Artikel-Schlagworte: „Projeto Adote um Autor“

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Montag, 10. Februar 2014

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Cafuchico – um convite especial!

Mittwoch, 4. September 2013

Beijos e quem sabe nos vemos por lá! Seria um prazer enorme!

Lindo fim de tarde!

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Sementes da primavera de Munique – Simpatia que contamina!

Mittwoch, 28. August 2013

Série Entrevistas:

Parte VI:

Um sabor leve de despedida me assaltou nestes últimos dias. Este sabor meio que melancólico e doce me atraiu hoje de forma irrestível para os teclados e aqui estou eu registrando este sentimento. Me perguntei repetidamente o porque desta sensação triste de despedida até porque não estou indo embora. Não demorei muito para encontrar a resposta. Ela está na atmosfera de outono. O verão se despede discretamente cedendo lugar a um novo ciclo da natureza. Já sinto o ar mais úmido e frio, a colheita nos campos se encerrou, as manhãs e fins de tardes já não estão mais tão iluminadas. Sinto a necessidade de recolhimento. Assim como nos preparamos para o outono, sinto também que hoje estou encerrando esta deliciosa série de entrevistas com fabulosos autores, os quais  tive o imenso prazer de conhecer nesta grandiosa primavera de Munique.

Sim, encerrando, mas  com chave de ouro, pois hoje tenho a honra de compartilhar com vocês algo da pessoa maravilhosa e do trabalho de Evandro Raiz Ribeiro – a própria e inegualável simpatia que contamina!

Sem exageros! O Evandro é uma destas raras pessoas que nos confortam com um sorriso e nos permitem ter a sensação de que se tudo não está em ordem, não há problemas pois ficará em frações de segundos. Na presenςa deste rapaz de traςos fortes e marcantes nos sentimos em seguranςa, em paz! Penso comigo que entendo seu posicionamento frente a vida considerando todos os desafios que o surpreenderam ao longo de sua infância, adolescência e adptação num país tão distante,  tão diferente do nosso – onde as letras me parecem desenhos sem compromisso e as casas de papelão.

Cá comigo tenho  certeza de que Evandro tem segredos na alma, quem sabe nos revelaria alguns deles?

Bem, de qualquer forma algo Ele Já me revelou e me permitiu compartilhar com vocês!

1.Querido Evandro é uma grande honra para mim poder saber mais e sobretudo poder publicar algo sobre seu trabalho no meu blog. Iniciando nossa entrevista, gostaria muito de saber quando e como você se inteirou do “Projeto Adote um Autor”:

O prazer é todo meu Neusa! Acredito que talvez eu tenha sido a primeira pessoa a ouvir sobre o – Projeto adote um Autor – digo isso porque conheci a Alexandra Magalhães Zeiner em Londres em um encontro de escritores no Focus Brasil Reino-Unido. Lá foi uma correria danada, não tivemos tempo para nada e depois participamos em seguida do Press Award, que aconteceu no mesmo local. Não tivemos nem mesmo um tempinho extra para dar uma saída, conhecer as redondezas, almoçar ou jantar. Quando acabou o Press Award, por voltas das 22h30min, fomos, eu , Alexandra, a Márcia Rocha (escritora que veio da Itália) com a filha e um amigo e também a Karina Martinelli a um restaurante em uma esquina próxima ao evento. Logo em seguida, acompanhei a Alexandra até o metrô, ela voltaria para onde estava hospedada e nesse momento ela me falou sobre a ideia de fazer um encontro de escritores na Alemanha e se eu toparia participar do projeto, e dei minha resposta afirmativa imediatamente.

2. E sobre sua experiência de “Autor Adotado”- o que você nos revelaria?

Foi uma experiência muito interessante, não apenas no aspecto financeiro, pois a grande maioria dos autores e artistas que divulgam nossa cultura tem que arcar do próprio bolso com os custos para divulgar o seu trabalho. Iniciativas como esta são de grande valia, pois incentivam o artista a continuar seu trabalho, mostrando que há interesse no que se está fazendo. No aspecto social também foi uma coisa muito legal, pois falando por mim, fui acolhido pelo casal Gebauer, Rosanna e Gunter, os quais foram muito atenciosos e hospitaleiros, me fazendo sentir como se estivesse em meio a minha própria família. Acho que você vai concordar comigo, afinal fomos irmãos adotivos , não é verdade?

3. É verdade! E gostei muito das nossas conversas à mesa saboreando as delícias que nossos pais adotivos nos prepararam com tanto carinho!

Agora, retornando para o „interrogatório“…. Você pode “imaginar  esta experiência” em outros estados ou países? Você participa de alguma associação cultural, a qual nos apoiaria assim como a DBK juntamente com a comunidade brasileira de Munique?

Acho uma ideia interessante e que tem tudo para acontecer. Diretamente não trabalho com nenhuma organização aqui onde moro, mas não acho que seria impossível fazer um encontro desses aqui no Japão. Pelo contrário, acho até muito possível e quem sabe, em um futuro próximo não podemos tornar essa ideia viável?

4.Fale um pouco sobre sua experiência com o público brasileiro. Você se sente em “conexão” com a comunidade brasileira, considerando tantos anos plantado em uma cultura tão diferente da nossa?

Indo a Londres e a Munique, pude conhecer o trabalho que outros autores brasileiros estão fazendo em diversos países e acredito que estão seguindo a direção correta. A minha realidade está mais ligada ao público brasileiro no Japão, e existe uma grande dificuldade de ligação entre essas culturas (brasileira e japonesa) em se falando de literatura, pois o idioma é um grande empecilho. É difícil atrair o público japonês para uma literatura totalmente portuguesa, pois mesmo os estudantes japoneses da língua portuguesa sentem grande dificuldade nesse ponto; e a nossa comunidade apesar de grande, pois mesmo considerada como reduzida conta com duzentos mil membros, ainda está desfalcada de membros bilíngues versados nos dois idiomas a nível literário.

5.Por favor nos “fale” um pouco sobre o “processo de publicação” do seu primeiro livro. O que mais te marcou na pele de um Autor estreante?

O que posso dizer é que foi muito gratificante interagir com o público divulgando meu livro. Foi uma experiência

Não Deixe o Sol Brilhar em Mim

Ficção e verdade!

importante descobrir que as pessoas dão sim importância a um trabalho literário, mesmo as que dizem não ter muita afinidade com o hábito de ler. A grande parte das pessoas com que conversei, demonstraram interesse em saber sobre o processo de se escrever e publicar um livro, mesmo que elas próprias não tivessem nenhuma intenção de experimentar. Além, é claro, da satisfação de ver em seus olhos, um certo ar de admiração ao perceber que não estavam tratando simplesmente com um vendedor de livros e sim com a pessoa que escreveu um. Outro ponto importante, foi a relação com os blogs literários, descobrir que tem muita gente lendo livros no Brasil, em sua grande maioria, jovens que descobriram na leitura uma grande fonte de prazer.

6.Você nos confiaria o seu “sonho de projeto ”?

