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O Príncipe que não caiu do cavalo…

Sábado, Julho 2nd, 2011

“Águas rolam por debaixo das pontes…”

mas sim da escada!

Sério hoje o dia está de matar… me preparei para um sábado tranquilo de faxina no apartamento, Chile com carne para o almoço, trabalhar no jardim pela tarde… e como todos os sábados pizza a noite, claro acompanhada de um bom Rioja seco. Agora posso de novo pensar um pouco – enquanto tomo a minha taça de Cappuccino, completamente fora de hora, 18:30 – como os meus  doces e inocentes planos  puderam se alterar tao rapidamente?

Lá pelas 10 hs, quando então estava  com todo o gás para colocar a bagunça em ordem ouço a campainha tocar de forma insistente e falei meio brava: “pronto, estragada de novo!” Pedi para Laura atender e ela me disse: “-Der Papa braucht Hilfe” (Papai precisa de ajuda”). Eu pensei apenas que seria mais um detalhe da sua última aventura arquitetônica – garagem e oficina – tem meses que ele para relaxar do escritório vai praticar o seu hobby preferido: trabalhar como pedreiro, carpinteiro, pintor, mecânico, encanador e tudo o mais… Como em todos os outros projetos para este último ele se dedica “de corpo e alma”. Hoje, com mais tempo ainda, num dia “livre”- depois de tomar o café da manhã e se aprontar (vestindo a sua roupa azul) desceu feliz as escadas pensando em terminar o acabamento do telhado, que não é de telha – senão de uma coisa parecida com asfalto… não sei explicar como… nunca vi no Brasil, aliás construções aqui sao ótimas… interessante também é o isolamento, já pensei em aconselhar para que no Brasil se usem também a isolação nas paredes e tetos, pois assim se protege também do calor… Mas este nao é o meu tema… o meu tema é o fato de que meu príncipe hoje teve uma reviravolta dramática nos seus planos, pois pouco depois de subir para o telhado da garagem, se viu na necessidade de voltar para o solo – talvez para pegar alguma ferramenta – e teve um acidente (que ainda não sei explicar exatamente como e porque) com a escada e caiu! Assim que eu o vi eu quis ajudá-lo direto com bandagens, mas ele me disse que precisávamos ir direto para o hospital. Eu quis ligar para a emergência, estava bem assustada pois ele estava sangrando muito, parecia muito mal mesmo… porém ele ainda teve energia para determinar que queria ser levado de carro por mim para o hospital mais próximo… Em pouco minutos, deixando Laura e Vic sozinhas em casa, eu estava tentando dirigir com calma para Boppard. Tinha momentos que Jörg parecia dormir e eu pensava… ele não pode dormir… então ele gemia… eu pensava: está bem assim…Ele foi atendido rapidamente e muito rapidamente também a enfermeira estava com o cartão do seu seguro de saúde… eu pensei ainda: “são bastante eficientes” – enquanto o médico de emergência e uma enfermeira cuidavam do Jörg, uma outra enfermeira já acionava o seguro. Poucos minutos depois eu estava ainda assinando um documento onde afirmei que pagaríamos todas as despesas extras que o seguro se recusasse a pagar… Não pude deixar de pensar em quando eu estava com os meus pais na Santa Casa em Itajubá quando sofreram infarto. Eu não tinha nenhum cartao de seguro, eu nao assinei nada… todas as medidas foram tomadas com competência. Sei que se eles partiram para a outra existência é porque estavam preparados para a viagem, afinal já eram anjos aqui neste mundo – já não tinham mais nada que fazer por aqui. Mais uma vez me choquei com o sistema de saúde alemão… sinceramente! Tenho um medo danado de ficar doente aqui…

Bem quanto ao meu príncipe… ele está bem… o susto foi grande, está com o rosto bem machucado, quebrou o braço e por isso não vai poder trabalhar “oficialmente” por 6 semanas, o mesmo tempo de férias das crianças… toll!

Beijos e lindo fim de semana!

Normalidade…

Terça-feira, Fevereiro 8th, 2011

"... demonstrantes egípcios acreditam que eles conseguiram, nos últimos dias, com os seus protestos muito mais que a oposicao em 20 anos..."

Algo que algumas vezes classificamos de rotina. Já perdemos a conta do tanto já reclamamos dela. Rotina muitas vezes pode significar tédio. E a sensacao ao se sentir entediado nao é lá das mais agradáveis que existe. No entanto é praticamente indescritível  o quanto sentimos falta da rotina quando percebemos que o nosso dia-a-dia nao pode transcorrer como “normalmente” deveria. Os motivos para sentirmos falta da rotina sao diversos… variam desde os mais corriqueiros até a explosao de uma catástrofe. Hoje estou escrevendo porque me encontro, até o momento, dentro da normalidade do dia-a-dia, algo diferente dos últimos três dias, sendo que em dois dos mesmos estava eu participando de um curso intensivo de primeiros socorros, o qual faz parte do meu treinamento para minhas atividades futuras. Nao foi muito fácil conciliar o fim de semana normal da família e a minha ausência, mas fiquei muito satisfeita de poder ter rompido com a nossa rotina de fim de semana para aprender algo mais sobre como ajudar outras pessoas que se encontram em situacoes difícieis. Encarei o curso com muita seriedade, pois nesta altura da vida já sou adulta o bastante para saber que o imprevisível pode acontecer e se estamos um pouco preparados podemos agir com certa eficiência. No entanto a normalidade a qual eu me referi no título do post trata-se de assuntos ainda mais empolgantes do que a minha última experiência particular em Mülheim-Kärlich.

A rotina do trânsito  no Rio Reno – trecho Loreley – enfim, depois de semanas, volta ao normal. Após três longas semanas as embarcoes de carga ou nao podem novamente transitar normalmente por esta área do Reno. Infelizmente – sobre os dois únicos e responsáveis pela embarcacao de ácido que estava sendo transportado no navio-tanque – nao se tem ainda notícia, porém o ácido nao pode mais contaminar o Reno e a embarcacao pode ser desviada para que todos as outras e seus  tripulantes  sigam para os seus respectivos destinos e possam retornar à rotina normal de vida e trabalho. Eu estou aliviada pela volta à normalidade no Reno e tenho quase certeza que todos àqueles que nao puderam seguir viagem por três semanas ainda mais do que eu, que ouvi e li com curiosidade e apreensao as notícias do alto de umas das montanhas de Hunsrück (confortavelmente egoísta!).

Também sobre normalidade e tao ou mais preocupante do que, felizmente, o  quase- caos- ácido no Rio Reno refere-se ao Egito. Assim como na Túnisia me senti muito interessada pelas manifestacoes populares que comoveram, penso eu, o mundo. Eu espero que realmente após tantos dias de luta, sofrimento e dor, os cidadaos da Tunisia e Egito possam compartilhar seus dias com suas respectivas famílias e colegas de trabalho e nao tenham que sair novamente de suas rotinas de vida para enfrentarem canhoes, cacetetes e jatos de água ou gás da polícia de ditadores decadentes.

Beijos.