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Carta aberta à Tábata Amaral

Domingo, Maio 5th, 2019
 

Sim, estou muito preocupada com os rumos que a Educação está tomando no Brasil. Embora viva há muitos anos na Alemanha sempre estive conectada, inclusive politicamente, com o Brasil. Acho muito triste o retrocesso, no qual o nosso lindo “verde e amarelo, branco, azul, anil” Brasil já está mergulhado… Acredito que desde o impeachment de Dilma Rousseff. Eu não sou PT, mas votei em Lula e em Dilma (1° Mandato) em Frankfut, pois acreditava que o Brasil necessitava ventilação, com urgência, no seu sistema sócio-econômico e político. Vivenciei com entusiasmo a libertação do país das garras do FMI (Inacreditável) e de uma janela em terras germânicas, observei o Mundo admirando um Brasil que caminhava a passos largos para um processo de erradicação da miséria e da ignorância. Infelizmente o PT se perdeu… As lideranças também se corromperam ou não se fortaleceram o suficiente para não caírem na velha e mordaz máquina de privilégios, representada pelo poder político no mundo e no Brasil. É realmente lamentável que o povo não pôde (nem poderia) – num espaço de tempo tão curto – assegurar a sua capacidade de raciocinar na luta pelos seus direitos enquanto “pessoa/gente” e “cidadão” de um país com tanto potencial quando o Brasil. Assim a velha, retrógrada, larápia e infâmia política, aproveitando dos erros dos governos anteriores, está de volta ao poder no Brasil. E me assusta o quão a passos largos tenta impor as regras de domínio da classe elitizada à um povo sem acesso à Educação (pensamento crítico/embasamento histórico-sócio-econômico), à saúde, até mesmo à vida, já que prega a liberação de armas (Lobismo) ao invés da implantação de projetos sociais. Hoje estava assistindo uma entrevista sua pelo youtube e pensei na maravilha que seria poder apoiá-la na sua juventude, competência, leveza e sobretudo na sua coragem de se envolver neste velho jogo sujo que se chama política. Eu a admiro por isso e por favor não perca a sua essência e a consciência de suas origens, pois são elas que mantêm a sua autenticidade e a tornam um raio de luz neste mundo atual de obscuridade, num país que já foi habitado por gente tão alegre e, justamente por sua alegria e resilência admirada no mundo inteiro.

Desculpe-me pela intimidade do “você”.

Grande abraço e muita força para a luta contra os dragões da ignorância e da ganância.

Ótima semana de trabalho para todos nós!

Beijos


Independência ou morte!

Quarta-feira, Setembro 7th, 2011

"Brasil, terra boa e gostosa... vou cantar-te nos meus versos..."

Hoje é o dia da Independência do Brasil. Por certo para uma grande parcela da populacao brasileira ainda nem pensar em sair da cama. Me lembrei agora mesmo dos meus dias de escola primária quando marchávamos pelas ruas curtas de Wenceslau Braz ao som da banda composta por alguns militares condecorados  e muitos soldados. Década de 70 – os militares estavam no poder. Enquanto que para os críticos do regime tudo parecia obscuro, eu vivia uma infância muito tranquila, linda e nao sabia o significado do termo “ditadura”. O dia 7 de setembro era uma marca especial do calendário escolar e para a marcha ensaiavámos seriamente todos os dias durante várias semanas. Penso que assim como eu, quase todas as criancas se divertiam com o fato de podermos sair de nossas carteiras de sala de aula e podermos nos movimentar pela ruas e observar a curiosidade das pessoas olhando pelas janelas de suas casas. O máximo foi quando eu fui escolhida num ano daqueles para ser chefe de pelotão. Eu quase explodi de orgulho ao marchar com uma bandeira, nao me lembro de qual – só me lembro que achei uma pena que nao fosse  a do Brasil ou de Minas (grandes e lindas!), acho que foi a do município… na verdade, independente da bandeira, eu estava feliz em ser a chefe do pelotao, apesar de nunca ter tido talento para chefia. Porém, minhas recordacoes daquele dia tao distante e quase perdido do passado sao positivas – o sol brilhava assim como os meus sapatos de verniz que apertavam um pouco os meus pés, mas eram tao bonitos que compensavam o incômodo. Minha camiseta branca e saia de pregas estavam impecavelmente limpas e passadas, mas o mais chic  eram minhas meias 3/4 com pequenas bolas do lado. Na minha funcao de chefe de pelotao eu tive ajuda algumas vezes de uma das professoras que nos acompanhavam. Como o dia era especial, depois da marcha, asteamento das bandeiras e discurso das autoridades, recebemos um lanche especial (muito bem mercido!) – acho que arroz de forno e no fim da manha estávamos voltando para casa no ônibus azul e recendo pela milésima vez bronca de um ou outro soldado porque colocávamos a cabeca para fora da janela. Todos os dias tínhamos que desafiar os rapazes, e tentar mais uma vez sentir o vento batendo contra o rosto. As lembrancas sao muitas. Por que será que quanto mais o tempo vai passando, voltamos com mais frequência para os primeiros anos de vida? Detalhes da infância, músicas, brincadeiras, momentos especiais ou nao…  Penso agora em como isso deve ser difícil para as pessoas que tentam colocar o passado em gavetas e trancá-las a 7 chaves.

Bem, eu gostaria também de compartilhar que sinto saudades do Brasil e sinto muito estar tao distante neste dia especial de comemoracao da nossa independência política de Portugal. Politicamente o Brasil é livre a apenas 189 anos, e apesar de tantos problemas principalmente com a corrupcao burocrática temos que admitir que os avanços sao enormes. Vivemos democraticamente e o país é administrado por uma mulher. E algo inacreditável aconteceu nos últimos anos sob a administracao de Lula, ficamos livres do FMI. Sinto muito orgulho do Brasil!

Parabéns Brasil!

Beijos.