Normalidade…

"... demonstrantes egípcios acreditam que eles conseguiram, nos últimos dias, com os seus protestos muito mais que a oposicao em 20 anos..."

Algo que algumas vezes classificamos de rotina. Já perdemos a conta do tanto já reclamamos dela. Rotina muitas vezes pode significar tédio. E a sensacao ao se sentir entediado nao é lá das mais agradáveis que existe. No entanto é praticamente indescritível  o quanto sentimos falta da rotina quando percebemos que o nosso dia-a-dia nao pode transcorrer como “normalmente” deveria. Os motivos para sentirmos falta da rotina sao diversos… variam desde os mais corriqueiros até a explosao de uma catástrofe. Hoje estou escrevendo porque me encontro, até o momento, dentro da normalidade do dia-a-dia, algo diferente dos últimos três dias, sendo que em dois dos mesmos estava eu participando de um curso intensivo de primeiros socorros, o qual faz parte do meu treinamento para minhas atividades futuras. Nao foi muito fácil conciliar o fim de semana normal da família e a minha ausência, mas fiquei muito satisfeita de poder ter rompido com a nossa rotina de fim de semana para aprender algo mais sobre como ajudar outras pessoas que se encontram em situacoes difícieis. Encarei o curso com muita seriedade, pois nesta altura da vida já sou adulta o bastante para saber que o imprevisível pode acontecer e se estamos um pouco preparados podemos agir com certa eficiência. No entanto a normalidade a qual eu me referi no título do post trata-se de assuntos ainda mais empolgantes do que a minha última experiência particular em Mülheim-Kärlich.

A rotina do trânsito  no Rio Reno – trecho Loreley – enfim, depois de semanas, volta ao normal. Após três longas semanas as embarcoes de carga ou nao podem novamente transitar normalmente por esta área do Reno. Infelizmente – sobre os dois únicos e responsáveis pela embarcacao de ácido que estava sendo transportado no navio-tanque – nao se tem ainda notícia, porém o ácido nao pode mais contaminar o Reno e a embarcacao pode ser desviada para que todos as outras e seus  tripulantes  sigam para os seus respectivos destinos e possam retornar à rotina normal de vida e trabalho. Eu estou aliviada pela volta à normalidade no Reno e tenho quase certeza que todos àqueles que nao puderam seguir viagem por três semanas ainda mais do que eu, que ouvi e li com curiosidade e apreensao as notícias do alto de umas das montanhas de Hunsrück (confortavelmente egoísta!).

Também sobre normalidade e tao ou mais preocupante do que, felizmente, o  quase- caos- ácido no Rio Reno refere-se ao Egito. Assim como na Túnisia me senti muito interessada pelas manifestacoes populares que comoveram, penso eu, o mundo. Eu espero que realmente após tantos dias de luta, sofrimento e dor, os cidadaos da Tunisia e Egito possam compartilhar seus dias com suas respectivas famílias e colegas de trabalho e nao tenham que sair novamente de suas rotinas de vida para enfrentarem canhoes, cacetetes e jatos de água ou gás da polícia de ditadores decadentes.

Beijos.

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