Posts Tagged ‘Relacionamentos’

Loyalität = Lealdade

Sexta-feira, Novembro 30th, 2012

Melhorias precisam ter sucesso na calmaria, já que na tempestade não se pode mais consertar a vela. Moritz von Auffenberg

Dica de consultório: nunca criticar o (a) parceiro (a) na frente de outras pessoas:

Em todo caso, faz parte de uma relaςão o apoio recíproco. Desta dinâmica faz parte “fazer costas quentes”e não ridicularizar o outro na frente de outras pessoas – isto, penso eu, que é claro para todos nós!

No entanto existem situaςões nas quais temos opiniões completamente diferentes das do nosso parceiro e o  consideramos até mesmo totalmente injusto!

Também neste caso o que devemos fazer é manter a discriςão e tentar nos manter neutras, pelo menos até o momento em que outras pessoas estiverem presentes – “entre estranhos nunca critique o seu parceiro, principalmente pelas costas” – aconselha   Felicitas Heyne, psicóloga de Herxheim/Renânia -Palatinado. Esse tipo de ilealdade, com o passar do tempo, irá com certeza prejudicar a relaςão de confianςa, a qual é fundamental em toda parceria.

Traduςão– texto página “Leben” – Rhein-Hunsrück-Zeitung, N° 279 em 30.11.2012

Ps. Bem, problemas a parte – como disse o poeta: “ninguém é feliz sozinho” e muitas vezes uma  sessão de reclamaςão a parte com uma ótima amiga pode ajudar bastante a aliviar certas tensões da relaςão, afinal as dificuldades estão presentes no cotidiano de todos nós – ou  não?

Beijos e lindo fim de semana!

Dicas (práticas) do Consultório

Sábado, Agosto 4th, 2012

"Esconda a sua loucura atrás de um lindo sorriso.Isso basta". Paulo Coelho

Um final de semana diferente me aguarda, muito tranquilo… talvez até tranquilo demais. Estou sozinha em casa com meus pensamentos, ocupaςões domésticas e projetos para o futuro. É o terceiro ano consecutivo que Meus Três foram acampar juntamente com outros pais e crianςas aqui da nossa vila e dessa aςão, a qual tem um quê de aventura e gostinho de fim de férias, as mães estão fora, permanecem em casa e estam proibidas de participarem da aventura dos Meninos e Meninas. Às mães é concedida a  permissão de  ocuparem o próprio tempo com Elas apenas e decidirem desde a organizarem  grandes programas com amigas ou dormirem o tempo tempo se assim desejarem. Acho muito interessante esta tradiςão daqui! Meu final de semana, no entanto, mesmo sozinha já está repleto e não de programas com amigas, pois elas já estão comprometidas com  outras atividades. Acho que de diferente mesmo vou apenas dormir algumas horas extras que normalmente até porque tenho que me carregar de energia para a próxima semana que será de reforma na cozinha, ou seja meu campo preferido de trabalho e filosofia estará caótico! Jörg já me disse: “a partir de segunda, você não reconhecerá mais a sua cozinha…” Deus meu!

Mas particularidades a parte, comecei este post com o objetivo de compartilhar algumas dicas úteis que li ontem e considero bem importantes para nos ajudar em nossos relacionamentos, afinal é ilusório de que alguma relaςão sobreviva sem conflitos, sem contradiςões, sem altos/baixos e já sabemos também faz tempo que almas gêmeas não existem a não ser em ficςão. Assim encarar a realidade e trabalhar as diferenςas ajudam muito a amenizar os conflitos. Logicamente certa flexibilidade, em qualquer situaςão é fundamental senão a única possibilidade é mesmo viver sozinho, mas como disse o poeta: “…ninguém é feliz sozinho…”

Alguns aspectos a serem considerados:

1-Férias:

  • Quando um dos parceiros gostaria de ir para as montanhas e o outro para o mar o melhor mesmo é tentar estabelecer um acordo no qual em um período de férias os dois viajam para as montanhas e no outro período para o mar;
  • Isso vale também para as atividades – quando um quer ir para a praia e o outro jogar futebol ou golfe – vale o consenso no revezamento dos programas;
  • Existe também a possibilidades de programas separados, os dois não precisam estar juntos 24 horas por dia. Assim enquanto Ela vai às compras ou ao cabelereiro, Ele pode se ocupar sozinho com uma atividade que o agrada muito e a Ela não exatamente;
  • Absolutamente irreal também é pensar que os problemas por si mesmos se resolverão nas férias. É melhor não esperar que cicatrizes e conflitos se evaporem apenas com o “clima de férias”.

