Posts Tagged ‘Preconceitos’

“Je mehr Liebe du gibst/ Quanto mais amor voa doa…

Terça-feira, Maio 29th, 2012

mehr davon du besitzt/ mais você posssui do mesmo.

Lindo, pensei eu… observando o quadro de recados de um dos apartamentos desconhecidos que visitei no último sábado, quando então ajudei Jörg na instalaςão de mais de uma centena de alarmes contra incêndio. Nem eu mesma pude acreditar nesta soma, mas como sei que Ele gosta e precisa de exatidão, acredito piamente em seu relatório. Eu sei apenas que no sábado a noite eu não consegui acompanhar o Euro Vision Contest por mais que dez minutos de tão cansada que estava. E talvez hoje possa compartilhar o como foram interessantes os meus mais recentes dias. E afirmo com todas as letras: cheios de altos e baixos, com algumas lágrimas e sorrisos.

  • Penúltima sexta: Café da manhã com amigas, aliás muito queridas – ainda comemorando o meu aniversário;
  • Sábado: dia de trabalho em Koblenz, logicamente cheio de novidades nem sempre agradáveis;
  • Domingo: Quermesse em Mermuth – onde trabalhei, voluntariamente, oferecendo atividades recreativas para as crianςas- aqui vivenciei uma experiência muito positiva me engajando numa cooperaςão com os bombeiros voluntários da vila. Só posso elogiar a receptividade deles e me esbaldar com os sorrisos que tenho ganhado dos habitantes da vila por ter me envolvido  num evento tradicional e popular entre os moradores do lugar;
  • Durante a semana: minhas aulas de esporte com as crianςas ao ar livre e pés descalςos – aproveitando o verão que deu o ar de sua graςa neste país gelado;
  • Último sábado: quase dez  horas de trabalho em Koblenz na instalaςão de  alarmes . Horas nas quais  vivencei experiências lindas e horríveis – paralelamente. Contraditório? Absolutamente não. Posso explicar exemplificando que  encontrei muitas pessoas jovens, simpáticas, receptivas, porém quase que encerrando um dia extraordinário com “chave de ouro”- tive uma experiência totalmente negativa, senão horripilante – a de entrar em um apartamento, cujos habitantes são Neo-Nazistas. Eu senti ímpetos de permanecer no corredor do prédio, quando observei os lenςóis pretos que cobriam os colchões espalhados pelos cômodos, as toalhas negras estendidas nos varais, cartazes fixados nas parees com propagandas pró- Neo. No entanto, o que mais me amendrontou foi o cachorro que também habita este apartamento- ele tem quase o meu tamanho,  insistia em me cheirar e assustar. O tempo todo eu pensava:  ” Ele vai me devorar agora mesmo…”  Esta foi uma das mais terríveis experiências que vivenciei nos meus quase 12 anos de Alemanha. Par a minha sorte, o dono do cachorro, nada simpático, mas pensando prático  tratou de levá-lo para longe de mim ao perceber o meu pânico e a seguranςa nas atitudes seguras, acertadas e firmes do meu “chefe alemão”. Não posso descrever o ambiente pesado e desagradável que permeceu naqueles cômodos por todos os minutos, nos quais tive  que ali permanecer – muito amedrontador  e desconfortável, posso afirmar com todas as letras!
  • Bem, no domingo tentei colocar “a casa” em ordem e a tarde aceitando um convite inusitado para tomar café na casa de um dos meus vizinhos apaixonados pelo Brasil, acabei lá ficando na companhia de outras pessoas próximas, até tarde, tomando o pouco de cerveja gelada que ele tinha em estoque, olhando mil fotos de todos os lugares que ele já conheceu e  ouvindo uma sequência meio doida de músicas de diferentes artistas e estilos como: U2, Metallica, Paula Fernandes, Kiss,  Böhse Onkelz , Paula Fernandes de novo…  o meu vizinho está encantado com Ela e eu também!

