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“Quem procura (quase sempre) acha”!

Quinta-feira, Maio 22nd, 2014

Matar o sonho é mutilar a nossa alma. Fernando Pessoa

O quantas vezes ouvi esta afirmação nos meus tempos de criança, não sei dizer. Assim como também não tenho nenhuma ideia sobre quantas vezes a repito aqui em casa. Se perde, se esquece ou não se encontra uma variedade incrível de “coisas”. Contudo, meu post hoje se refere à minha busca (desesperada) pessoal de um “Ausbildungsplatz” ou seja um local de prática para meu curso de “Heilerziehungspflegerin”, o qual terá início em setembro. Logicamente, meu leitor conhecedor do idioma português, poderá estar se perguntando neste momento ” que diabo significa isso? E setembro está tão longe ainda, por que o desespero?

Sim, certas expressões alemãs são o diabo para se traduzir, em outras palavras posso esclarecer, como escrevi no post Perspectivas 50 – + x : … tomei a decisão de correr atrás de um diploma alemão e optei por uma profissão que corre paralela à minha atual, porém com desafios extras, pois trabalhar com “Pessoas Especiais”, ou seja deficientes físicos ou mentais – exige uma dose extra de paciência, perseverança e a capacidade de enfrentar muitos tabus. Não me importando com os entraves, estou segura, há alguns meses, que este é o trabalho que gostaria de ter para o resto da minha vida. Porém para me profissionalizar preciso da escola e para a escola preciso do trabalho, daí minha busca desesperada pelo meu “espaço de prática”, senão minha matrícula na escola teria sido em vão – uma lógica muito interessante neste sistema de curso profissionalizante na Alemanha, assim como o fato de que tudo se define e se organiza, por aqui, com muita antecedência. Planos a longo e longuíssimo prazos fazem parte da cultura europeia, por questões climáticas.

A boa notícia é que na última semana tive mais uma entrevista, como resultado um convite para conhecer a instituição e os clientes  (Hospitation)- o qual aceitei alegremente, mas no fundo me sentia muito pessimista por causa dos recentes insucessos com outras experiências. No entanto,  minha intuição – a qual traduzo como a voz dos anjos – me impulsionava à mais uma tentativa. E o resultado desta tentativa foi tão, surpreendemente, positivo que recebi a proposta de um contrato de trabalho numa instituição muito aberta e interessante (ninguém me perguntou sobre minha religião), na qual moram vários doces anjos enjaulados em corpos pouco móveis.

Me sinto tão feliz com a novidade, que titubiei em publicá-la. A alegria que sinto por esta nova perspectiva se contrasta com a tristeza que sinto por tantos fatos negativos que correm soltos por áreas do planeta como Nigéria, Afeganistão, Síria, Ucrânia e infelizmente Brasil. Com a aproximação da copa, o mundo observa mais atentamente o Brasil e infelizmente notícias ruins, destaques negativos são uma constante. Me alegrei, ontem, quando assisti um programa sobre o Brasil no canal Servus – Terra Mater, Wildes Brasilien – onde os personagens principais eram os animais da Floresta amazônica e do Pantanal. Nada sobre favelas, políticos, futebol ou samba.

A esperança é que continuemos implacáveis na procura por dias melhores para todos os seres do planeta, afinal “quem procura, acha”!!!

Beijos.

Perpectivas 50 – + x : …

Domingo, Abril 27th, 2014

Amanhã voltamos para a nossa habitual rotina, afinal as férias de páscoa se foram. A empolgação de

Sim. A decepção tem sabor cítrico.

antes  das férias misturada com a alegria de encontrar pessoas amigas e queridas por acasião do meu aniversário e nossa viagem para o norte, se choca hoje, num fim melancólico de um domingo, com um misto de desânimo e indagações sobre novas perspectivas.

Pensando sobre este lindo termo: “Perpectivas 50 +”, o qual se ouve por aqui (não sei se no Brasil e outros países também) para motivar as pessoas, digamos, mais “maduras”, “experientes” a darem um novo impulso em suas vidas, resolvi compartilhar um pouco do que tenho vivenciado desde que resolvi (apesar de, ainda, não ter  chegado aos 50!!!) finalmente correr atrás de um diploma alemão, na busca das “perspectivas +”, além do que minhas filhas estão bem independentes, me restando certo tempo para novos desafios.