2-Caixas:

Quando os dois se relacionam de forma muito diferenciada com dinheiro, faz sentido a existência de contas separadas. Quando os dois têm bons rendimentos vale a pena a organização de um caixa extra para despesas comuns com a casa. Muitas situaςões conflitantes e desagradáveis podem existir se um tentar mudar a maneira do outro de investir ou gastar, pois este aprendizado está muito ligado a forma como fomos educados – normalmente aprendemos com os nossos pais no que e como investir ou desperdiςar o nosso dinheiro.

3-Amigos:

Paralelo aos amigos comuns, devemos ter os nossos próprios amigos independentes de nossa relaςão amorosa. É saudável para ambas as partes passar algum tempo sozinhas com pessoas que lhe são confiáveis para uma boa conversa ou a prática de algum hobby.

4- Pequenos segredos:

Os casais não precisam sempre falar sobre tudo. Um pouquinho de segredo fazem como “o outro” permaneςa interessante, atrativo. Psicólogos afirmam que os pequenos segredos permitem que possamos fantasiar através/em  nossos parceiros. Sem segredos o efeito se perde. Absoluta transparência não fortalece o relacionamento, pode torná-lo apenas entediante. Mais importante  é que sejamos para nossos parceiros pessoas previsíveis e confiáveis.

Beijos e boa sorte!

Fonte: Rhein-Hunsrück-Zeitung n°: 179,  em “Leben – Familie & Beziehung”

Puberdade=pais a prova

Sexta-feira, Março 11th, 2011

"Como abracar um Cacto?"

Com o comeco da puberdade os pais, com frequência, nao reconhecem mais os seus próprios filhotes. A doce proximidade da infância transforma-se em distância “aborrecente”. Aqui em casa, para a minha sorte, ainda nao estamos na fase aguda desta fase da vida das criancas, porém os indícios da mesma já sao bastante visíveis e penetrantes, por isso mesmo venho me preparando psicologicamente para ter uma chance de dancar mais ou menos conforme os rítmos malucos dos hormônios da minha filha pré-aborrecente e os meus próprios, os quais também sao colocados ao menos uma vez a cada mês (penso, esta é uma característica generalizada entre nós do sexo feminino)  em movimentos parecidos com os  de uma montanha russa, o que sem dúvida pode dificultar um pouco  a  convivência harmônica da família. No entanto quando somos capazes de compreender um pouquinho os nossos sentimentos e o porquê estamos tao sensíveis, carentes ou irritadas – podemos logicamente amenizar certos conflitos conoscos mesmas e com as pessoas que convivem conosco. Assim na esperanca de poder entender as mudancas de comportamento e postura da minha filhota “pré-aborrecente” tenho tido muito interesse no assunto – puberdade –  procuro ouvir com atencao a experiência de outras maes e ler artigos sobre o tema. Eu sei que nao há nenhuma resposta pronta ou manual de instrucoes para se evitar os conflitos normais que sao pertinentes à fase. No entanto, pensando que dicas de especialistas nos ajudam a lidar com certas situacoes, eu resolvi compartilhar com vocês  algumas informacoes que obtive lendo o caderno Leben/ Rhein-Hunsrück-Zeitung (n° 42). Resumindo em pontos concisos –  estes sao alguns  esclarecimentos que obtive e outros que reforcei  em relacao ao tema:

