe de mim vender… me sinto recompensada de divulgar e saborear algo do meu “explêndido Brasil” aqui pertinho de mim, mas tão longe de vocês…

Beijos e lindo fim de semana!

Quem sabe com bolo de cenoura e guaraná?

Um brinde!

Ps. Querido Rubens não me esqueci de pagar os Guaranás, pensei que talvez não haja problemas em pagar tudo na próxima semana juntamente com as despesas de Munique… por favor me escreva se estou errada! Bjs.

Um amor de projeto

Terça-feira, Fevereiro 19th, 2013

Projeto Adote um(a) Autor(a)

Este projeto será apresentado oficialmente durante o “I Encontro de escritores na Baviera”. Uma experiência literária que permitirá o contato entre a comunidade alemã e artistas brasileiros, troca de informações de escritores, residentes e nativos.

Com a intenção de proporcionar um envolvimento maior entre as comunidades brasileiras no exterior, o projeto será um plano piloto internacional, no qual a DBKV e. V. convidará seus associados e amigos a participarem ativamente, propondo que “adotem” um(a) autor(a).

Por ser esse o primeiro projeto, apenas os participantes associados terão a possiblidade de se hospedarem em casa de famílias nativas o que auxiliará o orçamento dos convidados. Este projeto tem como um dos objetivos minimizar gastos durante eventos literários, onde autores farão exposições de seus trabalhos. A divulgação do projeto será realizada junto à(s) associação(ções), na qual cada autor trabalha em conjunto, permitindo assim um trabalho duradouro de incentivo mútuo em sua região e país.

Todas as informações competentemente organizadas, você encontra aqui: Adote um Autor

Muito obrigada à Rosanna, Alexandra e à toda equipe organizadora, assim como aos apoiadores deste novo e ousado projeto em prol da divulgaςão da nossa língua e do nosso jeito brasileiro de ser – que seja  Ele em qualquer parte do Mundo!

Beijos.

“Não há de ser inutilmente…”

Quinta-feira, Janeiro 24th, 2013

Arte=bálsamo para a alma

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!…

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil…

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

Beijos e lindo fim de semana com Amor e Arte!

Explêndida Bossa Nova!

Quinta-feira, Agosto 2nd, 2012

Parabéns por 50 anos de Encantamento!

http://www.youtube.com/watch?v=_62tJTqNxuM&feature=fvwrel

A ” Garota de Ipanema” – quem não conhece? Ícone da Bossa Nova. Ela naceu em 2.08.1962. Seus pais são Vinicius de Moraes e Tom Jobim – dois grandes poetas do mundo da Música no Brasil. Vinicius e Jobim, assim como João Gilberto e Nara Leão são também os principais nomes da  Bossa Nova, a qual encanta há 50 anos pela riqueza dos arranjos instrumentais que ornamentam seus textos melancólicos.

A “Garota de Ipanema”  – Helô (Heloísa Eneida M. P. Pinto) foi a real musa inspiradora para  Vinicius e Jobim, os quais observando Helô que passeava pela praia em seus plenos 18 anos,  escreverem uma das músicas mais populares em todo o planeta – ela possui mais de 200 versões, só perdendo o primeiro lugar para “Yesterday” dos Beatles.

“Garota de Ipanema” foi cantada por artistas fabulosos como Frank Sinatra, Louis Armstrong, Caterina Valente und Amy Winehouse.

Quanta inspiraςão! Oh garota de sorte!

Beijos com saudade do Rio e do Brasil!

Dados informativos: Rhein-Hunsrück-Zeitung, n°: 178 – 2.08.2012

Aposentadoria/Perspectivas – 2

Terça-feira, Julho 10th, 2012

Brasilien

Deutschland

Assunto desconcertante este! ou não? A verdade é que ninguém pode fazer o tempo estacionar e queiramos ou não as idades e diferentes fases de vida nos assaltam a todos. Assim é bom curtir intensamente  todas as “primaveras”, sem muitas pressa ou ansiedade com relaςão ao futuro. De qualquer forma estar preparada para Ele significa também aceitar e se adaptar às mudanςas que fazem parte do processo dinâmico da melhor escola que existe – a vida.

Hoje me senti na obrigaςão de compartilhar algo mais sobre a minha aventura de preparar a minha aposentadoria por aqui mesmo já que não penso em voltar a viver no Brasil, onde há quase doze anos abandonei a minha estabilidade profissional, quinze anos de trabalho e fui cortando, sem pensar muito (devo acrescentar), assim toda a minha relaςão com o INSS.

