Posts Tagged ‘integracao’

Totalmente demais!

Sexta-feira, Novembro 5th, 2010

Comemorar é necessário!

Nao sei já há quantos anos eu ouvi uma música, cujo título eu nao sei mais. Quem cantava ou ainda canta… nao tenho a mínima ideia… mas o refrao desta música, o qual intitula o meu post, ocupa agora a minha cabeca, pois traduz um pouquinho dos meus sentimentos.

Depois de uma semana bastante tumultuada e cheia de altos e baixos, na sexta-feira ou seja hoje, eu estaria envolvida em mais uma atividade na escola das minhas filhas. Para hoje a minha funcao era completamente diferente da última que vivenciei há alguns dias atrás, na qual as criancas estudaram as leis de trânsito em real situacao de tráfego. Hoje a manha na escola era de educacao artística. O pátio da escola que foi reformado, incrementado com novos equipamentos  e deveria hoje receber um toque de cor e arte. Como eu nao estava inspirada a criar nada, me prontifiquei a cozinhar, melhor, ajudar na cozinha! Eu fiquei surpresa, para nao dizer pasma quando fui informada pela diretora que eu cozinharia para a escola completa! A diretora me instruiu a simplesmente levar a nota fiscal das compras para ela, mas quanto comprar? quanto cozinhar? Haveria utensílios e equipamentos suficientes? Ela me disse com um sorriso no rosto: temos sim um fogao a ser utilizado, mas com relacao as outras questoes, ela nao me informou sobre nada… me disse que também nao sabia. Eu pensei comigo mesma: “de novo… onde você foi amarrar o seu burro”?

No dia seguinte eu telefonei para uma das  representantes de pais, na esperanca de obter mais informacoes… eu só fui informada que ela cozinharia também, porém sopa de lentilhas, enquanto que eu havia  planejado cozinhar Spaghetti à bolonhesa, já que sei que este é um dos pratos preferidos das criancas. Ela me ajudou na decisao de nao cozinhar Spaghetti pela dificuldade que as criancas têm para enrolar o macarrao no garfo. Eu optei por outro tipo de macarrao. As perguntas em sua maioria, no entanto, estavam ainda em aberto: quanto comprar? quanto cozinhar? onde cozinhar?

Eu estava determinada que cozinharia à brasileira, ou seja, com alho  e tudo o mais. Cheia de inseguranca fui às comprar ontem e emprestei umas panelas enormes de duas grandes amigas para enfrentar a manha de hoje – uma incógnita!

Bem, agora sao quase cinco horas e estou feliz da vida porque o meu desafio culinário foi um sucesso! Recebi a ajuda de algumas criancas lindas para descascar e picar os tomates, assim como ralar o queijo. O tempero de alho e sal já levei pronto daqui de casa e a quantidade (?!) – cozinhei três porcoes extras de macarrao porque 99% das criancas queriam comer a minha comida e nao sopa de lentilhas. Na última vez que eu cozinhava macarrao as criancas esperavam na fila para repeitir a porcao e enquanto esperávamos brincamos de “passar anel”. Eu  tenho que escrever: foi uma  experiência linda! Também foi fantástico ver os olhinhos da Laura e da Vic brilhando de orgulho ao verem o sucesso do meu macarrao. Tenho que registrar ainda que a surpresa dos professores e das outras maes com a aceitacao absoluta do meu cardápio foi uma sensacao maravilhosa! Viva a “integracao”!

Beijos e lindo fim de semana!

