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Uma faceta “mulher” do futebol

Quarta-feira, Junho 29th, 2011

http://www.youtube.com/watch?v=oAYTCCOnV1w

Lira Bajramaj,

(…) 23 anos, nasceu em um pequento povoado em Gjurakove, hoje Kosovo. Com cinco anos passou a viver na Alemanha. Seus pais fugindo da guerra que assolava a Península Balcânica e sonhando com uma vida melhor para a sua família optou por asilo político em terras germânicas. Aqui Lira, enquanto menina, sonhava com a celebridade como cantora, dancarina, artista ou melhor ainda em ser princesa. Ela era fascinada pela Princesa Diana. Pretendia ser no futuro “igualzinho” Diana. No entanto o futebol cruzou a sua vida. Contrariando a vontade de seu pai e frequentando as escondidas os treinos, a menina que sonhava em ser “Diana” – desde os 17 anos vem alcancando sucesso através da sua intimidade com a bola. Atualmente ela sonha “apenas com o que possa alcancar” – viver com  marido e filhos em Mönchengladbach, perto dos seus pais. Deste sonho fazem parte uma casa com um grande jardim e piscina – onde possam fazer churrasco durante os fins de semana, além do seu  próprio salao de beleza – Kosmetikstudio. (…)

Doce, nao?

Para nao deixar de falar nas brasileiras, só hoje (desculpa a ignorância!) fiquei sabendo quem é Marta Vieira da Silva – uma superstar do futebol feminino. Marta nasceu em Alagoas e possui o título de “Pelé de saia”. Hoje vou assistir ao jogo Brasil x Australia para conferir o título de Marta e conhecer algo mais sobre o time brasileiro. Gostaria muito de ver um bom futebol ao menos entre as “meninas”, já que entre os “meninos”….

Beijos.

Informacoes: sobre Lira – Zeit Magazin: Das Fotoheft n° 26/ sobre Marta; WM 2011 Rhein-Zeitung n° 148.

Meninas/Futebol

Sexta-feira, Junho 24th, 2011

Maravilhosa! Motivacao para a quebra de tabus...

Preciso Continuar o meu post de ontem, pois penso que a discussao quanto a presenca feminina no futebol está ainda muito distante de chegar ao final. Quem teria a coragem em afirmar que realmente nós mulheres conseguimos a “igualdade” dos sexos? Penso que “igualdade” nao é o termo adequado para expressar a nossa ânsia em um certo reconhecimento dos valores inerentes ao sexo feminino, os quais ao longo dos séculos e milênios sao sucessivamente arrastados para “debaixo do tapete”. Cada conquista para a “igualdade” nos custa muito suor e lágrimas. Muitas vezes a culpa é nossa também. Nós mesmos somos preconceituosas com relacao a nós mesmas. Nao pude deixar de traduzir e publicar as informacoes tao claras, sintéticas e interessantes que uma das minhas colunistas (Sonya Ross) preferidas escreveu outro dia destes no caderno especial de Domingo do “Rhein-Zeitung”. Após ler a História do futebol feminino me senti mais solidária com as “Meninas” – onde já se viu ganhar um jogo de café ao conquistar o campeonato europeu – quanto será que os “Meninos” ganharam ao perder este campeonato? Ainda acho vergonhosa a soma de 60 000 como prêmio pela conquista do Mundial. Quanto seria se fosse um campeonato masculino? Nao posso afirmar nada, pois nao me interesso muito pelos honorários dos jogadores, mas tenho quase certeza que a soma seria muito mais substancial. Até quando o mundo será machista? Eu me peguei fazendo esta pergunta para mim mesma quando minha filha mais nova me perguntou se nao poderia ir para os treinos de futebol na vila mais próxima. Eu, sinceramente, nao gostei muito da ideia e apresentei outras alternativas para removê-la do seu mais recente hobby. Todos os dias ela chegava da escola me informando que passou a pausa completa jogando futebol com os meninos e que gostaria muito de ir para os treinos às segundas a tarde. Contrariada me vi na obrigacao de atendê-la na sua ânsia mais profunda já que quando Laura esteve animada com o Karatê – lá estava eu procurando a escola para matriculá-la. Eu nao quis ser injusta com Vic e me informei sobre os treinos e a possibilidade dela participar dos mesmos. Lá estávamos nós entre os meninos grandes (pais) e pequenos ( colegas de classe da Vic) algumas segundas-feiras. Vic desistiu dos treinos ao perceber que nao eram tao divertidos quanto as partidas rápidas da hora do recreio. Eu me senti aliviada por ela ter mantido suas “canelinhas” intactas. Atualmente ela ama futebol e sempre joga, mas por pura diversao… eu me senti muito bem ao perceber que realmente poderia apoiar minha filha neste jogo tipicamente masculino. Ao assistir ao jogo Alemanha x Noruega me surpreendi com a habilidade das meninas com a bola e vibrei com cada gol nos últimos momentos da partida.  Lendo o texto de Sonya me peguei admirando mais ainda as jogadoras de futebol. Agora eu, Laura e Vic estamos na maior expectativa quanto ao jogo de domingo. Que venham as canadenses!