Nos meus primeiros anos aqui eu não pensei no futuro, pois estava tão ocupada com o presente que não tive um milésimo de espaςo na cabeςa para pensar  a longo prazo. Mas desde alguns meses venho me ocupando com o tema, sob pressão – tenho que admitir – Jörg me infernizou com o assunto me fazendo prometer que iria tratar da questão, assim que voltássemos da nossa última viagem ao Brasil. Na verdade eu estava sempre adiando tratar do assunto, pois tinha medo de encarar o fato de que ao abandonar tudo no Brasil meu futuro – enquanto aposentada – já estaria mesmo comprometido. Eu me preparava para, assim como minha mãe,  trabalhar até a morte – o que na verdade, quando se tem a sorte de morrer rápido, não é nada mal, mas a questão é que não posso afirmar que vou ter esta sorte, pois acredito que a morte também se conquista quando se merece. Não estou certa que estarei apta a morrer quando considerar que me convém. Estou longe de uma evoluςão espiritual deste nível. Tenho tanto no que melhorar…

Sem mais filosofias e, enfim, tratando de coisas práticas – já recebi, nas últimas semanas, 5 cartas do Sistema de Aposentadora Alemão (Deutsche Rentenversicherung), as quais – exeto uma  (penúltima, a qual confirma meus direitos com relaςão a dez anos de dedicaςão na  Educaςão das crianςas) –   me solicitavam confirmaςões ou novas informaςões a partir daquelas que foram encaminhas pela funcionária da Prefeitura (Verbandsgemeide) da minha cidade para o Sistema de Würzburg (responsável pela área brasileira). Ou seja, até o momento, o que precisei para ter acesso prático ao Sistema Alemão e que talvez seja interessante para todas as pessoas que vieram (um pouco tarde) do Brasil e pretendem viver “para sempre” em terras germânicas:

  • Marcar uma hora (por telefone) com a pessoa responsável pelo assunto na Prefeitura de seu município;
  • Levar consigo a última correspondência recebida do Sistema de aposentadoria, pois ali existe o seu númer e sua condiςão atual;
  • Provavelmente para um segundo encontro (marcar diretamente) você precisará da certidão de casamento, de nascimento das crianςas e diplomas.

Bem, esta foi para mim a primeira fase  do processo. Além de (tentar) responder com exatidão a todas as perguntas sobre os meus últimos quase 30 anos de vida. No entanto, devo admitir que a funcionária foi muito simpática e atenciosa comigo, além do que me informou de direitos que eu e até mesmo meu marido desconhecíamos, por exemplo a contagem do tempo empregado em qualificaςões profissionais (20 horas semanais) ou até mesmo o meu curso de alemão – 40 horas semanais.

Bem depois de alguns dias recebi de Würzburg as seguintes solitaςões:

1-Cópia da certidão de casamento e comprovaςão da nacionalidade alemã;

2-Cópia do meu passaporte brasileiro o qual constava o visto de permanência na Alemanha e papéis que obtive no consulado alemão daquela época, os quais esclareciam as condições da minha permanência aqui (?!?);

3-Minha assinatura num documento que permitia ao funcionário do Estado acesso ao meu histórico de imigraςão.

Aqui  para a minha sorte Jörg se envolveu na questão e me ajudou a escrever uma carta para o funcionário afirmando de forma  educada, mas muito categórica que ao obter o documento 3 automaticamente Ele teria acesso à todas as informaςões que constariam nos pedidos 1 e 2, afinal como eu ainda teria um passaporte tão velho? E papéis do Consulado? Ficaram no próprio consulado (em São Paulo)!

A boa notícia é que Ele aceitou, sem outras exigências, me incluir no Sistema e me informou que em 2032 estarei me aposentando com alguns benefícios. No entanto ainda está em aberto, o que é compreensível:

  • Meu tempo de trabalho no Brasil – o acordo entre os dois países  ainda está sendo regularizado, mas que bom que existe! Inclusive o Funcionário que trata do ” meu caso” me escreve algumas vezes também em Português e já solicitou-me   meu número de CPF;
  • Meu tempo de Faculdade – preciso de uma assinatura e carimbo da FAFI (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itajubá) – apenas o diploma com traduςão  juramentada não basta.

