Posts Tagged ‘Segunda Guerra Mundial’

Fragmentos de acontecimentos…

Sexta-feira, Maio 1st, 2015
Experiências Reais de quem sobreviveu à Segunda Guerra Mundial

Relatos autênticos.

Já se passou quase uma semana desde que, pela primeira vez em minha vida, fiz questão de comemorar com alguns bons amigos e conhecidos o meu aniversário. Foi uma festa simples, mas penso que bastante agradável para todos nós! Os motivos que me levaram a vencer a barreira da timidez e das dificuldades para me reunir com as pessoas e estar no centro das atenções vão muito além do aniversário.

Eu me senti na obrigação de agradecer ao universo e seu criador por  esta sensação de  felicidade, sobretudo por me encontrar em plena estabilidade física, psíquica e emocional apesar das cinco décadas bem vividas, por minhas filhas e por estar quase sempre motivada para aprender e enfrentar novidades e desafios.

Algumas vezes me sinto bastante cansada por tantas horas de concentraςão na escola, no trabalho, no trânsito, mas um dia como este de preguiςa me ajuda bastante a recuperar a energia para os próximos dias difícies e estressantes.

Sem mais lamurías, através deste post, gostaria também de compartilhar com vocês que neste encontro com amigos,

Wera e Irene, maravilhosas Testemunhas do Tempo passado e presente!

Maravilhosas Testemunhas do Tempo passado e presente!

apresentei oficialmente o meu novo projeto Histórico-Literário. E estou realmente contente pela tarefa cumprida. Sinceramente, concluir este projeto sem grandes gastos foi um enorme desafio. Me enveredei por caminhos desconhecidos desde a diagramação, ilustração até o layout de capa. Para não correr o risco de ter livros empilhados pelo apartamento e a preocupação com vendas – optei pelo caminho “on Demand”, até porque não tenho nenhuma obrigação com o mercado. Meu compromisso em terminar este projeto era sobretudo com minhas testemunhas, meus amigos e comigo mesma.

Sim, me sinto em dia com minhas promessas em transmitir na língua portuguesa os relatos das pessoas que se prontificaram a conversar comigo sobre suas experiências de fuga, de medo, frio, fome e guerra. O cotidiano de pessoas muito especiais que não optaram pela guerra, mas enfrentaram com coragem as consequências amargas da destruição e atualmente contribuem decisivamente para que a Alemanha seja um país mais tolerante e justo, independentemente de raças e credos.

Altura e simpatia: minha única Testemunha masculina.

Altura e simpatia: minha única Testemunha masculina.

Beijos e

lindo fim de semana!♥

Um novo projeto histórico-literário

Sábado, Abril 4th, 2015
Alemanha - Tempo, História, Extremo.

Alemanha – Tempo, História, Extremo.

Me sinto muito feliz em poder compartilhar com vocês nesta manhã, infelizmente, nada ensolarada de primavera que em alguns dias meu segundo e provavelmente último projeto histórico-literário estará saindo da editora. Estive trabalhando nele já há três anos, porém andei correndo contra o tempo nestes últimos dias para poder apresenta-lo no fim deste mês, quando então vou comemorar também com meus amigos o meu aniversário. Sem planejar muito vou acabar combinando  este acontecimento muito agradável para mim com um nem tanto agradável assim. É lógico que não é fácil para uma mulher sentir, divulgar e sobretudo comemorar 50 anos de vida. Por outro, quando penso em 50 anos de vida, me sinto na obrigação de estar contente e sobretudo agradecida ao Criador por chegar até aqui saudável e ter tido a oportunidade de viver intensamente cada ano deste meio século. Cresci rodeada não por luxo, mas por pessoas muito carinhosas, educadas e com fortes princípios. Princípios estes que trouxe na bagagem dos anos e procuro vivencia-los a cada dia também com minhas filhas. Elas são o maior presente de aniversário que eu poderia ganhar. Minhas filhas são a minha melhor parte e estou feliz em estar viva, saudável e otimista quanto ao nosso futuro.