  • Nesta fase temos a impressao que nao conhecemos mais os nossos próprios filhos tamanha a mudanca que se opera nas criancas. Quase nao reconhecemos mais seus gostos, valores e prioridades;
  • As criancas em fase de puberdade colocam tudo e todos a prova, principalmente os próprios pais;
  • A puberdade coloca a “vida interior” da crianca em tormenta;
  • Entre o caos produzido pelas mudancas causadas pelos surtos hormonais, alteracoes do cérebro e  o esforco espendido para crescer/ tornar-se independente – as criancas perdem o controle sobre si mesmas;
  • Elas tomam atitudes incompreensíveis para os pais (os quais também nao sao realmente obrigados a entender). Isto é o indício que necessitam se firmarem em suas prórprias personalidades e para isso precisam  estabelecer e obter reconhecimento de suas fronteiras – em relacao aos pais (principalmente);
  • Os pais devem respeitar  a esfera de privacidade e o certo “distanciamento” que por vezes os filhos buscam – nao enervar com mil perguntas/questionamentos;
  • É normal e saudável a preocupacao dos pais para com os filhos, queremos estar informados sobre o desempenho na escola, relacionamentos com amigos, etc – por isso temos que cuidar para que o nosso contato com eles nao se rompa, mesmo depois de uma briga ou grande discussao;
  • Mesmo sendo/estando, muitas vezes, extremamente hostis –  os adolescentes, no fundo, querem e necessitam que os pais estejam interessados por eles. No entanto, simplesmente cravejá-los de perguntas nao demonstra realmente interesse, senao cobranca;
  • Os pais podem demonstrar  sincero interesse pelos seus “Cactos”, por exemplo, sentando-se em um canto da cama e puxando uma conversa com ele, perguntando como ele se sente… a diferenca entre o real interesse e perguntas enervantes/vazias é muito fácil de ser identificada;
  • Por último, valem ainda para nós pais, as seguintes dicas:
  1. Tentar nao se deixar provocar;
  2. Nao falar como tagarela (blá.. blá…blá… blá) na cabeca das criancas;
  3. Evitar ao extremo  insinuacoes e confrontacoes.

Bem, munidos de certa fundamentacao teórica –  só me resta desejar a todos nós muita paciência e sorte!

Beijos.

Também quando “cacos” voam…

Segunda-feira, Janeiro 10th, 2011

Encarar com humor certos detalhes, pode ajudar...

existem certas regras para o jogo.

Psicologia: como casais se comportam frente a insinuacoes. As ofensas sao tabus.

Se em funcao do esquecimento do aniversário de casamento ou porque o recipiente para o lixo está super lotado – há certas situacoes que, em todo relacionamento, provocam discussoes e brigas. Há certos casais que brigam quase todos os dias, outros de tempos em tempos. “O quanto duas pessoas brigam, porém nao é um indicador de qualidade de uma relacao”, afirma Christian Thiel – conselheiro de casais (Berlim) . Como elas brigam já explicita algo da relacao. Uma ofensa pode ter consequências fatais.

“Mais importante que a pergunta sobre a regularidade dos desentedimentos entre um casal é a quantidade de momentos positivos, cheios de amor e compreensao que separa um caso de atrito do outro” – esclareceu-nos o conselheiro. Assim pode ser que a frieza, o distanciamento seja uma marca entre casais que nunca discutem, enquanto que casais compostos por galos de briga “sangue quente” possuem ainda com frequência o sentimento de “frio-na-barriga” (Schmetterlinge im Bauch – para os alemaes).

“Contudo, as situacoes de discóridia nao sao favoráveis para a relacao – em situacao de raiva, as pessoas podem tomar certas atitudes, das quais depois elas se envergonham, assim em alguns momentos é preferivel ao invés de explodir em frustracao melhor sair um pouco e arejar a cabeca” – aconselhou Thiel. A serenidade compoe uma relacao feliz. Logicamente pertence à todos os relacionamentos a necessidade de esclarecimentos, mas quem se aborrece por cada mínima contrariedade deve se perguntar se realmente compensa mais  uma situacao de atrito. “Os problemas insolúveis existem em toda parceria – discussoes muito frequentes e por qualquer ninharia cansam”…

“Naturalmente tem-se o direito de estar profundamente bravo, quando algo nao está em ordem” – opina Dagmar Kumbier, psicóloga diplomada (Hamburg), pois casais que entre si nao se “esfolam” esclarecem de forma insuficiente suas necessidades profundas – o que pode gerar problemas muito graves.

