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“Pelos bailes da (alma) vida…”

Sábado, Agosto 6th, 2016

Num turbilhão de pensamentos me veio à cabeça, agora mesmo, o maravilhoso som de nosso grande Milton Nascimento e me percebi aberta para compartilhar algumas sensações, impressões e sentimentos, os quais me arrebataram nos últimos tempos. Faz bastante tempo que não encontro em mim  mesma qualquer motivação para escrever aqui… cansaço, desânimo, falta de tempo. Quando comecei, encurralada por circunstâncias pessoais, uma “quase” que nova formação profissional numa escola alemã, sob um sistema dual, ou seja teoria e prática paralelamente eu não tinha ideia de que estava prestes a medir diariamente minha capacidade intelectual, emocional e física. Eu me sentia tão motivada e não sei exatamente porque não tinha dúvidas de que daria conta do recado. Me sentia forte contra todas as prováveis dificuldades para conciliar todos os desafios em função do idioma, minha idade, minhas responsabilidades de mãe, esposa, dona de casa, amiga, irmã, tia, conhecida, colega. O fato é que estando na reta final do meu curso me sinto de novo empolgada pelas conquistas (bastante áridas) dos dois últimos anos, mas entre um bismestre e outro tive sérias dúvidas se realmente conseguiria ir em frente. Me senti muitas vezes no meu limite. Nesta busca de descanso físico, psíquico e emocional embarquei com a família há algumas semanas para a Ásia. Fomos todos sedentos para a trópica Sri Lanka. Eu só queria colocar as pernas prá cima todos os dias a beira-mar, mas acabei impulsionada à novas aventuras pelo litoral e interior do país. Me admirei pela calma, educação e simpatia daquele povo de pele batida pelo sol, habitantes de uma ilha bem próxima ao Equador. Andando na confusão de pessoas e tráfico senti a convivência pacífica entre indus, cristãos, muçulmanos e budistas, os quais representam a maioria da população. Fui muito bem recebida nos dois templos que visitei, as pessoas me olhavam nos olhos e sorriam prá mim. Me senti um pouco intrusa naquele mundo de flores, incensos e abdicação. Observando a paciência e tolerância das pessoas num trem super lotado (trajeto Kandy – interior/ litoral) me senti envergonhada pela minha boa vida num país europeu, indo prá lá e prá cá no conforto do carro aquecido ou refrigerado e no silêncio daquelas pessoas ressoavam nossas reclamações mesquinhas por nada.

Uma coisa é certa, não voltei descansada das férias, mas contagiada pela beleza da ilha tropical que visitei e sobretudo pelos príncipios das pessoas que habitam esta pequena porção do paraíso.

Por falar em paraíso,  as imagens deslumbrantes do Rio de Janeiro e outras regiões do Brasil que chegam até nós em função dos jogos olímpicos me fizeram perceber que sinto uma saudade danada desta outra porção do paraíso. Ontem, assistindo a festa de abertura dos jogos me  peguei várias vezes com lágrimas nos olhos e como foi bom ouvir Tom Jobim, Jorge Benjor, assistir à espetáculos de luzes, sons, dança, cores, história e criatividade! Independente de Temers, Aércios, Dilmas e Lulas, eu gostaria tanto de sonhar com um Brasil de oportunidades para todas as pessoas de boa vontade! Gostaria também de sonhar com brasileiros  interessados em injetar energia  em causas sociais e não individuais e sobretudo a consientização de que cada um de nós é responsável por um país, um mundo livre de corrupção, pobreza e injustiça

Beijos e

lindo fim de semana!

Impressões do leste

Domingo, Outubro 25th, 2015

ou da Alemanha – aquém do Muro (de Berlim, de mentalidades, tradições e superstições).

No último fim de semana eu estava realmente livre e feliz com a perspectiva de uma semana de férias e uma breve viagem para o leste do país. Meu interesse por àquela parte do país é antiga e eu estava empolgada por, enfim, conhecer um pouco mais da Alemanha lotada de resquícios de quarenta anos de socialismo e isolamento do ocidente. Minha aventura iria desta vez para 245 quilômetros aquém de Berlim. Eu conheceria o coração de Sachen e três de suas principais cidades:  Chemnitz, Dresden e Leipzig.

Minha curiosidade por pentencer por algumas horas à vida, História e cultura da região era enorme e valeu a pena o cansaço da ida através de horas intermináveis de trem, mas por um preço ( promoção) sensacional – 29 Euros para 3 pessoas e o stress da volta dirigindo por quase 5 horas.