Na verdade, neste post não pretendia falar de mim, mas sim do meu mais recente projeto histórico-literário. Sem pretensões comerciais trabalhei neste projeto com muito carinho e estou contente por, enfim, poder publicar que eu o aprontei e poderei compartilhar com vocês: Fragmentos de Memórias AutorizadasHistórias Reais de quem sobreviveu à Segunda Guerra Mundial.

Aqui você pode clicar para conhecer a capa e contra-capa do livro, através do qual você pode se interar de forma exclusiva da rotina de vida, em tempos de guerra, de pessoas muito especiais. São informações compartilhadas sob perspectivas individuais – simplesmente autênticas e emocionantes.

O livro está sendo editado apenas sob encomenda. Se você tiver interesse em conhecê-lo me avise por gentileza!

 

Beijos e

lindo fim de semana de primavera, outono

inverno ou verão!♥

 

As bolinhas de gude de Anne Frank

Sexta-feira, Fevereiro 7th, 2014

Os fatos são sonoros. O que importa são os silencios por trás deles. Clarice Lispector

foram encontradas.

Anne Frank foi uma menina que se tornou conhecida, mundialmente, através de seu diário. Neste diário ela escreveu o que estava vivenciando durante a Segunda Guerra Mundial. Ela e sua família por serem judias foram obrigadas a fugir da Alemanha por causa da perseguição  dos nazistas, os quais naquele período ocupavam o poder. Os nazistas perseguiram implacavelmente os judeus e todas as pessoas que consideravam “lebensunwertem”- “indignos para viveram”, entre Elas estavam também  os ciganos, os homossexuais, os deficientes físicos ou doentes mentais e os encaminhavam para os campos de concentraςão, onde morriam sufocados por gases que escapavam das “duchas”.

Anne e seus pais tentaram fugir dos nazistas e se esconderam por longo tempo em porões ou casas abandonadas. Quando Ela tinha treze anos, viveu em Amsterdã, a capital da Holanda. Lá Ela presenteou uma amiga, que morava na vizinhança, uma caixinha de alumínio. Esta caixinha deveria ser guardada por sua amiga, já que Ela tinha que novamente fugir. Nesta caixinha encontravam-se suas bolinhas de gude.

No entanto, antes que Anne fugisse com sua família para um novo esconderijo, os nazistas os encontraram. Anne foi assassinada.

Sua amiga, para a qual Anne presenteou sua caixinha de alumínio, tem hoje oitenta e três anos e se chama Toosje Kupers. Durante muitos anos Ela manteve a caixinha no fundo de um armário e a esqueceu completamente. Porém, recentemente, ao desvaziar os armários porque teve que mudar-se da casa, redescobriu a caxinha.

Toosje levou a caixinha de Anne para o Museu Anne-Frank, em Amsterdã. O museu foi organizado na casa onde Anne, naquele tempo, se escondeu com sua família.

Tradução – fonte: Kindernachrichten, Rhein-Hunsrück-Zeitung, 05.02.14

Ps. Mais um bom motivo para se visitar Amsterdã, não é mesmo?

Beijos e um final de semana maravilhoso!

Velhas, mas explosivas:

Sábado, Janeiro 11th, 2014

Cuidado: granadas.

"Quem não conhece o passado, não pode entender o presente."

Em uma construção, numa cidade próxima daqui:  Euskirchen, mais um fato nos trouxe de volta fragmentos  da  Segunda Guerra Mundial. O motorista de um dos tratores que ali trabalhava – morreu e treze pessoas ficaram feridas,  por causa da explosão de mais uma bomba que foi jogada sobre a região, nos dias  de  guerra. Infelizmente, estas bombas que se chamam “Blindgänger”- bombas que não explodiram – são encontradas, frequentemente, em regiões que foram alvos específicos da forςa aliada, por exemplo – as regiões paralelas ao Rio Reno e Rio Ruhr. Ainda hoje, escondem-se, no coração da terra muitos exemplares deste tipo de bomba. Todos os anos especialistas procuram estes resquícios da guerra para desarmarem estas velhas, porém, altamente explosivas bombas, antes que  causem danos materiais e, principalmente, humanos. Nesta procura, antes, são analisadas as fotos antigas para a identificação das áreas que estiveram, com maior intensidade, na mira dos pilotos americanos, franceses ou ingleses. Em muitos casos, os especialistas encontram estas bombas antes dos moradores  e as desarmam, graças ao conhecimento e recursos técnicos que adquiriram. Em  alguns casos Eles optam por  “explosões controladas”, as quais são muito bem organizadas, inclusive com o evacuamento de quarterões completos de cidades. Infelizmente, quantas bombas ainda estão escondidas no subsolo deste país, os especialistas não podem informar.