Meu sonho de Projeto… Na verdade tenho tantas coisas que gostaria de ter tempo disponível para realizar. Mas, tempo é um artigo de luxo, o qual a gente acaba empregando em outras atividades urgentes do dia a dia, e assim, vamos deixando os sonhos em um segundo plano. Mesmo assim, eu gostaria de junto com meus amigos, autores brasileiros espalhados pelo mundo, poder divulgar a nossa literatura e o nosso trabalho em cada localidade em que a nossa comunidade estiver presente. Com projetos iguais ao “Adote um Autor “ e outros trabalhos de apoio, como a publicação em mídias digitais em que estou me interessando no momento, a qual proporciona ao autor iniciante mais oportunidades e facilidades na divulgação de seu trabalho.

Muito obrigada querido Evandro por me permitir publicar esta nossa „conversa“e desejo sinceramente a você todo o sucesso que uma pessoa tão batalhadora como você merece!

Bem… agora você querido leitor, está especialmente convidado  a conhecer mais sobre a pessoa fantástica que o Evandro é e algo mais sobre sua vida privada, sua carreira profissional e sobre o seu trabalho literário – através deste filme  muito especial que acabei de encontrar enquanto buscava o endereco do blog pessoal do Autor: confira, vale a pena!

Evandro no Planeta Brasil – Rede Globo Internacional

Você pode também Clicar em: Blog para saber mais sobre o autor, sua obra, suas experiências, sua trajetória.

Beijos e muita luz sim!

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Sementes da Primavera em Munique – Amor e Fantasia!

Freitag, 9. August 2013

Série Entrevistas

Parte V

Fotógrafa - Leila Trovao

Livros - uma declaração linda de Amor!

Amor e Fantasia – no sentido mais puro, profundo e divino da expressão! Um convite à confabulação!

Naturalmente, aqui  se pode  mergulhar sem medo, sem culpas e sem riscos. Eu me refiro não à relação complexa e intrincada entre adultos, mas ao sentimento mais sublime e angelical que se pode vivenciar – o sentimento de uma Mulher que se tornou mãe e que anos depois se tornou Avó. Eu estou pensando e escrevendo agora sobre Sylvia Roesch.

Sylvia é uma das pessoas mais doces e discretas, a qual tive o imenso prazer de conhecer no I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. E tenho que admitir o que mais me surpreendeu nela foi além de sua absoluta calmaria, o amor, o seu carinho pelos netos. Me encantei com Sylvia ao ouvi-la falar sobre sua finalidade ao escrever e publicar livros infantis – „um livro para cada um dos meus netos, é o que pretendo basicamente“. Naquela fração de segundos pensei lá com os meus botões:  uma doce pessoa, um amor de mãe 2x. Mãe duas vezes, é o que dizia minha mãe quando se referia a si mesma sobre o seu papel de avó.

Sylvia e minha mãe me transportam para um mundo bom. Um mundo de amor puríssimo, que, se permirtirmos, cura todas as nossas dores mais profundas…

Bem, sem outras divagações atingimos o parágrafo principal. O parágrafo onde deixo você, querido leitor, em contato direto com esta Mulher, Mãe, Avó, Profissional, Escritora tão especial!

Com muito orgulho compartilho com você, através desta entrevista, algo mais de Sylvia, de seu trabalho, dos  seus insucessos e sucessos.  Intere-se, vale a pena!

1.Querida Sylvia é um grande prazer para mim, de certa forma, reecontrá-la e sobretudo poder saber mais sobre a sua trajetória profissional. Minha primeira curiosidade trata-se do “Projeto Adote um Autor”: como e quando você se interou do mesmo? Como foi sua experiência de “adoção”

Conheci Alexandra Zeiner, a idealizadora do Projeto Adote um Autor durante o evento Focus Brazil Londres em 2012, ocorrido em setembro do mesmo ano. Ela me comunicou sua ideia, já no início de outubro. Para o I Encontro de Escritores na Baviera, em maio de 2013, em Munique, eu optei por não participar do projeto de adoção, uma vez que pernoitei num hotel nesta cidade com minha filha e neto. Eu havia convidado o meu neto, Julian de 12 anos, para contar a versão em alemão da história de meu livro “O Mistério da Mesa Arranhada”. Assim, realizamos uma contação bilíngue para as crianças que participaram do evento.

2. Por favor, nos conte algo sobre esta experiência realmente singular:

Percebi que o projeto de adoção ao aproximar as famílias associadas da DBKV dos escritores convidados foi um sucesso. Além de facilitar a vinda dos autores para o evento, ao eliminar suas despesas de acomodação. Outro resultado evidente foi constatar que as famílias brasileiras compareceram ao evento e trouxeram suas crianças para ouvir histórias escritas por alguns dos autores participantes, entre os quais me incluo. O evento contou também com a colaboração dos professores das escolas de português.

3.O I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera foi apoiado incondicionalmente pela DBKV e V., o qual por sua vez contou com o respaldo da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Você considera viável esta experiência literária e artística em outros estados ou países?  Você trabalha junto a alguma associação comunitária na região onde você vive?

A ideia de trabalhar num projeto semelhante no Reino Unido em parceria com o Projeto Adote um Autor foi comunicada à Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais no Reino Unido (ABRIR), para a qual participo como voluntária. Uma das dificuldades que antevemos é o fato de Londres não possuir uma associação cultural do porte da DBKV e V. Na ABRIR, eu coordeno o Projeto Biblioteca, em caráter voluntário. Por meio deste, procuramos divulgar a literatura e língua portuguesas no País. Assim, distribuimos obras publicadas no Brasil a bibliotecas públicas e organizamos eventos de contação de histórias para crianças, bem como outras oficinas, em bibliotecas e escolas. Por enquanto, os eventos que tenho iniciado são eventos internos, de baixo custo, que não envolvem o deslocamento de escritores.

4.Ou seja, há uma chance da Corujinha (a nossa mascote) pousar em terras britânicas? A propósito, sobre terras britânicas, como você está se sentindo como uma das autoras indicadas para um prêmio tão especial como o Press Award?

A ABRIR se dispõe a divulgar o projeto Adote um Autor no seu site, o qual é consultado por indivíduos e organizações envolvidas com a difusão da língua portuguesa e cultura brasileira no Reino Unido. Na oportunidade de um evento que envolva a vinda de escritores de outros países para o Reino Unido, creio que a viabilidade de implementação do projeto Adote um Autor teria de ser discutida diretamente pelos organizadores do evento com o grupo coordenador do projeto Adote um Autor, liderado por Alexandra Zeiner.

Para mim, foi uma honra ser premiada com o Press Award Reino Unido 2012. Acredito que eu tenha sido escolhida, não só pela publicação de livros infantis, como também pelas atividades voluntárias de contação de histórias para crianças em eventos, bibliotecas públicas, clubinhos de português e, mais recentemente, em escolas inglesas no País.

5.Querida Sylvia, você poderia nos descrever a sua relação com os seus leitores, os quais possuem diferentes nacionalidades ou seja dominam outros idiomas e estam inseridos em outros contextos sócio-culturais.Como estes reagem ao seu trabalho?