Concluindo, não posso reclamar de nada – nem quanto ao último íten (não sei ainda como efetuar “a operaςã”), mas acho que tenho ainda uns 10 anos para isto… ou não???

Beijos, com esperanςa…

Ps. – Por favor entre em contato se você tiver uma pergunta, uma crítica ou sugestão…

Gustavo Lima para danςar!

Sexta-feira, Junho 22nd, 2012

Eu já lavei o meu carro, regulei o som
Já tá tudo preparado, vem que o brega é bom
Menina fica a vontade, entre e faça a festa
Me liga mais tarde, vou adorar, vamos nessa

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,
Gustavo Lima e você

Se você me olhar vou querer te pegar
E depois namorar, curtição
Que hoje vai rolar…

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular até o sol raiar.

Gata, me liga, mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular que hoje vai rolar.

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchereretchê
Tchê, tchê, tchê,

Gustavo Lima e você!

Ich habe schon mein Auto gewaschen, der Ton ist kontrolliert worden

Da alles vorbereitet ist, komm die Volksmusik ist besser

Mädchen, bleib locker, komm und mach die Party

Ruf mich später an, würde ich gerne dabei sein, lass uns gehen

Schatz ruft mich an, später gibt es Party

Ich möchte gerne mit dir rumhängen in der Früh

Tanzen, Springen bis zum Sonne Aufgang

Schatz, ruf mich an, später gibt es Party

Ich will mit dir rumhänge in der Früh

Tanzen, springen, Spaß

Tchê,Tchrerê, Tchê, Tchê

Tchererê, Tchê, Tchê

Tchê, Tchê

Gustavo Lima und du

Wenn du mich ansiehst, werde ich dich gerne haben

und danach mit dir sein, Spaß haben

Heute krach es…

Beijos

O Palmito perfeito…

Segunda-feira, Maio 14th, 2012

O que que a "mineira" tem.... Oh...

constatei ontem ao determinar o cardápio do almoςo, afinal foi o dia das mães! Sinceramente não ficaria chateada se me convidassem para almoςar num desses restaurantes com vista para o Reno ou às margens do Mosel, mas a verdade é que como todos estávamos muito ocupados aqui em casa mesmo, sem reclamar de nada fui para o fogão… afinal Laura e Vic já haviam me presenteado com muita alegria e carinho algo que elas mesmas compraram e os respectivos cartões que desenharam e pintaram, além do que (quase) prepararam o café da manhã  para nós. Eu estava sim feliz com a autenticidade da minha pequena família em não estar muito eufórica com o dia das mães… prefiro assim… tudo muito simples, tranquilo e verdadeiro!

Depois de limpar o recinto do mais recente membro da família – Leo, o coelhinho – e continuar a faxina que havia comeςado na sexta, comecei a preparar o almoςo ao cozinhar o feijão preto que trouxemos do Brasil. Eu estava desde sexta decidida em preparar para nós a minha feijoada exclusiva (Feijoada a la Alemanha), arroz branco e uma ótima salada de alface, tomate, cebola e palmitos. Normalmente tudo muito saboroso e fácil de preparar. A minha grande dúvida era se realmente os palmitos enlatados que também  trouxemos do Brasil seriam àqueles macios, suculentos, perfeitos e raros de se encontrar em qualquer grande ou pequeno supermercado mesmo no Brasil. Por isso mesmo resolvi hoje compartilhar o meu entusiasmo com os últimos palmitos que trouxemos. Infelizmente, preocupados com o peso das malas, trouxemos apenas uma lata, a qual compramos no Mercado Muncipal de Itajubá– em uma daquelas vendas tão especiais, com os sacos de estopa lotados de cereiais por todo o canto, prateleiras recheadas de condimentos, garrafas de cachaça que acobertam todas  as paredes e uma infinidade de artigos interessantes como palhas de milho especialmente cortadas para cigarros e rolos enormes de fumo. Neste paraíso que amo visitar – assim como Jörg, Laura e Vic, além de me transportar para uma viagem gostosa para o tempo dos meus pais – encontramos, sob a recomendaςão do proprietário do armazém, cujo nome infelizmente não observei – o melhor palmito que já comi nos últimos anos. Como sempre, eu estava muito preocupada em analisar a qualidade dos palmitos nas embalagens de vidro, porém Ele gentilmente me informou: “Os palmitos  desta lata são os melhores!” Eu duvidei um pouco de sua convicςão.  Ele observando a minha reaςão de desconfianςa, entre sorrisos, continuou a conversa: “É sim! Todo mundo volta para comprar este palmito…”

Eu acabei optando pelo palmito indicado e ontem pude verificar que realmente eles estavam, absolutamente perfeitos – assim como todo o almoςo (quanta modéstia!).