Artigo traduzido da coluna: Notícias para Crianças, Rhein-Hunsrück-Zeitung, em 04.01.2014

Bem, para você, especialmente, um pouco de História Alemã no fim de semana, afinal… saber é sempre bom!

Beijos.

Balanςo do terror – Pogrom

Domingo, Novembro 10th, 2013

Estrela negra - para os ciganos - identificaςão em tempos de guerra.

Na noite de 09 para 10 de novembro de 1938 sinagogas judaicas são incendiadas por toda a Alemanha. O balanςo “oficial” do terror pode-se  traduzir através dos números:

  • 91 mortos,
  • 267 igrejas e casas comunitárias são destruídas e
  • 7500 casas comerciais são destruídas

No entanto segundo informaςões do Museu de História Alemã mais de 1300 pessoas morreram nesta noite e mais da metade das sinogogas ou casas de oraςão foram semi ou totalmente destruídas em toda a Alemanha e Áustria. No dia 10 de novembro foram transportados mais de 30.000 judeus para campos de concentração. Como pretexto para a “ira expontânea do povo”, os nacionais socialistas usam o assassinato do secretário da delegação alemã – Ernst vom Rath – no consulado de Paris pelo jovem Herschel Grynszpan, o qual – segundo os nazistas – através desta ação pretendia chamar a atenção  para a causa  dos 17.000 judeus, entre Eles seus pais, que foram deportados para a Polônia.

O regime nazista declarou cinicamente que a aςão “Pogrom” ou Noite dos Cristais referiu-se à uma reaςão justa e a indignação do povo alemão como compreensível, a qual signalizaria a despedida das atividades comerciais judias em território alemão. Paralelamente outras privações, expropriaςões e a propaganda em  torno do “arianismo”tinham como objetivo específico movimentar os judeus para emigrarem-se.  A propósito, depois do Pogrom “Público” de novembro/1938 a perseguiςão aos judeus adquire um novo caráter – a eliminação silenciosa. (…)

Fonte: Rhein-Zeitung Nr. 260

Beijos e linda semana apesar dos pesares!

Aqui um link muito interessante para consultas, sobre o qual me chamou a atenção minha querida Sandrinha Santos


Um dia especial de Anti-guerra

Sábado, Setembro 1st, 2012

"Wer die Vergangenheit nicht kennt, wird de Gegenwart nicht verstehen"/"Quem não conhece o passado, não poderá entender o presente."

Todos os dias na verdade são de Anti-guerra, mas hoje – 01.09  foi defenido formalmente como um marco para manifestarmos publicamente nosso repúdio à arrogância, à ofensa, à dor e à morte em campos de batalha. Por que a data 01.09? Porque no dia 01.09. 1939 os alemães, infelizmente, invadiram a Polônia. Naquele dia comeςou um episódio lamentável da História deste país. Naquele dia soldados em  aviões jogaram bombas sobre cidades como Danzig e Stettin e canhões deixaram em terra suas marcas de violência, arraso e morte. Este foi o comeςo evidente da Segunda Guerra Mundial, a qual perdurou até 1945 e cujas consequências ainda estão bastante presentes – as cicatrizes artificiais, físicas não se pode perceber, porém as cicatrizes na alma das pessoas que sobreviram ao martírio que esta guerra significou também para o povo alemão estão latentes. A geraςão que também foi responsável por retirar a Alemanha dos destroςos merece o nosso profundo respeito e creiam  Ela tem muitas Histórias para contar…

O dia 01.09 foi definido como o dia “Anti-Guerra” pela  Federação Sindical Alemã (DGB – Deutsche Gewerkschftsbund) no ano de 1957. A ideia foi implantada para que nos recordemos dos dias sombrios de guerra e que neste dia se possa promover demonstraςões para a paz. Antes da Segunda Guerra Mundial existia o “Dia Internacional da Paz”: 01.08 – neste dia, em 1914 comeςava a Primeira Guerra Mundial.