Venho contando minhas histórias em escolas e em outros eventos, tanto no Brasil como no exterior. Como escrevo meus livros em português, no Brasil, os eventos fluem, sem problemas. Lá, as crianças apreciam as rimas e acompanham o enredo e os personagens com naturalidade. Entretanto, contar histórias para os brasileirinhos no exterior vem a requerer a utilização de vários recursos não-verbais para facilitar o seu entedimento. Creio que as crianças apenas entendem realmente as histórias depois que estas lhe são contadas por seus pais, em casa. Recentemente, passei a usar contações bilíngues (português-inglês) na Inglaterra e (português-alemão) na Alemanha e no Brasil. Para tanto, mandei traduzir as histórias e durante o evento utilizo a interpretação consecutiva, página por página. Nestes eventos, sou acompanhada de um contador nativo, que lê a versão na língua do país hospedeiro. Noto que as crianças se acostumam a ouvir as duas línguas e passam a se envolver com a história e com os contadores, além de mostrar interesse em dialogar com o autor sobre a obra. E este é um resultado muito gratificante e independe do conhecimento de uma das línguas e do nível sócioeconômico das crianças.

6.Como se desenrolou o processo de publicação da sua primeira obra? Você encontrou dificuldades?

Mais um fantástico material ilustrativo de Petra Elster.

Publiquei meu primeiro livro “O Mistério da Mesa Arranhada” em 2010, de forma independente. O custo foi muito alto. Sim, tive muitas dificuldades para divulgar e vender os volumes. Acabei doando uma grande parcela deles para escolas e bibliotecas públicas no Brasil. Como resultado desta doação, fui convidada para visitar dez escolas em Caxias do Sul, onde os professores trabalharam o livro com antecedência com as crianças. Elas produziram desenhos, fantoches, poemas e até uma peça teatral, com base no livro. Foi muito gratificante. Em 2011, o livro foi publicado pela Editora Mediação de Porto Alegre que agora o distribui em seu site e nas livrarias no Brasil.

Graças à iniciativa da Editora Mediação de submeter meus livros a concursos federais e estaduais, esta obra acaba de ser comprada pelo governo do Estado de São Paulo para fazer parte do currículo do 3º ano do ensino fundamental naquele Estado. Então, talvez com isso possa vir a recuperar parte dos custos que incorri na produção do livro. Outro resultado positivo foi que a mesma editora publicou um segundo livro meu “Vi um Bicho Genial lá no Fundo do Quintal”, desta vez arcando com todos os custos de publicação.

7.Mas esta é uma notícia fantástica! Parabéns Sylvia! Me alegro muito mesmo por você! Já imaginou quantos pequenos leitores terão assim a chance de se encantarem com a sua arte? Já planeja uma viajem para visitar algumas destas escolas do estado de São Paulo?

Obrigada. Sim, fico a imaginar que o número de leitores vai aumentar significativamente. Se receber um convite, naturalmente irei visitar algumas destas escolas. A grande dificuldade é o fato de eu morar no exterior.

8.Estou muuuuito curiosa sobre seus novos projetos. Por favor, você pode me informar sobre eles?

Meu sonho era escrever um livro para cada um dos meus 4 netos. Eles seriam protagonistas das histórias. Este sonho está sendo realizado, uma vez que dois livros já foram publicados pela Editora Mediação de Porto Alegre: “O Mistério da Mesa Arranhada”, que escrevi para o neto Julian e “Vi um Bicho Genial lá no Fundo do Quintal” para a neta Luisa. O terceiro livro, intitulado “O segredo do Francisco”, para o neto de mesmo nome, deverá ser publicado até o final de 2013. Uma vez que não consigo uma editora que se interesse pela obra, estou pensando, novamente, em publicar esta obra de forma independente e vendê-lo pela Amazon, no sistema “print on demand”, que elimina o problema do estoque. As condições para a publicação independente de livros são hoje bem mais fáceis.

Sylvia muito obrigada mesmo pela sua atenção e por disponibilizar seu precioso tempo para nós! Foi encantador saber mais sobre o doce de pessoa que você é! Desejo a você muito sucesso para os seus “novos” projetos porque para os “velhos” você já, merecidamente, já obteve!

Agora, queridos leitores bem rapidinho, vamos clicar em Press Award votacao e no bloco literatura prestigiar nossa querida Sylvia que foi nomeada para receber o prêmio também neste ano!

Mais sobre Ela você encontra aqui  www.sylviaroesch.com

Beijos e lindo fim de semana!

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Sementes da Primavera em Munique – O nosso cineasta!

Samstag, 3. August 2013

Série Entrevistas:

Parte IV:

Zé do Roque, (quase) atualíssimo - fotogrado por Robert Brembeck.

„As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam“. Ouvindo esta canção na versão estrondosa de Elis Regina penso no  rapaz de lindos olhos claros que estava sentado do meu lado esquerdo num daqueles dias lindos de sol e de primavera na encantadora capital Bávara.

Sim, aqui estou eu bem aconchegada na tarde de verão, sendo acariciada por uma leve brisa e podendo alcançar com a vista várias vilas vizinhas, as quais se sobrepõem, meio que místicas, na paisagem de campos, bosques e pequenos relevos.  Realmente eu poderia descrever por horas esta paisagem que observo com paixão avassaladora, porém a finalidade deste post é compartilhar com vocês algo sobre o trabalho daquele rapaz de olhos claros, o qual me referi no primeiro parágrafo e que tive o  privilégio de conhecer no I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. Ele é conhecido no mundo artístico e entre os amigos como Zé do Rock.

Mas, por que eu iniciei este texto com a verdade „as aparências enganam“?

Simplesmente porque ao observar o Zé eu não pude identificar o profissional sensível e sério que Ele é! Mas felizmente tive o privilégio de assistir uma de suas produςões cinematográficas:  Schroeder liegt in Brasilien e me surpreendi positivamente com o nível do seu trabalho. Com muito humor e sutileza Ele nos confronta, através de sua arte, com verdades, mentiras, belezas, feiuras, simplicidades, complexidades –  encarnadas em seus personagens fictícios ou não, mas que além de nos conduzirem à um olhar crítico numa relaςão  superficial entre Brasil/Alemanha nos embalam numa viagem dentro de nós mesmos e nos instigam à indagações sobre nossas próprias concepςões e princípios.

Bem… sem maiores delongas tenho muito prazer em compartilhar com vocês algo mais do Zé – por Ele mesmo e então vocês poderão, com certeza, entender melhor o que estou „falando“ e por favor não me culpem por erros ortográficos, fiz questão de ser fiel a um dos muitos idiomas dominados por meu Entrevistado.

1. Oi Zé, que bom poder publicar algo sobre sua longa e complexa jornada artística no meu blog. Minha primeira curiosidade: como você se interou do “Projeto Adote um Autor”?

eu nao sei, eu sei que eu tava no exterior (do ponto de vista alemao), na áfrica, na ásia ou no brasil. a rosanna me mandou um e-mail perguntando se eu podia participar, e eu dice que sim, uai.

2.Durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, A DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Como você imagina “ esta experiência” em outros estados ou países?

bom, num outro stado da alemanha nao devia ser muito problematico. em outros países depend do país. num país com brasileiro suficiente nao devia ser um problema, num país como a coréia do nort dev ser mais complicado, ja que só tem 7 brasileiro morando la, o pessoal da embaixada. i um dos 7 brasilero é uma russa.

3.Você trabalha junto a alguma associação na região onde você atualmente vive?

eu fazia mais no dbkv, tamem na casa do brasil, mais nos últimos tempos eu tava muito preocupado com a minha própria sobrevivência.

