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A Casa das várias geraςões

Quinta-feira, Outubro 6th, 2011

Em Berlim - homenagem ao soldado soviético: herói para alguns, puro vilao para outros...

Desde sábado tenho me esforςado para entrar no rítmo de férias. Afinal estamos sim de férias, pelo menos eu e as crianςas. Elas por duas semanas e eu por uma. Acabo de concluir que não sei mais o que são férias, a não ser o fato de poder dormir um pouco mais depois de ser despertada pelo relógio do meu príncipe, em torno de 5, e como uma boa Amélia organizar o seu café e o seu lanche – poder voltar cheia de sono para mergulhar na cama e continuar o sonho interrompido. No entanto, em meio das visitas das vizinhas e da necessidade de colocar a faxina em ordem, tenho aproveitado os meus preciosos dias de férias para investir no meu novo projeto de livro. Eu já tentei desistir dele, por vários motivos… mas ele me persegue como doido e vai se concretizando sem que eu tenha muito controle sobre o seu formato, suas cores, seus detalhes. Apenas o seu conteúdo me interessa. O seu conteúdo é denso de História e emoςões. Os meus personagens são reais e me confiam as suas dores, os seus medos, as suas lembranςas mais latentes do tempo em que a Alemanha estava atravessando uma de suas fases mais negras – a Segunda Grande Guerra Mundial. Creiam-me, as lembranςas são perversas e perseguem àquela geraςão. Não são muitos deles que estão dispostos a exporem as suas experiências e sentimentos mais profundos de guerra. As feridas estão abertas sob uma camada de pele. Após os meus 11 anos de convivência com estas pessoas que não assistiram a guerra, muito menos ouviram ou leram sobre ela, mas sim a vivenciaram – me recuso a anular-me e não revelar que eu conheςo e ouςo pessoas que não promoveram a guerra, que não compartilhavam dos ideais nazistas, mas sofreram na pele as consequências de um furacão de morte, violência, desolaςão.

Hoje eu tive um dia muito especial de férias, fui para um povoado totalmente desconhecido para mim, embora ele se localize no mesmo município – Külz. Fui sozinha, pois para Laura e Vic seria extremamente entediante tomar uma xícara de café com pessoas acima dos 60. Para mim foi uma honra poder sentar-me à mesa com tantas pessoas que já viram e experimentaram muito mais da vida do que eu. Eu estava muito feliz por ter tido entrada livre em um evento promovido pela “Casa de várias geraςões” e poder compartilhar um pouquinho das experiências/vivências de uma “Filha da Guerra” /”Kind des krieges” – uma Senhora adorável nos relatou as suas lembranςas de tempos muito difícies, de muito medo, inseguranςa e dor. Seu pesadelo deu-se início quando iniciava a sua vida escolar e ainda a persegue.

Ao voltar para casa, só pude pensar no quanto valeu a pena superar a minha inseguranςa ao atingir àquela sala lotada de pessoas totalmente desconhecidas para mim e perceber que a minha presenςa ali era algo totamente inédito e estranho. Não importa agora, posso afirmar que valeu muito a pena, conheci outras pessoas muito agradáveis e que estão abertas ao meu projeto. Quem mais? Ainda não sei…

Beijos.