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Sementes da primavera de Munique – Simpatia que contamina!

Quarta-feira, Agosto 28th, 2013

Série Entrevistas:

Parte VI:

Um sabor leve de despedida me assaltou nestes últimos dias. Este sabor meio que melancólico e doce me atraiu hoje de forma irrestível para os teclados e aqui estou eu registrando este sentimento. Me perguntei repetidamente o porque desta sensação triste de despedida até porque não estou indo embora. Não demorei muito para encontrar a resposta. Ela está na atmosfera de outono. O verão se despede discretamente cedendo lugar a um novo ciclo da natureza. Já sinto o ar mais úmido e frio, a colheita nos campos se encerrou, as manhãs e fins de tardes já não estão mais tão iluminadas. Sinto a necessidade de recolhimento. Assim como nos preparamos para o outono, sinto também que hoje estou encerrando esta deliciosa série de entrevistas com fabulosos autores, os quais  tive o imenso prazer de conhecer nesta grandiosa primavera de Munique.

Sim, encerrando, mas  com chave de ouro, pois hoje tenho a honra de compartilhar com vocês algo da pessoa maravilhosa e do trabalho de Evandro Raiz Ribeiro – a própria e inegualável simpatia que contamina!

Sem exageros! O Evandro é uma destas raras pessoas que nos confortam com um sorriso e nos permitem ter a sensação de que se tudo não está em ordem, não há problemas pois ficará em frações de segundos. Na presenςa deste rapaz de traςos fortes e marcantes nos sentimos em seguranςa, em paz! Penso comigo que entendo seu posicionamento frente a vida considerando todos os desafios que o surpreenderam ao longo de sua infância, adolescência e adptação num país tão distante,  tão diferente do nosso – onde as letras me parecem desenhos sem compromisso e as casas de papelão.

Cá comigo tenho  certeza de que Evandro tem segredos na alma, quem sabe nos revelaria alguns deles?

Bem, de qualquer forma algo Ele Já me revelou e me permitiu compartilhar com vocês!

1.Querido Evandro é uma grande honra para mim poder saber mais e sobretudo poder publicar algo sobre seu trabalho no meu blog. Iniciando nossa entrevista, gostaria muito de saber quando e como você se inteirou do “Projeto Adote um Autor”:

O prazer é todo meu Neusa! Acredito que talvez eu tenha sido a primeira pessoa a ouvir sobre o – Projeto adote um Autor – digo isso porque conheci a Alexandra Magalhães Zeiner em Londres em um encontro de escritores no Focus Brasil Reino-Unido. Lá foi uma correria danada, não tivemos tempo para nada e depois participamos em seguida do Press Award, que aconteceu no mesmo local. Não tivemos nem mesmo um tempinho extra para dar uma saída, conhecer as redondezas, almoçar ou jantar. Quando acabou o Press Award, por voltas das 22h30min, fomos, eu , Alexandra, a Márcia Rocha (escritora que veio da Itália) com a filha e um amigo e também a Karina Martinelli a um restaurante em uma esquina próxima ao evento. Logo em seguida, acompanhei a Alexandra até o metrô, ela voltaria para onde estava hospedada e nesse momento ela me falou sobre a ideia de fazer um encontro de escritores na Alemanha e se eu toparia participar do projeto, e dei minha resposta afirmativa imediatamente.

2. E sobre sua experiência de “Autor Adotado”- o que você nos revelaria?

Foi uma experiência muito interessante, não apenas no aspecto financeiro, pois a grande maioria dos autores e artistas que divulgam nossa cultura tem que arcar do próprio bolso com os custos para divulgar o seu trabalho. Iniciativas como esta são de grande valia, pois incentivam o artista a continuar seu trabalho, mostrando que há interesse no que se está fazendo. No aspecto social também foi uma coisa muito legal, pois falando por mim, fui acolhido pelo casal Gebauer, Rosanna e Gunter, os quais foram muito atenciosos e hospitaleiros, me fazendo sentir como se estivesse em meio a minha própria família. Acho que você vai concordar comigo, afinal fomos irmãos adotivos , não é verdade?

3. É verdade! E gostei muito das nossas conversas à mesa saboreando as delícias que nossos pais adotivos nos prepararam com tanto carinho!

Agora, retornando para o “interrogatório”…. Você pode “imaginar  esta experiência” em outros estados ou países? Você participa de alguma associação cultural, a qual nos apoiaria assim como a DBK juntamente com a comunidade brasileira de Munique?

Acho uma ideia interessante e que tem tudo para acontecer. Diretamente não trabalho com nenhuma organização aqui onde moro, mas não acho que seria impossível fazer um encontro desses aqui no Japão. Pelo contrário, acho até muito possível e quem sabe, em um futuro próximo não podemos tornar essa ideia viável?