4.Por favor nos “fale” um pouco sobre sua experiência com o público brasileiro-alemão-inglês-etc, considerando que você já viajou por todos os continentes deste planeta. Você poderia nos revelar o que mais te impressionou em suas andanςas?

como brasilero-ingleis? brasilero di orijim inglesa ou brasilero na inglaterra? ou ingleis descendent di brasilero? im jeral o alemao intend mais as minhas piadas ki o brasilero, porkê eu screvo mais pro público alemao ki pro brasilero – eu moro na alemanha, né. mais claro, kem mi intend melhor sao os brasilero na alemanha, afinal elis intendim o ki eu digo pros alemao i o ki eu digo pros brasilero.

Eu acho ki eu vi muita coisa imprecionant, mais eu nao saberia dizer o ke ki foi o MAIS imprecionant. a primera coisa ki mi ocorreu foi a stória im varanasi, ki antigament era conhecido (pelo menos no ocident) como benares. em varanasi ce vai andando pelas ruelas i la vem carregador levando morto pro ganges di todo lugar, o dia intero. chega na marjim, elis keimam o corpo i jogam no rio. por isso a agua do ganges purifica o corpo i a alma dos povos indianos. bom, num hostel cualker da vida ce incontra treis minina finlandesa. i no fim ce sai com elas, entra num bar i ped um banglassi – um pra cada um, 4 ao todo. o lassi é o iogurt, né, i o banglassi é o ki faiz ‚bang!‘ uma das finlandesas nao tava intendendo, i cuando intendeu, falou ki nao, ta louco! eu nao tomo isso nao! bom, os copo cheio ja tavam na mesa, i eu falei, tudo bem, eu tomo o teu tamem. eu ja devia ter percebido ki indu nao brinca im servisso, cuando si trata di pimenta i banglassi. um banglassi era uma boa dosi, mais dois! eu vou te dizer, viu. a india ficou mais irreal ainda do ki ela na realidad ja é! só faltava ver árvori di natal!

5.Como foi o “processo de publicação” do seu primeiro livro? Você teve problemas com o fator “exótico” dos temas que você aborda?

eu sempri mandei uma caxa grand pras editora, dentro era ki nem pastel5, a maior part era ar. só tinha um martini, como aperitivo pro „lektor“ ficar com apetit di le o manuscrito, i o meu manuscrito. eu recebi muinta recusa, ker dizer 19, mais pelo menos as resposta nao vinham depois di vários meses i sim depois di uma ou duas semanas. i as resposta nao eram prontas i sim personalizadas. us „lektor“ dizium ki u meu livru era ingrassadu mais locu dimais pra editora delis. depois di um anu, uma pekena editora di berlin, a edition diá, ki publica tradussaum di livru brasileru i pra cuau eu tinha mandadu us ingridient pruma caipirinha: limaum, assucar i cachassa. u jelu eu preferí num mandar pelu correiu. di cuauker forma elis toparum, eu tamen dici u meu „sim“, daí xegou u lektor di uma editora grand, a Kiepenheuer Leipzig, i dici ki keria fazer u meu livru. eu só tinha dadu u meu sim orau, i podia te puladu fora, legaument num teria sidu um problema, mais eu so um brasileru ki creceu cum a etica protestant i ficou pur issu mesmu. u meu livru saiu, tev mais di 100 crítica, cuazi todas intuziazmada, mais a editora cuazi foi a falência i num tinha mais distribuissaum. i era muintu difíciu incomendar nas livraria, purkê u titlu tava scritu im alemaum foneticu („fom winde ferfeelt“), us jornau muintas veis scriviam erradu, i pra axar u meu nomi skizitu, zé do rock (prucura nu Z, nu D, nu R? – ki porra di nomi é eci???). mais tarde a editora piper ofereceu pra fazer u livru de boussu – uma editora ke tamben tinha recuzadu fazer, nu comessu… pra eles eu continuava locu, mais locu e famozu num tem problema.

6.Qual é o seu “sonho de projeto ”?

uma super-produssaum de hollywood, com scarlett johansson, ke fassa du animau gregário ke é u ser humanu, ke age e pensa em rebanhu, uma populassaum de 7 bilhoes de individualistas.

7.Talvez uma pergunta indiscreta, mas devo fazê-la afinal seu estilo é… sui generis: você já ganhou prêmios literários? Ou tem algum em vista?

Craro:

  • Pfefferbeißer-Satirepreis (2001)
  • Ernst-Hoferichter-Preis (2006) e o
  • Schwabinger Kunstpreis (2010).

i cuarta-feira eu ficu sabendu cuandu eu vo le na competissaum du bachmannpreis, ke é transmitido pelu 3sat (e pelu ORF austríacu). favor votar ni mim.

Aqui estamos todos torcendo muito por você, querido Zé e muito obrigada por nos permitir conhecer um pouco do seu trabalho e de sua arte!

de nada, mossa…

banoit

Finalizando: querido Zé -Estou certa que muitos leitores ficarão muito felizes em „conhecer“você! E aproveitando a oportunidade gostaria também que apreciássemos juntos este fabuloso trabalho do nosso fantástico Dominguinhos:

Para você saber mais sobre o Zé do Rock, clique em:

Seu site pessoal

Terra Gaga

Zé em Wikipedia

Nomeaςão atual

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Sementes da Primavera em Munique – uma Estrela entre nós!

Sonntag, 21. Juli 2013

Série: Entrevistas

Parte III

Da Lama do Nordeste à fama da Europa

Uma História real de luta pela dignidade! Um alerta!

O crepúsculo me assaltou de repente, mas tenho ainda o privilégio enorme de observar os últimos raios de sol, o qual para a nossa delícia nos banhou hoje sem compaixão!

Minha música de fundo é o canto das andorinhas e o som dos tratores – é época de colheita e o bom tempo me permite observar o bom humor estampado nos sorrisos das pessoas que corajosamente ainda trabalham com a terra.

Vivo um momento divino, devo confessar! O que me deixa ainda mais tímida ao escrever sobre Lúcia Amélia Brüllhardt. Sim, lá estava Ela, na primeira fase do  I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera, sentada bem do meu lado – a Estrela Lúcia Amélia. Eu não sabia nada sobre Ela, mas sua presença marcante me chamou a atenção bastante rápido. Seus cabelos vermelhos, sua pequena estatura,  seus movimentos rápidos e a forma emocional e veemente  como Ela transmite  suas verdades e as suas concepções não me deixaram dúvidas de que Lúcia tinha uma História de vida explosiva. Eu não pude saber a princípio nada muito pessoal sobre Ela, mas eu tinha certeza absoluta desde o nosso primeiro contato  que Lúcia Amélia é uma destas raras pessoas que sabem como dar a volta por cima. Eu passei a admirá-la ainda mais após o nosso segundo encontro – quando pude ouvi-la falando sobre o seu primeiro trabalho literário: Da Lama do Nordeste à fama da Europa – uma obra biográfica, na qual somos convidados a conhecer e nos embalar nos seus sonhos com a arte, com a danςa, nos seus sonhos de independência pessoal e financeira,  nos seus sonhos com o glamour europeu. Infelizmente seus sonhos se tornaram num amontoado de pesadelos…

No entanto Lúcia transformou seus pesadelos em um projeto de vida, de novas perspectivas, de valores fundamentados em verdades sólidas – O Madalena’s: uma organização não governamental, cuja finalidade básica é a prevenção.