No mais, quanto a esta semana… fica para a próxima! Nem conto… Laura sofrendo de insônia por causa de um trabalho de matemática e Victoria em prantos porque seu coelhinho fugiu…

Finalizando, vale a pena ouvir!

Beijos.

Meninas/Futebol

Sexta-feira, Junho 24th, 2011

Maravilhosa! Motivacao para a quebra de tabus...

Preciso Continuar o meu post de ontem, pois penso que a discussao quanto a presenca feminina no futebol está ainda muito distante de chegar ao final. Quem teria a coragem em afirmar que realmente nós mulheres conseguimos a “igualdade” dos sexos? Penso que “igualdade” nao é o termo adequado para expressar a nossa ânsia em um certo reconhecimento dos valores inerentes ao sexo feminino, os quais ao longo dos séculos e milênios sao sucessivamente arrastados para “debaixo do tapete”. Cada conquista para a “igualdade” nos custa muito suor e lágrimas. Muitas vezes a culpa é nossa também. Nós mesmos somos preconceituosas com relacao a nós mesmas. Nao pude deixar de traduzir e publicar as informacoes tao claras, sintéticas e interessantes que uma das minhas colunistas (Sonya Ross) preferidas escreveu outro dia destes no caderno especial de Domingo do “Rhein-Zeitung”. Após ler a História do futebol feminino me senti mais solidária com as “Meninas” – onde já se viu ganhar um jogo de café ao conquistar o campeonato europeu – quanto será que os “Meninos” ganharam ao perder este campeonato? Ainda acho vergonhosa a soma de 60 000 como prêmio pela conquista do Mundial. Quanto seria se fosse um campeonato masculino? Nao posso afirmar nada, pois nao me interesso muito pelos honorários dos jogadores, mas tenho quase certeza que a soma seria muito mais substancial. Até quando o mundo será machista? Eu me peguei fazendo esta pergunta para mim mesma quando minha filha mais nova me perguntou se nao poderia ir para os treinos de futebol na vila mais próxima. Eu, sinceramente, nao gostei muito da ideia e apresentei outras alternativas para removê-la do seu mais recente hobby. Todos os dias ela chegava da escola me informando que passou a pausa completa jogando futebol com os meninos e que gostaria muito de ir para os treinos às segundas a tarde. Contrariada me vi na obrigacao de atendê-la na sua ânsia mais profunda já que quando Laura esteve animada com o Karatê – lá estava eu procurando a escola para matriculá-la. Eu nao quis ser injusta com Vic e me informei sobre os treinos e a possibilidade dela participar dos mesmos. Lá estávamos nós entre os meninos grandes (pais) e pequenos ( colegas de classe da Vic) algumas segundas-feiras. Vic desistiu dos treinos ao perceber que nao eram tao divertidos quanto as partidas rápidas da hora do recreio. Eu me senti aliviada por ela ter mantido suas “canelinhas” intactas. Atualmente ela ama futebol e sempre joga, mas por pura diversao… eu me senti muito bem ao perceber que realmente poderia apoiar minha filha neste jogo tipicamente masculino. Ao assistir ao jogo Alemanha x Noruega me surpreendi com a habilidade das meninas com a bola e vibrei com cada gol nos últimos momentos da partida.  Lendo o texto de Sonya me peguei admirando mais ainda as jogadoras de futebol. Agora eu, Laura e Vic estamos na maior expectativa quanto ao jogo de domingo. Que venham as canadenses!

Beijos e lindo fim de semana!