Beijos e lindo fim de semana!

Mädels/Fußball – Meninas/Futebol

Quinta-feira, Junho 23rd, 2011

Concepςões e modelos ridículos...

De 26 de Junho até 17 de julho será cediada aqui na Alemanha a Copa Mundial de Futebol Feminino. Este é um motivo suficiente para olharmos bem de perto a História desta moderacao esportiva.

A Associacao Alema de futebol tornou oficial o jogo de futebol de mulheres apenas no ano de 1970, ou seja há 40 anos atrás. Naturalmente as mulheres jogaram futebol muito antes disso. Quando em 1863 o futebol através da unificacao de regras internacionais se tornou uma moderacao esportiva – já em escolas inglesas as meninas jogavam futebol. Em 1894 foi fundado o primeiro time inglês de futebol feminino – o Britisch Ladies. As jogadoras usavam chapéu, schorts até o joelho – para manter a decência –  e sobre o schorts: uma saia também até a altura dos joelhos. Durante a Primeira Guerra Mundial o futebol de mulheres obteve o seu ponto alto, pois os homens estavam nas frentes de batalhas e as mulheres tiveram que realizar todas as tarefas – desde o trabalho nos campos de cultivo e  fábricas até ocupar os espacos esportivos, afinal derepente elas é que “tinham as calcas”.

Na Alemanha ao contrário, nesta fase, o futebol nao era nada popular. Somente em 1930 a filha de um acougueiro – Lotte Specht, com a ajuda de um anúncio em jornal, fundou o primeiro “Damen-Fußball-Club Frankfurt”, o qual se deparou logo de princípio com muitos opositores. Naquele tempo as jogadoras tiveram que batalhar muito contra preconceitos. Contra elas eram comuns as críticas ofensivas e palavroes. Os jornais também nao ressaltavam nada de positivo no Futebol de Mulheres. Fato este que correlaciona-se com a ascensao dos “Sociais Nacionalistas” ao poder, os quais tinham uma outra “imagem ideal” de mulher. Para eles as mulheres nao estavam permitidas a fumarem, beberem e muito menos jogar futebol.

Em 5.03.1936 a Associacao Alema de Futebol determinou que esta moderacao esportiva seria incompatível com a natureza e a dignidade da mulher. Também depois da Guerra o futebol feminino representou uma sombra para a Associacao. Em 30.07.1955, em Berlim, tornou mesmo “proibido” para as associacoes desportivas a organizacao de torneios de futebol feminino e até mesmo de aceitarem um membro feminino. Isto perdurou até 1970, quando entao foi autorizado oficialmente, pela DFB (Deutsche Fußballbund) a moderacao esportiva para mulheres. Naquele tempo as regras para as “meninas” eram diferentes da dos “meninos”: a bola era menor, tempo 2 x 30 minutos, as chuteiras eram proibidas e em funcao da natureza “fraca” da mulher – as jogadoras eram obrigadas a fazerem meio ano de pausa de inverno. Quando em 1989 pela primeira vez as mulheres se tornaram campeas europeias obtiveram como prêmio um “servico de café”. Naturalmente, as atuais jogadoras nao aceitariam novamente disputar um título por “xícaras/pires/ e cia. Se elas ganharem o título de campeas mundiais cada jogadora receberá  como prêmio: 60 000 Euros.

Sem dúvida alguma, a Selecao Nacional Feminina de Futebol, através do sucesso que atingiu, já conseguiu fazer muito  por uma visao mais positiva desta moderacao esportiva. Atualmente muitas pessoas já assistem com prazer e interesse os jogos entre mulheres. Jogadoras como Birgit Prinz ou Nadine Angerer sao quase tao conhecidas quanto jogadores como Miro Klose ou Bastian Schweinsteiger. Na Associacao Alema de Futebol estao cerca de 1 milhao de integrantes do sexo feminino, sendo que 700.000 meninas e mulheres jogam futebol  através das associacoes esportivas espalhadas por todo o país.

Texto traduzido por Neusa Arnold-Cortez (na íntegra) – escrito por Sonya Ross para o “Rhein-Zeitung” n°140 de 18.06.2011