Bem, as próximas palavras para nos esclarecer seu trabalho como escritora, cantora, atriz, fundadora e coordenadora do Madalena’s deixo a cargo da própria Lúcia.

Com muito prazer compartilho com vocês a „conversa“ que tive com esta Mulher surpreendente!

1.Querida Lúcia Amélia é um grande prazer para mim saber algo mais sobre a sua trajetória profissional e sobretudo poder publica-la neste meu espaço virtual. Primeiramente gostaria de saber quando você ouviu falar do “Projeto Adote um Autor” e como você pode descrever sua experiência de adoção:

A primeira vez que ouvi foi no FOCUS LONDRES , em setembro de 2012. Minha experiência de adoção foi simplesmente M A R A V I L H O S A !!!

2.Você acredita que a experiência que obtivemos em Munique pode se repetir em outros estados ou países? Teríamos a chance de contar com o apoio de uma associação como a  DBKV e V?

A Experiência em Munique, com certeza, poderá ser repetida em diversos outros países, porém para ter um bom êxito dependerá da união, humildade, colaboração e o desejo de fazermos algo em prol dos autores brasileiros na Europa.Infelizmente o que tenho notado na longa estrada da vida é que „algumas“ pessoas estão querendo trabalhar individualmente, mas quando à noite observo o céu vejo que ele fica somente bonito quanto TODAS ESTRELAS brilham juntas!

3.Você atua em alguma associação?

Moro na Suiça e sou presidente de uma associação Brasileira que funciona há 13 anos, onde trabalhamos em união com diversas outras associações. O que vivi em Munique, já conhecia a experiência aqui da Suiça, poís somente com união podemos seguir em frente e sermos fortes.

4.Esta associação a qual você se refere é a Madalena’s?

Sim, aqui na Suiça somos conhecidos como uma Association Brésilienne (Associação Brasileira Madalena’s)uma associação Brasileira que funciona há 13 anos, onde trabalhamos em união com diversas outras associações.

5.Por favor nos esclareça algo mais sobre Ela considerando os motivos de sua fundação, finalidades e serviços que presta à comunidade mundial:

Aqui na Suíça, no ano 2000, começamos a efetuar um trabalho de apoio e ajuda à mulheres e homens trabalhadores (as) do sexo, pessoas de diversas nacionalidades. E em vários cantões da Suíça romana e alemã, vimos a precariedade nas quais elas vivem sendo exploradas sexualmente, abusadas, humilhadas, tanto emocionalmente como fisicamente .Concluímos que existia uma real necessidade de socorro às vítimas em território Suíço. Sendo na época, uma grande parte mulheres brasileiras*, por esta razão, no dia dezesseis de março de dois mil e seis (16.03.2006), fundamos e registramos no Brasil a ONG “Prevenção Madalena’s” a fim de prevenir, informar e alertar diretamente nas escolas a juventude brasileira, através de filmes e palestras, sobre o perigo da exploração sexual e do tráfico de seres humanos, nos quais uma grande parte deles é vítima ao vir para Europa sem o devido preparo.

* Atualmente o quadro mudou e a maioria são mulheres provenientes do Leste Europeu.

Porque "prevenir é melhor que remediar"!

6.Como extensão do Projeto Madalena’s você idealizou o Madaleninhas. Por favor, nos permita saber mais sobre este valioso trabalho preventivo:

Durante aproximadamente 13 anos, nosso trabalho no Brasil, foi direcionado principalmente aos jovens adolescentes .Somente em Pernambuco atingimos 200 escolas com o trabalho de prevenção.Com a grande explosão do tema „Tráfico de Seres Humanos“ no Brasil, através de novelas, jornais, rádios e revistas. E aqui na Suíça com a diminuição de brasileiras no “ MILIEU ROUGE“ vimos que nosso objetivo em território Brasileiro e Suíço tinham sido atingidos. No dia 21 de dezembro de 2012, quando comemorávamos os 12 anos do Madalena’s Irene Zwetsch olha para mim e pergunta : – Por que você não escreve algo direcionado para o público infantil ? Neste exato momento em minha mente veio as seguintes palavras “ Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos“(Pitágoras ). Nosso Objetivo com a cartilha “As Aventuras de Mada-Leninha, o desaparecimento de Bubu“.É de alertar e informar as crianças brasileiras de 07 a 12 anos, sobre Tráfico de Pessoas e de Crianças que ocorre dentro do território nacional ou exterior. Incentivamos as crianças a desenvolver o prazer pela leitura, à estudar, obter uma formação profissional.

7.Uma grande curiosidade: como você se relaciona com a comunidade suíça?

Sou muito bem integrada na Suíça e com os nativos. Deixo aqui BEM CLARO que até hoje, todos os suíços que conheci são pessoas que acrescentaram e ou acrescentam algo de muito bom em minha vida.Eu vivo com os Suiços e tenho um trabalho com a comunidade brasileira. Falo francês, alemão e Italiano facilitando assim ultrapassar barreiras.Sou muito feliz vivendo entre os suíços. aceito a mentalidade, cultura e as tradições.

8.Depois de tantos anos vivendo neste país, você considera a Suíça como sua casa?

A Suiça será sempre minha casa, foi aqui que criei raízes e assim decidi. Aqui sou valorizada e respeitada como ser humano, e tratada com dignidade sem descriminação e sem preconceito (É MINHA EXPERIÊNCIA).

9.Qual é o nível de aceitação do seu trabalho em terras suíςas?

Positivamente surpreendente . Tive a oportunidade de ter sido feito um filme com a minha história de vida em francês “ Lúcia, un autre destin “ ( distribuído em 23 países francófonos pela MiMAVISION / DELTA VISION ), inúmeros convites para palestras em diversos locais.Participação em TVs , rádios, revistas. Na Suíça o trabalho do Madalena’s foi melhor aceito que no Brasil. No Brasil tem aquele problemática de que ONG pega dinheiro do governo e não faz nada, não tem credibilidade, etc. O Madalena’s nunca recebeu e nem recebe nenhum apoio financeiro por parte do governo brasileiro. Nosso trabalho é financiado por doações de amigos, por meu esposo, pela vendas de livros, palestra , eventos.

10. Lendo sobre sua atuação artística na Europa, me surpreendi ao descobrir que você tem uma considerável discografia. Quais os caminhos que levaram você também aos estúdios e seus microfones?

Minha intimidade com a música é desde criança. Meu avô e minha mãe são responsáveis pela façanha ( risadas). Lembro que aos 10 anos ganhei o primeiro lugar em um concurso na TV GAZETA, em Vitória do Espírito Santo.

11.Conte um pouco sobre fatos marcantes durante o “processo de publicação” do seu primeiro livro.

Algo que jamais poderei esquecer foi a venda de 1500 exemplares antes mesmo do livro ter sido publicado e a entrega de cada exemplar autografado nas mãos dos adolescentes estudantes que vieram receber o exemplar (ainda tenho calo no dedo , risos….)

12.Por favor, nos revele seu “sonho de projeto ”:

Atualmente meu grande sonho é ver a prevenção como matéria obrigatória em todas escolas do Brasil.

