Posts Tagged ‘machismo’

Typisch…

Quinta-feira, Maio 26th, 2011

"... mas tanto faz... já me esqueci de te esquecer porque..."

“Típico macho” – balancando a cabeca negativamente, pensei ontem a noite antes de ir para a cama – caindo de sono e muito contrariada, pois Jörg ao organizar  a sua mala para uma viagem de trabalho percebeu que entre todas as camisas brancas que estavam já penduradas no guarda-roupa, ele gostaria especialmente de uma que estava sem passar. Eu o informei que esta semana já havia passado umas 7 camisas e que ele teria outras possibilidades, mas ele estava convicto de que precisava justamente “daquela” que nao se encontrava entre as outras prontas para serem usadas. Eu encerrei a conversa dizendo que passaria hoje pela manha “aquela camisa” – eu nao tinha energia para tratar do assunto.

Hoje, em torno das 6 eu estava passando “a camisa” e ao mesmo tempo preparando o café da manha para toda a família que ainda dormia feito “anjo”. Agora estou sozinha. Meus anjos foram para as suas respectivas ocupacoes, cada qual satisfeito com o que vestia – para a minha sorte e alívio! Algumas vezes a questao “roupa” pega um pouco aqui em casa, pois minhas princesas também já estao super seletivas na questao moda. Victoria gosta de pura discontracao e conforto, já Laura se preocupa em estar “moderna”, “cool” – é capaz de se sentir desconfortável em nome da elegância. Algumas vezes me divirto com os conflitos internos dos três, aliás de nós quatro – a diferenca é que eu reclamo só com o espelho.

Vindo a calhar com os meus sentimentos “feministas” de revolta  contra o posicionamento  natural da representacao masculina que tenho aqui, acabei de ler um pequeno artigo no jornal de hoje com referência à uma pesquisa realizada entre 5600 homens – a qual vou traduzir abaixo:

Típico homem:  preferível futebol à Supermodelo

Amsterdam: Homens e Futebol! Segundo uma pesquisa a maioria dos homens abdicariam de um encontro com uma supermodelo em funcao da vitória do seu time preferido de futebol em uma final de campeonato. Ainda um número maior trocararia a despedida de solteiro de um amigo pela vitória de seu time. Entre os 5600 entrevistados, distribuídos em 12 países – 52% dos homens afirmaram que um encontro com a supermodelo brasileira Adriana Lima é menos importante que uma vitória de seu time na liga dos campeoes. 37% esclareceram que sem qualquer hesitacao optariam pelo seu time. Outros 58% deixariam de encontrar suas esposas e namoradas em funcao do sucesso de seu time preferido de futebol.

Duvidas?

Beijos, sem hesitacao.

Informacoes e números traduzidos de um dos artigos que compuseram o caderno Welt & Wissen, Rhein-Hunsrück-Zeitung, n° 120.

Perspectivas…

Segunda-feira, Setembro 27th, 2010

Nao se pode deixar a peteca cair...

É o comeco de uma nova semana. Eu tenho mais uma chance de optar por escrever sobre o que povoa os meus pensamentos. Sao muitas as impressoes, experiências e impactos que vivenciei nos últimos dias. Os sentimentos se misturam, alguns sao  positivos e outros negativos. As preocupacoes pessoais se alteram com as preocupacoes globais. Tenho imagens, cenas e vozes das minhas filhas, do meu marido, de alguns artistas e de alguns políticos soando em meus ouvidos. Muitas notícias de jornais praticamente dancam na minha memória,   títulos de reportagens pulam de um jeito desordenado por trás dos meus olhos.

No entanto, antes mesmo de comecar a escrever este post eu já estava decidida que precisaria expor o que de mais profundo me impulsionava a abrir o Lap top, deixar tudo o mais pendente  para registrar os meus pensamentos.  A partir da minha visao “bastante parcial”, estive de novo pensando sobre o papel da mulher num contexto geral. A mim nao me agrada o tom de uma feminista declarada, assim como abomino teses machistas de superioridade. Eu sempre sonhei que seríamos capazes de compreender e conviver pacificamente com a verdade  de que  homens e mulheres têm talentos diferentes. Porém, a cada ano que passa eu tenho a impressao de que eu sempre sonhei demais – o mundo ainda é bastante machista. Em quase todos os continentes a mulher ainda tem uma condicao de submissao. As mulheres do mundo muculmano, em sua grande maioria, vivem uma absoluta resignicao escondida  sob as suas vestes… Burca, Chador, Niqab – as quais reduzem essas mulheres/pessoas e  o que elas significam, representam a quase nada. No mundo muculmano elas sao invisíveis, aqui no mundo ocidental sao muito visíveis, mas nao compreendidas e sao desprezadas por nós.