Sim, uma sucessão de aventuras, eu vivencie nesta última semana e no momento me sinto cansada e despreparada para voltar amanhã à rotina de trabalho, mas toda nova experiência acrescenta e por isso sempre compensa.

No meu primeiro dia completo em Sachen visitei Chemnitz – o nome novo para a terceira maior cidade do estado, a qual chamava-se antes da reunificação Karl Marx Stadt. O trânsito tranquilo mesmo no centro  foi a primeira surpresa positiva que tive da cidade. Os  prédios quadrados e antigos localizados entre largas vias me jogaram para o passado que já observei muitas vezes em fotos da ex RDA. Achei muito engraçado encontrar ao mesmo tempo a marca principal da cidade – o rosto de Marx esculpido em pedra e um pequeno restaurante turco, onde serve-se, naturalmente, a especialidade  mais popular na Alemanha – o Döner Kebab. Bastante exótico! Não pude deixar de pensar se Marx gostaria de Döner, se tivesse a chance de experimentar o sanduíche turco.

Observei também a discrição mais acentuada dos estrangeiros que transitavam pelas ruas desta cidade. Sente-se um certo peso na atmosfera e pode-se observar certo medo e insegurança nos olhos de pessoas com pele mais escura ou das mulheres envoltas em suas vestes muçulmanas. O que, infelizmente, é compreensível, considerando o grande tema “refugiados” e etc, tão negativamente em pauta no país, cujas manifestações  mais radicais ocorrem justamente na cidade que visitei no dia seguinte – Dresden.

Como principal adjetivo para Dresden penso no termo: Fascinação! Muita História, arte, cultura e beleza em muitas esquinas! Para a minha alegria, meu dia em Dresden foi fantástico e embriagente de beleza e harmonia entre culturas, arquiteturas, passado e presente.

A terceira cidade que planejei visitei pelo seu peso histórico foi Leipizig. Para não perder tempo fui passear de ônibus através da cidade, com as crianças, outros turistas e um guia muito simpático e bem informado, o qual nos mostrou muitos cantos da cidade e nos contou muitas histórias atrás das fachadas de prédios, vilas e apartamentos que compõem o grande centro da cidade, a qual tem, segundo o guia, um número maior de habitantes do que a capital do estado – Dresden.

No meu último dia de leste estive novamente no centro histórico mais efervecente do país – Berlim. Queria muito contagiar minhas filhas com a História do próprio país. Não sei ainda se tive algum sucesso…

Hoje, de volta para o aconhego de casa e as preocupações com a volta ao trabalho, concluo que estive poucas horas no leste para tantas informações e impressões. Preciso voltar num dia destes…

Beijos e uma semana

sensacional para vocês, para todos nós!

Ps. Fotos, talvez amanhã ou depois…

Índia sob nova ótica

Terça-feira, Julho 26th, 2011

Respeitar o que é "diferente" representa um tremendo desafio.

Respeitar o que é "diferente" - representa um tremendo desafio.

Na tarde cinza e chuvosa, me encontro por algumas horas só. As criancas estao ocupadas em brincar, Jörg apesar das férias está entusiasmo por terminar a sua última obra – sua oficina. Estava pensando em como vivemos uma semana triste. O ataque de terror em Oslo, a morte de Emy Winehouse, a fome e a seca em vários países da costa leste da África. É revoltante a sensacao de impotência que sinto frente a tantos acontecimentos trágicos que nos circundam. Por isto resolvi publicar algo bem diferente. Resolvi que compartilharia a possibilidade de viajarmos para a Índia ao lermos as experiências de viagem de uma pessoa muito querida – Apparecida Zaroni –  e que me proporcionou o prazer e a licenca de publicar aqui as suas impressoes mais pessoais sobre este país quando o visitou. A descricao de sua viagem é fantástica e me ajudou muito a quebrar outros tabus.

“Vivendo a Índia em minha viagem

Dizer para alguém que você vai fazer uma viagem à Índia desperta reações adversas: há os que aprovam e aplaudem; há os que estranham e se escandalizam com sua decisão.

Uma coisa é certa: ninguém fica indiferente à sua comunicação.

Só por isto já se vê que a Índia desperta no imaginário das pessoas uma repulsa ou atração, muitas das vezes sem nenhum fundamento. Todos, sem exceção sabem de algo, ouviram contar uma história, formaram uma impressão a priori e como aquele país/continente é  mágico e cheio de mistérios, a expectativa se instala.

Foi cheia de expectativa que, em início de janeiro, com um grupo de amigos liderado por um indiano, rumei via África do Sul para um passeio à  Índia.

