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Formação V – Sabedoria e Fascínio

Terça-feira, Março 12th, 2013

Não duvide das verdades de seu coração.

Sinceramente estamos todos assustados com a volta do inverno, prá não dizer decepcionados… a última semana foi muito ensolarada e nos banhamos numa temperatura muito agradável de até 12 graus. Hoje lá fora se pode facilmente congelar ou pegar uma pneumonia. Os campos, as flores que despontavam nos jardins – entre elas as Tulipas e  os sininhos de neve” estão cobertos por uma boa camada de neve. As crianςas estão felizes por poderem ficar em casa, pois os ônibus escolares não estão circulando nesta manhã, talvez não haja mais sal para facilitar e assegurar o trânsito. Sim, o inverno parece interminável. No entanto para nós humanos ainda é tudo facilmente suportável e se reclamamos é por puro tédio, não temos realmente motivo para lamúrias. Já para os animais este contratempo é lamentável, sobretudo para as aves migratórias, as quais estão voltando de seus refúgios no sul e viajando para o norte, onde procriam.

Na última semana pude ainda observar  no nosso céu azul mais um bando de Kraniche/ Grou atravessando a vila e me fascinei mais uma vez com o som que emitem – o que para mim significa uma música linda, a música da primavera e a formaςão em V que utilizam para voar através de grande distâncias. O significado desta formação ouvi há anos atrás quando ainda trabalhava na SRE de Itajubá. Em uma daquelas muitas reuniões minha chefe leu um texto sobre as aves migratórias e a formação V. Fiquei impressionada e sensibilizada com mais este fascínio e sabedoria que impregna a Natureza. Atualmente tenho o privilegio de observar estas aves e a formaςão que utilizam nas suas grandes viagens. Esta formação trata-se da sobrevivência dos animais mais frágeis. Para que todo o bando possa atravessar com vida as interpéries de uma longa viagem os pássaros mais fortes compõem a ponta do V, freando assim de certa forma o vento para os pássaros mais frágeis, os quais então despendem muito menos energia durante o vôo tendo possibilidade de sobreviverem à trajetória. Fascinante também é o fato de que os pássaros que voam na ponta se revesam nas posições estratégicas, assim eles garantem a todos uma possibilidade de reabastecimento de energia. Não é lindo? Penso agora em como nós humanos poderíamos aprender tanto mais com os fênomenos naturais se tívessemos a calma e a humildade para observá-los, compreendê-los, aceitá-los, imitá-los.

Hoje estou pensando ainda mais sobre aves migratórias, apesar de não ter nehuma possibilidade de observá-las. No conforto egoísta do apartamento quente, janelas e portas vedadas, uma xícara de café do lado e  lendo o jornal regional observei num pequeno quadrado no lado direito de uma de suas páginas o título “Keine Sicht für Kraniche/ Nenhuma visão para Grou, ou seja, as aves- em função de neblina densa – perderam a orientaςão das estrelas e tiveram que fazer pouso forςado na região de Thüringen. Grande parte delas voaram muito baixo na área próxima ao parque nacional em Heyerode. Outras delas pousaram, sem mais  forςas para voar, sobre  ruas asfaltadas e outras ainda se atropelaram com as casas, algumas delas foram  atropeladas por carros. Infelizmente Elas  também foram surpreendidos pelo ar gelado”.

Infos em aspas: tradução Rhein-Hunsrück-Zeitung, n° 60, 12.03.13

Me pergunto agora sobre o que nós humanos temos que reclamar…

Beijos e linda semana com ou sem inverno!

Partida – direςão sul

Terça-feira, Outubro 18th, 2011

Dormir também é uma boa escapada.

“Devagar o verão (ou tentativa do mesmo) se despediu. Precisa-se de novo de jaquetas quentes penduradas nos cabides do corredor. Os animais percebem isto também. Enquanto alguns deles se retiram para uma longa soneca, outros viajam para países quentes – por exemplo, as aves migratórias. Entre elas estao os gansos, cisnes, kuckucks, rouxinóis, andorinhas e muitos outros. Todos eles nao encontram mais aqui alimento suficiente porque nenhum inseto se expoe mais nos jardins e matas, as minhocas também ficam congeladas no interior da terra, ou seja sao inatingíveis. Assim se eles ficassem aqui, com certeza, passariam fome.