Esta maratona comeςou  em outubro do ano passado, quando uma senhora muito agradável que trabalha para a AWO me aconselhou a solicitar a avaliação da minha formação acadêmica brasileira. Para isto Ela me apresentou a Anabin e me ajudou, calmamente, a entender o processo burocrático para a futura odisséia da reunião de documentos, traduções oficiais, cópias autenticadas, envio para o departamento oficial em Trier, e a espera interminável por uma avaliação positiva, construtiva, estimulante! Contudo, eu não estava lá muito otimista e estava segura de que este documento me serviria basicamente  para conquistar uma vaga na escola para o meu próximo curso profissionalizante, com a intenção de obter o meu diploma alemão e então ter mais chances de voltar com todo o gás para o mercado de trabalho e obter uma certa independência financeira, além de poder acumular outros créditos para uma aposentadoria tranquila, talvez no sul da Espanha, Itália ou Portugal (sonhar não custa nada!)

Sim, a avaliação oficial dos burocratas me abriu diretamente perspectivas para o banco da escola, porém como não tenho tempo a perder, optei não por uma Uni, mas sim por um sistema dual de formação mais rápida e principalmente porque já está diretamente ligado com a prática. Achei o máximo, fascinante mesmo o sistema alemão:

  • Dois dias de escola
  • Três dias de trabalho,
  • Total=39 horas semanais.

Veja bem,  sem perca de tempo, ideal! Estudar, aplicar a teoria e, fantasticamente, tendo uma recompensa financeira satisfatória pelas horas de prática!

Mas, logicamente, quando algo parece bom demais é melhor ir desconfiando! Desde fevereiro estou procurando esta escola ou instituição que me ofereça a chance de executar a parte prática do meu curso. Fui orientada a me inscrever – e logicamente enviar, registrada formalmente em palavras escritas (curriculum vitae),  toda a minha vida para várias instituições.

A princípio estava muito animada e vibrei de alegria pelos convites de entrevistas. Depois fiquei muito feliz por conhecer meus prováveis futuros clientes e também os colegas de trabalho. No entanto, infelizmente, até hoje, não tenho o meu “Ausbildungsplatz”/local de formação prática. Conclui este fim de semana que a concorrência é acirrada. Me assustei quando me comparei com   jovens, dinâmicos, católicos, talentosos e alemães que estavam também em busca das mesmas intituições que eu e me considerei um pouco ousada.

Estive já decepcionada, triste, cabisbaixa, mas prefiro pensar que a vida sempre nos reserva o melhor e que outras janelas se abrirão. Por isso vou reunindo motivação para pensar em perspectivas + ou  x. Quanto asou : estou tentando ignorar.

Beijos e linda semana para você!

Não se intimide em me escrever para decifrar qualquer dúvida sobre o reconhecimento de diplomas na Alemanha ou outras pequenas burocracias mais. Estamos aqui para compartilhar experiências.

Anjo em jaula

Segunda-feira, Março 17th, 2014

Nós humanos, somos naturalmente falhos. Não precisamos ter qualquer ilusão do contrário.

Esta é a definição, em palavras, que  senti cravada em meus pensamentos, ontem, quando cuidava do café da tarde e depois do jantar de Martin. Eu já havia estado em sua casa, que de forma tão especial foi denominada “Jardim das Rosas”, mas apenas ontem eu olhei em seu rosto e em seus olhos ao ser incubida da tarefa de servir seu pudim regado com calda de caramelo e seu copo de chá – o seu cardápio de uma tarde meio nublada, triste e indecisa de domingo.

Eu me surpreendi quando Ele me olhou direto nos olhos e abriu um largo sorriso para mim. Não resisti e acariciei a pele branca e fina do seu rosto. Encarando seus olhos azuis estralados na minha direção – não pensei em nada, além de que Martin é um anjo enjaulado num corpo teso, imóvel, mudo. Não se ouve qualquer gemido, qualquer tom ou lamúria  de Martin. O único som que ouvi de seus lábios nos três dias que “estagiei” no Jardim das Rosas foi quando, Ele, insatisfeito com a quantidade de chá que  estava sendo jorrado em sua garganta abaixo, cuspia a distância o excesso, causando tremenda  indignição de sua ajudante e risos de todas nós que nos ocupávamos com os outros moradores. Minhas simpáticas e competentes colegas  “temporárias” de trabalho  já estavam acostumadas com esta reação de Martin, assim como de todas as formas de tratamento apropriadas para os outros nove moradores desta ala, os quais vivem em uma grande instituição para pessoas de todas as idades e com diferentes graus de dificiência física e ou psiquíca. Ali, Eles são atendidos em todas as suas necessidades e em intensidade individualmente dosada.