Kinderferienaktion – Ação de férias de/para crianças:

Terça-feira, Julho 6th, 2010

Esta é a primeira semana de férias de verão das crianças do nosso estado, Rheinland-Pfalz (Renânia Palatinado). Nestes primeiros dias temos por aqui uma ação de férias coordenada pelo munícipio e que já se tornou  tradição. Mais de trezentas crianças se espalham em diferentes grupos. Numa segunda fase, cada grupo decide em qual tema vai ser  trabalhado com as crianças, a partir de uma ideia central. Esta ação eu conheco há anos, pois Laura participa da mesma desde que estava para fazer seis anos. Neste ano, no entanto, temos duas grandes  novidades. A primeira é que Vic também está participando, já que vai fazer seis anos no fim de agosto e a segunda é que eu  estou, neste ano, não me limitando apenas a levar e buscar minhas crianças para as atividades diárias, mas sim ajudando todas as crianças do nosso grupo na execução destas atividades, na posição de “Betreuerin” – àquela que cuida, que toma conta, que faz compainha.

Hoje foi o segundo dia de trabalho e eu tive oportunidade de vivenciar experiências muito interessantes, porém duas situações me levaram a escrever este post. A primeira não muito importante, apenas ridícula: duas mães disputando a liderança do grupo.

A segunda, dramática: uma média de setenta pessoas, do nosso grupo, incluindo adultos e crianças ignoraram em nosso meio a presença constante, de uma mãe e suas duas crianças…

Nós estávamos começando a pregar as tábuas do nosso “castelo”, já que o tema do nosso grupo é “Idade Média”. Eu própria estava tentando me integrar ao meu grupo e incorpar a minha nova função. Porém a minha maior preocupação era promover um ambiente agradável para Vic, já que tudo era novidade para ela. No meio do caos que é normal neste tipo de atividade, não sei bem quanto tempo demorei para reparar naquela mãe, de estatura média baixa e com a pele bem morena e suas duas crianças… os três observavam o caos e eu vi em suas fisionomias que queriam muito fazer parte daquele caos, mas não sabiam absolutamente o que poderiam fazer para tanto…

A princípio, eu não dei muita atencao à eles, como todos os outros membros do grupo, mas como passava o tempo e ninguém se movimentava um milímetro na direção deles, eu não pude mais ignorar a presença dos três e fui perguntar se eles já estavam “matriculados” no grupo. Sim, as crianças estavam, mas a mãe não e ela  estava decidida a ficar, pois tinha que cuidar do filho que ainda não tem seis anos – oficialmente a idade mínima para participação, porém com cinco já se obtem bandeira branca depois de uma conversa. Eu expliquei então para ela que deveria também se “matricular” e pedir os quarenta euros de volta, pois quando se exerce o papel de “ajudante” os filhos não precisam pagar.

Eu não sei se ela pediu o dinheiro de volta, mas eu sei que lá os três ficaram o dia completo. Em vários momentos eu os acompanhei em algumas atividades,  mas observei que nenhum outro membro do grupo procurou envolvê-los em qualquer atividade que fosse… eles foram praticamente ignorados! Eu achei muito triste! No fim da tarde já em casa quando fazíamos os comentários do dia, Laura me peguntou porque eu conversava com a”mulher preta”, mesmo sem conhecê-la… eu deixei muito claro que eu não estava lá para atender somente as pessoas que eu conheço e que eu senti muito o isolamento dos três, pois estava óbvio que eles eram “só estrangeiros escuros e desconhecidos”! Agora só o que vem a minha cabeca é a palavra “integração”, que está tão frequentemente na boca dos políticos, pois é politicamente correta, porém o quanto longe está o discurso da realidade eu pude hoje vivenciar de muito perto… já senti na pele o descaso de muitas pessoas comigo, assim que notaram o meu sotaque, mas hoje chegou a doer a rejeicao àquela mãe e àquelas duas criancinhas que para mim tiveram muito mais coragem e merecem mais o meu respeito que as duas mães na disputa imbecil por quem tinha a ideia mais criativa e prática para a vestimenta das “princesas” e dos “cavalheiros” do “nosso” pequeno “reino medieval”…

O mais contraditório é que a seleção de futebol que anda arrancando aplausos, sorrisos e suspiros de orgulho nacional é composta na sua grande maioria por estrangeiros (!).

Beijos e ótima semana para você!