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Sementes da Primavera em Munique

Segunda-feira, Julho 15th, 2013

Série: Entrevistas

Parte II

Destino Mundo: novas perspectivas, novos desafios para e por Jacilene Brataas

Numa destas lindas e raras tardes de sol, onde posso sentar-me sem culpa e frio na sacada do meu apartamento, sinto-me inspirada e motivada a compartilhar com vocês algo do trabalho e das experiências de vida de uma Autora Brasileira cuja simpatia nos proporciona uma sensação de bem-estar e bastante conforto quando estamos próximos a Ela: seu nome é Jacilene Brataas.

Me deparei com Jacilene já no corredor da ante-sala da “Einewelthaus”, onde nos Encontramos em Maio na Primavera de Munique. Me sentindo meio apressada, perdida e ansiosa pela expectativa do Evento que estava prestes a começar, observei – ao terminar de subir os degraus que me levavam ao segundo andar da Casa -uma linda Mulher, sentada confortavelmente à mesinha de espera. Notei que Ela se vestia elegantemente e tinha um corte de cabelo que lhe caia perfeitamente, pois deixava sobressair seus traços finos e seu sorriso contagiante. De qualquer forma sua recepção expontânea me permitiu rápido sentir-me em casa, embora soubesse que Ela não era a dona da casa, mas assim como eu também uma hóspede. A verdade é que não me importei com este detalhe e fui tratando de enterar-me de sua conversa e contagiar-me por sua paz.

Este foi meu primeiro contato com Jacilene Brataas. Um feliz começo para outras trocas de experiências e energias positivas – outro marco do I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera.

Fiquei muito feliz por Jacilene ter aceito meu convite para expor seus pontos-de-vistas e algo do seu trabalho aqui no meu espaço e espero muito que vocês sintam tanto prazer em conhecê-la (ao menos virtualmente) quanto eu tive ao conhecê-la pessoalmente e posteriormente ouvi-la falando sobre os desafios que enfrentou ao optar pela condição de “Cidadã-do-Mundo”.

Agora exlusivamente aqui algo mais de Jacilene pela própria Jacilene-confira suas respostas para os meus questionamentos e intere-se sobre suas experiências e projetos:

1.Querida Jacilene é um grande prazer para mim publicar esta nossa “conversa” sobre seu trabalho no meu blog!

Em primeiro lugar eu gostaria de saber quando você ouviu falar do “Projeto Adote um Autor” e como foi sua experiência de adoção.

Eu fui informada sobre o projeto através da Alexandra Zeiner e tive a melhor experiência que uma pessoa poderia ter. A pessoa que nos acolheu – Sra. Severina Föll foi de um carinho e atenção que fez da experiência uma bela lembrança, assim como o evento literário em si.

2.Como sabemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, a DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Você pode imaginar esta “experiência” em outros estados ou países? Você trabalha junto a alguma associação no país ou região onde você vive atualmente?

Vejo como uma experiência muito enriquecedora, e porque não dizer prática, já que reduz os gastos dos escritores em participações a eventos literários. Especialmente quando incluem viagens para o exterior. E um intercâmbio cultural maravilhoso! Sim, vejo absolutamente algo que podemos apresentar em todos os lugares possíveis. Inclusive minha região, embora a maior concentração de brasileiros seja em Oslo. Eu trabalho junto a uma associação do norte da Noruega chamada Associação Brasileira de Tromsoe.

3.Por favor, nos fale um pouco sobre sua experiência com o público norueguês. Considerando que há anos você vive  neste país escandinavo, você se considera uma norueguesa?

Me considero bem integrada, realizada e aceita aqui, embora nunca venha a me sentir escandinava. Nunca serei vista pelos escandinavos tampouco como escandinava. Como emigrante temos que tentar nos integrar a cultura onde vivemos, sem assimilá-la. Ou seja, integrar-nos sem perder nossa identidade. Processo nem sempre fácil. Tenho encontrado pessoas muito boas aqui. As preconceituosas estão sempre presentes também. Mas vejo isso como uma característica do ser humano. Temos todos preconceitos. Eles são simplesmente diferentes. Mas com um pouco de compreensão e tolerância, podemos viver melhor.

4.E sobre sua relação com o Brasil, como está depois de tantos anos de “Estrada”?

Minha relação com o Brasil é de uma brasileira que ama seu país, mas com visão um tanto racional também. Vejo os lados bons e ruins de meu país, apreciando o que há de bom, sem exagerar no nacionalismo.

5.Agora, uma curiosidade minha: você se considera realmente uma Cidadã do Mundo?

Sim, me sinto completamente cidadã do mundo. Vivo aqui agora, mas posso ir para outro país sem problemas, mas não desejo mais morar em um país onde tenha que aprender o idioma. Este é um processo que exige enormemente de um ser humano. Uma coisa é aprender um idioma pela diversão. Outra é se sentir obrigado a aprendê-lo para não se sentir excluída de uma sociedade.

6.Por favor, nos revele como foi o “processo de publicação” do seu primeiro livro:

Achei difícil por não saber por onde começar. Não ter tido uma boa equipe na edição do primeiro livro foi também um problema. E o alto custo para se editar uma obra e dificuldade de encontrar canais de divulgação para a mesma também foi um trabalho enorme. Ou seja, foi desgastante, tenho que admitir.

7.Qual é o seu maior desafio atualmente?

