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Aposentadoria/Perspectivas – 2

Terça-feira, Julho 10th, 2012

Brasilien

Deutschland

Assunto desconcertante este! ou não? A verdade é que ninguém pode fazer o tempo estacionar e queiramos ou não as idades e diferentes fases de vida nos assaltam a todos. Assim é bom curtir intensamente  todas as “primaveras”, sem muitas pressa ou ansiedade com relaςão ao futuro. De qualquer forma estar preparada para Ele significa também aceitar e se adaptar às mudanςas que fazem parte do processo dinâmico da melhor escola que existe – a vida.

Hoje me senti na obrigaςão de compartilhar algo mais sobre a minha aventura de preparar a minha aposentadoria por aqui mesmo já que não penso em voltar a viver no Brasil, onde há quase doze anos abandonei a minha estabilidade profissional, quinze anos de trabalho e fui cortando, sem pensar muito (devo acrescentar), assim toda a minha relaςão com o INSS.

Nos meus primeiros anos aqui eu não pensei no futuro, pois estava tão ocupada com o presente que não tive um milésimo de espaςo na cabeςa para pensar  a longo prazo. Mas desde alguns meses venho me ocupando com o tema, sob pressão – tenho que admitir – Jörg me infernizou com o assunto me fazendo prometer que iria tratar da questão, assim que voltássemos da nossa última viagem ao Brasil. Na verdade eu estava sempre adiando tratar do assunto, pois tinha medo de encarar o fato de que ao abandonar tudo no Brasil meu futuro – enquanto aposentada – já estaria mesmo comprometido. Eu me preparava para, assim como minha mãe,  trabalhar até a morte – o que na verdade, quando se tem a sorte de morrer rápido, não é nada mal, mas a questão é que não posso afirmar que vou ter esta sorte, pois acredito que a morte também se conquista quando se merece. Não estou certa que estarei apta a morrer quando considerar que me convém. Estou longe de uma evoluςão espiritual deste nível. Tenho tanto no que melhorar…

Sem mais filosofias e, enfim, tratando de coisas práticas – já recebi, nas últimas semanas, 5 cartas do Sistema de Aposentadora Alemão (Deutsche Rentenversicherung), as quais – exeto uma  (penúltima, a qual confirma meus direitos com relaςão a dez anos de dedicaςão na  Educaςão das crianςas) –   me solicitavam confirmaςões ou novas informaςões a partir daquelas que foram encaminhas pela funcionária da Prefeitura (Verbandsgemeide) da minha cidade para o Sistema de Würzburg (responsável pela área brasileira). Ou seja, até o momento, o que precisei para ter acesso prático ao Sistema Alemão e que talvez seja interessante para todas as pessoas que vieram (um pouco tarde) do Brasil e pretendem viver “para sempre” em terras germânicas:

  • Marcar uma hora (por telefone) com a pessoa responsável pelo assunto na Prefeitura de seu município;
  • Levar consigo a última correspondência recebida do Sistema de aposentadoria, pois ali existe o seu númer e sua condiςão atual;
  • Provavelmente para um segundo encontro (marcar diretamente) você precisará da certidão de casamento, de nascimento das crianςas e diplomas.

Bem, esta foi para mim a primeira fase  do processo. Além de (tentar) responder com exatidão a todas as perguntas sobre os meus últimos quase 30 anos de vida. No entanto, devo admitir que a funcionária foi muito simpática e atenciosa comigo, além do que me informou de direitos que eu e até mesmo meu marido desconhecíamos, por exemplo a contagem do tempo empregado em qualificaςões profissionais (20 horas semanais) ou até mesmo o meu curso de alemão – 40 horas semanais.

Bem depois de alguns dias recebi de Würzburg as seguintes solitaςões:

1-Cópia da certidão de casamento e comprovaςão da nacionalidade alemã;

2-Cópia do meu passaporte brasileiro o qual constava o visto de permanência na Alemanha e papéis que obtive no consulado alemão daquela época, os quais esclareciam as condições da minha permanência aqui (?!?);

3-Minha assinatura num documento que permitia ao funcionário do Estado acesso ao meu histórico de imigraςão.

Aqui  para a minha sorte Jörg se envolveu na questão e me ajudou a escrever uma carta para o funcionário afirmando de forma  educada, mas muito categórica que ao obter o documento 3 automaticamente Ele teria acesso à todas as informaςões que constariam nos pedidos 1 e 2, afinal como eu ainda teria um passaporte tão velho? E papéis do Consulado? Ficaram no próprio consulado (em São Paulo)!