Em uma outra parte do mundo, pertencendo a uma  outra cultura – na China, que em termos econômicos avancou espantosamente nos últimos anos – as mulheres sao repetidas vezes tratadas  apenas como “uma mercadoria”, a qual pode ser simplesmente descartada quando nao vendida.

As mulheres latinas, na sua maioria, vivenciam ainda o dilema entre o sonho em encontrar  um príncipe, com o qual será feliz para sempre e a verdade absoluta que sem fazer uma carreira profissional nao tem lá chances de realizacao. As europeias já fizeram, faz tempo, a opcao pela realizacao profissional, por seres independentes da figura masculina, porém o   instinto maternal, como é natural e para o bem da humanidade nao foi afogado entre os compromissos da agenda profissional e privada. Ser mae, ter uma família ainda é  importante para uma boa parte das europeias, mas conciliar os interesses da família, os próprios e todas as obrigacoes profissionais e privadas acabam quase que tirando o tempo dessas mulheres para respirar.

Quanto a mim, há dez anos atrás eu abandonava a minha vida profissional para ter uma chance em viver a minha aventura romântica. Hoje tenho mais que romance, tenho duas filhas, as quais me proporcionam razoes de sobra para eu sentir-me realizada como mae. Mas tenho que admitir que a minha independência econômica me faz uma falta danada e sobretudo as minhas perspectivas profissionais. Nicht auf geben – nao desista, tento convencer-me sempre que me sinto desanimada e recordo-me da sorte que tenho em ser eu mesma e poder ser eu mesma, mesmo que para isso tenha que, algumas vezes, levantar a voz aqui em casa para garantir o meu espaco, pois a auto-estima deve ser mantida e polida, já que o sentimento de frustracao, por nao se ter uma carreira brilhante, pode bater de vez em quando, mas nao pode absolutamente tornar-se crônico.

Escrevendo de um jeito meio feminista – nós mulheres temos que nos valorizar, nos respeitar, tratar-nos com carinho e consideracao, pois os homens já se tratam assim e faz muitos séculos…

Beijos e linda semana!

“Macho-Welt” – mundo macho

Segunda-feira, Março 8th, 2010

Aqui as três “meninas” da casa, brincando juntas em hormonia com a neve e o mau tempo, esquecidas por algum tempo de toda e qualquer contradicao existente no mundo. Uma das grandes contradicoes que me perturba bastante é a concorrência entre homens e mulheres, a qual nunca levei realmente a sério nos meus tempos de Brasil, porém praticamente desde que cheguei aqui observo, ouco e sinto que homens e mulheres se colocam com muita frequência em oposicao. Algo que considero absolutamente estúpido, já que homens e mulheres existem para se completarem e nao para competirem… uma competicao meio que saudável tudo bem, afinal precisamos de desafios para a superacao de certos limites, mas por favor nada de extremismo!

Hoje lendo o Rhein-Zeitung me deparei com uma reportagem que de certa forma veio a calhar com as minhas divagacoes matutinas: “Sterne-Köchin in einer Macho-welt” (cozinheira com estrelas num mundo machista). A reportagem é sobre uma  francesa que depois de percorrer um árduo caminho se impôs como chefe de cozinha em um restaurante 3 estrelas de muita tradicao, que herdou do pai.

Eu fiquei pasma ao ler que em todo o mundo existem apenas seis mulheres entre setenta e um homens com 3 “Michelin” – estrelas. Nao é uma contradicao que os homens dominem um território tipicamente feminino?

Eu por minha parte estou me sentindo muito emancipada por estar podendo escrever aqui os meus textos e incluindo eu mesma fotos que faco e seleciono… uma conquista minha dos últimos tempos já que antes o computador era uma ferramenta muita estranha para mim. Infelizmente esta concepcao que a sociedade alema prega de que mulheres têm que ser totalmente independentes dos homens, para mim sempre pareceu um pouco “avessa”. Eu cresci conformada com a idéia de que os homens dominam certas áreas e as mulheres outras. No entanto, sinto cada vez mais uma inquietacao dentro de mim que me impulsiona à “libertacao”. Ainda nao quero fazer todo e qualquer servico, como as alemas que com muito orgulho fazem ” tudo” sozinhas para se mostrarem “independentes”, mas quero muito sim poder uma vez mais sentir-me livre para tomar todas as decisoes que considerar coerentes com os meus princípios e sentimentos. Acho que aí está o valor da “independência”, ter o direito aberto e incontestável à opinar e decidir. Direito este que na minha opiniao nao pertence só aos homens, mas à nós mulheres também. Nao sei porque o mundo continua tao machista, mesmo a revolucao femina ter comecado a mais de 40 anos atrás… e o pior… nós mulheres (ou pelo menos a maioria) permitimos que os homens usem a revolucao feminina em causa própria! Ah… vale a verdade?

Beijos.