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Sementes da Primavera em Munique

Segunda-feira, Julho 8th, 2013

Série: Entrevistas

The Pink Dolphin's/ O filho do Boto Cor-de-Rosa

Textos trabalhados em português e inglês, com ilustrações de Judit Fortený

Parte I:

Hoje em destaque a autora e coordenadora do Projeto “Adote um Autor”: Alexandra Magalhães Zeiner – escritora, profissional multi-facetas, mãe, mulher, menina.

Antes de mais nada tenho que admitir que sinto uma grande admiração por Alexandra uma pessoa sobretudo  batalhadora e humana, a qual  tive o grande prazer de conhecer pessoalmente em Munique no nosso “Encontro”. Ela ainda me surpreende repetidamente com a sua dedicaςão, seriedade e confiança num projeto que prioriza sobretudo a solidariedade e o talento individual de todos àqueles que estão envolvidos num ideal de divulgação do nosso idioma e de nossa arte que traduz-se não apenas através das palavras escritas, mas em sua própria essência encravada em nossas almas, em nossos sorrisos, em nossas lágrimas, em nossas canςões, em nossos silêncios…

Sem mais de mim mesma, mas sim algo mais de Alexandra: seus valores, seu trabalho, sua própria versão do projeto “Adote um Autor”, sua conexão contagiante com a floresta Amazônica e seus encantos. Agora você está especialmente convidado  para a leitura de algumas frases que transpiram algo do Mundo de Alexandra. Leia com atenςão, por favor, pois vale a pena!

1) Alexandra, é um grande prazer para mim publicar algo sobre você e seu trabalho no meu blog. Nos conhecemos durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera e eu gostaria de saber como foi para você a experiência de conceber e organizar o “Projeto Adote um Autor” – um projeto pioneiro em terras germânicas.

Obrigada pela iniciativa, Neusa. Acredito que, para que todos entendam toda a dinâmica dos envolvidos no projeto, será interessante descrever “o processo de adoção”, que, para mim, foi um dos mais importantes e marcantes aspectos do projeto. Mas, antes de tudo, para aqueles que o desconhecem, eis uma pequena explicação sobre a “adoção dos autores”: Membros e amigos da Associação Cultural Teuto Brasileira (DBKV e.V.) convidaram autoras e autores para serem seus hóspedes durante o I Encontro de Escritores Brasileiros na Baviera. Este foi um processo inédito em eventos literários, iniciado em trabalho conjunto com a DBKV e.V..

Em outubro de 2012 o projeto foi submetido à presidente (Rosanna F. Gebauer) e vice-presidente da DBKV e V. (Mary Kling). Durante sete meses, muitas horas de trabalho foram dedicadas ao projeto, para que esse sonho do encontro se tornasse realidade. Na abertura do evento, o Senhor. Embaixador e Cônsul-Geral do Brasil em Munique, Sr. Antônio Carlos Coelho da Rocha, reconheceu no seu discurso o pioneirismo do projeto e do evento. A querida Ministra Monika Salski também participou da abertura do evento e acompanhou as apresentações dos autores, encantando a todos os participantes.

Enfim, o apoio da comunidade brasileira na Baviera foi a chave para o sucesso do evento. Todos os autores participantes foram hospedados ou “adotados” por famílias de Munique e cidades vizinhas. A experiência pessoal de cada um dos participantes está sendo publicada semanalmente no blog do projeto: Adote um Autor. Publicaremos também o testemunho das famílias apoiadoras do “processo de adoção”. Estes são apenas alguns exemplos do prazer que senti, e que ainda sinto, ao coordenar um projeto cujo lema é: solidariedade com criatividade!

2)Durante o I Encontro de Escritores Brasileiros da Baviera, A DBKV e.V. teve o apoio da comunidade brasileira de Munique e cidades vizinhas. Como você imagina “esta experiência” em outros estados ou países? Qual seria a intensidade de sua atuação no projeto que você concebeu, mas que pretende obter “asas” próprias?

Somente uma associação que trabalha com/para a comunidade poderá dar continuidade ao trabalho iniciado no sul da Alemanha. Repito: o apoio da comunidade é fundamental! A troca de experiências será o ponto diferencial. Eventos literários, focando nossa literatura e nossa arte, são organizados no mundo inteiro, mas, antes do evento de Munique, nenhum outro havia “adotado” seus convidados e exposto seus trabalhos, gratuitamente.

