Posts Tagged ‘Vida de Estrangeira’

Destino… louco destino!

Domingo, Julho 8th, 2018

São as almas,

atentas,

calmas,

sedentas,

desiludidas,

no alento,

da travessia da vida…

 

Esta vida tão cinza,

no contraste da beleza,

das cores, dos sorrisos,

das dores,

de tantas almas vazias,

do sofrimento,

da falta de acalento,

de buscas fúteis,

através da travessia

desta vida.

 

Beijos e

linda semana apesar de

todos dos pesares!

Kinderferienaktion – Ação de férias de/para crianças:

Terça-feira, Julho 6th, 2010

Esta é a primeira semana de férias de verão das crianças do nosso estado, Rheinland-Pfalz (Renânia Palatinado). Nestes primeiros dias temos por aqui uma ação de férias coordenada pelo munícipio e que já se tornou  tradição. Mais de trezentas crianças se espalham em diferentes grupos. Numa segunda fase, cada grupo decide em qual tema vai ser  trabalhado com as crianças, a partir de uma ideia central. Esta ação eu conheco há anos, pois Laura participa da mesma desde que estava para fazer seis anos. Neste ano, no entanto, temos duas grandes  novidades. A primeira é que Vic também está participando, já que vai fazer seis anos no fim de agosto e a segunda é que eu  estou, neste ano, não me limitando apenas a levar e buscar minhas crianças para as atividades diárias, mas sim ajudando todas as crianças do nosso grupo na execução destas atividades, na posição de “Betreuerin” – àquela que cuida, que toma conta, que faz compainha.

Hoje foi o segundo dia de trabalho e eu tive oportunidade de vivenciar experiências muito interessantes, porém duas situações me levaram a escrever este post. A primeira não muito importante, apenas ridícula: duas mães disputando a liderança do grupo.

A segunda, dramática: uma média de setenta pessoas, do nosso grupo, incluindo adultos e crianças ignoraram em nosso meio a presença constante, de uma mãe e suas duas crianças…

Nós estávamos começando a pregar as tábuas do nosso “castelo”, já que o tema do nosso grupo é “Idade Média”. Eu própria estava tentando me integrar ao meu grupo e incorpar a minha nova função. Porém a minha maior preocupação era promover um ambiente agradável para Vic, já que tudo era novidade para ela. No meio do caos que é normal neste tipo de atividade, não sei bem quanto tempo demorei para reparar naquela mãe, de estatura média baixa e com a pele bem morena e suas duas crianças… os três observavam o caos e eu vi em suas fisionomias que queriam muito fazer parte daquele caos, mas não sabiam absolutamente o que poderiam fazer para tanto…

A princípio, eu não dei muita atencao à eles, como todos os outros membros do grupo, mas como passava o tempo e ninguém se movimentava um milímetro na direção deles, eu não pude mais ignorar a presença dos três e fui perguntar se eles já estavam “matriculados” no grupo. Sim, as crianças estavam, mas a mãe não e ela  estava decidida a ficar, pois tinha que cuidar do filho que ainda não tem seis anos – oficialmente a idade mínima para participação, porém com cinco já se obtem bandeira branca depois de uma conversa. Eu expliquei então para ela que deveria também se “matricular” e pedir os quarenta euros de volta, pois quando se exerce o papel de “ajudante” os filhos não precisam pagar.

Eu não sei se ela pediu o dinheiro de volta, mas eu sei que lá os três ficaram o dia completo. Em vários momentos eu os acompanhei em algumas atividades,  mas observei que nenhum outro membro do grupo procurou envolvê-los em qualquer atividade que fosse… eles foram praticamente ignorados! Eu achei muito triste! No fim da tarde já em casa quando fazíamos os comentários do dia, Laura me peguntou porque eu conversava com a”mulher preta”, mesmo sem conhecê-la… eu deixei muito claro que eu não estava lá para atender somente as pessoas que eu conheço e que eu senti muito o isolamento dos três, pois estava óbvio que eles eram “só estrangeiros escuros e desconhecidos”! Agora só o que vem a minha cabeca é a palavra “integração”, que está tão frequentemente na boca dos políticos, pois é politicamente correta, porém o quanto longe está o discurso da realidade eu pude hoje vivenciar de muito perto… já senti na pele o descaso de muitas pessoas comigo, assim que notaram o meu sotaque, mas hoje chegou a doer a rejeicao àquela mãe e àquelas duas criancinhas que para mim tiveram muito mais coragem e merecem mais o meu respeito que as duas mães na disputa imbecil por quem tinha a ideia mais criativa e prática para a vestimenta das “princesas” e dos “cavalheiros” do “nosso” pequeno “reino medieval”…

O mais contraditório é que a seleção de futebol que anda arrancando aplausos, sorrisos e suspiros de orgulho nacional é composta na sua grande maioria por estrangeiros (!).

Beijos e ótima semana para você!