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Independência ou morte!

Quarta-feira, Setembro 7th, 2011

"Brasil, terra boa e gostosa... vou cantar-te nos meus versos..."

Hoje é o dia da Independência do Brasil. Por certo para uma grande parcela da populacao brasileira ainda nem pensar em sair da cama. Me lembrei agora mesmo dos meus dias de escola primária quando marchávamos pelas ruas curtas de Wenceslau Braz ao som da banda composta por alguns militares condecorados  e muitos soldados. Década de 70 – os militares estavam no poder. Enquanto que para os críticos do regime tudo parecia obscuro, eu vivia uma infância muito tranquila, linda e nao sabia o significado do termo “ditadura”. O dia 7 de setembro era uma marca especial do calendário escolar e para a marcha ensaiavámos seriamente todos os dias durante várias semanas. Penso que assim como eu, quase todas as criancas se divertiam com o fato de podermos sair de nossas carteiras de sala de aula e podermos nos movimentar pela ruas e observar a curiosidade das pessoas olhando pelas janelas de suas casas. O máximo foi quando eu fui escolhida num ano daqueles para ser chefe de pelotão. Eu quase explodi de orgulho ao marchar com uma bandeira, nao me lembro de qual – só me lembro que achei uma pena que nao fosse  a do Brasil ou de Minas (grandes e lindas!), acho que foi a do município… na verdade, independente da bandeira, eu estava feliz em ser a chefe do pelotao, apesar de nunca ter tido talento para chefia. Porém, minhas recordacoes daquele dia tao distante e quase perdido do passado sao positivas – o sol brilhava assim como os meus sapatos de verniz que apertavam um pouco os meus pés, mas eram tao bonitos que compensavam o incômodo. Minha camiseta branca e saia de pregas estavam impecavelmente limpas e passadas, mas o mais chic  eram minhas meias 3/4 com pequenas bolas do lado. Na minha funcao de chefe de pelotao eu tive ajuda algumas vezes de uma das professoras que nos acompanhavam. Como o dia era especial, depois da marcha, asteamento das bandeiras e discurso das autoridades, recebemos um lanche especial (muito bem mercido!) – acho que arroz de forno e no fim da manha estávamos voltando para casa no ônibus azul e recendo pela milésima vez bronca de um ou outro soldado porque colocávamos a cabeca para fora da janela. Todos os dias tínhamos que desafiar os rapazes, e tentar mais uma vez sentir o vento batendo contra o rosto. As lembrancas sao muitas. Por que será que quanto mais o tempo vai passando, voltamos com mais frequência para os primeiros anos de vida? Detalhes da infância, músicas, brincadeiras, momentos especiais ou nao…  Penso agora em como isso deve ser difícil para as pessoas que tentam colocar o passado em gavetas e trancá-las a 7 chaves.

Bem, eu gostaria também de compartilhar que sinto saudades do Brasil e sinto muito estar tao distante neste dia especial de comemoracao da nossa independência política de Portugal. Politicamente o Brasil é livre a apenas 189 anos, e apesar de tantos problemas principalmente com a corrupcao burocrática temos que admitir que os avanços sao enormes. Vivemos democraticamente e o país é administrado por uma mulher. E algo inacreditável aconteceu nos últimos anos sob a administracao de Lula, ficamos livres do FMI. Sinto muito orgulho do Brasil!

Parabéns Brasil!

Beijos.

Palavra da semana: wikileaks

Domingo, Dezembro 5th, 2010

Liberdade de expressao - vale a pena sonhar.

Outro dia quando eu prestava atencao às notícias referentes ao encontro G20, me chamou muito a atencao o ar de descontentamento de Angela Merkel ao encontrar-se com Obama. Ela nem tentou disfarcar a sua indisposicao contra o presidente dos EUA mesmo estando em frente às câmaras de dezenas de jornalistas. Eu pensei com os meus botoes: “pensava que a relacao entre os dois chefes de estado seria a melhor possível…” e por alguns minutos a fisionomia de “brava” de Merkel ficou gravada na minha memória, assim como a expressao de desconcerto de Obama.  Dias depois eu ouvi pela primeira vez a palavra Wikileaks e o termo escândalo chamou a minha atencao. Desde entao tenho procurado, paralelamente, a me interar dos recursos técnicos que possuo para incrementar este blog, entender o que significa exatamente e o que existe por trás deste portal que nem é novo,  mas eu nao conhecia. Agora estou um pouco a par do que representa a Wikileaks e  talvez possa entender a indisposicao de Merkel naquele encontro com relacao a Obama e o governo americano, já que nem ela – apesar das boas relacoes diplomáticas entre os dois países, foi poupada de comentários sarcásticos da cúpula do governo americano à personalidades políticas do mundo inteiro, as quais foram a público, entre outras tantas informacoes confidenciais, através do portal Wikileaks. Eu, enquanto cidada comum, que já faz muito tempo já se convenceu da própria  vulnerabilidade e nao tem nada a esconder  – me diverti, me alegrei e fiquei muito admirada  ao constatar a existência de um portal como o Wikileaks e percebi a minha ignorância total  ao ler hoje uma reportagem sobre a  versao melhorada que este portal vai possuir no ar a partir do dia 27 de janeiro. Um dos fundadores da Wikileaks – Julian Assange – está organizando uma nova plataforma, a qual segundo ele será absolutamente transparente e democrática. Já estou na expectativa, claro.