Bem, me resta apenas agradecer você Lúcia por nos ter dado o enorme prazer de podermos conhecer algo mais do seu extraordinário trabalho e ter tido novamente contato com a pessoa admirável que você é! Desejo a você S U C E S S O e com este espaço você pode contar sempre para divulgar seus projetos velhos e novos!

Abaixo, você querido leitor, pode acessar os links da Autora e conhecer ainda mais profundamente seu trabalho, suas obras, seus projetos:

www.luciaamelia.ch

www.prevencaomadalenas.com.br

www.chezlucia.com

REBRA: escritora_ptbr.php?id=1796

Beijos.



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Sementes da Primavera em Munique

Montag, 15. Juli 2013

Série: Entrevistas

Parte II

Destino Mundo: novas perspectivas, novos desafios para e por Jacilene Brataas

Numa destas lindas e raras tardes de sol, onde posso sentar-me sem culpa e frio na sacada do meu apartamento, sinto-me inspirada e motivada a compartilhar com vocês algo do trabalho e das experiências de vida de uma Autora Brasileira cuja simpatia nos proporciona uma sensação de bem-estar e bastante conforto quando estamos próximos a Ela: seu nome é Jacilene Brataas.

Me deparei com Jacilene já no corredor da ante-sala da „Einewelthaus“, onde nos Encontramos em Maio na Primavera de Munique. Me sentindo meio apressada, perdida e ansiosa pela expectativa do Evento que estava prestes a começar, observei – ao terminar de subir os degraus que me levavam ao segundo andar da Casa -uma linda Mulher, sentada confortavelmente à mesinha de espera. Notei que Ela se vestia elegantemente e tinha um corte de cabelo que lhe caia perfeitamente, pois deixava sobressair seus traços finos e seu sorriso contagiante. De qualquer forma sua recepção expontânea me permitiu rápido sentir-me em casa, embora soubesse que Ela não era a dona da casa, mas assim como eu também uma hóspede. A verdade é que não me importei com este detalhe e fui tratando de enterar-me de sua conversa e contagiar-me por sua paz.

Este foi meu primeiro contato com Jacilene Brataas. Um feliz começo para outras trocas de experiências e energias positivas – outro marco do I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera.

Fiquei muito feliz por Jacilene ter aceito meu convite para expor seus pontos-de-vistas e algo do seu trabalho aqui no meu espaço e espero muito que vocês sintam tanto prazer em conhecê-la (ao menos virtualmente) quanto eu tive ao conhecê-la pessoalmente e posteriormente ouvi-la falando sobre os desafios que enfrentou ao optar pela condição de „Cidadã-do-Mundo“.

Agora exlusivamente aqui algo mais de Jacilene pela própria Jacilene-confira suas respostas para os meus questionamentos e intere-se sobre suas experiências e projetos:

1.Querida Jacilene é um grande prazer para mim publicar esta nossa „conversa“ sobre seu trabalho no meu blog!

Em primeiro lugar eu gostaria de saber quando você ouviu falar do “Projeto Adote um Autor” e como foi sua experiência de adoção.

Eu fui informada sobre o projeto através da Alexandra Zeiner e tive a melhor experiência que uma pessoa poderia ter. A pessoa que nos acolheu – Sra. Severina Föll foi de um carinho e atenção que fez da experiência uma bela lembrança, assim como o evento literário em si.

2.Como sabemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, a DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Você pode imaginar esta “experiência” em outros estados ou países? Você trabalha junto a alguma associação no país ou região onde você vive atualmente?

Vejo como uma experiência muito enriquecedora, e porque não dizer prática, já que reduz os gastos dos escritores em participações a eventos literários. Especialmente quando incluem viagens para o exterior. E um intercâmbio cultural maravilhoso! Sim, vejo absolutamente algo que podemos apresentar em todos os lugares possíveis. Inclusive minha região, embora a maior concentração de brasileiros seja em Oslo. Eu trabalho junto a uma associação do norte da Noruega chamada Associação Brasileira de Tromsoe.

3.Por favor, nos fale um pouco sobre sua experiência com o público norueguês. Considerando que há anos você vive  neste país escandinavo, você se considera uma norueguesa?

Me considero bem integrada, realizada e aceita aqui, embora nunca venha a me sentir escandinava. Nunca serei vista pelos escandinavos tampouco como escandinava. Como emigrante temos que tentar nos integrar a cultura onde vivemos, sem assimilá-la. Ou seja, integrar-nos sem perder nossa identidade. Processo nem sempre fácil. Tenho encontrado pessoas muito boas aqui. As preconceituosas estão sempre presentes também. Mas vejo isso como uma característica do ser humano. Temos todos preconceitos. Eles são simplesmente diferentes. Mas com um pouco de compreensão e tolerância, podemos viver melhor.

4.E sobre sua relação com o Brasil, como está depois de tantos anos de “Estrada”?

Minha relação com o Brasil é de uma brasileira que ama seu país, mas com visão um tanto racional também. Vejo os lados bons e ruins de meu país, apreciando o que há de bom, sem exagerar no nacionalismo.

5.Agora, uma curiosidade minha: você se considera realmente uma Cidadã do Mundo?

Sim, me sinto completamente cidadã do mundo. Vivo aqui agora, mas posso ir para outro país sem problemas, mas não desejo mais morar em um país onde tenha que aprender o idioma. Este é um processo que exige enormemente de um ser humano. Uma coisa é aprender um idioma pela diversão. Outra é se sentir obrigado a aprendê-lo para não se sentir excluída de uma sociedade.

6.Por favor, nos revele como foi o “processo de publicação” do seu primeiro livro:

Achei difícil por não saber por onde começar. Não ter tido uma boa equipe na edição do primeiro livro foi também um problema. E o alto custo para se editar uma obra e dificuldade de encontrar canais de divulgação para a mesma também foi um trabalho enorme. Ou seja, foi desgastante, tenho que admitir.

7.Qual é o seu maior desafio atualmente?

Encontrar editoras interessadas em editar minhas obras.

Concluindo só posso agradecer você – querida Jacilene por sua atenção e por disponibilizar seu precioso tempo para nos permitir conhecer algo mais de você e de seus projetos. Foi um grande prazer, de certa forma, reencontrá-la!

Abaixo  você encontra outras informações preciosas sobre os trabalhos da Escritora Jacilene Brataas:

Link REBRA – Rede de Escritoras Brasileiras

Aqui Sua página pessoal

Beijos.

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Sementes da Primavera em Munique

Montag, 8. Juli 2013

Série: Entrevistas

The Pink Dolphin's/ O filho do Boto Cor-de-Rosa

Textos trabalhados em português e inglês, com ilustrações de Judit Fortený

Parte I:

Hoje em destaque a autora e coordenadora do Projeto „Adote um Autor“: Alexandra Magalhães Zeiner – escritora, profissional multi-facetas, mãe, mulher, menina.