“Se há explosao  por motivos banais como – porque  a roupa suja nao foi colocada no local adequado ou nao  jogou-se no lixo o saquinho usado de chá  – compensa perguntar-se: o que existe por trás disto” . Muitas vezes o verdadeiro motivo para a rusga está num ponto problemático da relacao, o qual deve-se tentar esclarecer através de uma conversa aberta e franca (…)” – afirma a psicóloga.

Beijos e linda semana!

Texto base traduzido do original de Bettina Levecke (caderno: Leben), edicao n° 6 do jornal: Rhein- Hunsrück, 08.11.2011

Filho criado, trabalho dobrado?

Quarta-feira, Janeiro 5th, 2011

Relax - passeio entre neve e sol (-6) para refrescar até pensamentos!

Esta expressao eu ouvi muitas vezes quando minha mae se lamentava um pouco sobre os problemas inerentes à uma grande família. Já éramos todos adultos, a maioria casados e com famílias próprias daí os problemas foram também se multiplicando quando vieram os netos e bisnetos. Minha mae que era uma baixinha sábia terminava sempre a conversa afirmando: “tudo passa”. Eu, no auge da minha juventude, nao entendia e nem concordava muito com as afirmacoes da minha mae, mas encerrava também o assunto já que nao tinha mais o que dizer para conformá-la ou contrariá-la.

Hoje, refletindo sobre a complexidade de algumas atitudes das minhas filhas e  de suas amigas, eu entendo perfeitamente o que minha mae dizia. Sinceramente, já tenho um receio danado da fase adolescente. Por que as criancas crescem tao rápido? Me sinto tao nostálgica e desarmada quando vejo as fotos de Laura e Vic enquanto bebês. Elas nao tinham qualquer segredo para mim, a cada segundo estavam explícitos os seus mais sinceros sentimentos. O mundo delas era o meu mundo e vice-versa. A dinâmica da vida é linda, exuberante e complexa, mas eu tenho que admitir que já tenho medo de perder minhas filhas no turbilhao de novidades e acontecimentos que este dinamismo traz  consigo. Os sentimentos sao contraditórios, por um lado é ótimo percebê-las tao independentes e seguras, além de receber a ajuda para escolher uma calca ou programar um aparelho novo. Por outro lado nao é muito fácil saber que Laura está (de novo) apaixonada, namorando e se preocupa tanto em ser moderna, atual, cool – sendo que tem apenas nove anos. Eu ainda a vejo como o meu primeiro bebê e em algumas semanas ela tem que tomar uma grande decisao em sua vida. Ela terá que optar pela sua nova escola, por onde e com quem ela enfrentará tantos novos desafios, inclusive o início do seu trajeto profissional. Tenho evitado em pensar muito nisto, mas é uma questao muito importante e nos causa bastante preocupacao. Desejamos o melhor para nossos filhos, mas o que é melhor? Teorias pedagógicas sao sempre interessantes no papel, mas e na realidade? Qual é realmente o melhor caminho a tomar? Estou esperando uma dica de dentro, do coracao, pois acredito que as dicas do coracao nunca falham – elas sao sempre sábias e acertadas, mas tenho que dar tempo ao tempo, pois ainda nao ouvi nenhuma voz interna. As interrogacoes circulam pelo cérebro afora em círculos e semi-círculos.

Hoje estive também muito pensativa sobre o como é fácil ter filhos e o quanto é difícil educá-los. Nesta semana, a segunda e última  das férias de natal (que, na minha opiniao sao mais que suficientes) tivemos a visita de amigas das criancas aqui em casa, uma delas passou a noite aqui (a melhor , talvez a única) – amiguinha da Vi, pois havia tempo eu havia prometido isto para ela, já que Laura já vivenciou esta experiência uma séria de vezes. Tenho a dizer que me sinto agora 100%  mais relaxada que a 24 horas atrás. A nossa pequena visita é uma ótima companheira  de brincadeiras, mas quando se refere a comer ou tomar… “Dios mio”! – que difícil! Abaixo algo da nossa conversa:

Eu, em torno das 19 horas, após perguntar às três damas se estavam com fome e obter a resposta “sim”.

