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Não era Primeiro de Abril

Domingo, Junho 9th, 2013

O Diário de uma Ex-paciente.

Um título para um livro, um tema em homenagem à vida! Nada mais que o trabalho de uma jovem pessoa, uma jovem profissional, um anjo jovem – Karina Martinelli.

Que privilégio poder ter conhecido Karina em Munique! Ela me surpreendeu realmente com sua leveza nos atos e seu sorriso estupendo! Eu, de certa forma já a conhecia, pois trocamos antes do nosso Encontro muitas mensagens, recados, impressões, mas ao vê-la pessoalmente correndo pelos corredores da “Einewelthaus”me deparei com uma mocinha cheia de entusiasmo pelas pessoas e pela vida.

No entanto, minha surpresa maior ainda estava por vir! Eu estava curiosa para conhecer o trabalho literário de Karina e na primeira oportunidade pedi à Ela para mostrar-me seu livro. Quase imediatamente ele estava em minhas mãos. Um lindo exemplar do Não era Primeiro de Abril. Ao ler este título eu pensei que talvez se tratasse de um romance ou crime. No entanto concentrando-me no seu subtítulo: O Diário de Uma Ex-Paciente, imaginei algo biográfico.

Apenas não pude acreditar que este livro tratava-se de uma experiência muito impressionante na vida da própria Karina e sua travessia da morte para a vida quando, com  apenas vinte e cinco anos, deparou-se com o câncer.  A  forma como Ela se relacionou com seu  tumor me tocou de tal forma que eu não poderia deixar de compartilhar com vocês este trabalho de Karina – um livro que deveria ser lido por todos, pois refere-se à uma lição de extrema coragem e respeito perante à vida, à morte, às pessoas.

Abaixo transcrevo algo de uma das muitas passagens exepcionais do Não era Primeiro de Abril:

Meus

I

Andei por tantos lugares.

Em tempos diferentes.

Fui Otelo, Eurípedes.

Dionísio, Ícaro.

Brinquei de Manuel Bandeira.

Virei Fernando Pessoa.

Transformei-me em Kafka.

Busquei Hesse.

Tropecei em Drummond.

Ri com Stanislaw.

Chorei Pessoa.

Celebrei Ubaldo.

Priorizei-me a Sartre.

Descobri Veríssimo.

Cobri Ubaldo.

Fugi de Lord Byron.

Corri de Camilo Castelo Branco.

Entorpeci-me de Castro Alves.

Procurei Eça de Queiroz.

Perdi-me em Camões.

Encontrei Jostein Gaardner.

Adorei Moore.

Fiz-me Assis.

Emergi Lispector.

Apaixonei-me por Vinícius.

Entreguei-me a Chico.

Rendi-me a Reis.

Devorei Rita.

Amei Anas e Adrianas.

Quis Peter.

Desejei Tom.

Prometi Cazuza.

II

Fui Equilibrista e desequilibrada.

Perdi minhas asas, ganhei novas.

Corri mais que o vento.

E fiquei imóvel descalςa sobre as brasas.

Cai de penhascos, cavei abismos e me joguei na vida.

Fui heroína, princesa, dama.

A mais feia da corte, a mais bela da taverna.

Salvei o vilão e vinguei o mocinho.

Lutei em guerras.

Joguei fora as rosas.

Funcionei em disritmia.

Virei bandoleira com caraςão cigano.

Conquistei me corpo.

Fui índio, planta e criança perdida.

Fui maior abandonada.

Voltei da Terra do Nunca.

Tornei-me bedel, juiz.

FELIZ.

Fui porta estandarte, pierrô e alecrim.

Fui sempre de mim.

Perdoei, pequei.

Teci retalhos em forma de retratos.

Fui viajante e poeta.

Ardi em terror e amor.

Ignorei a correria da cidade

encarei a mortalidade.

Lutei com leões.

Fugi de prisões.

Toquei piano e violão.

Dancei sapateado e balé.

Pintei, bordei, criei.

Fiz samba e amor até mais tarde.

III

Sou sonhadora.

Sou malandro.

Achei meu jeito e amar.

Mas não parei de procurar.

Vou continuar.

Vou amar, vou sonhar, vou sofrer, vou chorar.

Vou fingir, vou atuar, vou intensificar, vou priorizar.

Só não vou mais esperar.

Obrigada querida Karina por estar conosco!

