Artikel-Schlagworte: „feminismo“

Sobre ser feminista…

Dienstag, 25. September 2018

Por Ruth Manus
“Semana passada fui dar aula sobre assédio sexual num curso de pós graduação em São Paulo. Cheguei na sala, composta predominantemente por advogados, e perguntei “Quem aqui se considera feminista?”. Silêncio. Uma moça levanta timidamente o braço. Dois ou três caras fazem comentários baixinho e riem. Disse “Ok. Vou fazer duas leituras rápidas para vocês”. Continuei.“Dicionário Houaiss da língua portuguesa: FEMINISMO: teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos. Dicionário Jurídico da Professora Maria Helena Diniz: FEMINISMO: movimento que busca equiparar a mulher ao homem no que atina aos direitos, emancipando-a jurídica, econômica e sexualmente.”Esperei um pouquinho e mudei a pergunta “Quem aqui pode me dizer que NÃO se considera feminista?”. Ninguém levantou a mão. Pois é. Tenho a sensação de que 99% do mundo não entendeu até agora o que é feminismo. Porque se as pessoas entendessem, quase todo mundo teria orgulho de se dizer feminista. E o melhor: dizer “eu não sou feminista” seria considerado algo mais feio do que dizer “eu não gosto de filhote de golden”. Não vou perder tempo aqui dizendo que feministas não são mulheres que não se depilam, não usam soutien e não transam. Primeiro porque ser feminista não tem a ver com ser mulher, tem a ver com ser humano. Segundo porque nunca entendi que raio que os pelos têm a ver com posicionamentos ideológicos. Terceiro porque soutien serve para sustentar peitos, não para sustentar ideias. E quarto porque eu já vi gente deixar de transar por causa da igreja, por causa de promessa, por falta de opção, por infecção ginecológica, problemas de ereção… Mas por feminismo nunca vi. Alguém já viu? Enfim. Acho que ser feminista não é bom ou ruim. Ser feminista é necessário. Uma vez ouvi uma amiga dizer “a mulher que diz que nunca foi discriminada é apenas uma mulher muito distraída”. É simples assim. Não precisamos ir até o Oriente Médio. Não precisamos ir até tribos africanas. Não precisamos ir ao sertão do nordeste. Não precisamos ir até a periferia de São Paulo. Não precisamos sair dos nossos bairros. O machismo que limita, que agride, que marginaliza, que ofende, que diminui, mora ao lado, dorme por perto. E agora, quem poderá nos defender? O feminismo. O mesmo feminismo que nos tornou civilmente capazes e independentes perante a lei. O mesmo feminismo que nos possibilitou votarmos e sermos votadas. O mesmo feminismo que segue lutando diariamente por uma sociedade mais justa para mulheres, homens, mães, pais, filhas, filhos, trabalhadoras e trabalhadores. No século XIX, as brilhantes irmãs Brontë escreviam através de pseudônimos masculinos por saberem que suas obras não seriam aceitas na sociedade se soubessem que as autoras eram mulheres. Se não fosse o feminismo eu provavelmente também não estaria escrevendo aqui neste momento. Pelo menos não como Ruth. Nós precisamos falar sobre feminismo. Com nossos amigos, nossos pais, nossos filhos, grandes ou pequenos. É hora de falar sobre igualdade entre meninos e meninas. É hora de falar que meninas podem jogar bola e ter carrinhos e que meninos podem cuidar de bonecas. Quem não quer ter um filho feminista? Quem não quer que eles vivam num mundo de igualdade, no qual nem meninos nem meninas sejam massacrados pela truculência do machismo? Nesse domingo, o tema da redação do Enem foi a violência contra a mulher. Milhões de jovens tiveram que parar para pensar sobre isso. Que avanço lindo. Pensar é sempre o primeiro passo. Perceber que a questão existe, que o tema não é antiquado e que, infelizmente, as questões de gênero estão muito longe de serem superadas. A violência persiste, a discriminação no ambiente de trabalho persiste, a desigualdade salarial persiste, a discriminação com as tarefas domésticas persiste, as pequenas (e não menos graves) agressões machistas do dia a dia persistem. Então a luta tem que persistir. O feminismo não é de esquerda nem de direita. Não é só para mulheres nem é só para homens. Não é ameaça. Não é um estranho. Mas perceba que quando você trata os feministas na terceira pessoa do plural, excluindo-se deste rol, você está afirmando não fazer parte do grupo que prega a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Pense bem de que lado você quer estar.