Diferente das profissionais que atuam no “Jardim das Rosas” tudo para mim era novidade. Eu não sabia como e se poderia me inteirar com nossos pacientes. Eu não sabia sequer  porque eu me encontrava no fim de semana, quase no topo de uma montanha, circundada pelo Rio Lahn a cerca de 50 quilômetros de casa. No entanto, ao ser presenteada pelo sorriso de Martin e contactar sua alma de anjo ficou claro para mim que eu me encontrava no lugar certo, na hora certa.

Eu jamais serei a mesma depois deste fim de semana, às margens do Lahn. Eu me sinto um pouco melhor enquanto pessoa por ter optado, intuitivamente, por querer pertencer também a um outro mundo. Um mundo com outras perspectivas, e muitas outras limitações, mas que nos ajuda, concretamente, na lapidação de nossas almas, algumas vezes, perdidas entre o “ter” ao invés do “ser”.

Beijos e

uma líndissima semana, especialmente, para você!

Sementes da Primavera em Munique

Segunda-feira, Julho 15th, 2013

Série: Entrevistas

Parte II

Destino Mundo: novas perspectivas, novos desafios para e por Jacilene Brataas

Numa destas lindas e raras tardes de sol, onde posso sentar-me sem culpa e frio na sacada do meu apartamento, sinto-me inspirada e motivada a compartilhar com vocês algo do trabalho e das experiências de vida de uma Autora Brasileira cuja simpatia nos proporciona uma sensação de bem-estar e bastante conforto quando estamos próximos a Ela: seu nome é Jacilene Brataas.

Me deparei com Jacilene já no corredor da ante-sala da “Einewelthaus”, onde nos Encontramos em Maio na Primavera de Munique. Me sentindo meio apressada, perdida e ansiosa pela expectativa do Evento que estava prestes a começar, observei – ao terminar de subir os degraus que me levavam ao segundo andar da Casa -uma linda Mulher, sentada confortavelmente à mesinha de espera. Notei que Ela se vestia elegantemente e tinha um corte de cabelo que lhe caia perfeitamente, pois deixava sobressair seus traços finos e seu sorriso contagiante. De qualquer forma sua recepção expontânea me permitiu rápido sentir-me em casa, embora soubesse que Ela não era a dona da casa, mas assim como eu também uma hóspede. A verdade é que não me importei com este detalhe e fui tratando de enterar-me de sua conversa e contagiar-me por sua paz.

Este foi meu primeiro contato com Jacilene Brataas. Um feliz começo para outras trocas de experiências e energias positivas – outro marco do I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera.

Fiquei muito feliz por Jacilene ter aceito meu convite para expor seus pontos-de-vistas e algo do seu trabalho aqui no meu espaço e espero muito que vocês sintam tanto prazer em conhecê-la (ao menos virtualmente) quanto eu tive ao conhecê-la pessoalmente e posteriormente ouvi-la falando sobre os desafios que enfrentou ao optar pela condição de “Cidadã-do-Mundo”.

Agora exlusivamente aqui algo mais de Jacilene pela própria Jacilene-confira suas respostas para os meus questionamentos e intere-se sobre suas experiências e projetos:

1.Querida Jacilene é um grande prazer para mim publicar esta nossa “conversa” sobre seu trabalho no meu blog!

Em primeiro lugar eu gostaria de saber quando você ouviu falar do “Projeto Adote um Autor” e como foi sua experiência de adoção.

Eu fui informada sobre o projeto através da Alexandra Zeiner e tive a melhor experiência que uma pessoa poderia ter. A pessoa que nos acolheu – Sra. Severina Föll foi de um carinho e atenção que fez da experiência uma bela lembrança, assim como o evento literário em si.

2.Como sabemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, a DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Você pode imaginar esta “experiência” em outros estados ou países? Você trabalha junto a alguma associação no país ou região onde você vive atualmente?

Vejo como uma experiência muito enriquecedora, e porque não dizer prática, já que reduz os gastos dos escritores em participações a eventos literários. Especialmente quando incluem viagens para o exterior. E um intercâmbio cultural maravilhoso! Sim, vejo absolutamente algo que podemos apresentar em todos os lugares possíveis. Inclusive minha região, embora a maior concentração de brasileiros seja em Oslo. Eu trabalho junto a uma associação do norte da Noruega chamada Associação Brasileira de Tromsoe.

