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A música do futuro

Quinta-feira, Fevereiro 17th, 2011

Com esperança...

Aliás, acrescentando: a boa música do futuro, a qual não se trata de qualquer popstar ou banda. A música mais encantadora do futuro, ao menos para mim e para as pessoas que gostam dos pequenos, será o barulho das crianςas – o claro indício de vida, movimento, alegria pura e absolutamente desinteressada. Eu cresci com esta música, pois a casa dos meus pais era muito bem frequentada pelos netos, amigos dos netos  e vizinhos. Quando eu era adolescente, algumas vezes ficava brava pelo caos que predominava na nossa casa pela invasão dos meus sobrinhos menores, mas mesmo assim eu sempre gostei da presença deles no nosso círculo. Poucos anos depois fui trabalhar com crianças e adolescentes e para mim sempre representou um desafio poder olhar direto nos olhos das criancas e dos bebês, eles são absolutamente sinceros e se e o quanto eles te aceitam, gostam de você se sente de uma forma muito rápida e clara.

Quando eu cheguei na Alemanha era outono e o inverno chegou muito rápido. Com ele também minhas aulas de alemão em Koblenz. Eu saia de casa no escuro e voltava no escuro, não via ninguém nas ruas, não encontrava as crianças jogando futebol nos jardins ou brincando nas ruas. As cidades e  vilas eram envoltas num silêncio triste. Eu encontrava somente crianças desconhecidas nos pontos de ônibus e, infelizmente, eu não podia conversar com elas, pois o meu vocabulário, naquele tempo era muito mais pobre que o atual. Eu me limitava a observá-las nas suas preocupações com os trabalhos de classe que teriam que enfrentar daí a poucos minutos. Elas estudavam também no ônibus a caminho da escola.

Quando chegou a primavera, com mais luz eu pude ver com mais frequência as crianças nas ruas com suas bicicletas, rollers ou patins – eu fiquei muito feliz por saber que as cidades/vilas tinham sim mais luz, energia e crianças que brincavam nos parques ou simplesmente passeavam pelas ruas.

Tempos depois, quando eu comecei a entender melhor o idioma e ter interesse pelas notícias de rádio e TV, passei a ouvir vez ou outra uma notícia de cidadaos que moviam “processos contra barulho de crianças”. Eu não podia acreditar nos meus ouvidos e pensava estar entendendo errado a informação. Com o passar do tempo eu percebi que, infelizmente, era normal sim por aqui – o desenrolar de processos contra o barulho de crianças! Grupos de moradores que se reunem para impedir a existência/construção  de escolas nos bairros residenciais, grupos de moradores que exigem que as crianças em suas escolinhas brinquem somente dentro das paredes das instituições, grupos de moradores que exigem o fechamento de escolinhas que se localizam na vizinhança. Eu fiquei chocada a cada reportagem que vi sobre o assunto. Por isso me alegrei muito ontem quando ouvi a boa notícia de que “processos contra o barulho de crianças” terão cada vez menos chance de terem sucesso”. Está, segundo novas leis, praticamente impossível para moradores impedirem a construção de novas escolas em áreas residenciais, assim como a exigência de que escolas funcionem em lugares distantes aos endereços residenciais. Com isto uma parcela da classe política pretende mudar a imagem desta sociedade – para “uma sociedade amiga das crianças”. Para mim não importa o “chavão”, importa sim  a necessidade de muitos adultos respeitarem o direito das crianças de serem elas mesmas, que possam manisfestar seus sentimentos de tristeza ou alegria, onde quer que estejam – sem se depararem constantemente com “caras feias/repreensivas”.

A propósito, apesar de todos os direitos assegurados inclusive pela ONU, as crianças precisam de mais cuidados por parte da população adulta. É muito revoltante ouvir e ler a explosão de escândalos que envolvem o abuso de crianças. Como se já nao bastasse por pessoas estranhas, também por pessoas do próprio círculo familiar, de “amigos”, vizinhos e até mesmo por pessoas de instituições como a igreja. Onde estamos? Onde vivemos? Até que ponto chega o cinismo de certos adultos que se mostram chefes de família? Chefes de instituições? Eles sim deveriam estar trancafiados para sempre  em quatro paredes de celas ou hospitais psiquiátricos. Quanto às criancas, que possam simples e tranquilamente “fazer música”.

Beijos.