Beijos e linda semana.

Os americanos deixam o Iraque

Segunda-feira, Agosto 30th, 2010

Pode-se sonhar com um mundo em Paz?

Esta semana me permiti prever  um mundo menos lotado de conflitos e guerras ao   deparar-me  primeiro com a notícia de que Israel tinha destruído um pedaco do muro que separa o povo Israelita dos  Palestinos.  Infelizmente ainda perdura a dúvida se esta atitude significa o início de uma acao para a paz ou exatamente o contrário – a intensificacao da guerra. Eu prefiro ser otimista e acreditar na primeira hipótese.

Dias depois eu quase nao pude acreditar no que os meus olhos liam: “Os Estados Unidos desocupam o Iraque”.  Eu pensei comigo: ah, até que enfim… e imediatamente fiz uma viagem ao passado, quando eu com Laura bebezinha no colo ( 11 de setembro/2001)  depois de ter atendido ao telefone, buscava 100% de concentracao para entender o que Jörg tentava me explicar sobre o que já havia ouvido no seu trabalho sobre o atentado  terrorista que chocou os americanos e todo o mundo. Acredito que a maioria das pessoas ainda têm na memória o incêndio e a destruicao do World Trade Center e do Pentagon, quando os avioes que segundo o governo americano estavam sob o comando de terroristas do El Kaida, ali frontalmente se chocaram.

Existe a controvérsia se realmente o grupo El Kaida é o responsável pelo drama ou se tudo foi armado estrategicamente pelo governo americano para justificar uma invasao ao território iraquiano, somente por razoes econômicas.

Fato é que munidos de “algumas verdades”:

  • Os terroristas tinham que “pagar” pelo sofrimento que causaram às vítimas do atentado de 11 de setembro;
  • Saddam Hussein, naquele tempo, o presidente do Iraque era o responsável indireto pela tragédia americana, pois supostamente protegia o El Kaida;
  • Saddam Hussein era um ditador exêntrico, do qual o povo iraquiano precisaria ser libertado, entao o caminho para a implantacao da democracia naquele país estaria aberto;
  • Sob o governo de Hussein, no Iraque além dos terroristas haviam também armas de guerras muito perigosas escondidas.

o governo americano – apoiado por outros países – em 20 de marco de 2003  invadiu o Iraque. Em seis semanas capturam e tomam cidade por cidade e deixam atrás de si rastros de alegria e ódio. Muitos iraquianos ficaram satisfeitos com a possibilidade de novas perspectivas de vida, muitos nao concordaram com a invasao de seu país e de suas vidas por soldados de países estranhos. Em 09 de abril daquele ano, a capital Bagdad é dominada e Hussein capturado, preso e condenado à morte. Estava claro, americanos e aliados ganharam a guerra e passaram a dar as ordens naquele país até a próxima eleicao, que “deveria” ser em moldes “democráticos” – o que ocorreu em junho de 2004.  Porém o resultado desta eleicao nao significou realmente sossego em território iraquiano, tanto é que lá permaneceram os soldados com a funcao de garantir  a “manutencao” da democracia, pela qual tantas vidas foram sacrificadas.

Enfim, depois de 7 anos e meio, os americanos podem voltar para casa, mas 50.000 soldados ainda permanecem no Iraque. Em 2011,  todos os soldados americanos estarao de volta à casa  e  Obama terá cumprido uma de suas promessas de campanha eleitoral já que, assim como eu, muitos americanos consideram esta guerra sem um real significado e sobretudo depois de mais de 7 anos as armas de guerras super perigosas que Saddamm Hussein havia escondido –  nao foram encontradas… ou seja, há motivos de sobra para se duvidar dos fundamentos de mais uma guerra estúpida….

Sem comentários.

Beijos.