Claro, a natureza providenciou tudo para que estes animais saibam exatamente quando é hora de tomar o rumo do sul. Como eles conseguem tomar a direcao correta, sem um mapa  ou um sistema de navegacao, nao  se sabe exatamente. alguns pesquisadores acreditam que provavelmente em funcao do campo magnético do planeta terra, outros acreditam que eles se orientam através das estrelas. Em todo o caso, em todos os invernos, os pássaros após voarem milhares de kilômetros chegam aos seus respectivos (mais aconchegantes) destinos. As andorinhas chegam até mesmo  na África. Para tanto precisam atravessar os Alpes, o mar e o deserto. Uma viagem bastante perigosa. Os kukucks viajam solitariamente, ao contrário dos outros pássaros eles nao  se organizam em bandos. A maioria dos pássaros viajam na direcao da África, porque lá encontram a temperatura ideal para sobrevirem. Cada grupo voa no seu próprio caminho, rítmo e formacao para o seu destino final. Os gansos e Craninhos voam no formato V. Patos selvagens voam em linha reta, um ao lado do outro e os grebes na formacao corrente. Muitos pássaros voam até 10.000 kilômetros de distância. Para isto necessitam de várias semanas, daí as pausas  para a busca de alimentos. As andorinhas que vivem às margens dos lagos sao as recordistas em distância, pois atingem a marca de 40.000 kilômetros a cada ano. (…)
Em abril, a maioria destas aves estao de volta de suas longas viagens para fazerem seus  ninhos e o  acasalarem-se, pois aqui aqui entre nós elas têm mais espaco que no sul, além disso aqui elas têm mais tempo para procurar alimentos para os seus bebês esfomeados já que aqui os dias vao se tornando, até o verao, cada vez mais longos e no sul eles permanacem com o  mesmo número de horas.”

A natureza nao é fascinante?

Beijos.

Texto: minha traducao de um dos textos de Sonya Ross, minha colunista  preferida do Jornal Rhein-Hunrück-Zeitung, 15.10.11

Por que as folhas, atualmente, estao coloridas?

Quinta-feira, Outubro 14th, 2010

O início do outono do alto do Marksburg.

Hoje de manhazinha quando estive andando pelas ruas distribuindo o nosso jornal regional senti e observei o frio de volta. Uma camada de gelo cobria o asfalto das ruas, os campos e os pára-brisas dos carros que se encontravam estacionados fora das garagens. Já nao ouco o canto da passarinhada, as flores de verao estao morrendo nos jardins e as cebolas de novos narcisos e tulipas já estao encravadas na terra, na esperanca de mais uma super colorida primavera. Já ouvi, com certa inveja, o som de alguns bandos de gansos que já tomaram o rumo do sul. Sorte a deles! Nós ficamos aqui e já tememos o inverno que com certeza chega em poucas semanas. Agora a neblina domina a paisagem, mas aguardamos com ansiedade mais um dia lindo de sol para poder sair por aí e observar os últimos dias de vida das folhas de árvores caducas. Muitas já estao espalhadas pelo solo, abandonadas pela natureza e por nós mesmos. Muitas ainda estao penduradas nos galhos e o colorido delas nos alegram o coracao. Mas por que as folhas se tornam coloridas?

As folhas, na primavera nascem   carregadas de Clorofila, por isso sao verdes. Através delas as árvores se alimentam da energia do sol e água – elementos fundamentais para a sua vida. No outono, as árvores, transportam toda a clorofila (o verde), o que significa abastecimento extra e energia e água, para o seu tronco e raízes. Assim o que restam nas folhas sao elementos de cores amarelas  e vermelhas, os quais ficam evidentes após a “digestao” do verde pelas árvores. Posteriormente estas folhas coloridas e lindas caem dos galhos, pois as árvores nao têm mais suficiente água e minerais para alimentá-las já que o solo congela. Podemos dizer entao, que as árvores, assim como muitos animais,  dormem no inverno. E é fantástico vê-las despertar na primavera. A natureza nao é demais?

Beijos.

Der Herbst – O Outono

Quarta-feira, Setembro 22nd, 2010

A primeira imagem marcante do outono recentemente registrada por mim.

chegou… ele está aqui, acho que por toda a parte, nao sei, nao tenho saído de Hunsrück, apesar que ontem estive perdida pela regiao Eifel, um dos nossos municípios vizinhos. Constatei mais uma vez que a minha capacidade de orientacao geográfica é mínima. Nao tenho coragem de descrever a minha aventura de ontem ao voltar para casa depois de tomar um café na casa do Rubens e comer dois pedacos bem generosos de bolo de cenoura com cauda de chocolate… delícia! O fato é que nao tive condicoes de tentar  encontrar a direcao correta para casa e ao mesmo tempo observar as marcas do outono, as quais observo por aqui  sempre que coloco os pés para fora de casa ou estico o pescoco pelas janelas. A natureza apresenta um espetáculo colorido… o ciclo se repete, mas representa sempre um espetáculo  à parte. A mistura linda de cores que domina a paisagem nao supera, no entanto, o sentimento de melancolia que me envolve nesta época do ano. Por que muitas vezes o que existe de mais poético e lindo é tao doce e triste? Olhar, sentir e apreciar a natureza e os rolos de fenos espalhados pelos campos enormes representa para mim também, assim como para todas as pessoas  e bichos, creio eu, a preparacao para o frio e o cinza do inverno. Os sentimentos de alegria e satisfacao  por estarmos  envolvidos em mais um fenômeno espetacular da natureza sao mesclados com um toque de tristeza e medo, afinal o inverno é uma fase de introspeccao – o que vamos encontrar fora das nossas paredes aquecidas e confortáveis? O que vamos encontrar ou reencontrar dentro de nós mesmos?

Beijos e um lindo dia!