Posts Tagged ‘História Alemã’

30 anos de reunificação!?

Sábado, Outubro 3rd, 2020

Uma boa afirmação ou uma boa pergunta?

Este é um questionamento não apenas meu, posso concluir a partir do que li e ouvi durante todo o dia. A História alemã é extrema e traduz algo das nossas próprias contradições. Quantas vezes nos percebemos inteiros, fortes, imbatíveis? E quantas outras vezes nos sentimos divididos, esfacelados e frágeis? Tão frágeis e sob escombros? Talvez seja insensata esta minha comparação, mas se desprendeu assim expontaneamente dos meus pensamentos.

Sim, há 30 anos a Alemanha fervilhava de esperança e expectiva em dias livres e fartos para todos os habitantes do leste e oeste do país. A explosão de alegria causada pela queda do Muro de Berlim em 1989 contaminou não apenas o país, mas também o mundo. Hoje as comemorações foram discretas. Naturalmente o Covid-19 assombra qualquer reunião comemorativa ou não, porém os resquícios do Muro, sem sombra de dúvida, espantam muito mais que este ou qualquer vírus.

Fato é que geograficamente a Alemanha está reunificada. No entanto o muro, de forma invisível, ainda está aqui dividindo as pessoas. Uma divisão disforme, latente, vergonhosa, intensificada pelo radicalismo neo. O qual insiste numa ideologia avessa a uma Alemanha internacional, moderna e sobretudo inclusiva.

como concluir? O processo de reunificação continua… Nada como um dia após o outro… Ou melhor: Nada como uma década após a outra!

Beijos!

Fragmentos de acontecimentos…

Sexta-feira, Maio 1st, 2015

Experiências Reais de quem sobreviveu à Segunda Guerra Mundial

Relatos autênticos.

Já se passou quase uma semana desde que, pela primeira vez em minha vida, fiz questão de comemorar com alguns bons amigos e conhecidos o meu aniversário. Foi uma festa simples, mas penso que bastante agradável para todos nós! Os motivos que me levaram a vencer a barreira da timidez e das dificuldades para me reunir com as pessoas e estar no centro das atenções vão muito além do aniversário.

Eu me senti na obrigação de agradecer ao universo e seu criador por  esta sensação de  felicidade, sobretudo por me encontrar em plena estabilidade física, psíquica e emocional apesar das cinco décadas bem vividas, por minhas filhas e por estar quase sempre motivada para aprender e enfrentar novidades e desafios.

Algumas vezes me sinto bastante cansada por tantas horas de concentraςão na escola, no trabalho, no trânsito, mas um dia como este de preguiςa me ajuda bastante a recuperar a energia para os próximos dias difícies e estressantes.

Sem mais lamurías, através deste post, gostaria também de compartilhar com vocês que neste encontro com amigos,

Wera e Irene, maravilhosas Testemunhas do Tempo passado e presente!

Maravilhosas Testemunhas do Tempo passado e presente!

apresentei oficialmente o meu novo projeto Histórico-Literário. E estou realmente contente pela tarefa cumprida. Sinceramente, concluir este projeto sem grandes gastos foi um enorme desafio. Me enveredei por caminhos desconhecidos desde a diagramação, ilustração até o layout de capa. Para não correr o risco de ter livros empilhados pelo apartamento e a preocupação com vendas – optei pelo caminho “on Demand”, até porque não tenho nenhuma obrigação com o mercado. Meu compromisso em terminar este projeto era sobretudo com minhas testemunhas, meus amigos e comigo mesma.

Sim, me sinto em dia com minhas promessas em transmitir na língua portuguesa os relatos das pessoas que se prontificaram a conversar comigo sobre suas experiências de fuga, de medo, frio, fome e guerra. O cotidiano de pessoas muito especiais que não optaram pela guerra, mas enfrentaram com coragem as consequências amargas da destruição e atualmente contribuem decisivamente para que a Alemanha seja um país mais tolerante e justo, independentemente de raças e credos.

Altura e simpatia: minha única Testemunha masculina.

Altura e simpatia: minha única Testemunha masculina.

Beijos e

lindo fim de semana!♥

Fragmentos de Projetos e Divagações

Terça-feira, Fevereiro 17th, 2015

Me sinto tão absurdamente perdida hoje. São tantos pensamentos, compromissos, projetos, carências, sorrisos e dores! Estou no meio de um turbilhão de novidades. Algumas vezes parece que minha energia se esvai lentamente pelos poros da pele. Tenho me esforςado para corresponder a muitas expectativas. Este é um dos meus graves defeitos! Me  perco totalmente quando não me concentro em prioridades.