Se você percebeu que é feminista, fique tranquilo. Nós não contaremos para ninguém. Mas, sabe? Se eu fosse você, eu sairia contando para todo mundo. Porque ser feminista é lindo, é importante, é sinal da inteligência e da decência de qualquer ser humano. Como diz o lindo livrinho da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (leiam, ele é pequenino e indispensável): Sejamos todos feministas. E o mundo será melhor a cada dia. Pode apostar.”

Tão lúcido este posicionamento, o qual reproduz o meu próprio – por isso tive que publicá-lo no meu blog pessoal.

Beijos e linda semana ainda!

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Typisch…

Donnerstag, 26. Mai 2011

"... mas tanto faz... já me esqueci de te esquecer porque..."

„Típico macho“ – balancando a cabeca negativamente, pensei ontem a noite antes de ir para a cama – caindo de sono e muito contrariada, pois Jörg ao organizar  a sua mala para uma viagem de trabalho percebeu que entre todas as camisas brancas que estavam já penduradas no guarda-roupa, ele gostaria especialmente de uma que estava sem passar. Eu o informei que esta semana já havia passado umas 7 camisas e que ele teria outras possibilidades, mas ele estava convicto de que precisava justamente „daquela“ que nao se encontrava entre as outras prontas para serem usadas. Eu encerrei a conversa dizendo que passaria hoje pela manha „aquela camisa“ – eu nao tinha energia para tratar do assunto.

Hoje, em torno das 6 eu estava passando „a camisa“ e ao mesmo tempo preparando o café da manha para toda a família que ainda dormia feito „anjo“. Agora estou sozinha. Meus anjos foram para as suas respectivas ocupacoes, cada qual satisfeito com o que vestia – para a minha sorte e alívio! Algumas vezes a questao „roupa“ pega um pouco aqui em casa, pois minhas princesas também já estao super seletivas na questao moda. Victoria gosta de pura discontracao e conforto, já Laura se preocupa em estar „moderna“, „cool“ – é capaz de se sentir desconfortável em nome da elegância. Algumas vezes me divirto com os conflitos internos dos três, aliás de nós quatro – a diferenca é que eu reclamo só com o espelho.

Vindo a calhar com os meus sentimentos „feministas“ de revolta  contra o posicionamento  natural da representacao masculina que tenho aqui, acabei de ler um pequeno artigo no jornal de hoje com referência à uma pesquisa realizada entre 5600 homens – a qual vou traduzir abaixo:

Típico homem:  preferível futebol à Supermodelo

Amsterdam: Homens e Futebol! Segundo uma pesquisa a maioria dos homens abdicariam de um encontro com uma supermodelo em funcao da vitória do seu time preferido de futebol em uma final de campeonato. Ainda um número maior trocararia a despedida de solteiro de um amigo pela vitória de seu time. Entre os 5600 entrevistados, distribuídos em 12 países – 52% dos homens afirmaram que um encontro com a supermodelo brasileira Adriana Lima é menos importante que uma vitória de seu time na liga dos campeoes. 37% esclareceram que sem qualquer hesitacao optariam pelo seu time. Outros 58% deixariam de encontrar suas esposas e namoradas em funcao do sucesso de seu time preferido de futebol.

Duvidas?

Beijos, sem hesitacao.

Informacoes e números traduzidos de um dos artigos que compuseram o caderno Welt & Wissen, Rhein-Hunsrück-Zeitung, n° 120.