Beijos e quem sabe vocês ainda poderão concordar comigo!

Perspectivas -Femininas- Aposentadoria

Sexta-feira, Abril 27th, 2012

Multifuncional, mas sem garantias para o futuro...

Aposentadoria – oh palavra  pesada! Difícil de se ingerir! Há tantos conflitos e medos por trás dela… No entanto resolvi “tirar a cabeςa de dentro da areia” e me vi obrigada esta semana a buscar informaςões sobre minha aposentadoria – que felizmente está num futuro distante (?), mas já é tempo de me preocupar realmente com o futuro… Quem sabe o que nos reserva? Nas minhas averiguaςões descobri três notícias muito interessantes e positivas, as quais me vejo na obrigaςão de compartilhar com vocês:

1- O fato de ter filhos nos proporciona futuramente já uma pequena renda. A nossa dedicaςão à eles  (cuidado e educaςão)  durante os primeiros 10 anos nos oferece também uma espécie de proteςão, pois nossas necessidades básicas com relaςão à toda a assistência médica, inclusive em clínicas de repouso para recuperaςão estão neste período asseguradas por lei;

2- Ao orientar-me com a funcionária da Prefeitura Municipal (responsável pelo tema), aliás muito atenciosa e competente, fui informada também que o meu tempo de dedicaςão à escola no Brasil – 2° e 3° graus (mínimo de 20 horas semanais) seriam contabilizados na minha conta, assim que eu apresentasse os certificados das mesmas (diplomas ou históricos escolares);

3-No entanto o que me causou mais espanto foi uma resposta do consulado brasileiro à uma pergunta que eu fiz (por e-mail) sobre os meus 16 anos de trabalho e contribuiςão no Brasil. Três dias após  enviar a minha pergunta sobre alguma informaςão que buscava, recebi um e-mail de um dos funcionários do Consulado de Fankfurt me esclarecendo que está em fase final de regularizaςão  um acordo formal entre o Brasil e a Alemanha – através do qual o nosso tempo de trabalho e contribuiςão no Brasil serão contabilizados aqui e logicamente o tempo de trabalho aqui será contabilizado no Brasil, se voltarmos a viver no Brasil ou para os alemães que trabalharem no Brasil.

  • Aqui a mensagem que recebi do Consulado:

Cara Sra. Neusa

encontra-se em fase final de aprovação o Acordo de Previdência entre o Brasil e a Alemanha, que foi assinado em dezembro de 2009, mas ainda está para ser aprovado pelo Congresso Nacional em Brasília e pelo Parlamento Alemão. A previsão é de que até o final deste ano o acordo entre em vigor. Este acordo previdenciário prevê que sejam computados no sistema previdenciário de um país as contribuições efetuadas no sistema previdenciário do outro país. Assim sendo, as suas contribuições para o INSS, uma vez que o acordo entre em vigor, poderão ser computadas no sistema alemão (Deutsche Renteversicherung).
Contudo, os trâmites legais e os passos a serem tomados, ainda estão sendo delineados. Assim que forem estabelecidos os procedimentos, publicaremos na homepage deste Consulado as informações pertinentes.

  • E aqui todos os detalhes –  você pode ler todo o projeto de lei:

Gesetzentwurf – ver lei também em Português


Não é uma notícia sensacional? Bem…  no dia 30 deste mês tenho um novo encontro com outra funcionária pública para estudar  meu histórico e me orientar sobre meus próximos passos  ( talvez o pagamento extra de um seguro privado, já que os meus minis-jobs me permitem flexibilidade de tempo, mas não me favorecem muito com relaςão ao futuro)  para  fugir da pobreza quando estiver/ e se chegar a estar idosa… Acho muito difícil pensar sobre isto, mas fazer o quê? Esta é a mais crua verdade… não sabemos o que nos reserva o futuro e o fato de nossos “parceiros” terem suas aposentadorias garantidas, não nos garante automaticamente um futuro sem problemas financeiros…

Beijos e linda semana!