4.Fale um pouco sobre sua experiência com o público brasileiro. Você se sente em “conexão” com a comunidade brasileira, considerando tantos anos plantado em uma cultura tão diferente da nossa?

Indo a Londres e a Munique, pude conhecer o trabalho que outros autores brasileiros estão fazendo em diversos países e acredito que estão seguindo a direção correta. A minha realidade está mais ligada ao público brasileiro no Japão, e existe uma grande dificuldade de ligação entre essas culturas (brasileira e japonesa) em se falando de literatura, pois o idioma é um grande empecilho. É difícil atrair o público japonês para uma literatura totalmente portuguesa, pois mesmo os estudantes japoneses da língua portuguesa sentem grande dificuldade nesse ponto; e a nossa comunidade apesar de grande, pois mesmo considerada como reduzida conta com duzentos mil membros, ainda está desfalcada de membros bilíngues versados nos dois idiomas a nível literário.

5.Por favor nos “fale” um pouco sobre o “processo de publicação” do seu primeiro livro. O que mais te marcou na pele de um Autor estreante?

O que posso dizer é que foi muito gratificante interagir com o público divulgando meu livro. Foi uma experiência

Não Deixe o Sol Brilhar em Mim

Ficção e verdade!

importante descobrir que as pessoas dão sim importância a um trabalho literário, mesmo as que dizem não ter muita afinidade com o hábito de ler. A grande parte das pessoas com que conversei, demonstraram interesse em saber sobre o processo de se escrever e publicar um livro, mesmo que elas próprias não tivessem nenhuma intenção de experimentar. Além, é claro, da satisfação de ver em seus olhos, um certo ar de admiração ao perceber que não estavam tratando simplesmente com um vendedor de livros e sim com a pessoa que escreveu um. Outro ponto importante, foi a relação com os blogs literários, descobrir que tem muita gente lendo livros no Brasil, em sua grande maioria, jovens que descobriram na leitura uma grande fonte de prazer.

6.Você nos confiaria o seu “sonho de projeto ”?

Meu sonho de Projeto… Na verdade tenho tantas coisas que gostaria de ter tempo disponível para realizar. Mas, tempo é um artigo de luxo, o qual a gente acaba empregando em outras atividades urgentes do dia a dia, e assim, vamos deixando os sonhos em um segundo plano. Mesmo assim, eu gostaria de junto com meus amigos, autores brasileiros espalhados pelo mundo, poder divulgar a nossa literatura e o nosso trabalho em cada localidade em que a nossa comunidade estiver presente. Com projetos iguais ao “Adote um Autor “ e outros trabalhos de apoio, como a publicação em mídias digitais em que estou me interessando no momento, a qual proporciona ao autor iniciante mais oportunidades e facilidades na divulgação de seu trabalho.

Muito obrigada querido Evandro por me permitir publicar esta nossa “conversa”e desejo sinceramente a você todo o sucesso que uma pessoa tão batalhadora como você merece!

Bem… agora você querido leitor, está especialmente convidado  a conhecer mais sobre a pessoa fantástica que o Evandro é e algo mais sobre sua vida privada, sua carreira profissional e sobre o seu trabalho literário – através deste filme  muito especial que acabei de encontrar enquanto buscava o endereco do blog pessoal do Autor: confira, vale a pena!

Evandro no Planeta Brasil – Rede Globo Internacional

Você pode também Clicar em: Blog para saber mais sobre o autor, sua obra, suas experiências, sua trajetória.

Beijos e muita luz sim!

Sementes da Primavera em Munique – Amor e Fantasia!

Sexta-feira, Agosto 9th, 2013

Série Entrevistas

Parte V

Fotógrafa - Leila Trovao

Livros - uma declaração linda de Amor!

Amor e Fantasia – no sentido mais puro, profundo e divino da expressão! Um convite à confabulação!

Naturalmente, aqui  se pode  mergulhar sem medo, sem culpas e sem riscos. Eu me refiro não à relação complexa e intrincada entre adultos, mas ao sentimento mais sublime e angelical que se pode vivenciar – o sentimento de uma Mulher que se tornou mãe e que anos depois se tornou Avó. Eu estou pensando e escrevendo agora sobre Sylvia Roesch.