No primeiro dia, não nego, assustei-me. O trânsito caótico, a multidão na passarela da mesquita de Haji Ali que me deixou meio perdida, o cheiro forte  exalado do mar naquele lugar estranho,  o grande número de mendigos, muitos mutilados na passarela e o gosto do alimento, tão diferente de nosso costumeiro arroz com feijão, provocaram em mim  o famoso choque cultural.

A cada dia sempre aparecia algo de inédito: suntuosos templos, cavernas misteriosas, fortes enormes, mesquitas, manada de búfalos em meio ao trânsito, mercados movimentados, vacas solitárias pelas ruas, camelos puxando carroças, caminhões coloridos e enfeitados, festas animadas de casamento, vendedores ambulantes com mercadorias  de preço accessível.

À medida que os dias foram se passando, quase sem aperceber-me, fui   me apaixonando pela Índia, por seu povo com seu olhar penetrante, sua hospitalidade, sua cultura,  sua arquitetura, seus templos e monumentos milenares.

Tomar o masala  chai  (chá com mistura de especiarias e ervas aromáticas) após as refeições, comer  biryani  e  pulau ( tipos de arroz com  misturas) saborear o  puri, o chapatis ou o naan  (espécies de pão) ou  o pastel somoza foi se tornando rotineiro e agora, à distância,  chego a sentir  saudade daquele gosto.

A viagem  no avião da South África, com escala em Joannesburgo (África do Sul) tanto na ida como na volta foi a maior dificuldade que enfrentamos não só pela distância como pelo desconforto de suas instalações, na classe econômica.

Dos  meios de transporte que usamos, destaco  a liteira , carregada que fui por quatro homens na entrada da ilha,  quando do acesso à caverna de  Elefhanta (Mumbai); o riquixá que usamos  quando chegamos ao Taj Mahal (Agra); o auto riquixá – o popular ‘tuc- tuc”  que várias vezes nos transportou  pela cidade de Bubhaneswar e o elefante todo enfeitado e pintado que nos levou até o Forte Amber, na cidade de Jaipur.

As emoções mais fortes foram desencadeadas quando:
– da visita  à casa de Ghandi;

– do atravessar o Portal da Índia;

– do sentir um pouco os ensinamentos budistas nas cavernas Kanheri, em MUMBAI;

– do extasiar com a beleza do hall de entrada do Hotel Ramada Plaza, onde  nos hospedamos em Delhi;

– do convite à interiorização, no templo Lótus e quando do percorrer  embevecidos as alas do templo Akshardham,  também em DELHI;

– da visita ao monumento símbolo do culto ao AMOR – o indescritível Taj Mahal, em AGRA;

– de elefante, chegamos ao Forte Amber;

– apreciamos o Palácio Hawa Mahal- o palácio das janelas, em JAIPUR;

– das minhas andanças, sozinha, pelas ruas de BUBHANESWAR;

– vimos crematório público em plenas funções na cidade de PURI;

– fizemos a massagem ayurvédica que ativou nossa circulação, ao mesmo tempo que relaxou nossos  tensos músculos após tantas andanças  no micro ônibus que  seguramente nos transportava pelas ruas e estradas indianas.

Na Índia, sons, cheiros, cores, sabores, movimento de vida, velocidade do tempo têm  uma originalidade e uma característica especial. Se tudo é difícil de entender  pela originalidade e pelo ineditismo, mais difícil torna-se  explicar.

A Índia dos contrastes nos leva  a indagações sem respostas claras, mas  não deixa de ser um enigma difícil de entender:

Por que tanta  gente pobre  em meio a um PIB crescente?
Por que tanta desurbanização frente  a uma tecnologia avançada?
Por que tantos desabrigados ante a suntuosidade de prédios recentemente construídos?

A India dos contrastes nos deixa uma imagem misto de sonho e realidade como a:

  • da jovem de sari rosa pink  bordado de pedrarias brilhantes alimentando vacas num curral lamacento de barro preto que vimos  da janela do ônibus;
  • do festival de pipa, em Jaipur,  colorindo o céu (os soltadores   calmamente estavam posicionados sobre as lajes do casario) e nas ruas, o trânsito caótico;
  • de homens mijando pelo chão dos caminhos, enquanto no ar pairava   um misticismo  e um mistério enigmáticos.

A Índia dos contrastes provoca-nos muitas exclamações, muitos questionamentos, porém mais de que tudo  isto, um mundo de reflexões.

A experiência de visitar terras do oriente foi  para mim, como ocorre em todas as viagens,  intransferível e despertou o desejo de  voltar outra vez ao país misterioso.

Vamos?”

Apparecida Zaroni (fevereiro 2011)

Beijos.