3.Por favor, nos fale um pouco sobre sua experiência com o público norueguês. Considerando que há anos você vive  neste país escandinavo, você se considera uma norueguesa?

Me considero bem integrada, realizada e aceita aqui, embora nunca venha a me sentir escandinava. Nunca serei vista pelos escandinavos tampouco como escandinava. Como emigrante temos que tentar nos integrar a cultura onde vivemos, sem assimilá-la. Ou seja, integrar-nos sem perder nossa identidade. Processo nem sempre fácil. Tenho encontrado pessoas muito boas aqui. As preconceituosas estão sempre presentes também. Mas vejo isso como uma característica do ser humano. Temos todos preconceitos. Eles são simplesmente diferentes. Mas com um pouco de compreensão e tolerância, podemos viver melhor.

4.E sobre sua relação com o Brasil, como está depois de tantos anos de “Estrada”?

Minha relação com o Brasil é de uma brasileira que ama seu país, mas com visão um tanto racional também. Vejo os lados bons e ruins de meu país, apreciando o que há de bom, sem exagerar no nacionalismo.

5.Agora, uma curiosidade minha: você se considera realmente uma Cidadã do Mundo?

Sim, me sinto completamente cidadã do mundo. Vivo aqui agora, mas posso ir para outro país sem problemas, mas não desejo mais morar em um país onde tenha que aprender o idioma. Este é um processo que exige enormemente de um ser humano. Uma coisa é aprender um idioma pela diversão. Outra é se sentir obrigado a aprendê-lo para não se sentir excluída de uma sociedade.

6.Por favor, nos revele como foi o “processo de publicação” do seu primeiro livro:

Achei difícil por não saber por onde começar. Não ter tido uma boa equipe na edição do primeiro livro foi também um problema. E o alto custo para se editar uma obra e dificuldade de encontrar canais de divulgação para a mesma também foi um trabalho enorme. Ou seja, foi desgastante, tenho que admitir.

7.Qual é o seu maior desafio atualmente?

Encontrar editoras interessadas em editar minhas obras.

Concluindo só posso agradecer você – querida Jacilene por sua atenção e por disponibilizar seu precioso tempo para nos permitir conhecer algo mais de você e de seus projetos. Foi um grande prazer, de certa forma, reencontrá-la!

Abaixo  você encontra outras informações preciosas sobre os trabalhos da Escritora Jacilene Brataas:

Link REBRA – Rede de Escritoras Brasileiras

Aqui Sua página pessoal

Beijos.

Aposentadoria/Perspectivas – 2

Terça-feira, Julho 10th, 2012

Brasilien

Deutschland

Assunto desconcertante este! ou não? A verdade é que ninguém pode fazer o tempo estacionar e queiramos ou não as idades e diferentes fases de vida nos assaltam a todos. Assim é bom curtir intensamente  todas as “primaveras”, sem muitas pressa ou ansiedade com relaςão ao futuro. De qualquer forma estar preparada para Ele significa também aceitar e se adaptar às mudanςas que fazem parte do processo dinâmico da melhor escola que existe – a vida.

Hoje me senti na obrigaςão de compartilhar algo mais sobre a minha aventura de preparar a minha aposentadoria por aqui mesmo já que não penso em voltar a viver no Brasil, onde há quase doze anos abandonei a minha estabilidade profissional, quinze anos de trabalho e fui cortando, sem pensar muito (devo acrescentar), assim toda a minha relaςão com o INSS.

Nos meus primeiros anos aqui eu não pensei no futuro, pois estava tão ocupada com o presente que não tive um milésimo de espaςo na cabeςa para pensar  a longo prazo. Mas desde alguns meses venho me ocupando com o tema, sob pressão – tenho que admitir – Jörg me infernizou com o assunto me fazendo prometer que iria tratar da questão, assim que voltássemos da nossa última viagem ao Brasil. Na verdade eu estava sempre adiando tratar do assunto, pois tinha medo de encarar o fato de que ao abandonar tudo no Brasil meu futuro – enquanto aposentada – já estaria mesmo comprometido. Eu me preparava para, assim como minha mãe,  trabalhar até a morte – o que na verdade, quando se tem a sorte de morrer rápido, não é nada mal, mas a questão é que não posso afirmar que vou ter esta sorte, pois acredito que a morte também se conquista quando se merece. Não estou certa que estarei apta a morrer quando considerar que me convém. Estou longe de uma evoluςão espiritual deste nível. Tenho tanto no que melhorar…