Atualmente já temos algumas propostas, que serão cuidadosamente analisadas, pois o projeto será utilizado como uma ferramenta extra pelos autores e suas associações durante eventos literários. E, acima de tudo, confio na nossa mascote, ela voará para o melhor ninho, seja ele onde for.

3)Fale sobre sua experiência com o público brasileiro-alemão/austríaco/canadense, considerando o seu contato tão estreito com os diferentes idiomas e culturas.

Sempre respeitei a cultura dos diferentes países onde vivi: Áustria, Canadá, Croácia, Holanda e, agora, Alemanha. Por isso vivi bem em todos eles, e sinto um profundo agradecimento por tudo que aprendi durante todos esses anos. Todas as pessoas que encontrei pelo caminho me ensinaram que, mesmo diferentes, fazemos parte desse planeta maravilhoso, estamos aqui de passagem e por isso somos iguais, independente de sexo, raça e crença.

4)Conte-nos um pouco sobre fatos marcantes durante o “processo de publicação” do seu primeiro livro. E quanto ao segundo livro? Até que ponto sua primeira experiência contribuiu para a segunda?

Foram anos de tentativa, perdi a conta de quantas cartas, e-mails e telefonemas foram feitos durante o processo. Naquela época eu já tinha as ilustrações da Judit Fortelny, que trabalha em parceria comigo. Eu tinha em mente encontrar uma editora que publicasse trabalhos bilíngues, o que se na Europa ainda é raro, no Brasil nem se fala. Além disso, publicar no Brasil virou negócio, e fora de cogitação para uma iniciante.

Quando já estava desistindo, recebi a clara mensagem dos meus mestres de yoga: eu precisava publicar aquele primeiro livro. Assim, ao reiniciar a procura pela editora certa, encontrei a editora americana, Educa Brazil, que no prazo de um mês aceitou meu projeto. A pessoa que à época aceitou meu projeto desligou-se da editora alguns meses depois e por isso nunca tive a oportunidade de agradecê-la pelo que fez! Assim, em 2011, Ano Internacional das Florestas, fiz minha contribuição pessoal para as futuras gerações de brasileirinhos espalhados pelo mundo, publicando “O filho do boto cor-de-rosa”.

O segundo livro, “A menina e a onça-pintada”, foi publicado pela Educa Vision, editora “mãe” da Educa Brazil. Eles acreditam no meu trabalho e eu acredito que esta seja a base essencial para o sucesso de todo trabalho: credibilidade e respeito.

The Girl and the Jaguar. Sua segunda publicação bilíngue. Também iliustrada por Judit Fortelný

5)Pelo que observei, você tem uma relação muito íntima com a floresta e seus encantos naturais. De onde provém essa intimidade?

Eu sou muito apaixonada pela Floresta Amazônica e suas histórias. Durante séculos os nativos da região viveram em estreita comunhão com a natureza, até que “os exploradores do novo mundo” decidiram “ficar e explorar” a América do Sul. WaldeMar de Andrade e Silva também me inspirou com sua arte e história. Em 2002, quando vi pela primeira vez suas pinturas, fiquei encantada. Vi quadros da minha imaginação na infância, figuras vivas das histórias das tias que moravam no Amazonas. WaldeMar é um artista e escritor brasileiro, que há muitos anos tem pintado cenas da vida dos índios do Xingu, lugar onde viveu, partilhando com seus habitantes o amor por nossas florestas e seus animais.

Os povos indígenas brasileiros consideram o Xingu um santuário. Esse lugar especial está em risco de desaparecer, e o mundo deve saber o porquê. Belo Monte, ou Belo Monstro, representa um crime contra a natureza do planeta, e o pior de tudo é que o governo do Brasil é quem o está cometendo! No mundo inteiro, povos nativos respeitam e acreditam que as crianças são nosso futuro. Minha ilustradora, Judit

Antologia REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras

Mulheres da Floresta- Antologia REBRA. Em destaque o trabalho do ilustrador WaldeMar de Andrade e Silva

Fortelny, e eu, concordamos plenamente com eles. Em um momento de grandes desafios para a Amazônia e seus povos, compartilhamos a mensagem de que todos habitamos o mesmo planeta, a Mãe Terra, e é nosso dever respeitá-la e protegê-la.

6)Por favor, nos revele seu “sonho de projeto ”.

Projeto Adote um Autor.

Meu agradecimento especial a você, querida Neusa, e também a todos os que se interessaram na leitura desta entrevista.

Aguardo feedbacks!