Sylvia é uma das pessoas mais doces e discretas, a qual tive o imenso prazer de conhecer no I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. E tenho que admitir o que mais me surpreendeu nela foi além de sua absoluta calmaria, o amor, o seu carinho pelos netos. Me encantei com Sylvia ao ouvi-la falar sobre sua finalidade ao escrever e publicar livros infantis – “um livro para cada um dos meus netos, é o que pretendo basicamente”. Naquela fração de segundos pensei lá com os meus botões:  uma doce pessoa, um amor de mãe 2x. Mãe duas vezes, é o que dizia minha mãe quando se referia a si mesma sobre o seu papel de avó.

Sylvia e minha mãe me transportam para um mundo bom. Um mundo de amor puríssimo, que, se permirtirmos, cura todas as nossas dores mais profundas…

Bem, sem outras divagações atingimos o parágrafo principal. O parágrafo onde deixo você, querido leitor, em contato direto com esta Mulher, Mãe, Avó, Profissional, Escritora tão especial!

Com muito orgulho compartilho com você, através desta entrevista, algo mais de Sylvia, de seu trabalho, dos  seus insucessos e sucessos.  Intere-se, vale a pena!

1.Querida Sylvia é um grande prazer para mim, de certa forma, reecontrá-la e sobretudo poder saber mais sobre a sua trajetória profissional. Minha primeira curiosidade trata-se do “Projeto Adote um Autor”: como e quando você se interou do mesmo? Como foi sua experiência de “adoção”

Conheci Alexandra Zeiner, a idealizadora do Projeto Adote um Autor durante o evento Focus Brazil Londres em 2012, ocorrido em setembro do mesmo ano. Ela me comunicou sua ideia, já no início de outubro. Para o I Encontro de Escritores na Baviera, em maio de 2013, em Munique, eu optei por não participar do projeto de adoção, uma vez que pernoitei num hotel nesta cidade com minha filha e neto. Eu havia convidado o meu neto, Julian de 12 anos, para contar a versão em alemão da história de meu livro “O Mistério da Mesa Arranhada”. Assim, realizamos uma contação bilíngue para as crianças que participaram do evento.

2. Por favor, nos conte algo sobre esta experiência realmente singular:

Percebi que o projeto de adoção ao aproximar as famílias associadas da DBKV dos escritores convidados foi um sucesso. Além de facilitar a vinda dos autores para o evento, ao eliminar suas despesas de acomodação. Outro resultado evidente foi constatar que as famílias brasileiras compareceram ao evento e trouxeram suas crianças para ouvir histórias escritas por alguns dos autores participantes, entre os quais me incluo. O evento contou também com a colaboração dos professores das escolas de português.

3.O I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera foi apoiado incondicionalmente pela DBKV e V., o qual por sua vez contou com o respaldo da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Você considera viável esta experiência literária e artística em outros estados ou países?  Você trabalha junto a alguma associação comunitária na região onde você vive?

A ideia de trabalhar num projeto semelhante no Reino Unido em parceria com o Projeto Adote um Autor foi comunicada à Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais no Reino Unido (ABRIR), para a qual participo como voluntária. Uma das dificuldades que antevemos é o fato de Londres não possuir uma associação cultural do porte da DBKV e V. Na ABRIR, eu coordeno o Projeto Biblioteca, em caráter voluntário. Por meio deste, procuramos divulgar a literatura e língua portuguesas no País. Assim, distribuimos obras publicadas no Brasil a bibliotecas públicas e organizamos eventos de contação de histórias para crianças, bem como outras oficinas, em bibliotecas e escolas. Por enquanto, os eventos que tenho iniciado são eventos internos, de baixo custo, que não envolvem o deslocamento de escritores.

4.Ou seja, há uma chance da Corujinha (a nossa mascote) pousar em terras britânicas? A propósito, sobre terras britânicas, como você está se sentindo como uma das autoras indicadas para um prêmio tão especial como o Press Award?

A ABRIR se dispõe a divulgar o projeto Adote um Autor no seu site, o qual é consultado por indivíduos e organizações envolvidas com a difusão da língua portuguesa e cultura brasileira no Reino Unido. Na oportunidade de um evento que envolva a vinda de escritores de outros países para o Reino Unido, creio que a viabilidade de implementação do projeto Adote um Autor teria de ser discutida diretamente pelos organizadores do evento com o grupo coordenador do projeto Adote um Autor, liderado por Alexandra Zeiner.

Para mim, foi uma honra ser premiada com o Press Award Reino Unido 2012. Acredito que eu tenha sido escolhida, não só pela publicação de livros infantis, como também pelas atividades voluntárias de contação de histórias para crianças em eventos, bibliotecas públicas, clubinhos de português e, mais recentemente, em escolas inglesas no País.