Sem mais filosofias e, enfim, tratando de coisas práticas – já recebi, nas últimas semanas, 5 cartas do Sistema de Aposentadora Alemão (Deutsche Rentenversicherung), as quais – exeto uma  (penúltima, a qual confirma meus direitos com relaςão a dez anos de dedicaςão na  Educaςão das crianςas) –   me solicitavam confirmaςões ou novas informaςões a partir daquelas que foram encaminhas pela funcionária da Prefeitura (Verbandsgemeide) da minha cidade para o Sistema de Würzburg (responsável pela área brasileira). Ou seja, até o momento, o que precisei para ter acesso prático ao Sistema Alemão e que talvez seja interessante para todas as pessoas que vieram (um pouco tarde) do Brasil e pretendem viver “para sempre” em terras germânicas:

  • Marcar uma hora (por telefone) com a pessoa responsável pelo assunto na Prefeitura de seu município;
  • Levar consigo a última correspondência recebida do Sistema de aposentadoria, pois ali existe o seu númer e sua condiςão atual;
  • Provavelmente para um segundo encontro (marcar diretamente) você precisará da certidão de casamento, de nascimento das crianςas e diplomas.

Bem, esta foi para mim a primeira fase  do processo. Além de (tentar) responder com exatidão a todas as perguntas sobre os meus últimos quase 30 anos de vida. No entanto, devo admitir que a funcionária foi muito simpática e atenciosa comigo, além do que me informou de direitos que eu e até mesmo meu marido desconhecíamos, por exemplo a contagem do tempo empregado em qualificaςões profissionais (20 horas semanais) ou até mesmo o meu curso de alemão – 40 horas semanais.

Bem depois de alguns dias recebi de Würzburg as seguintes solitaςões:

1-Cópia da certidão de casamento e comprovaςão da nacionalidade alemã;

2-Cópia do meu passaporte brasileiro o qual constava o visto de permanência na Alemanha e papéis que obtive no consulado alemão daquela época, os quais esclareciam as condições da minha permanência aqui (?!?);

3-Minha assinatura num documento que permitia ao funcionário do Estado acesso ao meu histórico de imigraςão.

Aqui  para a minha sorte Jörg se envolveu na questão e me ajudou a escrever uma carta para o funcionário afirmando de forma  educada, mas muito categórica que ao obter o documento 3 automaticamente Ele teria acesso à todas as informaςões que constariam nos pedidos 1 e 2, afinal como eu ainda teria um passaporte tão velho? E papéis do Consulado? Ficaram no próprio consulado (em São Paulo)!

A boa notícia é que Ele aceitou, sem outras exigências, me incluir no Sistema e me informou que em 2032 estarei me aposentando com alguns benefícios. No entanto ainda está em aberto, o que é compreensível:

  • Meu tempo de trabalho no Brasil – o acordo entre os dois países  ainda está sendo regularizado, mas que bom que existe! Inclusive o Funcionário que trata do ” meu caso” me escreve algumas vezes também em Português e já solicitou-me   meu número de CPF;
  • Meu tempo de Faculdade – preciso de uma assinatura e carimbo da FAFI (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itajubá) – apenas o diploma com traduςão  juramentada não basta.

Concluindo, não posso reclamar de nada – nem quanto ao último íten (não sei ainda como efetuar “a operaςã”), mas acho que tenho ainda uns 10 anos para isto… ou não???

Beijos, com esperanςa…

Ps. – Por favor entre em contato se você tiver uma pergunta, uma crítica ou sugestão…

Sensationell!

Segunda-feira, Maio 16th, 2011

Doce sabor de vitória...

Sptize!! Prima! Super toll!… Assim mesmo é como eu me sinto hoje! Escrevi em alemao porque no momento só penso em alemao, nao porque eu realmente tenha planejado, mas só porque nas últimas semanas me tornei mais íntima do idioma, penso que estou até mesmo me apaixonando por ele. Por livre escolha? Claro que nao… eu sempre detestei os ös… üs… äs… por exemplo. Ainda pior, já me peguei transtornada quando tinha que prestar muita atencao ao ter que comecar uma pergunta pelo verbo, ou com os pedacinhos de verbos como an – rufen (telefonar), porém  quando você tem quer dizer: eu telefono para você,  nao se pode em hipótese alguma dizer: Ich anrufe dich, preste atencao que anrufen é um “akkusativ” (ob.direto), ou seja você tem que usar o “dich” nao o “dir” – “Dativ” (ob. indireto), mas: Ich rufe dich an. Sabe quê? Eu quis morrer com estas pequenas sílabas que compoem muitos verbos e que dependendo da frase têm que ser ditas no final… quando estava tentando aprender alemao numa escola em Koblenz eu me peguei várias vezes desesperada por pensar que jamais seria capaz de me lembrar de falar no final da frase estes pedacos de palavras… confesso, tempos muito difícies!