Antes de mais nada tenho que admitir que sinto uma grande admiração por Alexandra uma pessoa sobretudo  batalhadora e humana, a qual  tive o grande prazer de conhecer pessoalmente em Munique no nosso „Encontro“. Ela ainda me surpreende repetidamente com a sua dedicaςão, seriedade e confiança num projeto que prioriza sobretudo a solidariedade e o talento individual de todos àqueles que estão envolvidos num ideal de divulgação do nosso idioma e de nossa arte que traduz-se não apenas através das palavras escritas, mas em sua própria essência encravada em nossas almas, em nossos sorrisos, em nossas lágrimas, em nossas canςões, em nossos silêncios…

Sem mais de mim mesma, mas sim algo mais de Alexandra: seus valores, seu trabalho, sua própria versão do projeto „Adote um Autor“, sua conexão contagiante com a floresta Amazônica e seus encantos. Agora você está especialmente convidado  para a leitura de algumas frases que transpiram algo do Mundo de Alexandra. Leia com atenςão, por favor, pois vale a pena!

1) Alexandra, é um grande prazer para mim publicar algo sobre você e seu trabalho no meu blog. Nos conhecemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera e eu gostaria de saber como foi para você a experiência de conceber e organizar o “Projeto Adote um Autor” – um projeto pioneiro em terras germânicas.

Obrigada pela iniciativa, Neusa. Acredito que, para que todos entendam toda a dinâmica dos envolvidos no projeto, será interessante descrever “o processo de adoção”, que, para mim, foi um dos mais importantes e marcantes aspectos do projeto. Mas, antes de tudo, para aqueles que o desconhecem, eis uma pequena explicação sobre a “adoção dos autores”: Membros e amigos da Associação Cultural Teuto Brasileira (DBKV e.V.) convidaram autoras e autores para serem seus hóspedes durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. Este foi um processo inédito em eventos literários, iniciado em trabalho conjunto com a DBKV e.V..

Em outubro de 2012 o projeto foi submetido à presidente (Rosanna F. Gebauer) e vice-presidente da DBKV e V. (Mary Kling). Durante sete meses, muitas horas de trabalho foram dedicadas ao projeto, para que esse sonho do encontro se tornasse realidade. Na abertura do evento, o Senhor. Embaixador e Cônsul-Geral do Brasil em Munique, Sr. Antônio Carlos Coelho da Rocha, reconheceu no seu discurso o pioneirismo do projeto e do evento. A querida Ministra Monika Salski também participou da abertura do evento e acompanhou as apresentações dos autores, encantando a todos os participantes.

Enfim, o apoio da comunidade brasileira na Baviera foi a chave para o sucesso do evento. Todos os autores participantes foram hospedados ou “adotados” por famílias de Munique e cidades vizinhas. A experiência pessoal de cada um dos participantes está sendo publicada semanalmente no blog do projeto: Adote um Autor. Publicaremos também o testemunho das famílias apoiadoras do “processo de adoção”. Estes são apenas alguns exemplos do prazer que senti, e que ainda sinto, ao coordenar um projeto cujo lema é: solidariedade com criatividade!

2)Durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, A DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Como você imagina „esta experiência” em outros estados ou países? Qual seria a intensidade de sua atuação no projeto que você concebeu, mas que pretende obter „asas“ próprias?

Somente uma associação que trabalha com/para a comunidade poderá dar continuidade ao trabalho iniciado no sul da Alemanha. Repito: o apoio da comunidade é fundamental! A troca de experiências será o ponto diferencial. Eventos literários, focando nossa literatura e nossa arte, são organizados no mundo inteiro, mas, antes do evento de Munique, nenhum outro havia “adotado” seus convidados e exposto seus trabalhos, gratuitamente.

Atualmente já temos algumas propostas, que serão cuidadosamente analisadas, pois o projeto será utilizado como uma ferramenta extra pelos autores e suas associações durante eventos literários. E, acima de tudo, confio na nossa mascote, ela voará para o melhor ninho, seja ele onde for.

3)Fale sobre sua experiência com o público brasileiro-alemão/austríaco/canadense, considerando o seu contato tão estreito com os diferentes idiomas e culturas.

Sempre respeitei a cultura dos diferentes países onde vivi: Áustria, Canadá, Croácia, Holanda e, agora, Alemanha. Por isso vivi bem em todos eles, e sinto um profundo agradecimento por tudo que aprendi durante todos esses anos. Todas as pessoas que encontrei pelo caminho me ensinaram que, mesmo diferentes, fazemos parte desse planeta maravilhoso, estamos aqui de passagem e por isso somos iguais, independente de sexo, raça e crença.

4)Conte-nos um pouco sobre fatos marcantes durante o “processo de publicação” do seu primeiro livro. E quanto ao segundo livro? Até que ponto sua primeira experiência contribuiu para a segunda?

Foram anos de tentativa, perdi a conta de quantas cartas, e-mails e telefonemas foram feitos durante o processo. Naquela época eu já tinha as ilustrações da Judit Fortelny, que trabalha em parceria comigo. Eu tinha em mente encontrar uma editora que publicasse trabalhos bilíngues, o que se na Europa ainda é raro, no Brasil nem se fala. Além disso, publicar no Brasil virou negócio, e fora de cogitação para uma iniciante.

Quando já estava desistindo, recebi a clara mensagem dos meus mestres de yoga: eu precisava publicar aquele primeiro livro. Assim, ao reiniciar a procura pela editora certa, encontrei a editora americana, Educa Brazil, que no prazo de um mês aceitou meu projeto. A pessoa que à época aceitou meu projeto desligou-se da editora alguns meses depois e por isso nunca tive a oportunidade de agradecê-la pelo que fez! Assim, em 2011, Ano Internacional das Florestas, fiz minha contribuição pessoal para as futuras gerações de brasileirinhos espalhados pelo mundo, publicando “O filho do boto cor-de-rosa”.

O segundo livro, “A menina e a onça-pintada”, foi publicado pela Educa Vision, editora “mãe” da Educa Brazil. Eles acreditam no meu trabalho e eu acredito que esta seja a base essencial para o sucesso de todo trabalho: credibilidade e respeito.

The Girl and the Jaguar. Sua segunda publicação bilíngue. Também iliustrada por Judit Fortelný

5)Pelo que observei, você tem uma relação muito íntima com a floresta e seus encantos naturais. De onde provém essa intimidade?

Eu sou muito apaixonada pela Floresta Amazônica e suas histórias. Durante séculos os nativos da região viveram em estreita comunhão com a natureza, até que „os exploradores do novo mundo“ decidiram “ficar e explorar” a América do Sul. WaldeMar de Andrade e Silva também me inspirou com sua arte e história. Em 2002, quando vi pela primeira vez suas pinturas, fiquei encantada. Vi quadros da minha imaginação na infância, figuras vivas das histórias das tias que moravam no Amazonas. WaldeMar é um artista e escritor brasileiro, que há muitos anos tem pintado cenas da vida dos índios do Xingu, lugar onde viveu, partilhando com seus habitantes o amor por nossas florestas e seus animais.

Os povos indígenas brasileiros consideram o Xingu um santuário. Esse lugar especial está em risco de desaparecer, e o mundo deve saber o porquê. Belo Monte, ou Belo Monstro, representa um crime contra a natureza do planeta, e o pior de tudo é que o governo do Brasil é quem o está cometendo! No mundo inteiro, povos nativos respeitam e acreditam que as crianças são nosso futuro. Minha ilustradora, Judit

Antologia REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras

Mulheres da Floresta- Antologia REBRA. Em destaque o trabalho do ilustrador WaldeMar de Andrade e Silva

Fortelny, e eu, concordamos plenamente com eles. Em um momento de grandes desafios para a Amazônia e seus povos, compartilhamos a mensagem de que todos habitamos o mesmo planeta, a Mãe Terra, e é nosso dever respeitá-la e protegê-la.