Também na minha ignorância técnica perdi dois posts muito pessoais (Leves, mas bravas pinceladas de sucesso e Divagaçõoes de Sexta). Sei que não se trata de nada dramático, mas meus posts de caráter mais pessoal são como parte minha. Eles são importantes porque foram trabalhados apenas sob a emoςão, quando meus dedos  escreveram praticamente sozinhos, apenas  tocados pelas  reflexões e lembranςas.

Ah… na verdade gostaria de compartilhar tanto, tenho aprendido muito nestes últimos meses. Conheci pessoas tão especiais apesar e por causa de suas limitaςões, mas me sinto, neste momento, bastante pressionada pelo tempo e pela limitaςão das palavras escritas. Digo apenas para você que para abril tenho novidades. Estou preparando uma festa por dois bons motivos:

  • Comemorar meu meio século de vida. Escrever assim abertamente sobre anos não é tão fácil quanto se supõe! Tenho me preparado a décadas para estar de bem comigo mesmo apesar de tantas primaveras…
  • Apresentar meu segundo e provavelmente último Paradidático: Ele tem um Nome e um Projeto de capa, os quais apresento aqui em primeira mão:

Uma concepção pessoal, inspirada em depoimentos nada mais, nada menos que autênticos.

Me sinto agora muito ousada, mas me permito esta ousadia por estar bastante sensível ao tema (Segunda Guerra Mundial), não apenas por trabalhar nele, mas também pelas recentes atitudes absurdas e violentas contra a comunidade judia que vive na Europa. Não entendo porque ainda não aprendemos a respeitar todas as religiões e culturas. Por que convivemos ainda com tantas cabeças perturbadas pelo ódio e discriminaςão? Não posso deixar de citar nosso querido Renato Russo em Índios: “… nos deram espelhos e vimos um mundo doente…”

Voltando para a realidade, preciso me esforςar bastante para pensar em um dia de positividade, alegria e descontraςão, afinal hoje é terça de carnaval! E embora o dia esteja cinza e frio é preciso deixar-se contagiar pela alegria das últimas horas desta festa colorida!

Beijos e um lindo dia ainda!

O que aconteceu em 17 de junho?

Terça-feira, Junho 18th, 2013

"Wer die Vergangenheit nicht kennt, wird die Gegenwart nicht verstehen"/ "Quem não conhece o passado, não entende o presente".

ontem e em 1953?

Ontem, eu particularmente, vivi duas grandes aventuras:

  • Fui para Koblenz depois de ter recebido uma carta me avisando que deveria resgatar alguns livros que Claudia, a meu pedido, me enviou de Itajubá e nós inocentemente pensávamos que eu os receberia sãos e salvos aqui na porta de casa. Nada é tão fácil quanto às vezes nos parece. Lá fui para uma instituiςão chamada Zollamt – só o nome me causou medo e me lembrou muita burocracia e multas. Bem, de multas ainda estou livre, mas de burocracia infelizmente não. Assim meus livros lá ficaram de novo trancafiados em uma caixinha de papelão toda envolta em fitas adesivas onde se lê “Zollamt” em cada centímetro delas. Me sinto frustrada hoje depois de buscar uma soluςão para o meu problema com a aduaneira – sem grandes perspectivas de sucesso.
  • Agora o segundo evento me enviou os céus para contrabalanςar o insucesso da minha conversa com o fiscal sem uniforme e sem perdão. Eu pude assistir da minha sacada o pôr do sol e como se não bastasse este espetáculo divino, um bando de andorinhas executou uma coregrafia bem na altura dos meus olhos. Elas danςaram longos minutos em todas as direςões e todos os passos só prá mim.

Agora, sobre o 17 de junho de 1953?

Ontem fomos lembrados sobre este dia porque Ele tem um peso histórico bastante considerável no contexto Alemão. Há 60 anos multidões de cidadãos do leste saíram às ruas para protestar contra as condições precárias e injustas de trabalho, as quais lhes foram impostas com a ocupaςão soviética naquela parte do país com o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo as autoridades, Eles deveriam trabalhar ainda mais, porém sem receber qualquer aumento de salário. Considerando que a maioria dos cidadãos  já não estava nada satisfeita, pois mesmo após oito anos do fim oficial da Guerra Eles ainda necessitavam apresentar seus “Cartões alimentícios”/Lebensmitellkarten para tentarem reabastecer suas dispensas vazias e muitos produtos não estavam disponíveis para compra em toda a Alemanha Oriental – este  fato foi a gota d’água para a organização de um grande movimento contra as autoridades e o sistema sócio-econômico e político que vigorava no leste da Alemanha. No entanto, quando as pessoas protestavam inocentemente contra as injustiςas sociais que sofriam, foram surpreendidas por tanques de guerra.

Neste dia muitos tiros ecoaram entre as ruas de grandes cidades do leste, alguns cidadãos pagaram com suas vidas o preço da rebeldia, muitos foram para diferentes prisões. Neste dia ficou claro que manifestaςões populares contra o regime estavam expressamente proibidas.

