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Noite dos Cristais

Terça-feira, Novembro 9th, 2010

Qualquer forma de intolerância é inaceitável

Ironicamente o nome dado à noite de 9 para 10  de novembro, 1938 – noite dos cristais – soa bonito, até mesmo romântico para os meus ouvidos. No entanto, nesta noite os judeus na Alemanha e Áustria vivenciaram algo completamente distante da harmonia com que o termo “noite dos cristais” ressoa para mim. Exatamente há 70 anos atrás comecava um capítulo negro na história deste país. Naquela noite cerca de 400 judeus foram mortos, 30.000 foram presos e enviados para campos de concentracao, 1000 lojas – propriedades judaicas – foram destruídas e cerca de 1500 sinagogas foram transformadas em cinzas. Era o comeco oficial do martírio das pessoas de origem judia que viviam na Alemanha e Áustria. Martírio este que se arrastou por longos anos e mesmo após 65 anos de fim de guerra, aqueles que sobreviveram ao furacao Hitler e suas máquinas de mortes, sofrem em funcao deste episódio amargo da História alema.

Hoje para todos nós aqui em casa e da vizinhanca foi um dia normal, de muito trabalho, chuva e frio, mas agora ao ler o depoimento de uma testemunha do tempo sobre esta noite, eu nao me contive e precisei muito registrar aqui esta data, mesmo que sombria. É necessário ressaltar também que esta acao dos nazistas nao teve uma reacao favorável por parte do povo alemao, pelo contrário, a reacao foi de choque e perplexidade. A propósito estes sentimentos ainda estao latentes na memória dos cidadaos comuns deste país, os quais nao tinham realmente conhecimento sobre os motivos da guerra ou da real dimensao que a  perseguicao ao povo judeu acabou tomando nos anos sucessivos do governo de Hitler. Agora, quanto as consequências da guerra – estas sim os perseguem ainda…

Beijos.

Os americanos deixam o Iraque

Segunda-feira, Agosto 30th, 2010

Pode-se sonhar com um mundo em Paz?

Esta semana me permiti prever  um mundo menos lotado de conflitos e guerras ao   deparar-me  primeiro com a notícia de que Israel tinha destruído um pedaco do muro que separa o povo Israelita dos  Palestinos.  Infelizmente ainda perdura a dúvida se esta atitude significa o início de uma acao para a paz ou exatamente o contrário – a intensificacao da guerra. Eu prefiro ser otimista e acreditar na primeira hipótese.

Dias depois eu quase nao pude acreditar no que os meus olhos liam: “Os Estados Unidos desocupam o Iraque”.  Eu pensei comigo: ah, até que enfim… e imediatamente fiz uma viagem ao passado, quando eu com Laura bebezinha no colo ( 11 de setembro/2001)  depois de ter atendido ao telefone, buscava 100% de concentracao para entender o que Jörg tentava me explicar sobre o que já havia ouvido no seu trabalho sobre o atentado  terrorista que chocou os americanos e todo o mundo. Acredito que a maioria das pessoas ainda têm na memória o incêndio e a destruicao do World Trade Center e do Pentagon, quando os avioes que segundo o governo americano estavam sob o comando de terroristas do El Kaida, ali frontalmente se chocaram.

Existe a controvérsia se realmente o grupo El Kaida é o responsável pelo drama ou se tudo foi armado estrategicamente pelo governo americano para justificar uma invasao ao território iraquiano, somente por razoes econômicas.

Fato é que munidos de “algumas verdades”:

  • Os terroristas tinham que “pagar” pelo sofrimento que causaram às vítimas do atentado de 11 de setembro;
  • Saddam Hussein, naquele tempo, o presidente do Iraque era o responsável indireto pela tragédia americana, pois supostamente protegia o El Kaida;
  • Saddam Hussein era um ditador exêntrico, do qual o povo iraquiano precisaria ser libertado, entao o caminho para a implantacao da democracia naquele país estaria aberto;
  • Sob o governo de Hussein, no Iraque além dos terroristas haviam também armas de guerras muito perigosas escondidas.