6)Por favor, nos revele seu “sonho de projeto ”.

Projeto Adote um Autor.

Meu agradecimento especial a você, querida Neusa, e também a todos os que se interessaram na leitura desta entrevista.

Aguardo feedbacks!

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Primavera em Munique

Sonntag, 23. Juni 2013

"Primavera em Munique - sementes foram plantadas"

Não uma Primavera qualquer, não mais „apenas“ uma primavera, mas  „nesta“ primavera na capital Bávara – a qual além do seu charme e todos os encantos, nos descortina gentilmente uma  cadeia de Montanhas muito convidativa ao passeio, à intimidade com os Elementos, à reflexao e à poesia  – os Alpes – fascínio arrebatador!

Nesta primavera nós, alguns dos muitos escritores brasileiros que encontram-se espalhados pelos cinco continentes, fomos recebidos gentilmente em Munique para um Encontro muito especial, para o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera, o qual apenas pôde ser realizado porque tivemos o apoio de várias entidades dedicadas à divulgação do Idioma Português e da nossa Cultura. Entre estas instituições, tenho que destacar a DBKV ou a Associação Cultural Teuto-Brasileira, a qual em vinte e cinco anos de existência é uma presença marcante em terras germânicas para o reconhecimento e divulgação de todas as expressões literárias e artísticas envoltas nas cores verde-amarela. Assim, eu gostaria de mais uma vez em nome de todos os meus colegas agradecer o incentivo incondicional que recebemos da presidente da DBKV: Rosanna Ferrarezi-Gebauer, da vice-presidente: Mary Lopes S. Kling e todos os membros e associados desta maravilhosa instituição cultural.

Com este post eu gostaria também de compartilhar com vocês que estarei publicando, com muito prazer e orgulho, algo mais sobre os trabalhos e projetos de alguns  Autores que vivenciaram comigo a „primavera em Munique“, além de uma breve entrevista sobre suas experiências pessoais a partir do lanςamento do projeto „Adote um autor“.  Nossas famílias adotivas também serão alvo da minha curiosade em saber o que representou para Elas o desafio de abrirem as portas de suas casas para  pessoas com as quais haviam se sintonizado apenas através das palavras escritas.

Naturalmente bem acompanhada da doce corujinha - mascote do nosso Projeto.

A autora e coordenadora  do projeto „Adote um Autor „: Alexandra Magalhães Zeiner será a minha primeira entrevistada.

Bem, me resta apenas tentar  proporcionar  muita informação, diálogo e que eu possa de certa forma, através do meu canal virtual, respaldar à  todos os  ousados fazedores de literatura e arte e que encontram-se em todas as formas de expressão apesar de estarem espalhados por todos os cantos do planeta!

Linda semana!

Beijos.



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Não era Primeiro de Abril

Sonntag, 9. Juni 2013

O Diário de uma Ex-paciente.

Um título para um livro, um tema em homenagem à vida! Nada mais que o trabalho de uma jovem pessoa, uma jovem profissional, um anjo jovem – Karina Martinelli.

Que privilégio poder ter conhecido Karina em Munique! Ela me surpreendeu realmente com sua leveza nos atos e seu sorriso estupendo! Eu, de certa forma já a conhecia, pois trocamos antes do nosso Encontro muitas mensagens, recados, impressões, mas ao vê-la pessoalmente correndo pelos corredores da „Einewelthaus“me deparei com uma mocinha cheia de entusiasmo pelas pessoas e pela vida.

No entanto, minha surpresa maior ainda estava por vir! Eu estava curiosa para conhecer o trabalho literário de Karina e na primeira oportunidade pedi à Ela para mostrar-me seu livro. Quase imediatamente ele estava em minhas mãos. Um lindo exemplar do Não era Primeiro de Abril. Ao ler este título eu pensei que talvez se tratasse de um romance ou crime. No entanto concentrando-me no seu subtítulo: O Diário de Uma Ex-Paciente, imaginei algo biográfico.

Apenas não pude acreditar que este livro tratava-se de uma experiência muito impressionante na vida da própria Karina e sua travessia da morte para a vida quando, com  apenas vinte e cinco anos, deparou-se com o câncer.  A  forma como Ela se relacionou com seu  tumor me tocou de tal forma que eu não poderia deixar de compartilhar com vocês este trabalho de Karina – um livro que deveria ser lido por todos, pois refere-se à uma lição de extrema coragem e respeito perante à vida, à morte, às pessoas.

Abaixo transcrevo algo de uma das muitas passagens exepcionais do Não era Primeiro de Abril:

Meus

I

Andei por tantos lugares.

Em tempos diferentes.

Fui Otelo, Eurípedes.

Dionísio, Ícaro.

Brinquei de Manuel Bandeira.

Virei Fernando Pessoa.

Transformei-me em Kafka.

Busquei Hesse.

Tropecei em Drummond.

Ri com Stanislaw.

Chorei Pessoa.

Celebrei Ubaldo.

Priorizei-me a Sartre.

Descobri Veríssimo.

Cobri Ubaldo.

Fugi de Lord Byron.

Corri de Camilo Castelo Branco.

Entorpeci-me de Castro Alves.

Procurei Eça de Queiroz.

Perdi-me em Camões.

Encontrei Jostein Gaardner.

Adorei Moore.

Fiz-me Assis.

Emergi Lispector.

Apaixonei-me por Vinícius.

Entreguei-me a Chico.

Rendi-me a Reis.

Devorei Rita.

Amei Anas e Adrianas.

Quis Peter.

Desejei Tom.

Prometi Cazuza.

II

Fui Equilibrista e desequilibrada.

Perdi minhas asas, ganhei novas.

Corri mais que o vento.

E fiquei imóvel descalςa sobre as brasas.

Cai de penhascos, cavei abismos e me joguei na vida.

Fui heroína, princesa, dama.

A mais feia da corte, a mais bela da taverna.

Salvei o vilão e vinguei o mocinho.

Lutei em guerras.

Joguei fora as rosas.

Funcionei em disritmia.

Virei bandoleira com caraςão cigano.

Conquistei me corpo.

Fui índio, planta e criança perdida.

Fui maior abandonada.

Voltei da Terra do Nunca.

Tornei-me bedel, juiz.

FELIZ.

Fui porta estandarte, pierrô e alecrim.

Fui sempre de mim.

Perdoei, pequei.

Teci retalhos em forma de retratos.

Fui viajante e poeta.

Ardi em terror e amor.

Ignorei a correria da cidade

encarei a mortalidade.

Lutei com leões.

Fugi de prisões.

Toquei piano e violão.

Dancei sapateado e balé.

Pintei, bordei, criei.

Fiz samba e amor até mais tarde.

III

Sou sonhadora.

Sou malandro.

Achei meu jeito e amar.

Mas não parei de procurar.

Vou continuar.

Vou amar, vou sonhar, vou sofrer, vou chorar.

Vou fingir, vou atuar, vou intensificar, vou priorizar.

Só não vou mais esperar.

Obrigada querida Karina por estar conosco!

Beijos

Ps.: Contato com a autora Karina Martinelli através da Editora in house



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