Encontrar editoras interessadas em editar minhas obras.

Concluindo só posso agradecer você – querida Jacilene por sua atenção e por disponibilizar seu precioso tempo para nos permitir conhecer algo mais de você e de seus projetos. Foi um grande prazer, de certa forma, reencontrá-la!

Abaixo  você encontra outras informações preciosas sobre os trabalhos da Escritora Jacilene Brataas:

Link REBRA – Rede de Escritoras Brasileiras

Aqui Sua página pessoal

Beijos.

Novas experiências na bagagem…

Terça-feira, Maio 7th, 2013

À vida! Aos desafios em todas as suas dimensões e extrapolações!

e o prazer que tive de ter conhecido muitas pessoas interessantes, verdadeiras, solidárias, além de poder, pelo menos por algumas horas pertencer à maravihosa cidade de Munique.  Estou sim impressionada positivamente quando penso em um saldo conclusivo para a minha viajem do último fim de semana. Aceitar o convite para participar do I Encontro de Escritores (desconhecidos) Brasileiros em Munique foi uma  das minhas muitas atitudes impensadas, porém sentidas. Pressenti muito claro lá por dentro de mim que eu precisa ir, mesmo sem grandes ilusões com a mídia ou alguma grande ressonância.

Foi muito difícil para mim deixar minhas filhas por aqui “semi-abandonadas” e cair na estrada “meio que de carona” com o Rubens para chegar no coraςão de uma cidade grande e desconhecida com o objetivo de me encontrar com outras pessoas, sobre as quais eu sabia apenas que tinham alguma ligação com o Brasil e se interessavam loucamente por livros, assim como eu.

A semana  anterior à minha escapada da pequena e aconchegante Mermuth foi “quase desesperadora” com os preparativos da viajem, todo o trabalho extra em casa para tentar deixar tudo em ordem para os meus três e executar com serenidade e bem todas as outras minhas atividades normais da semana. Logicamente que tudo parecia “dar errado”, ainda mais que, como de praxe, meu princípe reinventa novas e audociosas atividades quando eu tenho algo de importante e fora da rotina – previsto na agenda. Assim, poucas horas antes de viajar eu estava no jardim participando ativamente na limpeza de uma pequena máquina para revolver gramado, a qual deveria ser entregue no dia seguinte (limpa) e estava praticamente atolada em barro. O cansaςo, o frio do sereno e a impotência que senti enquanto pensava que já eram quase dez da noite,  não tinha minha bagagem pronta ou tomado sequer uma ducha e deveria  sair da cama no outro dia as 5 da manhã quase me fizeram desistir da aventura de ir para o sul. No entanto mesmo desanimada e descabelada, cheia de saudade antecipada de Laura e Vic levantei a cabeça e me preparei física, psicológica e espiritualmente para assumir o meu compromisso na Baviera.

Antes da viajem propriamente tudo parecia de novo “dar errado”, não sabíamos como chegaríamos ao nosso destino final, pois o GPS do Rubens não queria nos atender a princípio, mas sem desespero e drama – uma das qualidades do “temperamento” brasileiro – lá fomos na direção dos Alpes Bávaros, bem acompanhados pela Jandi – simpatia de carioca!

Tudo então passou a dar certo! Me surpreendi positivamente ao conhecer outros brasileiros que apesar do cansaço de viagens de carro, ônibus, trem ou avião não demonstraram nenhum sinal de desconforto e sorriam bem humorados uns para outros e iam se apresentando sem qualquer formalidade ou reserva.

As horas que passamos juntos foram muito agradáveis e de trocas de experiências mais do que enriquecedoras! Estou muito feliz por ter tido a chance de ouvir tantas histórias de vida surpreendentes e destinos manejados com grande sabedoria! Além de conhecer obras literárias ou não muito especiais, criativas e tocantes!

Rosanna - um amor de diretora para um amor de Projeto

Nestes momentos especiais eu tive a oportunidade de conhecer os autores: Alexandra Magalhães Zeiner, Eliana Keen, Evandro Raiz Ribeiro, Jacilene Brataas, Karina Martinelli, Lúcia Amélia Brüllhardt, Mara de Freitas Herrmann, Marcia Mar, Maria Cristina Schulze-Hofer, Sérgio Poeta-Beija-Flor, Sylvia Roesch, Roseni Kurányi, Zé do Rock, a cantora/compositora Valéria Dennin e algo mais sobre a obra do Rubens dos Santos.

Foi também muito prazeroso conhecer as pessoas que nos apoiaram muito como Rosanna – diretora do DBKV e todos os seus representantes, assim como a Vanessa e todas as pessoas que nos prestigiaram com uma visita, um sorriso, uma palavra, uma aperto de mão ou um olhar curioso.

A delícia do evento foi, de forma especial para mim, coroada por um passeio expontâneo pela cidade de Munique muito bem acompanhada pela Rosanna e seu marido, os quais gentilmente me mostraram pontos fantásticos de uma cidade, a qual apesar do seu tamanho consegue ser aconhegante para seus visitantes.

Bem, com tudo isso só me restou brindar com uma ótima cerveja Bávara ao nosso Encontro, à literatura, à arte em suas tantas dimensões, às pessoas, à vida!

Para terminar um fim de semana perfeito só me faltava encontrar um marido de bom humor em casa… Mas claro, nem tudo é perfeito!

Beijos e linda semana!