As datas Históricas são com insistência enfatizadas pelos alemães, inclusive àquelas com ressonância negativa, com o objetivo de não se repetir os erros cometidos no passado. Já ouvi críticas por parte de alguns experts pela repetiςão “exagerada” dos rituais que recordam episódios dramáticos da História do país, porém na minha opinião isto representa  atos de pura coragem e outras oportunidades de reafirmar que o povo Alemão está cansado de guerra e quer P A Z!

Beijos e uma semana de muita paz!

Um domingo perfeito

Segunda-feira, Junho 4th, 2012

Ninguém é tão rico que não precisa dele e ninguém tão pobre que não possa oferecê-lo. É grátis e faz toda a diferenςa. Não se compra, solicita-se, empresta-se ou imprimi-se. Ele possui o seu valor quando é presenteado - o sorriso."

para ir pro cinema. Assim posso tentar descrever o dia de ontem: frio, cinza e muito molhado! Não tenho nada a reclamar, pelo contrário… este foi exatamente o programa que havia decido para mim há semanas atrás quando li a notícia de que seria exibido no Pro-Winzkino de Simmern um filme, cujos atores principais estão muito distantes de Hollywood, mas para a minha sorte e honra aqui no nosso município. Eles fazem parte das pessoas que compõem o grupo denominado “Die Vergessene Generacion – Kinder des Krieges/ ” A geraςão esquecida – Filhos da Guerra”. Eu já tive o prazer de conversar pessoalmente com alguns deles e com outros que não compuseram ainda uma  fita cinematográfica. O fato é que não sei explicar porque, mas a motivaςão para escrever um material didático sobre o tema não me sai da cabeςa apesar de já ter ouvido tantas vezes opiniões contrárias e negativas sobre esta possibilidade. No entanto, ontem obtive mais uma confirmaςão de que não vou abandonar o rascunho de projeto tão facilmente! Quando eu cheguei no Hall de entrada do cinema, fiquei muito feliz por constatar não estar muito atrasada, pois ainda havia algum representante de autoridades (não sei exatamente o nome dele) oficializando a abertura do evento, apenas então fomos para a sala de projeςão, porém antes disso todas as pessoas daquele círculo que me conhecem  me presentearam sorrisos e muito acolhimento, fiquei muito feliz por sentir-me de certa forma parte deles.

Durante a projeςão eu estava muito bem acompanhada por uma das “Testemunhas do Tempo”, a qual me concedeu no último ano a honra de poder visitá-la e   traduzir  suas lembranςas de dias cruéis de guerra. É simplesmente inacreditável que esta Mulher, Mãe e Avó consiga ser tão carinhosa, amável e alegre após ter vivenciado momentos realmente dramáticos, sobrevivendo ao longo de anos sobre um fio entre a vida e a morte quando tinha direito, enquanto crianςa, a brincar e ir para a escola. Ontem, ao lado desta grande Mulher, eu me emocionei e chorei muito ao assistir o depoimento dela e das outras testemunhas. Foi muito tocante! Estou convencida de que vou em algum tempo e lugar tentar compartilhar um pouco do que venho  vivenciando conhecendo pessoas lindas, apesar das marcas de suas feridas daquele tempo – as quais  ainda não estão cicatrizadas. Esta é uma faceta da 2a Guerra Mundial que não consta nas enciclopédias ou documentários oficiais. Esta é uma faceta da Guerra que me atrai como imã – Histórias personalizadas e cheias de sentimentos.