_ Temos pizza, ok?

A dama visita:

_ Eu só gosto de pizza-salame.

Eu:

_ Temos pizza salame com Champignons.

A dama visita:

_ (Nöööö), nao gosto de Champignons.

Eu:

_ Eu separo para você os Champignons.

A dama visita:

_ Na ja…. (serve!)

Eu:

_ Para tomar? Suco de laranja? Suco de banana?Suco de maca?

A dama visita:

_ Eu só tomo água, nada mais ou leite com 3 colheres de cacau (toddy).

Depois de, por fim, as damas estarem satisfeitas, pergunto eu:

_ Sorvete como sobremesa?

A dama visita?

_ Só se for de Vanille.

Resultado: quando já eram quase 11 da noite (sendo que eu preciso sair da cama antes das 5 da manha) a dama visita volta para a sala depois de uma complicacao infernal para estar na cama e me informa que nao pode pegar no sono.

Eu: _ Vou telefonar agora mesmo para sua mae!

A dama visita:

_ Nao, está tudo bem!

Conclusao: dez minutos depois nao havia mais problemas e eu pude tomar meu chá e meu Grippostad C, pois me sentia, fazia horas, totalmente resfriada…

Beijos.

“Longe é um lugar que nao existe”

Segunda-feira, Dezembro 27th, 2010

Sair do "solo" requer aprendizado.

Já nao sei mais quando me encantei por este pequeno livro, mas sei que faz anos que tenho grande parte de seu conteúdo cravado na memória. Ele traz  através de suas poucas e coloridas páginas  mensagens indescritivelmente profundas e que me ajudaram muito a compreender e aceitar melhor os meus próprios valores e sentimentos,  os quais até entao eu nao sabia como  exprimir através das  palavras.

Hoje quando me sinto de certa forma “longe”, penso que em funcao do frio e da neve que deixa tudo tao nostálgico, eu gostaria de compartilhar um pouco dele com vocês, por isso reproduzi algo abaixo:
“- Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário!

Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado.

Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.

Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:

– Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar ‘indo’ a uma festa.

– Claro que estou indo à festa. – respondi. – O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:

– Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?

– A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – Falei para a coruja. Parecia estranho dizer ‘indo’ depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.

Ela voou em silêncio por um longo tempo.

Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia:

– Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de ‘pequena’.

– Claro que ela é pequena, porque não é crescida – respondi. – O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:

– Pense a respeito.

– A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – Falei para Águia. Parecia estranho falar agora ‘ indo e pequena’, depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que Águia compreendesse.

Voamos juntos sobre as montanhas, subindo nos ventos das montanhas.

E Águia finalmente disse :

– Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra ‘aniversário’.

– Claro que é aniversário. – respondi. – Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.

– Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?

– A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. – Falei para Gavião. Parecia estranho falar ‘indo, pequena e aniversário’, depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.

O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse:

– Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ‘crescendo’.

– Claro que ela está crescendo – respondi. – Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Gavião pousou finalmente numa praia deserta.

– Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.

E Gavião alçou vôo e foi embora.

Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:

– Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?

Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas e pousou suavemente em seu telhado e disse:

– Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.

E Gaivota se foi.

E agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você.

É um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado por ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.

O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam.

Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa pôr suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu pôr tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo descer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão respostas, suas preocupações terão acabado.

Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa.

A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa.

Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.

E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.

Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros.

Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você.

Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.

Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são.

Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade.

É o caso do anel.

Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.”

Richard Bach.

Beijos e linda semana.

Ciúmes…

Sexta-feira, Novembro 12th, 2010

O ciúmes apenas em uma dose mínima pode fazer bem.