Curiosamente o dia 17 de junho até a reunificação do país era considerado feriado na Alemanha Ocidental em homenagem ao ato de coragem dos manifestantes que ousaram desafiar a ditadura socialista.

Para implementar suas informações: uma indicação muito pessoal – O Paraíso sem Bananas

Beijos e linda semana!

“O casal alemão dos sonhos reencontra-se … devagar”

Segunda-feira, Outubro 4th, 2010

Rotkäppchen,  sobreviveu à crise do leste e invadiu o mercado ocidental.

Ontem  tivemos a chance de vivenciar o vigésimo aniversário da reunificação alemã. A natureza nos presenteou um lindo dia de sol, e um calor morno e fantástico transformou as nossas horas em um convite delicioso para um passeio pela natureza colorida de outono.

Tínhamos muitos motivos para comemorar, o dia lindo, mais uma festa da domocracia para nós brasileiros que tivemos novamente  oportunidade de eleger  (ou tentar) o(a) próximo (a) administrador (a) do Brasil e aqui no centro da Europa brindamos  e especulamos os 20 anos da “reconcialiação do casal:  leste e oeste”.

A grande festa da “re-unificação” aconteceu  propriamente bastante longe da minha vila, em Bremen. Lá estavam presentes grandes personalidades políticas como Merkel, Khol e  Wulff, o qual em seu discurso abordou um dos temas mais quentes e polêmicos  por aqui: integração.  A questão integração é super complexa e compreende não apenas alemães do leste na alemanha do oeste, mas a grande massa de imigrantes de diferentes partes do planeta que aqui na Alemanha buscam, por motivos diferentes, novos rumos para as suas vidas. O acento da problemática pertence à comunidade muçulmana que por suas convicçõoes religiosas e políticas são, na sua grande maioria,  inflexíveis.  Integração implica logicamente em adesão à novos costumes, novas posturas, nova dinâmica social, domínio de um novo idioma e sobretudo estar aberto às novidades. Algo que se encontra um pouco distante dos grupos muçulmanos. Posicionamento este que mesclado ao rascismo dos grupos de direita e esquerda existentes dentro da Alemanha , transforma o ideal de integração pregado nos discursos políticos em pura utopia.

Quanto à questão integração entre os próprios alemães os indícios são mais animadores.  Os clichês permanecem, mas incomodam somente as gerações anteriores. A geração “unificação”, ou seja as crianças nascidas em 1990 no leste da Alemanha  são unânimes em afirmar que não existe para elas duas Alemanhas e são capazes de ouvir com interesse as informações e experiências que seus pais e avós adquiriram enquanto cidadãos da ex-Alemanha socialista, mas não se sentem realmente envolvidos neste passado histórico.

Um balanço prático dos 20 anos de casamento:

  • Migração:  em 2008 viviam no leste  1,7 milhao de pessoas menos que em 1990. Cada um, em 10  habitantes  deram as costas para o leste;
  • Em 2008 um alemão do leste tinha um  rendimento  médio de 15.536 Euros – em 1991 eram 8156;
  • Empresários do leste faturam 76,5 em relação aos colegas do oeste – em 1991 46%;
  • 17% dos alemães do oeste dependem da ajuda financeira do estado para atender as suas necessidades materiais básicas, enquanto que no oeste 8%;
  • Quase idêntico é o acesso aos aparatos como:  Handys: 86% dos alemães do leste e oeste telefonam usando celular.  Em cada 15 (leste) e 16 (oeste) entre  100 salas, estão presentes televisores de última geração. Máquina de lavar louça é utilizada em 55% das cozinhas do leste e 64% do oeste;
  • Aposentadoria – padrão básico:  no leste 1086 Euros, no oeste 1224 Euros.
  • Contrariando muito  as versões pessimistas e preconceituosas atualmente 81% dos alemães consideram a reunificação do país como positiva e há um consenso geral de que nem tudo por lá foi negativo – o sistema educacional e de saúde, por exemplo, são mencionados  com respeito.

É compreensível que as sequelas de 40 anos de separação não foram ainda totalmente superadas apesar dos 20 anos de reconciliação, mas acredito que em todas as cabeças esclarecidas deste país existe a visão clara de que apesar de todos os desafios que já foram superados e apesar das feridas, que ainda estão abertas, é 100% melhor viver em uma Alemanha inteira do que em uma metade da Alemanha.

 

Para ler mais sobre o cotidiano na Alemanha socialista você tem a opção de se interar do

http://www.neusa-cortez.de/o-paraiso-sem-bananas-resenha-2/

 

Beijos.

Fonte: Rhein-Zeitung, n° 229 – sábado, 02/10/2010.