Me resta apenas agradecer aos “Filhos da Guerra” por serem tão generosas conosco e nos permitirem compartilhar de suas lembranςas, de seus medos e verdades.

Beijos.

Em tempo: Estou muito feliz porque para este meu novo projeto conquistei a parceria do Professor de História Cleber Diniz, da Coordenadora Pedagógica Alessandra Cruz, dos colegas e Direςão da Fundaςão Roge.

Luzes e bombas

Segunda-feira, Novembro 28th, 2011

Tempo de Advento: tempo de esperanca.

As luzes de natal já estao espalhadas por todos os cantos, iluminando o fim de novembro. Desde ontem, sentimos mais de perto a atmosfera de natal – acendemos pela manhã nossa primeira vela ao comemorarmos o primeiro domingo de advento. As crianςas já estão em contagem regressiva para a primeira surpresa do calendário de advento. Eu sinceramente estou ansiosa pelas férias. Admito que o ano escorreu rápido por entre os dedos, mas me sinto bem cansada pelos desafios que tenho enfrentado nos últimos meses, ontem depois das 9 consegui apenas dormir, embora tivesse planejado escrever posts. Tenho vários temas interessantes para compartilhar e acabei optando neste momento para escrever sobre o que mais me chamou a atenςão nos últimos dias: a seca que atinge a região. Nós a percebemos radicalmente quando observamos os rios. Atualmente o nível de água do rio Reno chega a causar mesmo extrema preocupaςão. No entanto, paralelamente ao fenômeno da seca, estamos também chocados com o número de bombas – ainda dos tempos de Segunda Guerra Mundial – as quais foram jogadas  nesta regiao pelos Aliados e que atualmente estão expostas com o radical recuo das águas do rio.  Para se desarmar estas bombas há muito trabalho e transtorno – centenas de pessoas precisam ser evacuadas de suas casas, de hospitais, asilos, escolas, há o fechamento de estradas, estaςões de trens, trechos do rio.

Explosivos 500 kg - Foto: fonte: Rhein-Hunrück-Zeitung, n° 274

Exemplos;

  • Hoje às 13 horas será desarmada, na área de Spay (região Médio Reno) uma bomba americana de 250 kg;
  • No dia 4 de dezembro 45.000 pessoas em Koblenz terão que deixar suas casas por todo o dia para o desarmamento de uma bomba britânica de 1800 kg, a qual foi descoberta em Pfaffendorf, às margens do Reno. O perigo é enorme, pois a bomba (Luftmine) ainda possui, apesar do tempo e ferrugem praticamente toda a sua capacidade explosiva.
  • Também em Pfaffendorf outra bomba de 125 kg foi encontrada;
  • Em Neuwied uma bomba de 500 kg teve que ser recentemente desativada.

Para mim e acredito eu, para muitas pessoas –  cada notícia de uma bomba encontrada representa um momento profundo de reflexão sobre o passado histórico deste país. Não posso deixar de pensar e sentir a dor das vítimas da guerra. Tenho, de certa forma, revivido dias cruéis de fome e frio de algumas destas vítimas. Na sexta feira tive a honra de poder participar de um encontro entre algumas destas vítimas, em Boppard. Me foi permitida a licenςa de compartilhar de experiências de algumas doces pessoas que sobreviveram ao ataque de bombas que nao caíram perdidas no Reno, mas sim que explodiram construςões e pessoas. Elas sobreviveram porque estavam no interior da terra, nos abrigos de proteςão já que tiveram tempo de atender ao aviso de que os aviões chegavam… Elas não compartilhavam dos ideais dos Nazistas, mas pagam ainda muito caro por eles.

Beijos

Sinti e Roma – ciganos (“in memoriam”)

Sexta-feira, Dezembro 17th, 2010

Estrela negra - identificaςão em tempos de guerra.