o governo americano – apoiado por outros países – em 20 de marco de 2003  invadiu o Iraque. Em seis semanas capturam e tomam cidade por cidade e deixam atrás de si rastros de alegria e ódio. Muitos iraquianos ficaram satisfeitos com a possibilidade de novas perspectivas de vida, muitos nao concordaram com a invasao de seu país e de suas vidas por soldados de países estranhos. Em 09 de abril daquele ano, a capital Bagdad é dominada e Hussein capturado, preso e condenado à morte. Estava claro, americanos e aliados ganharam a guerra e passaram a dar as ordens naquele país até a próxima eleicao, que “deveria” ser em moldes “democráticos” – o que ocorreu em junho de 2004.  Porém o resultado desta eleicao nao significou realmente sossego em território iraquiano, tanto é que lá permaneceram os soldados com a funcao de garantir  a “manutencao” da democracia, pela qual tantas vidas foram sacrificadas.

Enfim, depois de 7 anos e meio, os americanos podem voltar para casa, mas 50.000 soldados ainda permanecem no Iraque. Em 2011,  todos os soldados americanos estarao de volta à casa  e  Obama terá cumprido uma de suas promessas de campanha eleitoral já que, assim como eu, muitos americanos consideram esta guerra sem um real significado e sobretudo depois de mais de 7 anos as armas de guerras super perigosas que Saddamm Hussein havia escondido –  nao foram encontradas… ou seja, há motivos de sobra para se duvidar dos fundamentos de mais uma guerra estúpida….

Sem comentários.

Beijos.

Na primavera- 1945- chegam os americanos

Segunda-feira, Junho 7th, 2010

Memorial aos mortos na 1a e 2a Guerra Mundial - Mermuth

“Há 65 anos atrás o nosso munícipio – Eifel – também foi ocupado pelos soldados aliados”.

Este é o subtítulo de um depoimento que li, um dias destes, num caderno especial do jornal regional. Eu achei interessante a forma direta que o Sr. Werner utilizou para expressar a sua visão pessoal quando, juntamente com sua família e vizinhos, ele vivenciou a chegada dos americanos e depois a dos franceses no município vizinho à Hunsrück.

“Muitas pessoas tiveram que deixar as suas casas. Em muitas situaςões, os aliados se comportaram como vândalos. E  ao cair da noite as pessoas tinham que permanecer em suas próprias habitaςões (Ausgangssperre).

Com os americanos a ocupaςão não foi tão brutal como a  francesa. Os soldados americanos presenteavam as crianςas com chocolate e chicletes. Meses depois chega também, como iniciativa americana, comida na escola.

Mais desagradável foi a ocupaςão francesa, a partir do verão de 1945. Vilas inteiras foram ocupadas por famílias de soldados ou destruídas. Para os agricultores, sobretudo, o domínio francês foi quase intolerável, pois tinham que assistir passivamente a sua própria  produςão – por exemplo – de batatas, no outono, sendo transportadas para fora de suas propriedades  e retornando em abril em forma de sementes, as quais deveriam ser compradas. Os agricultores reconheciam os mesmos sacos de estopa que haviam usado para embalar a colheita, antes que esta se tornaria posse dos franceses. Uma explosão de revolta não era pensada… as pessoas estavam com as suas reservas de energia esgotadas pelos longos anos de sofrimento com àquela guerra. Sobre a qual se falava apenas em meias palavras pelos cantos das casas… o sentimento de medo e resignaςão prevaleciam… não havia tempo e espaςo para mais problemas…

Os franceses eram, na sua maioria tão pobres, que não havia possibilidade de se obter nada deles, a não ser talvez lentilhas com pedras ou tâmaras sujas.

Uma vez, tivemos acesso à cultura francesa através do Instituto Francês em Mainz.

Interessante foi também a apresentaςão de um filme sobre a boa convivência entre franceses e angerianos! Só para quem queria acreditar!

Casamentos entre franceses e alemães nao existiram, já que havia muitos tabus de ambas as partes (erbfeind – heranςa de inimizade). Simplesmente, algum prisioneiro de guerra trouxe para cá, depois de muitos anos, sua noiva francesa e alguns jovens se aventuraram por terras estranhas…”

Depoimento para o caderno “Heimat” – Rhein Zeitung em 05/ 05/ 2010