Kinderferienaktion – Ação de férias de/para crianças:

Terça-feira, Julho 6th, 2010

Esta é a primeira semana de férias de verão das crianças do nosso estado, Rheinland-Pfalz (Renânia Palatinado). Nestes primeiros dias temos por aqui uma ação de férias coordenada pelo munícipio e que já se tornou  tradição. Mais de trezentas crianças se espalham em diferentes grupos. Numa segunda fase, cada grupo decide em qual tema vai ser  trabalhado com as crianças, a partir de uma ideia central. Esta ação eu conheco há anos, pois Laura participa da mesma desde que estava para fazer seis anos. Neste ano, no entanto, temos duas grandes  novidades. A primeira é que Vic também está participando, já que vai fazer seis anos no fim de agosto e a segunda é que eu  estou, neste ano, não me limitando apenas a levar e buscar minhas crianças para as atividades diárias, mas sim ajudando todas as crianças do nosso grupo na execução destas atividades, na posição de “Betreuerin” – àquela que cuida, que toma conta, que faz compainha.

Hoje foi o segundo dia de trabalho e eu tive oportunidade de vivenciar experiências muito interessantes, porém duas situações me levaram a escrever este post. A primeira não muito importante, apenas ridícula: duas mães disputando a liderança do grupo.

A segunda, dramática: uma média de setenta pessoas, do nosso grupo, incluindo adultos e crianças ignoraram em nosso meio a presença constante, de uma mãe e suas duas crianças…

Nós estávamos começando a pregar as tábuas do nosso “castelo”, já que o tema do nosso grupo é “Idade Média”. Eu própria estava tentando me integrar ao meu grupo e incorpar a minha nova função. Porém a minha maior preocupação era promover um ambiente agradável para Vic, já que tudo era novidade para ela. No meio do caos que é normal neste tipo de atividade, não sei bem quanto tempo demorei para reparar naquela mãe, de estatura média baixa e com a pele bem morena e suas duas crianças… os três observavam o caos e eu vi em suas fisionomias que queriam muito fazer parte daquele caos, mas não sabiam absolutamente o que poderiam fazer para tanto…

A princípio, eu não dei muita atencao à eles, como todos os outros membros do grupo, mas como passava o tempo e ninguém se movimentava um milímetro na direção deles, eu não pude mais ignorar a presença dos três e fui perguntar se eles já estavam “matriculados” no grupo. Sim, as crianças estavam, mas a mãe não e ela  estava decidida a ficar, pois tinha que cuidar do filho que ainda não tem seis anos – oficialmente a idade mínima para participação, porém com cinco já se obtem bandeira branca depois de uma conversa. Eu expliquei então para ela que deveria também se “matricular” e pedir os quarenta euros de volta, pois quando se exerce o papel de “ajudante” os filhos não precisam pagar.

Eu não sei se ela pediu o dinheiro de volta, mas eu sei que lá os três ficaram o dia completo. Em vários momentos eu os acompanhei em algumas atividades,  mas observei que nenhum outro membro do grupo procurou envolvê-los em qualquer atividade que fosse… eles foram praticamente ignorados! Eu achei muito triste! No fim da tarde já em casa quando fazíamos os comentários do dia, Laura me peguntou porque eu conversava com a”mulher preta”, mesmo sem conhecê-la… eu deixei muito claro que eu não estava lá para atender somente as pessoas que eu conheço e que eu senti muito o isolamento dos três, pois estava óbvio que eles eram “só estrangeiros escuros e desconhecidos”! Agora só o que vem a minha cabeca é a palavra “integração”, que está tão frequentemente na boca dos políticos, pois é politicamente correta, porém o quanto longe está o discurso da realidade eu pude hoje vivenciar de muito perto… já senti na pele o descaso de muitas pessoas comigo, assim que notaram o meu sotaque, mas hoje chegou a doer a rejeicao àquela mãe e àquelas duas criancinhas que para mim tiveram muito mais coragem e merecem mais o meu respeito que as duas mães na disputa imbecil por quem tinha a ideia mais criativa e prática para a vestimenta das “princesas” e dos “cavalheiros” do “nosso” pequeno “reino medieval”…

O mais contraditório é que a seleção de futebol que anda arrancando aplausos, sorrisos e suspiros de orgulho nacional é composta na sua grande maioria por estrangeiros (!).

Beijos e ótima semana para você!