5.Querida Sylvia, você poderia nos descrever a sua relação com os seus leitores, os quais possuem diferentes nacionalidades ou seja dominam outros idiomas e estam inseridos em outros contextos sócio-culturais.Como estes reagem ao seu trabalho?

Venho contando minhas histórias em escolas e em outros eventos, tanto no Brasil como no exterior. Como escrevo meus livros em português, no Brasil, os eventos fluem, sem problemas. Lá, as crianças apreciam as rimas e acompanham o enredo e os personagens com naturalidade. Entretanto, contar histórias para os brasileirinhos no exterior vem a requerer a utilização de vários recursos não-verbais para facilitar o seu entedimento. Creio que as crianças apenas entendem realmente as histórias depois que estas lhe são contadas por seus pais, em casa. Recentemente, passei a usar contações bilíngues (português-inglês) na Inglaterra e (português-alemão) na Alemanha e no Brasil. Para tanto, mandei traduzir as histórias e durante o evento utilizo a interpretação consecutiva, página por página. Nestes eventos, sou acompanhada de um contador nativo, que lê a versão na língua do país hospedeiro. Noto que as crianças se acostumam a ouvir as duas línguas e passam a se envolver com a história e com os contadores, além de mostrar interesse em dialogar com o autor sobre a obra. E este é um resultado muito gratificante e independe do conhecimento de uma das línguas e do nível sócioeconômico das crianças.

6.Como se desenrolou o processo de publicação da sua primeira obra? Você encontrou dificuldades?

Mais um fantástico material ilustrativo de Petra Elster.

Publiquei meu primeiro livro “O Mistério da Mesa Arranhada” em 2010, de forma independente. O custo foi muito alto. Sim, tive muitas dificuldades para divulgar e vender os volumes. Acabei doando uma grande parcela deles para escolas e bibliotecas públicas no Brasil. Como resultado desta doação, fui convidada para visitar dez escolas em Caxias do Sul, onde os professores trabalharam o livro com antecedência com as crianças. Elas produziram desenhos, fantoches, poemas e até uma peça teatral, com base no livro. Foi muito gratificante. Em 2011, o livro foi publicado pela Editora Mediação de Porto Alegre que agora o distribui em seu site e nas livrarias no Brasil.

Graças à iniciativa da Editora Mediação de submeter meus livros a concursos federais e estaduais, esta obra acaba de ser comprada pelo governo do Estado de São Paulo para fazer parte do currículo do 3º ano do ensino fundamental naquele Estado. Então, talvez com isso possa vir a recuperar parte dos custos que incorri na produção do livro. Outro resultado positivo foi que a mesma editora publicou um segundo livro meu “Vi um Bicho Genial lá no Fundo do Quintal”, desta vez arcando com todos os custos de publicação.

7.Mas esta é uma notícia fantástica! Parabéns Sylvia! Me alegro muito mesmo por você! Já imaginou quantos pequenos leitores terão assim a chance de se encantarem com a sua arte? Já planeja uma viajem para visitar algumas destas escolas do estado de São Paulo?

Obrigada. Sim, fico a imaginar que o número de leitores vai aumentar significativamente. Se receber um convite, naturalmente irei visitar algumas destas escolas. A grande dificuldade é o fato de eu morar no exterior.

8.Estou muuuuito curiosa sobre seus novos projetos. Por favor, você pode me informar sobre eles?

Meu sonho era escrever um livro para cada um dos meus 4 netos. Eles seriam protagonistas das histórias. Este sonho está sendo realizado, uma vez que dois livros já foram publicados pela Editora Mediação de Porto Alegre: “O Mistério da Mesa Arranhada”, que escrevi para o neto Julian e “Vi um Bicho Genial lá no Fundo do Quintal” para a neta Luisa. O terceiro livro, intitulado “O segredo do Francisco”, para o neto de mesmo nome, deverá ser publicado até o final de 2013. Uma vez que não consigo uma editora que se interesse pela obra, estou pensando, novamente, em publicar esta obra de forma independente e vendê-lo pela Amazon, no sistema “print on demand”, que elimina o problema do estoque. As condições para a publicação independente de livros são hoje bem mais fáceis.

Sylvia muito obrigada mesmo pela sua atenção e por disponibilizar seu precioso tempo para nós! Foi encantador saber mais sobre o doce de pessoa que você é! Desejo a você muito sucesso para os seus “novos” projetos porque para os “velhos” você já, merecidamente, já obteve!

Agora, queridos leitores bem rapidinho, vamos clicar em Press Award votacao e no bloco literatura prestigiar nossa querida Sylvia que foi nomeada para receber o prêmio também neste ano!

Mais sobre Ela você encontra aqui  www.sylviaroesch.com

Beijos e lindo fim de semana!