A boa notícia é que Ele aceitou, sem outras exigências, me incluir no Sistema e me informou que em 2032 estarei me aposentando com alguns benefícios. No entanto ainda está em aberto, o que é compreensível:

  • Meu tempo de trabalho no Brasil – o acordo entre os dois países  ainda está sendo regularizado, mas que bom que existe! Inclusive o Funcionário que trata do ” meu caso” me escreve algumas vezes também em Português e já solicitou-me   meu número de CPF;
  • Meu tempo de Faculdade – preciso de uma assinatura e carimbo da FAFI (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itajubá) – apenas o diploma com traduςão  juramentada não basta.

Concluindo, não posso reclamar de nada – nem quanto ao último íten (não sei ainda como efetuar “a operaςã”), mas acho que tenho ainda uns 10 anos para isto… ou não???

Beijos, com esperanςa…

Ps. – Por favor entre em contato se você tiver uma pergunta, uma crítica ou sugestão…

Perspectivas -Femininas- Aposentadoria

Sexta-feira, Abril 27th, 2012

Multifuncional, mas sem garantias para o futuro...

Aposentadoria – oh palavra  pesada! Difícil de se ingerir! Há tantos conflitos e medos por trás dela… No entanto resolvi “tirar a cabeςa de dentro da areia” e me vi obrigada esta semana a buscar informaςões sobre minha aposentadoria – que felizmente está num futuro distante (?), mas já é tempo de me preocupar realmente com o futuro… Quem sabe o que nos reserva? Nas minhas averiguaςões descobri três notícias muito interessantes e positivas, as quais me vejo na obrigaςão de compartilhar com vocês:

1- O fato de ter filhos nos proporciona futuramente já uma pequena renda. A nossa dedicaςão à eles  (cuidado e educaςão)  durante os primeiros 10 anos nos oferece também uma espécie de proteςão, pois nossas necessidades básicas com relaςão à toda a assistência médica, inclusive em clínicas de repouso para recuperaςão estão neste período asseguradas por lei;

2- Ao orientar-me com a funcionária da Prefeitura Municipal (responsável pelo tema), aliás muito atenciosa e competente, fui informada também que o meu tempo de dedicaςão à escola no Brasil – 2° e 3° graus (mínimo de 20 horas semanais) seriam contabilizados na minha conta, assim que eu apresentasse os certificados das mesmas (diplomas ou históricos escolares);

3-No entanto o que me causou mais espanto foi uma resposta do consulado brasileiro à uma pergunta que eu fiz (por e-mail) sobre os meus 16 anos de trabalho e contribuiςão no Brasil. Três dias após  enviar a minha pergunta sobre alguma informaςão que buscava, recebi um e-mail de um dos funcionários do Consulado de Fankfurt me esclarecendo que está em fase final de regularizaςão  um acordo formal entre o Brasil e a Alemanha – através do qual o nosso tempo de trabalho e contribuiςão no Brasil serão contabilizados aqui e logicamente o tempo de trabalho aqui será contabilizado no Brasil, se voltarmos a viver no Brasil ou para os alemães que trabalharem no Brasil.

  • Aqui a mensagem que recebi do Consulado:

Cara Sra. Neusa

encontra-se em fase final de aprovação o Acordo de Previdência entre o Brasil e a Alemanha, que foi assinado em dezembro de 2009, mas ainda está para ser aprovado pelo Congresso Nacional em Brasília e pelo Parlamento Alemão. A previsão é de que até o final deste ano o acordo entre em vigor. Este acordo previdenciário prevê que sejam computados no sistema previdenciário de um país as contribuições efetuadas no sistema previdenciário do outro país. Assim sendo, as suas contribuições para o INSS, uma vez que o acordo entre em vigor, poderão ser computadas no sistema alemão (Deutsche Renteversicherung).
Contudo, os trâmites legais e os passos a serem tomados, ainda estão sendo delineados. Assim que forem estabelecidos os procedimentos, publicaremos na homepage deste Consulado as informações pertinentes.

  • E aqui todos os detalhes –  você pode ler todo o projeto de lei:

Gesetzentwurf – ver lei também em Português


Não é uma notícia sensacional? Bem…  no dia 30 deste mês tenho um novo encontro com outra funcionária pública para estudar  meu histórico e me orientar sobre meus próximos passos  ( talvez o pagamento extra de um seguro privado, já que os meus minis-jobs me permitem flexibilidade de tempo, mas não me favorecem muito com relaςão ao futuro)  para  fugir da pobreza quando estiver/ e se chegar a estar idosa… Acho muito difícil pensar sobre isto, mas fazer o quê? Esta é a mais crua verdade… não sabemos o que nos reserva o futuro e o fato de nossos “parceiros” terem suas aposentadorias garantidas, não nos garante automaticamente um futuro sem problemas financeiros…

Beijos e linda semana!