Um dos sentimentos mais comuns e que nos assalta a todos em vários momentos de nossas vidas. Por que, afinal de contas, sentimos ciúmes? E como superar a dor e o tormento que este sentimento nos provoca?

Esta semana li um artigo muito interessante sobre este sentimento que pode provocar muitos desencontros, tristeza, mágoa e incompreensao entre pessoas que na verdade se amam.

Muitas vezes temos medo dos nossos sentimentos e para nos proteger tentamos enfiá-los em gavetas, as quais  mantemos trancadas. Contudo eles nos perseguem mesmo assim,  a toda hora e a todo lugar, nos provocando a sensacao de desconforto, angústia, solidao e tristeza. Há anos atrás tive a experiência fenomenal de participar de um grupo de amigos chamado CVV – Centro de Valorizacao da Vida – onde eu conheci pessoas fantásticas e aprendi muito sobre os meus próprios sentimentos e a como  lidar com eles. Também ao ler este artigo pude compreender algo mais sobre o sentimento de ciúmes e me sinto, agora, motivada a compartilhar com vocês algumas informacoes que poderao ser úteis para um processo de auto-ajuda ou na compreensao de pessoas importantes para nós, as quais sofrem ou nos fazem sofrer por causa deste sentimento negativo.

  • De onde vem o sentimento?

Muitas vezes   o ciúmes predomina na relacao  porque há carência de auto-estima e se pensa que o outro é mais lindo ou interessante.  Daí a dúvida sobre o que se representa para a outra pessoa – até que ponto sou importante? –  além do questionamento constante sobre as próprias  habilidades, ou seja, o indivíduo experimenta o sentimento de ciúmes a medida que se sente inseguro quanto a si mesmo e quanto aos sentimentos das pessoas que lhe sao caras.

  • Ciúmes como um sinal:

que pode ser entendido como amor. Algumas pessoas podem se sentir vaidosas e felizes com cenas de ciúmes do outro, pois aí está um indício que tem peso na relacao, que o outro nao fica indiferente às suas atitudes e preferências. Porém, cuidado! O ciúmes quando se torna muito constante e insistente pode enervar… e muito! Muitos problemas podem surgir e tomar grandes dimensoes.

  • Consequências:

Quando o indivíduo é ou se torna muito ciumento acaba por tomar atitudes para “controlar”: atencao às chamada telefônicas, encontros a sós com amigos, etc… o que acaba se tornando um tormento para ambas as partes. Algo que nao traduz uma relacao de amor,  senao inseguranca, baixo nível de auto-confianca e medos, os quais por sua vez podem ser provenientes da infância.

  • O fim da relacao:

Os sucessivos desentendimentos e a desconfianca sem fundamento acabam transformando o indivíduo ciumento num assassino de relacionamentos.

  • O que se pode fazer?

A pessoa muito ciumenta pode ou deve procurar ajuda psicológica, pois o sentimento de ciúmes nao é genético e nao nasce conosco, nós o incorporamos, assim pode ser “desaprendido”, ou seja, pode-se aprender a nao ser ciumento ou ao menos ter menos ciúmes.

  • Dialogar:

Sobre ciúmes pode ajudar já uma boa conversa com uma pessoas confiável, mas com a vítima melhor ainda. Pode-se desatar muitos nós quando se fala abertamente sobre as preocupacoes e problemas que ocupam os pensamentos e o coracao. Possivelmente uma boa conversa poderá afastar muitos fantasmas que assombram a relacao através do ciúmes ou talvez evidenciar a real intencao do outro em realmente  provocar o sentimento de ciúmes no parceiro quando, por exemplo, paquera descaradamente – nao respeitando a pessoa que está ao lado.

  • Pensar em si mesmo:

É muito importante reconhecer os próprios sentimentos, os próprios fortes e fracos, ter claro para si mesmo o que é um ser humano de extremo valor. Se o outro realmente nao reconhece este valor e nao é capaz de fornecer apoio à (ao) parceira(o) provavelmente nao é capaz de reconhecer também o sentimento de amor, mas isso é azar só dele!

Texto base – Aliki Nassoufis; Rhein-Zeitung n° 262, 11.11.2010