Posts Tagged ‘preconceito’

Gesucht! (w/m/d) – Procura-se (f/m/d)

Quarta-feira, Junho 26th, 2019

Simples assim…

Olhando hoje um jornal semanal e anúncios de trabalho, embora não esteja atualmente procurando um emprego – Diga-se de passagem que com muito suor e stress tenho um – Observei ao lado dos mesmos as letras w (weiblich/feminino; m männlich/masculino) a letra d (drittes Geschlecht oder divers/ terceiro sexo ou diverso). Impregnada de notícias do Brasil me coloquei a pensar em quanto me sinto confortável em estar vivendo num país europeu e justamente porque aqui já (praticamente) superamos os preconceitos absurdos sobre a opção sexual das pessoas. Que hipocrisia é essa de se pensar que os heteros estão num patamar superior às pessoas que por motivos biológicos, sociais ou estritamente pessoais se interessam, admiram, se relacionam intimamente com pessoas do mesmo sexo ou sei lá ? Me admiro muito sobre o porquê as pessoas encontram tempo e motivação para julgarem o comportamento das outras pessaos, enquanto há tanto para aprender, conhecer, realizar, aprimorar-se como pessoa, como família, como profissional? O absurdo dos preconceitos tem me incomodado muito nos últimos tempos e por isso resolvi escrever abertamente como uma forma de tentar me solidariezar com as pessoas que sofrem diariamente qualquer tipo de discriminação. Me pego pensando em o quanto nada somos para termos a mísera ilusão de “superioridade” por sermos heteros, brancos/ mestiços, termos frequentado os bancos escolares. No fundo somos apenas essência, energia. Esqueçamos de tudo o mais e, sim, que sejamos capazes de nos apaixonar e nos dedicar (ou tentar) aos seres vivos deste planeta.

Beijos.

Ps. A propósito na foto estou eu e não com uma namorada, mas sim com uma linda profi cabeleleira, a qual me atendeu numas das praias do Quênia – Na maravilhosa Mama África!

Montanha russa…

Quarta-feira, Setembro 14th, 2011

Uma estranha no ninho.

O dia praticamente acabou. Parece que durou uma eternidade… tenho que admitir que foi muito bacana o meu dia, mas nao encontro palavras para descrever o seu final… a palavra que me vem a mente é a palavra triste. Por que os acontecimentos bons sempre sao superados pelos maus? Por que tantos minutos de alegria e contentamento sao arrasados por segundos de comportamento negativo e algumas frases curtas? Nao é fácil também publicar aqui momentos de arraso. É tao fácil publicar momentos bons. Mas quem sabe se nao posso ajudar um pouquinho algumas pessoas que se sentem assim como eu… arrasadas? Um motivo real para a minha tristeza no momento nao existe, talvez seja a canseira de uma noite mal dormida e o dia extressante e interminável. Gostaria de compartilhar que me sinto exatamente como se tivesse andando o dia todo numa montanha russa. Pela manha a reportagem sobre o meu livro e a minha intencao de escrever um segundo projeto na revista interna do jornal para o qual eu trabalho. O texto e a foto ficaram exepcionais. Eu quase explodi de orgulho!!! Gostaria de mostrar ao mundo… depois o contato de uma brasileira muito simpática que vive em Dortmund. Eu amei encontrar uma pessoa com tanta experiência de vida e tao receptiva à uma nova amizade. E para coroar a minha manha de sorte, me conectei – após seguir um desses impulsos da alma – com uma pessoa super humana que trabalha diretamente com pessoas que provavelmente me ajudarao com o meu segundo projeto de livro, ou seja…. eu estava pulando de alegria pelo apartamento afora.

O meu dia de sorte terminou quando Vic comecou com suas tarefas. Sua competência matemática ao invés de se aprimorar, parece que entrou em decadência… está com problemas para dar conta da montanha de exercícios que tem que fazer para os textes. Está aprendendo também a trabalhar com as horas e me desespero quando vejo que ela já precisa de saber 3 possibilidades para ler as horas – exemplo:

Possibilidade 1: 3:30 horas

Possibilidade 2: 15:30 horas

Possibilidade3: halb 4 (ou faltam 30 minutos para as 4 horas)

Que triste para a cabecinha da minha filha que acabou de completar 7 anos e só pensa em brincar. O mais dramático é que tem saber também o que sao Nomes, escrevê-los com letras maiúsculas e diferenciá-los dos verbos, os quais sao escritos com letras minúsculas – claro, se nao for o comeco da frase.

Percebo que com Vic estou mais exigente que com Laura. Me comporto as vezes feito uma alema neurótica – tudo tem que estar perfeito: letra linda, gramática impecável… estou horrorizada comigo mesma! Socorro!