A música do futuro

Quinta-feira, Fevereiro 17th, 2011

Com esperança...

Aliás, acrescentando: a boa música do futuro, a qual não se trata de qualquer popstar ou banda. A música mais encantadora do futuro, ao menos para mim e para as pessoas que gostam dos pequenos, será o barulho das crianςas – o claro indício de vida, movimento, alegria pura e absolutamente desinteressada. Eu cresci com esta música, pois a casa dos meus pais era muito bem frequentada pelos netos, amigos dos netos  e vizinhos. Quando eu era adolescente, algumas vezes ficava brava pelo caos que predominava na nossa casa pela invasão dos meus sobrinhos menores, mas mesmo assim eu sempre gostei da presença deles no nosso círculo. Poucos anos depois fui trabalhar com crianças e adolescentes e para mim sempre representou um desafio poder olhar direto nos olhos das criancas e dos bebês, eles são absolutamente sinceros e se e o quanto eles te aceitam, gostam de você se sente de uma forma muito rápida e clara.

Quando eu cheguei na Alemanha era outono e o inverno chegou muito rápido. Com ele também minhas aulas de alemão em Koblenz. Eu saia de casa no escuro e voltava no escuro, não via ninguém nas ruas, não encontrava as crianças jogando futebol nos jardins ou brincando nas ruas. As cidades e  vilas eram envoltas num silêncio triste. Eu encontrava somente crianças desconhecidas nos pontos de ônibus e, infelizmente, eu não podia conversar com elas, pois o meu vocabulário, naquele tempo era muito mais pobre que o atual. Eu me limitava a observá-las nas suas preocupações com os trabalhos de classe que teriam que enfrentar daí a poucos minutos. Elas estudavam também no ônibus a caminho da escola.

Quando chegou a primavera, com mais luz eu pude ver com mais frequência as crianças nas ruas com suas bicicletas, rollers ou patins – eu fiquei muito feliz por saber que as cidades/vilas tinham sim mais luz, energia e crianças que brincavam nos parques ou simplesmente passeavam pelas ruas.

Tempos depois, quando eu comecei a entender melhor o idioma e ter interesse pelas notícias de rádio e TV, passei a ouvir vez ou outra uma notícia de cidadaos que moviam “processos contra barulho de crianças”. Eu não podia acreditar nos meus ouvidos e pensava estar entendendo errado a informação. Com o passar do tempo eu percebi que, infelizmente, era normal sim por aqui – o desenrolar de processos contra o barulho de crianças! Grupos de moradores que se reunem para impedir a existência/construção  de escolas nos bairros residenciais, grupos de moradores que exigem que as crianças em suas escolinhas brinquem somente dentro das paredes das instituições, grupos de moradores que exigem o fechamento de escolinhas que se localizam na vizinhança. Eu fiquei chocada a cada reportagem que vi sobre o assunto. Por isso me alegrei muito ontem quando ouvi a boa notícia de que “processos contra o barulho de crianças” terão cada vez menos chance de terem sucesso”. Está, segundo novas leis, praticamente impossível para moradores impedirem a construção de novas escolas em áreas residenciais, assim como a exigência de que escolas funcionem em lugares distantes aos endereços residenciais. Com isto uma parcela da classe política pretende mudar a imagem desta sociedade – para “uma sociedade amiga das crianças”. Para mim não importa o “chavão”, importa sim  a necessidade de muitos adultos respeitarem o direito das crianças de serem elas mesmas, que possam manisfestar seus sentimentos de tristeza ou alegria, onde quer que estejam – sem se depararem constantemente com “caras feias/repreensivas”.

A propósito, apesar de todos os direitos assegurados inclusive pela ONU, as crianças precisam de mais cuidados por parte da população adulta. É muito revoltante ouvir e ler a explosão de escândalos que envolvem o abuso de crianças. Como se já nao bastasse por pessoas estranhas, também por pessoas do próprio círculo familiar, de “amigos”, vizinhos e até mesmo por pessoas de instituições como a igreja. Onde estamos? Onde vivemos? Até que ponto chega o cinismo de certos adultos que se mostram chefes de família? Chefes de instituições? Eles sim deveriam estar trancafiados para sempre  em quatro paredes de celas ou hospitais psiquiátricos. Quanto às criancas, que possam simples e tranquilamente “fazer música”.

Beijos.