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Trauerfeier/Celebração da tristeza – Um paradoxo?

Quarta-feira, Setembro 18th, 2019

Você me venceu. Através desta derrota eu me tornei forte.
Antoine de Exupéry

A partir do momento que passei a viver na Alemanha, logicamente, tive que rever todos os meus conceitos e costumes. Afinal, outra cultura é intrínseca à outros conceitos e valores. Um dos comportamentos mais interessantes que viviencio na cultura germânica, se refere à morte física de um ente querido. A discrição germânica em torno deste tema é fascinante. Me espanto e me pego sempre admirada o quanto eles evitam em se expor quando o assunto é doença e morte. Estes temas são literamente tabus na cultura alemã. A começar no trabalho… Quando um colega informa que está “doente”, normalmente não se pergunta nada sobre qual a doença ou o problema que o abate. Nem mesmo o empregador tem o direito de saber algo extra sobre a condição do empregado, a não ser quanto tempo este funcionário estará afastado de suas funções. Todas as demais informações ficam a critério da pessoa que informou que não está em condições de exercer suas atividades profissionais. Esta discrição pode sim favorecer àqueles que gostariam apenas de disfrutar “uns dias livres”, mas é fundamental para àqueles que se encontram ralmente no centro de uma crise causada por um sério transtorno píquico ou corporal.

Com relação aos distúrbios psicológicos/psíquicos os alemães são ainda mais discretos. Enquanto que no Brasil é chic frequenar um consultório psicológico, aqui na Alemanha se evita ao máximo e em frente à uma necessidade irreversível se procura uma ajuda profissional com o máximo de discrição possível.

Quanto à celebração da tristeza – como intitulei o post – Me refiro à uma reunião que se organiza quando uma pessoa morre. É bastante complexo o processo de despedida das pessoas que deixaram este planeta, penso que em qualquer lugar deste planeta. Contudo, quando se compara estes rituais entre o Brasil e a Alemanha, considero o “trauma” da despedida na Alemanha “sui generis”.

Em função de diferentes fatores, o enterro demora dias ou mesmo semanas após a morte. A cremação é muito comum. Os rituais para o sepultamento, o qual pode também ocupar um espaço da floresta – logicamente destinado para este fim (Pode haver uma colocação de placa na árvore, debaixo da qual as cinzas foram depositadas ou não) são acompanhados por músicas preferidas pelo falecido. Depois do enterro as pessoas participam de um encontro, onde conversam, tomam café, chá, água ou sucos. Um lanche muito especial também é preparado. Assim que se toma conhecimento da notícia da morte, se envia um cartão de condolências, o qual contêm também dinheiro (a quantia fica a critério de cada pessoa). Este cartão pode ser colocado na caixa de correio correspondente à família do (a) falecido (a), enviado pelo correio ou discretamente entregue à uma pessoa próxima à família. Esta espécie de “doação material” se refere à uma ajuda para as despesas funerais, na qual inclusive está o anúncio, num jornal local, de morte e agradecimentos pelo apoio emocional de amigos por ocasião da perda e informações sobre a ocorrência ou não de uma celebração religiosa, assim como se e onde os pessoas mais próximas receberão condolências . Este anúncio pode conter também uma foto da pessoa falecida ao não. Se houver, a foto normalmente relembra a pessoa num bom momento de sua vida, ou seja sorrindo.

Também interessante é o fato de que para os alemães, faz parte do ritual de despedida, se vestir muito bem. Se coloca a melhor roupa preta ou escura que se encontra no guarda-roupas. Se maquiar (sem extravagância) também não representa nehum tabu.

Pensando bem, celebrar a tristeza não precisa ser necessariamente paradoxal. Afinal a morte física não deixa de ser também um novo nascimento e um nascimento, em qualquer cultura, representa sim um motivo para o sentimento de alegria. Além do que, por mais difícil que seja, não podemos nos esquecer que nossa passagem por este planeta é mesmo breve, ou seja tudo é uma questão de ponto- de- (vida) vista.

Beijos

Almas

Quinta-feira, Março 10th, 2016

Venho me apaixonando  incondicionalmente por  almas!

Vida/Morte

Sábado, Janeiro 16th, 2016

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Um comeςo/Mais um confronto…

Terça-feira, Janeiro 1st, 2013

"In der Abend-dämmerung des Sterbens zählt am Ende nur, ob du dein Leben ganz im Licht der Liebe sehen kannnst."

com a morte. Sim, um tema pesado para se comeςar um post de ano novo. Mas é este o meu tema deste momento. Estou triste e me sentindo bem mais velha neste início de ano. Tudo estava tão  normal e tranquilo neste natal que fiquei mesmo desconfiada que algo de divino estava me envolvendo. Eu não sabia como, quando, de onde ou o quê – no entanto meus sonhos estavam muito tumultuados e meu coraςão pressentia a perda e a dor de enfrentar a realidade que mais uma grande pessoa do meu círculo familiar partiria desta dimensão. Esta sensaςão de vazio machuca ainda! Eu pensei que depois de tantas perdas eu estivesse mais preparada para digerir a despedida de pessoas queridas, sobretudo quanto a minha irmã, a qual há mais de duas décadas batalhava arduarmente contra a deficiência renal crônica. Ela optou por viver desde os primeiros sintomas da doenςa, Ela se agarrou com todas as suas forςas à todas as possibilidades de vida e se possível com qualidade. Tubos, seringas, sondas não representavam mesmo grande susto para minha irmã. Eu senti muito quando Ela foi ligada pela primeira vez à uma purificaςão artificial do sangue que transcorria vida por suas veias. Ainda me lembro de sua resposta ao Dr. Eduardo quando este tentanto animá-la disse: “agora vai ficar tudo bem”. Ela respondeu: “agora, Dr., é o comeςo da tortura”. Eu não quis concordar com Ela, mas sabendo que Ela sabia exatamente sobre o que falava, me limitei a ajeitar mesmo sem jeito os lenςóis frios de sua cama  e  a tentar sentir sua temperatura.

Os anos seguintes transcorreram para minha irmã numa luta desesperada para viver da  melhor forma que pudesse, até que o rim transplantado também falhasse por completo. No entanto mesmo “capengando”, Ela sobreviveu à duras provas nestes últimos anos. Ninguém sabia ao certo, mas o fato é que nestes dias recentes  Ela estava vencendo mais uma etapa de sua vida, Ela estava se despedindo das dores físicas e dos incômodos deste planeta. Minha irmã venceu com ousadia e teimosia a doenςa. Ela partiu ainda ocupada com seus afazeres domésticos. Assim como minha mãe – enquanto lavava roupa foi atropelada por dores insuportáveis que as fizeram serem levados para o hospital, de onde não saíram mais com vida física. Lógico que eu sei que Elas vivem em uma outra dimensão e  sob outras condiςões e pessoas maravilhosas só podem viver em condiςões muito melhores que as nossas, pobres, miseráveis mortais!

Não sei se minha irmã sabia do seu peso em minha vida. Infelizmente, nos últimos anos, não passamos muito tempo juntas. Isto é lamentável!

Beijos,

e tentem ser felizes nos próximos anos, do jeito que puderem e souberem…