Beijos

Ps.: Contato com a autora Karina Martinelli através da Editora in house



Novas experiências na bagagem…

Terça-feira, Maio 7th, 2013

À vida! Aos desafios em todas as suas dimensões e extrapolações!

e o prazer que tive de ter conhecido muitas pessoas interessantes, verdadeiras, solidárias, além de poder, pelo menos por algumas horas pertencer à maravihosa cidade de Munique.  Estou sim impressionada positivamente quando penso em um saldo conclusivo para a minha viajem do último fim de semana. Aceitar o convite para participar do I Encontro de Escritores (desconhecidos) Brasileiros em Munique foi uma  das minhas muitas atitudes impensadas, porém sentidas. Pressenti muito claro lá por dentro de mim que eu precisa ir, mesmo sem grandes ilusões com a mídia ou alguma grande ressonância.

Foi muito difícil para mim deixar minhas filhas por aqui “semi-abandonadas” e cair na estrada “meio que de carona” com o Rubens para chegar no coraςão de uma cidade grande e desconhecida com o objetivo de me encontrar com outras pessoas, sobre as quais eu sabia apenas que tinham alguma ligação com o Brasil e se interessavam loucamente por livros, assim como eu.

A semana  anterior à minha escapada da pequena e aconchegante Mermuth foi “quase desesperadora” com os preparativos da viajem, todo o trabalho extra em casa para tentar deixar tudo em ordem para os meus três e executar com serenidade e bem todas as outras minhas atividades normais da semana. Logicamente que tudo parecia “dar errado”, ainda mais que, como de praxe, meu princípe reinventa novas e audociosas atividades quando eu tenho algo de importante e fora da rotina – previsto na agenda. Assim, poucas horas antes de viajar eu estava no jardim participando ativamente na limpeza de uma pequena máquina para revolver gramado, a qual deveria ser entregue no dia seguinte (limpa) e estava praticamente atolada em barro. O cansaςo, o frio do sereno e a impotência que senti enquanto pensava que já eram quase dez da noite,  não tinha minha bagagem pronta ou tomado sequer uma ducha e deveria  sair da cama no outro dia as 5 da manhã quase me fizeram desistir da aventura de ir para o sul. No entanto mesmo desanimada e descabelada, cheia de saudade antecipada de Laura e Vic levantei a cabeça e me preparei física, psicológica e espiritualmente para assumir o meu compromisso na Baviera.

Antes da viajem propriamente tudo parecia de novo “dar errado”, não sabíamos como chegaríamos ao nosso destino final, pois o GPS do Rubens não queria nos atender a princípio, mas sem desespero e drama – uma das qualidades do “temperamento” brasileiro – lá fomos na direção dos Alpes Bávaros, bem acompanhados pela Jandi – simpatia de carioca!

Tudo então passou a dar certo! Me surpreendi positivamente ao conhecer outros brasileiros que apesar do cansaço de viagens de carro, ônibus, trem ou avião não demonstraram nenhum sinal de desconforto e sorriam bem humorados uns para outros e iam se apresentando sem qualquer formalidade ou reserva.

As horas que passamos juntos foram muito agradáveis e de trocas de experiências mais do que enriquecedoras! Estou muito feliz por ter tido a chance de ouvir tantas histórias de vida surpreendentes e destinos manejados com grande sabedoria! Além de conhecer obras literárias ou não muito especiais, criativas e tocantes!

Rosanna - um amor de diretora para um amor de Projeto

Nestes momentos especiais eu tive a oportunidade de conhecer os autores: Alexandra Magalhães Zeiner, Eliana Keen, Evandro Raiz Ribeiro, Jacilene Brataas, Karina Martinelli, Lúcia Amélia Brüllhardt, Mara de Freitas Herrmann, Marcia Mar, Maria Cristina Schulze-Hofer, Sérgio Poeta-Beija-Flor, Sylvia Roesch, Roseni Kurányi, Zé do Rock, a cantora/compositora Valéria Dennin e algo mais sobre a obra do Rubens dos Santos.

Foi também muito prazeroso conhecer as pessoas que nos apoiaram muito como Rosanna – diretora do DBKV e todos os seus representantes, assim como a Vanessa e todas as pessoas que nos prestigiaram com uma visita, um sorriso, uma palavra, uma aperto de mão ou um olhar curioso.

A delícia do evento foi, de forma especial para mim, coroada por um passeio expontâneo pela cidade de Munique muito bem acompanhada pela Rosanna e seu marido, os quais gentilmente me mostraram pontos fantásticos de uma cidade, a qual apesar do seu tamanho consegue ser aconhegante para seus visitantes.

Bem, com tudo isso só me restou brindar com uma ótima cerveja Bávara ao nosso Encontro, à literatura, à arte em suas tantas dimensões, às pessoas, à vida!

Para terminar um fim de semana perfeito só me faltava encontrar um marido de bom humor em casa… Mas claro, nem tudo é perfeito!

Beijos e linda semana!