Depois da luta para estarmos prontas com as tarefas havia chegado a minha hora de dancar com o meu grupo em Emmelshausen. O osso estava duro de roer. As menininhas queriam brincar muito e dancar um pouquinho só… e o fato de eu ter herdado o cargo de uma pessoa muito querida e competente torna a minha funcao muito árdua. Me compreendem?

Chegando em casa foi difícil colocar a Vic na cama cumprindo a minha promessa que ela nao veria televisao por esquecer pela milésima vez um dos livros na escola, o qual ela necessitaria para fazer uma das tarefas. Pela milésima vez tivemos que telefonar para a vizinha para solicitar uma cópia. Enfim cumpri a minha ameaca e hoje ela foi para a cama sem televisao. Espero que amanha ela tenha na mochila tudo o que necessita para fazer t o d a s as tarefas.

Para concluir o meu desabafo: ao dar beijo de boa noite para a Laura, os seus comentários foram os seguintes:

1- “Nossa escola está cheia de russos”.

2-“Apenas minhas colegas da escola anterior e Leandro sabem que você é brasileira.”

Eu, em crise:

– Isso representa um problema para você?

Ela me respondeu:

-“Nao”.

Me perguntem agora se estou convencida disso (?)

A resposta é: Nao.

Beijos e boa noite para todas as pessoas de bem, independentemente de sua nacionalidade.

Uma mulher super corajosa!

Domingo, Outubro 24th, 2010

Igualdade... vale a pena sonhar?

Há 5 anos atrás, em 24 de outubro de 2005, com 92 anos nos deixava uma mulher muito especial – Rosa Parks. Mas quem foi Rosa Parks? Eu mesma me perguntei hoje ao ler o título de um dos textos do caderno “Journal” (Rhein Zeitung). E fiquei tao impressionada com a história de Rosa que nao tinha dúvida que escreveria um post sobre ela.

Rosa Parks foi uma mulher que encarou de frente a discriminacao que os negros nos Estados Unidos enfrentaram até, ironicamente, poucos anos. Ela foi uma lutadora pela igualdade de direitos entre negros e brancos naquele país. Com uma única acao Rosa conseguiu chamar a atencao do mundo para  a realidade das pessoas de pele negra nos EUA, as quais até a década de 60, escandalosamente, tinham menos direitos que os brancos. Assim nao era permitido aos negros frequentarem as mesmas escolas, cafés, restaurantes que os brancos. Eles nao tinham permissao para frequentarem as mesmas universidades ou optarem pelas mesmas profissoes. O direito ao voto, eles nao tinham também. Assim era os EUA, onde esta grande mulher vivia, absolutamente injusto para as pessoas de pele negra.

Rosa nasceu em 1913 no estado de Alabama. Ela trabalhava como costureira numa fábrica em Montgomery e no seu tempo livre tomava parte de acoes pelos direitos das pessoas negras.

Em primeiro de dezembro de 1955, ela estava com 42 anos e voltou do trabalho tao cansada que tomou uma atitude contrária a lei vigente – permaneceu sentada num lugar que era reservado para negros, porém deveria ser imediatamente desocupado quando nao houvesse mais acentos para brancos  (!). E exatamente neste dia um passageiro branco solicitou à Rosa a poltrona a que ele teria direito, segundo àquelas leis (bahhh)! No entanto ela permaneceu sentada, pois estava muito cansada e nao queria terminar a sua viajem em pé. O motorista do ônibus ao notar a atitude de Rosa solicitou que ela “cumprisse a lei”, ou seja que se levantasse, porém Rosa permaneceu sentada, estava disposta a nao ceder…

Por sua teimosia ela foi presa e teve que pagar uma multa de 14 dólares. Porém tomando esta atitude Rosa se fez presente por toda a cidade e conseguiu atrair a solidariedade dos cidadaos negros de Montgomery, que ficaram consternados pela injustica que Rosa havia sofrido. Revoltados e convictos, decidiram que nao usariam mais a linha de ônibus para se locomoverem. Assim por mais de um ano nao utilizaram ônibus (nao é emocionante?), indo a pé ou de carona para o trabalho e compras.

Em 20 de dezembro de 1956 a “lei da discriminacao de racas” foi abolida pelo tribunal superior dos EUA.

Pela sua corajem, muitas pessoas celebram o dia de hoje em homenagem à Rosa Parks, porém ela vivenciou inúmeros momentos de transtorno e amargura – foi insultada, ameacada e perdeu o seu emprego de costureira.

A propósito, todo tipo de  discriminacao é muito grave! Infelizmente, até hoje pessoas sao rotuladas em funcao de sua cor, religiao, idade, idioma ou procedência. Nós alimentamos o desejo que mais pessoas corajosas como Rosa se levantem em causa de direitos iguais para todos ou como no caso dela… que permanecem sentados!

Beijos e linda semana!

Texto base: Mutige Rosa Parks ( Sonja Roos): – traduzido por Neusa Arnold-Cortez.