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Mulheres/Carreiras

Quinta-feira, Novembro 25th, 2010

“A colega” tem ótima formacao profissional, se dedica ao máximo ao trabalho. No entanto “o colega” é quem assume uma  nova e melhor posicao na empresa (!). Este é um caso típico, pois a maioria das mulheres se dedicam rara e bem mais devagar à ascensao em  sua carreira profissional que os homens – muitas vezes  o fenômeno é uma das  consequências de concepcoes equivocadas que nós mulheres incorporamos ao longo dos séculos.

Pesquisas revelam, novamente,  que as posicoes de ponta das grandes empresas  sao ocupadas por homens. Entre  as posicoes de lideranca de empresas privadas alemas a parcela feminina está estagnada em torno de 27% e mesmo em “posicoes de ponta” a mulher ganha menos que seus colegas (Führungskräfte-Monitor 2010). Os motivos para que esta realidade seja novamente constatada, segundo Martin Wehrle – conselheiro  – estao no fato de que as mulheres planejam a carreira profissional de forma diferenciada dos  homens e nao perseguem com a mesma conviccao e afinco suas metas. As mulheres consideram o “jogo do poder” – tao natural no mundo masculino – ridículo e costumam dizer: “claro que eu  nao brinco na caixa de areia”. Naturalmente pode se considerar as regras do jogo de poder ridículas, mas a verdade é que quem joga para ganhar necessita conhecer e considerar as regras do jogo. Assim, aconselha-se:

  • Aprenda as regras do jogo;
  • Respeite estas regras;
  • Ganhe o jogo;
  • Estabilize-se na nova posicao;
  • Tape a “caixa de areia”.

Mas o que nós mulheres fazemos diferente?

  • Acreditamos piamente que a competência demonstrada fala por si mesmo;
  • Esperamos que o chefe nos ofereca aumento de salário na crenca de que é óbvio que o nosso ótimo desempenho será reconhecido;
  • Nao investimos tempo e energia em contatos: nao estabelecemos relacoes  informais  na rede, nao tomamos cerveja juntas , nao jogamos ou assistimos futebol juntas, nao negociamos entre nós as posicoes – esperamos apenas pelas decisoes oficiais e raramente disponibilizamos nossos fins de tarde para    “Happy Hour”, sendo que nestes eventos informais é que as posicoes, com mais frequência de que acreditamos,  sao  negociadas e pré-estabelecidas, além do que muitas resolucoes a serem tratadas nas reunioes na verdade sao tomadas já “fora do campo”;
  • As mulheres sao, no campo profissional, muito modestas – segundo estudo do Instituto Alemao de Pesquisa Econômica ( Berlim) – os salários que as mulheres dizem como sendo justos para elas, na verdade estao abaixo daqueles que os homens têm como objetivo atingir. Esta modéstia feminina existe tanto entre as profissionais com baixa qualificacao quanto entre as com alta qualificacao.

O que mais posso escrever? No momento só estou muito pensativa sobre nós mesmas.

Beijos.

Informacoes: Rhein-Zeitung n° 227, no caderno “Leben”.

Perspectivas…

Segunda-feira, Setembro 27th, 2010

Nao se pode deixar a peteca cair...

É o comeco de uma nova semana. Eu tenho mais uma chance de optar por escrever sobre o que povoa os meus pensamentos. Sao muitas as impressoes, experiências e impactos que vivenciei nos últimos dias. Os sentimentos se misturam, alguns sao  positivos e outros negativos. As preocupacoes pessoais se alteram com as preocupacoes globais. Tenho imagens, cenas e vozes das minhas filhas, do meu marido, de alguns artistas e de alguns políticos soando em meus ouvidos. Muitas notícias de jornais praticamente dancam na minha memória,   títulos de reportagens pulam de um jeito desordenado por trás dos meus olhos.

No entanto, antes mesmo de comecar a escrever este post eu já estava decidida que precisaria expor o que de mais profundo me impulsionava a abrir o Lap top, deixar tudo o mais pendente  para registrar os meus pensamentos.  A partir da minha visao “bastante parcial”, estive de novo pensando sobre o papel da mulher num contexto geral. A mim nao me agrada o tom de uma feminista declarada, assim como abomino teses machistas de superioridade. Eu sempre sonhei que seríamos capazes de compreender e conviver pacificamente com a verdade  de que  homens e mulheres têm talentos diferentes. Porém, a cada ano que passa eu tenho a impressao de que eu sempre sonhei demais – o mundo ainda é bastante machista. Em quase todos os continentes a mulher ainda tem uma condicao de submissao. As mulheres do mundo muculmano, em sua grande maioria, vivem uma absoluta resignicao escondida  sob as suas vestes… Burca, Chador, Niqab – as quais reduzem essas mulheres/pessoas e  o que elas significam, representam a quase nada. No mundo muculmano elas sao invisíveis, aqui no mundo ocidental sao muito visíveis, mas nao compreendidas e sao desprezadas por nós.

Em uma outra parte do mundo, pertencendo a uma  outra cultura – na China, que em termos econômicos avancou espantosamente nos últimos anos – as mulheres sao repetidas vezes tratadas  apenas como “uma mercadoria”, a qual pode ser simplesmente descartada quando nao vendida.

As mulheres latinas, na sua maioria, vivenciam ainda o dilema entre o sonho em encontrar  um príncipe, com o qual será feliz para sempre e a verdade absoluta que sem fazer uma carreira profissional nao tem lá chances de realizacao. As europeias já fizeram, faz tempo, a opcao pela realizacao profissional, por seres independentes da figura masculina, porém o   instinto maternal, como é natural e para o bem da humanidade nao foi afogado entre os compromissos da agenda profissional e privada. Ser mae, ter uma família ainda é  importante para uma boa parte das europeias, mas conciliar os interesses da família, os próprios e todas as obrigacoes profissionais e privadas acabam quase que tirando o tempo dessas mulheres para respirar.

Quanto a mim, há dez anos atrás eu abandonava a minha vida profissional para ter uma chance em viver a minha aventura romântica. Hoje tenho mais que romance, tenho duas filhas, as quais me proporcionam razoes de sobra para eu sentir-me realizada como mae. Mas tenho que admitir que a minha independência econômica me faz uma falta danada e sobretudo as minhas perspectivas profissionais. Nicht auf geben – nao desista, tento convencer-me sempre que me sinto desanimada e recordo-me da sorte que tenho em ser eu mesma e poder ser eu mesma, mesmo que para isso tenha que, algumas vezes, levantar a voz aqui em casa para garantir o meu espaco, pois a auto-estima deve ser mantida e polida, já que o sentimento de frustracao, por nao se ter uma carreira brilhante, pode bater de vez em quando, mas nao pode absolutamente tornar-se crônico.

Escrevendo de um jeito meio feminista – nós mulheres temos que nos valorizar, nos respeitar, tratar-nos com carinho e consideracao, pois os homens já se tratam assim e faz muitos séculos…

Beijos e linda semana!