Sintis e Romas são grupos de ciganos. Ontem o dia foi especialmente dedicado à triste história deste povo, o qual chega à Europa no século XVI, vindo da Índia. Desde os primeiros tempos os ciganos enfrentaram muitas dificuldades, sendo tratados sob rótulos negativos e expulsos de seus alojamentos de forma violenta. O modo de vida destes grupos de pessoas – nômades e  com uma cultura própria, sempre os colocou  em posição desconfortável e negativa perante outras sociedades e governos. Contudo nada justifica e se compara com o sofrimento dos ciganos, em território alemão quando, há 80 anos atrás,  os nazistas assumiram o poder. Os quais, absurdamente, perseguiram milhões de pessoas  simplesmente porque tinham outras crenças, estilos de vidas, opçães sexuais ou aparências  físicas.

As crianças- Sintis não foram também, infelizmente, poupadas do martírio. Não era permitido à elas frequentarem a escola. A maioria dos Sintis, assim como as crianças foram confinadas nos campos de trabalho (Arbeitslager), onde milhares morrem em fução da fome e do trabalho pesado.

Há 66 anos, em 16 de dezembro foram levados 20.000 Sintis e Romas para um dos campos de concentração e lá assassinados. Este fato extremamente triste deve ser lembrado em todos os dias 16.12 (Gedenktag). A propósito, atualmente vivem, novamente, milhares Sintis em território alemão.

Texto traduzido por mim com base em informações publicadas na edição 293 do Jornal regional Rhein-Zeitung, 17.12.2010.

Beijos.

Na primavera- 1945- chegam os americanos

Segunda-feira, Junho 7th, 2010

Memorial aos mortos na 1a e 2a Guerra Mundial - Mermuth

“Há 65 anos atrás o nosso munícipio – Eifel – também foi ocupado pelos soldados aliados”.

Este é o subtítulo de um depoimento que li, um dias destes, num caderno especial do jornal regional. Eu achei interessante a forma direta que o Sr. Werner utilizou para expressar a sua visão pessoal quando, juntamente com sua família e vizinhos, ele vivenciou a chegada dos americanos e depois a dos franceses no município vizinho à Hunsrück.

“Muitas pessoas tiveram que deixar as suas casas. Em muitas situaςões, os aliados se comportaram como vândalos. E  ao cair da noite as pessoas tinham que permanecer em suas próprias habitaςões (Ausgangssperre).

Com os americanos a ocupaςão não foi tão brutal como a  francesa. Os soldados americanos presenteavam as crianςas com chocolate e chicletes. Meses depois chega também, como iniciativa americana, comida na escola.

Mais desagradável foi a ocupaςão francesa, a partir do verão de 1945. Vilas inteiras foram ocupadas por famílias de soldados ou destruídas. Para os agricultores, sobretudo, o domínio francês foi quase intolerável, pois tinham que assistir passivamente a sua própria  produςão – por exemplo – de batatas, no outono, sendo transportadas para fora de suas propriedades  e retornando em abril em forma de sementes, as quais deveriam ser compradas. Os agricultores reconheciam os mesmos sacos de estopa que haviam usado para embalar a colheita, antes que esta se tornaria posse dos franceses. Uma explosão de revolta não era pensada… as pessoas estavam com as suas reservas de energia esgotadas pelos longos anos de sofrimento com àquela guerra. Sobre a qual se falava apenas em meias palavras pelos cantos das casas… o sentimento de medo e resignaςão prevaleciam… não havia tempo e espaςo para mais problemas…

Os franceses eram, na sua maioria tão pobres, que não havia possibilidade de se obter nada deles, a não ser talvez lentilhas com pedras ou tâmaras sujas.

Uma vez, tivemos acesso à cultura francesa através do Instituto Francês em Mainz.

Interessante foi também a apresentaςão de um filme sobre a boa convivência entre franceses e angerianos! Só para quem queria acreditar!

Casamentos entre franceses e alemães nao existiram, já que havia muitos tabus de ambas as partes (erbfeind – heranςa de inimizade). Simplesmente, algum prisioneiro de guerra trouxe para cá, depois de muitos anos, sua noiva francesa e alguns jovens se aventuraram por terras estranhas…”

Depoimento para o caderno “Heimat” – Rhein Zeitung em 05/ 05/ 2010