Atualmente? Difícil também, mas (Aleluia!) nem tanto. Porém, este post nao se refere a minha relacao com o idioma alemao, mas sim com o meu útimo sucesso ao obter a minha licenca para trabalhar como coordenadora de atividades desportistas e recreativas. E o melhor ainda é que tenho boas perpectivas para aplicar diretamente os conhecimentos obtidos. Contudo tenho que admitir que foi mais difícil do que eu imaginava… foi quase agonizante… principalmente as provas!  A prova teórica – ca de 10 páginas com um tempo de 60 min para concluir. A prova prática… “um parto”. Alguns dos meus colegas alemaos estavam sob pressao enorme também e super nervosos. Eu pensava: e de mim? o que será? Era uma tortura só pensar no meu pobre vocabulário na área esportiva… dezenas de termos, expressoes eu estava ouvindo lá pela primeira vez na minha vida e num idioma nao tao simples para mim como o português ou espanhol.

Nao quero agora me vangloriar, senao compartilhar e quem sabe incentivar outras pessoas a se jogarem em certas aventuras que exigirao uma boa dose de estress e colocarao os nervos à prova, mas com certeza ter a oportunidade de superar certos obstacúlos nos proporcionam a sensacao de renascimento e sobretudo nos colocam em paz conosco mesmos. Superar o medo do vexame, da decepcao do fracasso nao é fácil, mas o sabor do sucesso vale a pena! Assim, nao devemos nos estagnar na tortura da insatisfacao pessoal, senao arregacar as mangas e ir à luta… a vida é curta, devemos vivê-la com muita intensidade!

Beijos e linda semana!

Tudo de bom! Alles gute! Todo de bueno!

Quarta-feira, Dezembro 15th, 2010

Novamente estamos em rítmo de compras e preparativos para a festa mais popular e linda do ano. É muito difícil para mim imaginar alguém que realmente nao se contagie pelas luzes, pelo cheiro doce de marzipa e  canela que sentimos com mais frequência nos ambientes. Eu, desde crianca, me encanto e me envolvo bastante com a atmosfera de natal independentemente de presentes, pois meus pais nao nos presenteavam já que a família sempre foi muito grande. Agora quando lanco um olhar para este passado fico na verdade feliz por nao ter herdado a sede de consumo que impulsiona muitas pessoas a perderem horas com compras ao invés de compartilharem momentos aconchegantes e tranquilos com sua família e amigos. Com os meus pais eu vivenciei natais especiais, simples e felizes. O meu coracao batia mais rápido quando preparávamos o presépio e todos os dias podia ligar a luz da casinha de José e Maria até o dia 24 de dezembro, a qual na virada para o dia 25 recebia o bebê – Jesus. Eu me enchia de alegria quando no dia 25 tínhamos a casa lotada de adultos que conversavam tranquilamente entre si e de criancas que corriam para todos os lados cheias de ansiedade pelo almoco mais especial do ano. O dia era simplesmente de alegria e paz!

Após as festas de natal nos pegamos fazendo retrospectivas, balancos e planejando com mais objetividade o ano novo. Nem sempre gostamos do que sentimos. Já  vivenciei vários finais de ano nos quais eu nao me sentia motivada a pensar no próximo pois  faltavam-me perspectivas, mas em outros como neste – estou otimista que o próximo ano me proporcionará muitas oportunidades de aprendizagem e realizacao. Se bem que quanto a 2010 nao posso reclamar, pois entre outras atividades, publiquei o meu projeto, o que ainda me proporciona  momentos  e contatos muito positivos. Além do mais nao nos faltou absolutamente nada, sinto muito apenas pelas pessoas que nao tiveram a mesma sorte que a nossa e passaram dias confinados em camas de hospitais ou em suas casas sob martírio de uma doenca.

Eu gostaria, agora, na verdade de escrever uma mensagem de esperanca! Nao é patético se envolver com a atmosfera de fim de ano e desejar para as pessoas que conhecemos ou nao que elas tenham um Natal cheio de saúde e harmonia interna e que os nossos sonhos possam sim se realizar no ano novo que bate à porta!

Beijos.