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Perspectivas…

Montag, 27. September 2010

Nao se pode deixar a peteca cair...

É o comeco de uma nova semana. Eu tenho mais uma chance de optar por escrever sobre o que povoa os meus pensamentos. Sao muitas as impressoes, experiências e impactos que vivenciei nos últimos dias. Os sentimentos se misturam, alguns sao  positivos e outros negativos. As preocupacoes pessoais se alteram com as preocupacoes globais. Tenho imagens, cenas e vozes das minhas filhas, do meu marido, de alguns artistas e de alguns políticos soando em meus ouvidos. Muitas notícias de jornais praticamente dancam na minha memória,   títulos de reportagens pulam de um jeito desordenado por trás dos meus olhos.

No entanto, antes mesmo de comecar a escrever este post eu já estava decidida que precisaria expor o que de mais profundo me impulsionava a abrir o Lap top, deixar tudo o mais pendente  para registrar os meus pensamentos.  A partir da minha visao „bastante parcial“, estive de novo pensando sobre o papel da mulher num contexto geral. A mim nao me agrada o tom de uma feminista declarada, assim como abomino teses machistas de superioridade. Eu sempre sonhei que seríamos capazes de compreender e conviver pacificamente com a verdade  de que  homens e mulheres têm talentos diferentes. Porém, a cada ano que passa eu tenho a impressao de que eu sempre sonhei demais – o mundo ainda é bastante machista. Em quase todos os continentes a mulher ainda tem uma condicao de submissao. As mulheres do mundo muculmano, em sua grande maioria, vivem uma absoluta resignicao escondida  sob as suas vestes… Burca, Chador, Niqab – as quais reduzem essas mulheres/pessoas e  o que elas significam, representam a quase nada. No mundo muculmano elas sao invisíveis, aqui no mundo ocidental sao muito visíveis, mas nao compreendidas e sao desprezadas por nós.

Em uma outra parte do mundo, pertencendo a uma  outra cultura – na China, que em termos econômicos avancou espantosamente nos últimos anos – as mulheres sao repetidas vezes tratadas  apenas como „uma mercadoria“, a qual pode ser simplesmente descartada quando nao vendida.

As mulheres latinas, na sua maioria, vivenciam ainda o dilema entre o sonho em encontrar  um príncipe, com o qual será feliz para sempre e a verdade absoluta que sem fazer uma carreira profissional nao tem lá chances de realizacao. As europeias já fizeram, faz tempo, a opcao pela realizacao profissional, por seres independentes da figura masculina, porém o   instinto maternal, como é natural e para o bem da humanidade nao foi afogado entre os compromissos da agenda profissional e privada. Ser mae, ter uma família ainda é  importante para uma boa parte das europeias, mas conciliar os interesses da família, os próprios e todas as obrigacoes profissionais e privadas acabam quase que tirando o tempo dessas mulheres para respirar.

Quanto a mim, há dez anos atrás eu abandonava a minha vida profissional para ter uma chance em viver a minha aventura romântica. Hoje tenho mais que romance, tenho duas filhas, as quais me proporcionam razoes de sobra para eu sentir-me realizada como mae. Mas tenho que admitir que a minha independência econômica me faz uma falta danada e sobretudo as minhas perspectivas profissionais. Nicht auf geben – nao desista, tento convencer-me sempre que me sinto desanimada e recordo-me da sorte que tenho em ser eu mesma e poder ser eu mesma, mesmo que para isso tenha que, algumas vezes, levantar a voz aqui em casa para garantir o meu espaco, pois a auto-estima deve ser mantida e polida, já que o sentimento de frustracao, por nao se ter uma carreira brilhante, pode bater de vez em quando, mas nao pode absolutamente tornar-se crônico.

Escrevendo de um jeito meio feminista – nós mulheres temos que nos valorizar, nos respeitar, tratar-nos com carinho e consideracao, pois os homens já se tratam assim e faz muitos séculos…

Beijos e linda semana!

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