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Um comeςo/Mais um confronto…

Terça-feira, Janeiro 1st, 2013

"In der Abend-dämmerung des Sterbens zählt am Ende nur, ob du dein Leben ganz im Licht der Liebe sehen kannnst."

com a morte. Sim, um tema pesado para se comeςar um post de ano novo. Mas é este o meu tema deste momento. Estou triste e me sentindo bem mais velha neste início de ano. Tudo estava tão  normal e tranquilo neste natal que fiquei mesmo desconfiada que algo de divino estava me envolvendo. Eu não sabia como, quando, de onde ou o quê – no entanto meus sonhos estavam muito tumultuados e meu coraςão pressentia a perda e a dor de enfrentar a realidade que mais uma grande pessoa do meu círculo familiar partiria desta dimensão. Esta sensaςão de vazio machuca ainda! Eu pensei que depois de tantas perdas eu estivesse mais preparada para digerir a despedida de pessoas queridas, sobretudo quanto a minha irmã, a qual há mais de duas décadas batalhava arduarmente contra a deficiência renal crônica. Ela optou por viver desde os primeiros sintomas da doenςa, Ela se agarrou com todas as suas forςas à todas as possibilidades de vida e se possível com qualidade. Tubos, seringas, sondas não representavam mesmo grande susto para minha irmã. Eu senti muito quando Ela foi ligada pela primeira vez à uma purificaςão artificial do sangue que transcorria vida por suas veias. Ainda me lembro de sua resposta ao Dr. Eduardo quando este tentanto animá-la disse: “agora vai ficar tudo bem”. Ela respondeu: “agora, Dr., é o comeςo da tortura”. Eu não quis concordar com Ela, mas sabendo que Ela sabia exatamente sobre o que falava, me limitei a ajeitar mesmo sem jeito os lenςóis frios de sua cama  e  a tentar sentir sua temperatura.

Os anos seguintes transcorreram para minha irmã numa luta desesperada para viver da  melhor forma que pudesse, até que o rim transplantado também falhasse por completo. No entanto mesmo “capengando”, Ela sobreviveu à duras provas nestes últimos anos. Ninguém sabia ao certo, mas o fato é que nestes dias recentes  Ela estava vencendo mais uma etapa de sua vida, Ela estava se despedindo das dores físicas e dos incômodos deste planeta. Minha irmã venceu com ousadia e teimosia a doenςa. Ela partiu ainda ocupada com seus afazeres domésticos. Assim como minha mãe – enquanto lavava roupa foi atropelada por dores insuportáveis que as fizeram serem levados para o hospital, de onde não saíram mais com vida física. Lógico que eu sei que Elas vivem em uma outra dimensão e  sob outras condiςões e pessoas maravilhosas só podem viver em condiςões muito melhores que as nossas, pobres, miseráveis mortais!

Não sei se minha irmã sabia do seu peso em minha vida. Infelizmente, nos últimos anos, não passamos muito tempo juntas. Isto é lamentável!

Beijos,

e tentem ser felizes nos próximos anos, do jeito que puderem e souberem…